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Cirurgião aposentado paga apenas US$ 37 por pequena pintura em leilão, guarda quadro durante anos numa gaveta perto da lareira e ouve até que aquilo era “lixo”, até especialistas encontrarem assinatura, investigarem por nove meses e atribuírem paisagem a John Constable, com valor estimado em cerca de R$ 1,61 milhão

Cirurgião aposentado paga apenas US$ 37 por pequena pintura em leilão, guarda quadro durante anos numa gaveta perto da lareira e ouve até que aquilo era “lixo”, até especialistas encontrarem assinatura, investigarem por nove meses e atribuírem paisagem a John Constable, com valor estimado em cerca de R$ 1,61 milhão

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Cirurgião aposentado paga apenas US$ 37 por pequena pintura em leilão, guarda quadro durante anos numa gaveta perto da lareira e ouve até que aquilo era “lixo”, até especialistas encontrarem assinatura, investigarem por nove meses e atribuírem paisagem a John Constable, com valor estimado em cerca de R$ 1,61 milhão

Escrito por Ana Alice

Publicado em 11/09/2026 às 04:48

Atualizado em 11/09/2026 às 04:49

Curiosidades

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Pintura comprada por US$ 37 fica anos numa gaveta e é atribuída a John Constable, com valor estimado em até US$ 315 mil após perícia. – Imagem: Reprodução/UKTV

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Uma pequena paisagem comprada por quase nada em um leilão inglês passou anos esquecida numa gaveta até uma assinatura discreta levantar suspeitas e levar especialistas a uma atribuição capaz de mudar completamente seu valor.

Durante anos, uma pequena pintura de paisagem ficou guardada sem qualquer tratamento especial em uma casa no condado de Kent, na Inglaterra.

O quadro era pequeno, aproximadamente do tamanho de um cartão-postal, e havia custado apenas 30 libras esterlinas, cerca de US$ 37 na conversão usada posteriormente pela imprensa.

O detalhe capaz de mudar completamente seu valor estava quase escondido no verso da moldura: uma assinatura desbotada com o nome “J Constable”.

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A descoberta voltou a circular internacionalmente em 2024 depois de uma reportagem da Artnet News recuperar a história e estimar a obra em cerca de £ 250 mil, equivalentes então a aproximadamente US$ 315 mil.

O episódio, porém, é mais antigo do que essa nova repercussão sugere.

Registros da imprensa britânica mostram que a atribuição a John Constable foi revelada publicamente em setembro de 2013, durante uma participação ao vivo no programa BBC Breakfast.

A diferença entre o preço pago e a avaliação feita pelos especialistas ajuda a explicar por que o caso continua despertando curiosidade mais de uma década depois.

Um lote barato escondia uma assinatura quase apagada

Segundo a Artnet, o homem que originalmente comprou o quadro era um cirurgião oftalmologista aposentado.

Outras reportagens da época o identificam como Robin Darvell.

Ele encontrou a pintura em um leilão realizado em Canterbury, no sul da Inglaterra, junto de diversos outros objetos que despertavam pouco interesse entre os compradores.

Não se tratava de uma disputa entre colecionadores por uma obra reconhecida.

O pequeno quadro fazia parte de um lote de objetos que não haviam atraído compradores individualmente.

Robin observou a caixa antes da venda e percebeu a assinatura quase apagada no verso da moldura.

Pagou £ 30 pelo conjunto, levou tudo para casa e passou anos convivendo com a possibilidade de que aquela pequena paisagem pudesse ser mais importante do que parecia.

Pintura ficou anos guardada perto da lareira

Ainda assim, a pintura não foi imediatamente enviada a especialistas nem ganhou um lugar de destaque na parede.

De acordo com a reportagem republicada pela Artnet, ela passou anos guardada em uma gaveta próxima à lareira na casa da família, em Ash, Kent.

Pequena paisagem atribuída a John Constable foi comprada como parte de um lote de £ 30 e passou anos guardada antes de ser analisada por especialistas. Crédito: BBC / reprodução via El País.

O próprio filho do comprador contou que o pai praticamente não falava sobre o quadro.

A madrasta dele, por sua vez, não acreditava que pudesse se tratar de um Constable verdadeiro e chegou a sugerir que se desfizessem da peça.

A história mudou quando Robin entregou a pintura ao filho, Rob Darvell, durante uma reorganização da casa.

Rob tinha 45 anos na época e trabalhava como designer gráfico no leste de Londres.

A transferência veio acompanhada de uma condição simples: o filho deveria finalmente descobrir se havia alguma coisa por trás daquela assinatura.

Especialistas passaram nove meses estudando a obra

Ele começou pesquisando por conta própria, mas acabou procurando Curtis Dowling, especialista britânico em arte, antiguidades, falsificações e atribuições.

O que poderia ter terminado em uma avaliação rápida se prolongou por meses.

Dowling e sua equipe passaram aproximadamente nove meses estudando a pintura antes de chegar à conclusão apresentada publicamente.

A obra mostrava uma pequena paisagem rural associada a Suffolk, região do leste da Inglaterra profundamente ligada à trajetória artística de John Constable.

Essa localização fazia sentido dentro da produção do pintor.

Nascido em East Bergholt, Suffolk, em 1776, Constable tornou-se conhecido justamente pelas paisagens da região onde cresceu.

A National Gallery, em Londres, explica que o artista produzia numerosos estudos ao ar livre e depois utilizava esses registros como base para pinturas maiores desenvolvidas no estúdio.

Isso também ajuda a entender por que pequenas obras ligadas ao artista podem surgir longe dos grandes museus.

Constable deixou uma produção extensa de desenhos, estudos e pinturas de paisagem.

Algumas são obras monumentais e amplamente documentadas; outras são trabalhos pequenos, estudos ou peças cuja trajetória ao longo dos séculos pode ser bem menos clara.

Rob Darvell, à esquerda, segura a pequena paisagem ao lado do especialista Curtis Dowling, responsável pela investigação que atribuiu a obra a John Constable. Crédito: Curtis Dowling / Artnet News.

Tamanho pequeno aumentou a curiosidade em torno da pintura

No caso encontrado pela família Darvell, o tamanho era uma das características que chamaram a atenção dos especialistas.

A pintura era aproximadamente do tamanho de um cartão-postal e mostrava árvores, campos e outros elementos de uma paisagem rural.

Curtis Dowling declarou à Reuters na época que a obra não estava nas melhores condições, mas destacou justamente o fato de ser pequena e até então pouco conhecida.

Para o especialista, tratava-se de uma peça que havia permanecido praticamente “perdida” para o mercado e para os estudiosos.

Revelação aconteceu ao vivo na televisão

A revelação foi reservada para as câmeras.

Rob Darvell apareceu ao vivo no BBC Breakfast sem receber antecipadamente toda a conclusão dos especialistas.

Diante dele estava o pequeno quadro comprado por £ 30 e, ao lado, Dowling com o resultado da investigação.

A conclusão apresentada pelo especialista foi de que a pintura era uma obra de John Constable e poderia valer cerca de £ 250 mil.

“Estou em estado de choque. Essa notícia é tudo o que eu esperava, e mais”, disse Rob depois de ouvir a avaliação.

Naquele momento, a família não demonstrou pressa para transformar a descoberta em dinheiro.

Rob afirmou que passou a ficar muito mais preocupado até mesmo em manusear a pintura.

Disse também que gostaria de vê-la exposta publicamente durante algum período e que, pelo menos naquele momento, não havia planos imediatos de colocá-la à venda.

Robert Darvell com sua paisagem de Constable

Outras obras de Constable também reapareceram depois de anos

Também não foi a primeira vez que trabalhos associados a Constable reapareceram depois de permanecer esquecidos.

A própria Artnet lembrou outros episódios envolvendo obras localizadas em armários e depósitos, inclusive desenhos encontrados na Inglaterra e uma pequena pintura descoberta anos depois dentro de uma escola.

Esses casos ajudam a explicar por que uma assinatura quase apagada no verso de uma moldura pode ser suficiente para desencadear meses de investigação.

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No caso de Robin e Rob Darvell, a sequência começou sem laboratório, especialista ou catálogo de arte.

Começou com uma caixa de objetos que quase ninguém queria, £ 30 pagos em um leilão de Canterbury e uma pequena assinatura encontrada no verso de uma moldura.

Durante anos, o quadro permaneceu perto da lareira sem qualquer certeza de que fosse especial.

Só depois que passou para as mãos do filho a suspeita saiu da gaveta e chegou diante das câmeras.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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