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Com 100 anos, brasileiro que já estava aposentado havia 45 anos, dirige sozinho para trabalhar como recepcionista e diz que continua na ativa porque gosta de gente e não quer ficar em casa

Com 100 anos, brasileiro que já estava aposentado havia 45 anos, dirige sozinho para trabalhar como recepcionista e diz que continua na ativa porque gosta de gente e não quer ficar em casa

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Com 100 anos, brasileiro que já estava aposentado havia 45 anos, dirige sozinho para trabalhar como recepcionista e diz que continua na ativa porque gosta de gente e não quer ficar em casa

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 10/09/2026 às 12:29

Atualizado em 10/09/2026 às 12:46

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Aposentado da Câmara dos Deputados havia 45 anos, João Pereira dos Santos acumulava outras quase quatro décadas de trabalho no Ministério da Justiça e mantinha em Brasília uma rotina própria, com deslocamento ao volante, leitura, convivência familiar e contato diário com pessoas.

A aposentadoria formal não encerrou a vida profissional de João Pereira dos Santos. Depois de deixar a Câmara dos Deputados, ele construiu outra rotina de trabalho em Brasília e, já centenário, continuava saindo de casa para atuar na recepção do Ministério da Justiça, onde mantinha contato diário com outras pessoas.

O caso foi registrado pelo Correio Braziliense quando Pereira completou 100 anos. Naquele período, ele estava aposentado havia 45 anos como inspetor de segurança legislativa da Câmara e acumulava 39 anos de atuação no Ministério da Justiça, onde trabalhava como prestador de serviços na portaria privativa.

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O expediente fazia parte de uma rotina que Pereira mantinha porque gostava de conversar, encontrar pessoas e permanecer ativo fora de casa. A aposentadoria recebida havia décadas, portanto, não significou para ele o abandono definitivo do trabalho nem do convívio cotidiano proporcionado pelo ambiente profissional.

A autonomia aparecia também no deslocamento. Embora morasse relativamente perto da repartição, Pereira preferia ir ao trabalho dirigindo o próprio carro, incorporando o trajeto ao volante à rotina de acordar cedo, preparar-se para o expediente e seguir para o ministério.

A direção não aparecia no perfil como uma atividade excepcional preparada para a reportagem, mas como parte do caminho habitual entre casa e trabalho. O mesmo valia para o expediente, mantido como rotina externa regular mesmo depois de Pereira já ter passado décadas na condição de aposentado.

Da Câmara ao Ministério da Justiça

João Pereira dos Santos chegou aos 100 anos trabalhando no Ministério da Justiça, mesmo aposentado havia 45 anos, e mantinha rotina ativa em Brasília.

Natural de Propriá, em Sergipe, Pereira mudou-se para Brasília em 1960. Na capital, trabalhou durante quatro anos como subchefe dos transportes da Câmara dos Deputados e, depois, passou à função de inspetor de segurança legislativa, atividade da qual viria a se aposentar.

A saída formal da Câmara não encerrou sua ligação com o trabalho em órgãos públicos. Em 1975, Pereira começou a atividade que manteria por décadas no Ministério da Justiça, agora em uma função diferente, ligada à recepção de quem passava pela portaria privativa.

Depois de atuar em transportes e segurança, o trabalho na recepção ampliou a presença da conversa e do contato pessoal em seu cotidiano profissional. Esse aspecto combinava com a forma como Pereira descrevia a própria relação com as pessoas e com as amizades que cultivava fora do expediente.

Durante a comemoração de seu centenário, ele resumiu essa postura em uma declaração registrada pelo jornal: “Querer bem a todos, querer bem ao Brasil. Eu nasci para gostar de todo mundo”. A fala refletia uma característica presente tanto em sua rotina de trabalho quanto na convivência familiar.

O vínculo com Brasília atravessava praticamente toda a vida adulta de Pereira. Ele havia chegado à cidade décadas antes do centenário e permaneceu ali ao longo das duas etapas de sua trajetória profissional, primeiro na Câmara dos Deputados e depois no Ministério da Justiça.

Quando completou 100 anos, essas duas fases apareciam lado a lado: uma aposentadoria concedida havia 45 anos e uma rotina profissional que seguia ativa. Pereira não havia retornado à mesma função da qual se aposentara, mas mantinha outro trabalho havia quase quatro décadas.

Na portaria privativa, a natureza do serviço colocava Pereira diante de quem entrava e saía daquele espaço do ministério. A função de recepcionista mantinha em sua jornada justamente o elemento que ele destacava ao falar de si: o interesse pela convivência e pela conversa com outras pessoas.

Leitura, família e os últimos meses

O emprego não era a única atividade que organizava seus dias. Pereira também mantinha o hábito da leitura e atribuía importância a continuar usando a mente, apesar de ter frequentado apenas o ensino primário, conforme o perfil publicado pelo Correio Braziliense.

A vida social se estendia para além da repartição. Ele cultivava amizades, visitava familiares quando podia e mantinha contato com uma rede formada por filhos, netos e bisnetos, além da convivência com a esposa, Terezinha Lucas Evangelista Pereira dos Santos.

Ao falar sobre longevidade, Pereira mencionava ainda cuidados pessoais que considerava importantes, entre eles a alimentação e a maneira de fazer as refeições. O relato expressava a interpretação dele sobre os próprios hábitos e não estabelecia uma recomendação médica nem uma fórmula comprovada para chegar aos 100 anos.

Esses hábitos apareciam no perfil como partes distintas de sua rotina, não como explicação médica para a longevidade. Trabalho, leitura, deslocamento próprio e relações sociais ocupavam espaços no cotidiano descrito pela reportagem, sem que qualquer um deles fosse apresentado como causa isolada de Pereira ter alcançado o centenário.

A história precisa permanecer situada no período em que foi registrada. A rotina de dirigir sozinho para o trabalho, atuar na recepção e manter contato diário com outras pessoas corresponde a 2014, quando Pereira ainda estava vivo e efetivamente em atividade.

Meses depois do perfil sobre seu centenário, uma nova reportagem do Correio Braziliense informou que ele havia trabalhado até o fim de agosto daquele ano. Após ser hospitalizado em setembro, João Pereira dos Santos morreu em Brasília no dia 23 daquele mês, aos 100 anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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