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Cientistas transformam garrafas PET em ingredientes usados para produzir biscoitos

Cientistas transformam garrafas PET em ingredientes usados para produzir biscoitos

4 min de leitura

Cientistas transformam garrafas PET em ingredientes usados para produzir biscoitos

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 05/09/2026 às 20:09

Atualizado em 05/09/2026 às 20:20

Ciência e Tecnologia

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Pesquisadores dos EUA desenvolveram método que transforma plásticos PET e resíduos agrícolas em ingredientes usados na produção experimental de biscoitos ricos em proteína. Fonte: Southern Illinois University.

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Pesquisadores dos EUA desenvolveram método que transforma plásticos PET e resíduos agrícolas em ingredientes usados na produção experimental de biscoitos ricos em proteína.

Pesquisadores da Universidade do Sul de Illinois, nos Estados Unidos, estão testando uma forma incomum de aproveitar plásticos descartados: quebrar moléculas presentes no PET e utilizar microrganismos geneticamente modificados para convertê-las em componentes que podem integrar alimentos.

A equipe liderada por Sandhya Jayasekara já produziu biscoitos experimentais ricos em proteína a partir dessa rota, mas o produto ainda aguarda autorização das autoridades de saúde para avançar nos testes de sabor.

A proposta não consiste em triturar embalagens e adicioná-las diretamente à receita. O processo transforma quimicamente o resíduo antes de entregá-lo às leveduras, que funcionam como pequenas fábricas biológicas. O objetivo é aproveitar o carbono presente no plástico e reconstruí-lo na forma de moléculas com outra função.

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A pesquisa foi publicada dia 24 de agosto de 2026 na ACS.

Garrafas PET entram como uma das matérias-primas

O trabalho utiliza PET, ou tereftalato de polietileno, polímero empregado amplamente em garrafas de água e refrigerantes. Sua composição contém moléculas ricas em carbono, elemento que também está presente nos alimentos.

Foi essa relação que levou a equipe a investigar uma utilização diferente para resíduos que normalmente seriam destinados à reciclagem convencional ou ao descarte.

Além dos plásticos, os cientistas trabalham com biomassa agrícola, incluindo talos e folhas descartados de plantas de milho. Assim, duas fontes de resíduos entram no mesmo sistema de conversão.

O professor Lahiru Jayakody explica que o projeto começou com a busca por formas de reciclar plástico e produzir itens de maior valor agregado. A possibilidade de transformar esse carbono em alimento surgiu posteriormente como uma nova direção para a pesquisa.

Água, oxigênio, pressão e calor quebram o resíduo antes das leveduras

A primeira etapa utiliza um procedimento chamado dissolução hidrotérmica oxidativa. Água e oxigênio são submetidos a altas temperaturas e pressão para decompor estruturas resistentes em fragmentos menores.

Somente depois dessa transformação os microrganismos entram no processo.

Pesquisadores dos EUA desenvolveram método que transforma plásticos PET e resíduos agrícolas em ingredientes usados na produção experimental de biscoitos ricos em proteína. Fonte: Southern Illinois University.

Jayasekara programou diferentes tipos de levedura, entre eles o próprio fermento utilizado na panificação, para consumir os compostos resultantes e convertê-los em substâncias como proteínas, vitaminas e moléculas responsáveis por aromas.

A lógica é semelhante ao uso de microrganismos já consolidado em outras áreas da biotecnologia. Leveduras podem receber instruções genéticas para fabricar determinadas moléculas, funcionando como sistemas vivos de produção.

Mistura também recebe fibras, amido e adoçante

Os ingredientes produzidos pelos microrganismos não saem do processo já no formato de um biscoito.

Depois da etapa biológica, os pesquisadores acrescentam fibras, amido e adoçante. A preparação resultante é então levada a uma impressora 3D, que dá forma aos biscoitos ricos em proteína.

A equipe vê nesse formato uma maneira de tornar a tecnologia mais fácil de compreender e utilizar. Em vez de apresentar apenas um composto produzido em laboratório, os cientistas procuram demonstrar como ele poderia aparecer em um alimento reconhecível.

Aplicação é pensada também para situações com poucos recursos

A proposta não está limitada à reciclagem. Os pesquisadores consideram que a capacidade de produzir nutrientes a partir de resíduos pode ter utilidade em zonas atingidas por desastres ou em futuras missões espaciais tripuladas, onde disponibilidade de alimentos e reaproveitamento de recursos tornam-se questões importantes.

Os próprios integrantes da equipe provaram os biscoitos experimentais e os consideraram palatáveis. Avaliações preliminares de aroma também tiveram respostas positivas, embora muitos participantes tenham indicado que consumiriam o produto principalmente em situações de escassez de alternativas.

Pesquisadores dos EUA desenvolveram método que transforma plásticos PET e resíduos agrícolas em ingredientes usados na produção experimental de biscoitos ricos em proteína. Fonte: Southern Illinois University.

Essa etapa, porém, não significa que os biscoitos estejam liberados para consumo comercial. A pesquisa ainda depende de aprovação das autoridades sanitárias para realizar testes formais de sabor.

O avanço científico está, por enquanto, no processo de conversão: em vez de tratar os plásticos apenas como resíduos a serem eliminados, a equipe tenta transformar parte de seus componentes em matéria-prima para moléculas com valor nutricional.

Fonte

Inovação Tecnológica


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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