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Cirurgia robótica contra endometriose amplia imagem de focos quase imperceptíveis, aumenta precisão perto de nervos e ajuda médicos a enfrentar doença que também pode comprometer a fertilidade
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 18/09/2026 às 23:23
Atualizado em 18/09/2026 às 23:24
Ciência e Tecnologia
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Sérgio Conti Ribeiro explica como laparoscopia e plataforma robótica melhoram a visualização da endometriose, enquanto Gabriela Rebelo detalha relação da doença com infertilidade.
Em julho de 2026, o ginecologista Sérgio Conti Ribeiro, professor do HCFMUSP e cirurgião robótico, explicou como a cirurgia minimamente invasiva ampliou a precisão no tratamento cirúrgico da endometriose. Durante o CNN Sinais Vitais, apresentado pelo Dr. Roberto Kalil, o especialista mostrou que a ampliação da imagem permite identificar pequenos focos da doença e trabalhar com maior precisão durante sua retirada.
O avanço ganhou importância especialmente porque esses focos podem aparecer em regiões anatomicamente delicadas, inclusive próximas de nervos relacionados à mobilidade das pacientes. No mesmo programa, a ginecologista cirurgiã Gabriela Rebelo explicou que a endometriose também pode estar relacionada à infertilidade, dependendo do tipo da doença e do nível de comprometimento apresentado por cada paciente.
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Cirurgia minimamente invasiva ampliou a visão dos pequenos focos de endometriose durante a operação
A abordagem cirúrgica da endometriose deve ser realizada por técnicas minimamente invasivas, seja por laparoscopia ou pela plataforma robótica, segundo Sérgio Conti Ribeiro. Uma das principais vantagens está justamente na capacidade de ampliar a região observada durante o procedimento, algo particularmente importante diante de focos pequenos e difíceis de identificar.
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Ao aproximar a ótica utilizada na laparoscopia, o cirurgião consegue ampliar a imagem e enxergar essas áreas com mais detalhes. Essa visualização permite realizar uma intervenção mais completa, buscando retirar os focos encontrados mesmo quando estão posicionados em regiões delicadas do organismo.
A precisão assume importância ainda maior quando a doença aparece próxima de nervos ligados à mobilidade das pacientes. Nesses locais, identificar exatamente onde estão os focos ajuda o cirurgião durante a retirada da endometriose e permite trabalhar com maior detalhamento anatômico.
Plataforma robótica aumentou a precisão que os cirurgiões já conseguiam alcançar com a laparoscopia
A laparoscopia já apresentava bons resultados na abordagem cirúrgica da endometriose antes da incorporação das plataformas robóticas. Ribeiro explicou, porém, que a chegada dessa tecnologia elevou ainda mais a precisão disponível durante os procedimentos e aumentou a capacidade de retirar os focos identificados.
A associação das técnicas permite ao cirurgião trabalhar com uma visão detalhada da região afetada e buscar uma remoção mais completa da doença. Segundo o especialista, essa precisão também pode diminuir a possibilidade de a paciente voltar a apresentar sintomas relacionados aos focos que permaneceram no organismo.
Esse ponto ajudou a mudar a interpretação de alguns casos anteriormente considerados recidiva da endometriose. Ribeiro destacou que parte dessas situações poderia representar, na realidade, persistência de focos que não haviam sido identificados ou removidos adequadamente durante a cirurgia.
Endometriose pode dificultar gravidez quando aderências comprometem as tubas uterinas
A relação entre endometriose e infertilidade também foi abordada durante o programa. Gabriela Rebelo explicou que existe uma associação importante entre a doença e a dificuldade para engravidar, embora isso não aconteça com todas as pacientes diagnosticadas.
O impacto depende do tipo da endometriose e do nível de comprometimento provocado pela doença. Um dos problemas pode surgir quando existe um processo aderencial intenso nas tubas uterinas, estruturas essenciais para o deslocamento do óvulo entre o ovário e o útero.
Quando essas estruturas estão significativamente comprometidas pelas aderências, o processo necessário para a reprodução pode ser prejudicado. Em determinados casos, segundo a especialista, essa alteração pode até inviabilizar a fecundação.
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Viviane Alves
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Endometriomas nos ovários podem reduzir reserva ovariana e afetar qualidade dos óvulos
As alterações nas tubas uterinas não são o único fator relacionado à infertilidade em pacientes com endometriose. Gabriela Rebelo também destacou os endometriomas, cistos de endometriose que ficam localizados nos ovários e podem interferir diretamente no potencial reprodutivo.
Esses cistos podem reduzir a reserva ovariana e comprometer a qualidade dos óvulos. O efeito sobre a fertilidade, portanto, pode resultar de diferentes manifestações da doença e variar de acordo com o comprometimento encontrado em cada paciente.
Essa característica ajuda a explicar por que a presença de endometriose não significa automaticamente que uma mulher terá dificuldade para engravidar. O quadro depende das estruturas atingidas e da intensidade das alterações provocadas pela doença.
Processo inflamatório da endometriose também pode interferir na implantação do embrião
Outro fator apontado por Gabriela Rebelo está no próprio processo inflamatório característico da endometriose. A inflamação pode interferir em diferentes etapas relacionadas à reprodução e ampliar os mecanismos pelos quais a doença afeta algumas pacientes.
Além de comprometer a qualidade dos óvulos, esse processo pode prejudicar a implantação do embrião no endométrio. A dificuldade para engravidar associada à endometriose, dessa maneira, não está ligada a apenas uma alteração isolada, mas a diferentes fatores que podem aparecer simultaneamente.
A combinação entre aderências, endometriomas e inflamação mostra a complexidade dessa relação. Como explicou Gabriela Rebelo durante o programa, são vários fatores associados quando se analisa o impacto da endometriose sobre a fertilidade.
Cirurgia robótica acrescentou precisão ao tratamento de uma doença marcada por focos pequenos e diferentes níveis de comprometimento
A importância da cirurgia robótica está justamente na possibilidade de ampliar os recursos disponíveis para identificar e retirar focos que podem ser pequenos ou estar próximos de estruturas delicadas. A laparoscopia já oferecia essa visualização ampliada, enquanto a plataforma robótica acrescentou maior precisão ao procedimento, segundo Sérgio Conti Ribeiro.
O avanço não elimina, porém, a complexidade da endometriose. A doença pode apresentar diferentes níveis de comprometimento e também afetar a fertilidade por mecanismos distintos, como aderências nas tubas uterinas, endometriomas nos ovários e processos inflamatórios.
As explicações apresentadas por Ribeiro e Gabriela Rebelo mostram dois lados do mesmo problema: a evolução das ferramentas disponíveis para a abordagem cirúrgica e os diferentes efeitos que a endometriose pode provocar no organismo feminino. A precisão da cirurgia, nesse contexto, busca melhorar a identificação e retirada dos focos enquanto cada caso continua dependendo das características apresentadas pela paciente.
Na sua opinião, o avanço da cirurgia robótica pode transformar o tratamento da endometriose ao permitir maior precisão na retirada de pequenos focos da doença? Você acredita que tecnologias como essa deveriam se tornar mais acessíveis às pacientes? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

