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Colômbia pega toneladas de plástico que iriam para o lixo, transforma tudo em blocos gigantes que se encaixam como Lego e consegue levantar a estrutura de uma casa de dois quartos em apenas 5 dias, usando cerca de 6 toneladas de resíduos, antes de levar a tecnologia à África e transformar mais de 4 mil toneladas em 550 salas de aula

Colômbia pega toneladas de plástico que iriam para o lixo, transforma tudo em blocos gigantes que se encaixam como Lego e consegue levantar a estrutura de uma casa de dois quartos em apenas 5 dias, usando cerca de 6 toneladas de resíduos, antes de levar a tecnologia à África e transformar mais de 4 mil toneladas em 550 salas de aula

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Colômbia pega toneladas de plástico que iriam para o lixo, transforma tudo em blocos gigantes que se encaixam como Lego e consegue levantar a estrutura de uma casa de dois quartos em apenas 5 dias, usando cerca de 6 toneladas de resíduos, antes de levar a tecnologia à África e transformar mais de 4 mil toneladas em 550 salas de aula

Escrito por Ana Alice

Publicado em 04/09/2026 às 23:24

Atualizado em 04/09/2026 às 23:25

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Colômbia transforma plástico descartado em blocos tipo Lego, monta casas em 5 dias e leva a tecnologia a mais de 550 salas na África. – Imagem: Ilustrativa

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Uma tecnologia criada na Colômbia transforma resíduos plásticos em blocos modulares de construção, permite erguer estruturas residenciais rapidamente e já levou milhares de toneladas de material reciclado para centenas de salas de aula na África.

Uma ideia desenvolvida na Colômbia para dar destino a plásticos difíceis de reaproveitar acabou saindo de uma pequena operação de reciclagem em Bogotá e chegando a escolas na África.

A Conceptos Plásticos transforma embalagens, sacolas e outros resíduos em blocos modulares que se encaixam uns nos outros, permitindo montar a estrutura de uma casa de dois quartos em cerca de cinco dias e reaproveitar aproximadamente seis toneladas de plástico em uma única residência.

A tecnologia foi criada pelo arquiteto Óscar Andrés Méndez e pela engenheira eletrônica Isabel Cristina Gámez, que fundaram a empresa em Bogotá em 2010.

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Paulo Nogueira

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Em vez de tentar produzir novos objetos descartáveis a partir do material recolhido, eles decidiram transformá-lo em componentes grandes e duráveis destinados à construção.

O projeto cresceu muito além das primeiras casas colombianas.

Em parceria com o UNICEF na Costa do Marfim, a tecnologia foi usada para produzir salas de aula a partir de resíduos recolhidos localmente.

Segundo dados divulgados pela própria Conceptos Plásticos em setembro de 2026 e números publicados anteriormente pela National Geographic, mais de 4 mil toneladas de plástico foram transformadas em mais de 550 salas de aula.

Moradia construída com blocos modulares produzidos a partir de resíduos plásticos pela empresa colombiana Conceptos Plásticos. Crédito: Conceptos Plásticos / Divulgação

Blocos usam cerca de 95% de plástico

O funcionamento começa antes da construção.

Os resíduos são recolhidos, separados, limpos e processados.

Depois, o material é convertido em uma mistura moldável que dá origem a blocos, vigas, colunas e outras peças usadas no sistema construtivo.

Segundo a National Geographic, os blocos são formados por aproximadamente 95% de plástico.

Entre os materiais reaproveitados estão produtos comuns no fluxo de resíduos, como sacolas, embalagens de alimentos e frascos de xampu.

O formato é uma das partes essenciais da invenção.

As peças possuem saliências e encaixes que permitem que uma seja posicionada sobre a outra, em um princípio frequentemente comparado ao dos blocos de Lego.

Isso reduz a dependência do método tradicional de levantar paredes com tijolos unidos individualmente por argamassa.

A comparação com um brinquedo, porém, não significa que toda a casa simplesmente seja encaixada sem qualquer outro trabalho.

Fundação, preparação do terreno, cobertura, janelas, instalações elétricas, encanamento e acabamentos continuam sendo necessários e dependem de cada projeto.

Trabalhadores montam paredes com os blocos modulares da Conceptos Plásticos, que se encaixam uns sobre os outros durante a construção. Crédito: Conceptos Plásticos / Divulgação

Uma casa de dois quartos reaproveita cerca de seis toneladas

A escala fica mais clara quando o sistema é aplicado a uma residência.

Uma casa típica com dois quartos, banheiro, sala, sala de jantar e cozinha pode incorporar aproximadamente seis toneladas de plástico reciclado, segundo a National Geographic.

Depois que terreno e componentes estão preparados, a estrutura modular pode ser montada em cerca de cinco dias.

Esse prazo se refere principalmente à montagem do sistema de blocos e não significa que uma casa completa, com terreno preparado, fundação, eletricidade, água, janelas, telhado e todos os acabamentos, saia do zero e fique pronta para morar em exatamente cinco dias.

A rapidez vem justamente da repetição das peças.

Como os componentes chegam com dimensões e encaixes definidos, boa parte do trabalho se aproxima de uma montagem, reduzindo etapas normalmente necessárias na alvenaria convencional.

A National Geographic informou em 2025 que uma residência desse tipo tinha custo de referência entre US$ 4 mil e US$ 7 mil, dependendo das condições do projeto e do local.

O valor não deve ser interpretado como preço universal para construir qualquer casa com essa tecnologia.

O objetivo era resolver dois problemas ao mesmo tempo

Quando Méndez e Gámez começaram a desenvolver o sistema, a proposta estava ligada a dois desafios que dificilmente parecem relacionados à primeira vista.

De um lado estava a quantidade de plástico descartado.

Do outro, a dificuldade de construir moradias e infraestrutura de maneira acessível em comunidades com poucos recursos.

A ideia passou a ser transformar o primeiro problema em parte da matéria-prima para enfrentar o segundo.

Nos primeiros anos, a empresa trabalhou com companhias privadas e uma organização social na Colômbia.

De acordo com a National Geographic, cerca de 50 casas e escolas haviam sido construídas no país nesse período inicial.

O salto internacional começaria quando o projeto chamou a atenção do UNICEF.

Costa do Marfim tinha plástico nas ruas e falta de salas de aula

Em 2017, Aboubacar Kampo, então representante do UNICEF na Costa do Marfim, entrou em contato com os fundadores.

O país enfrentava simultaneamente um problema ambiental e outro educacional.

Resíduos plásticos descartados em Abidjan obstruíam sistemas de drenagem e contribuíam para o acúmulo de água parada.

Ao mesmo tempo, milhares de crianças precisavam de novas salas de aula.

O UNICEF informou em 2019 que mais de 280 toneladas de resíduos plásticos eram produzidas diariamente somente em Abidjan.

Na ocasião, o organismo estimava que a Costa do Marfim precisava de aproximadamente 15 mil salas de aula para atender crianças sem espaço adequado para estudar.

Foi nesse contexto que a tecnologia colombiana ganhou uma aplicação em escala muito maior.

A Conceptos Plásticos levou o conhecimento técnico para a Costa do Marfim e participou da criação de uma fábrica local capaz de transformar o plástico recolhido em componentes para construção.

O projeto também passou a integrar mulheres que trabalhavam na coleta de resíduos, criando uma cadeia que ligava reciclagem, produção local e novas escolas.

Mais de 4 mil toneladas viraram mais de 550 salas

A dimensão alcançada pelo projeto foi destacada pela National Geographic em março de 2025.

Segundo a publicação, mais de 4 mil toneladas de resíduos plásticos já haviam sido convertidas em mais de 550 salas de aula no trabalho desenvolvido com o UNICEF na Costa do Marfim.

O custo foi estimado em aproximadamente 60% daquele associado aos métodos tradicionais de construção.

Em setembro de 2026, a própria Conceptos Plásticos voltou a divulgar esses números, afirmando que o projeto transformou mais de 4 mil toneladas em mais de 550 salas de aula.

O site institucional da empresa também registra atualmente a entrega de 550 salas construídas com plástico reciclado durante sua etapa de expansão internacional em parceria com o UNICEF.

Há uma diferença entre esses números e uma página do UNICEF que ainda apresenta 262 salas construídas e 1.441 toneladas recicladas, além de mencionar um compromisso de construir 528 unidades.

Esses dados parecem refletir um estágio anterior ou um recorte diferente do programa, enquanto a empresa e a National Geographic divulgaram posteriormente totais superiores.

Escola construída com blocos de plástico reciclado em Gouékolo, na Costa do Marfim, dentro do projeto desenvolvido pelo UNICEF com a Conceptos Plásticos. Crédito: UNICEF / Frank Dejongh

Sistema foi pensado para ser desmontado e reutilizado

Outra característica do projeto é que as estruturas não precisam necessariamente permanecer para sempre no mesmo lugar.

A Conceptos Plásticos afirma que seus sistemas foram desenvolvidos para permitir desmontagem, realocação e reutilização das peças, aumentando o tempo em que o plástico permanece fora do fluxo de descarte.

A empresa também atribui aos componentes características como isolamento, resistência ao fogo e capacidade de uso em construções projetadas para enfrentar abalos sísmicos.

Méndez afirmou à National Geographic que as estruturas foram pensadas para permanecer em uso por períodos muito longos, chegando potencialmente a mais de 200 anos.

Essa estimativa, contudo, corresponde à expectativa declarada pelo inventor e não a dois séculos de desempenho já comprovados em campo, já que a empresa existe desde 2010.

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Tecnologia já ultrapassou Colômbia e Costa do Marfim

O trabalho não ficou limitado aos dois países.

Na atualização institucional referente ao período de 2024 a 2026, a Conceptos Plásticos informa ter implementações industriais na Colômbia, no Brasil, em Porto Rico e na Costa do Marfim, além de produção em andamento para o Sudão do Sul.

A estratégia mais recente inclui também sistemas menores e descentralizados, capazes de levar parte do processo de transformação do plástico para regiões onde construir uma grande fábrica seria economicamente difícil.

Quase 16 anos depois da fundação em Bogotá, a ideia inicial continua reconhecível.

O material que poderia permanecer durante décadas em aterros ou espalhado pelo ambiente passa primeiro por separação e processamento, depois é moldado em grandes peças de construção e finalmente reaparece em paredes de casas, escolas e outras estruturas.

Em uma residência de dois quartos, isso pode significar cerca de seis toneladas de resíduos retiradas do fluxo de descarte.

Na Costa do Marfim, a mesma lógica ganhou outra escala, com milhares de toneladas convertidas em centenas de espaços para crianças estudarem.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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