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Com 120 mil litros de leite por dia, fazenda brasileira surpreende o mundo ao alcançar novilhas de 340 kg aos 12 meses e cortar cinco meses de uma fase decisiva da produção

Com 120 mil litros de leite por dia, fazenda brasileira surpreende o mundo ao alcançar novilhas de 340 kg aos 12 meses e cortar cinco meses de uma fase decisiva da produção

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Com 120 mil litros de leite por dia, fazenda brasileira surpreende o mundo ao alcançar novilhas de 340 kg aos 12 meses e cortar cinco meses de uma fase decisiva da produção

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 14/09/2026 às 21:14

Atualizado em 14/09/2026 às 21:16

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Mudanças no bezerreiro, confinamento integral da recria, monitoramento da transição e protocolos reprodutivos por categoria ajudaram a propriedade de Tapiratiba (SP) a reduzir a idade ao primeiro parto de 27 para 22 meses enquanto ampliava sua produção diária de leite.

A Fazenda São José, em Tapiratiba (SP), relaciona parte da evolução de seu sistema produtivo a mudanças que começam bem antes da primeira lactação. Entre elas está uma meta definida para a recria: levar as novilhas a 340 kg aos 12 meses, condição usada para antecipar a entrada na reprodução.

O caso foi apresentado por Tiago Carneiro no Interleite Brasil 2026, em Uberlândia (MG), e detalhado em reportagem do MilkPoint. Os dados divulgados indicam que a produção saiu de aproximadamente 45 mil litros diários em 2019 para mais de 120 mil litros em 2026.

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No mesmo intervalo, a idade ao primeiro parto caiu de 27 para 22 meses. A redução retirou cinco meses da fase anterior à primeira lactação, período em que a novilha ainda gera custos de criação sem produzir leite.

Antes de chegar a esse resultado, a propriedade concentrou mudanças no bezerreiro. A morbidade entre zero e 30 dias caiu de 90% para 36%, enquanto a mortalidade na mesma faixa passou de 3% para 0,5%.

O ganho médio diário até os 76 dias subiu de 0,78 kg para 1,30 kg. A mortalidade global das bezerras, que ficava próxima de 10% antes de 2019, chegou a cerca de 2,5% no período apresentado para 2025 e 2026.

Recria confinada concentra controle sobre os lotes

Na etapa seguinte, a fazenda passou a manter 100% dos animais da recria em compost barn. O modelo foi associado, na apresentação, a maior controle sanitário e nutricional, redução do estresse térmico e formação de lotes mais uniformes.

Foi dentro dessa estrutura que a meta de 340 kg aos 12 meses passou a orientar o desenvolvimento das novilhas. O peso funciona como referência para que as fêmeas cheguem à reprodução com desenvolvimento compatível com a antecipação do primeiro parto.

A queda de 27 para 22 meses não foi apresentada como resultado de uma decisão isolada sobre idade. O manejo combina desenvolvimento corporal, sanidade, nutrição e acompanhamento dos animais antes que eles ingressem no grupo de vacas em produção.

Esse encurtamento também muda a duração de uma das etapas que antecedem a geração de receita no sistema leiteiro. A novilha passa menos tempo exclusivamente na recria antes de iniciar sua primeira lactação, desde que alcance as condições previstas no manejo adotado pela propriedade.

Transição é monitorada antes do início da lactação

O acompanhamento continua no período de transição, quando alterações de saúde próximas ao parto podem coincidir com perdas produtivas e reprodutivas. A propriedade utiliza colares eletrônicos para acompanhar os animais e identificar mudanças que indiquem necessidade de intervenção.

Os números apresentados mostram diferenças entre vacas classificadas como saudáveis e aquelas que tiveram uma ou mais doenças. No pico médio considerado pela fazenda, as saudáveis chegaram a 46,5 litros por dia, enquanto as doentes ficaram em 32 litros.

A diferença apareceu também na reprodução. A taxa de concepção foi de 50% entre as vacas saudáveis e de 25% entre aquelas que apresentaram problemas de saúde.

O descarte até 60 dias ficou em 3% no primeiro grupo e em 6% no segundo. A primeira inseminação artificial ocorreu, em média, aos 77 dias em lactação nas vacas saudáveis e aos 100 dias entre as que tiveram doenças.

Os indicadores ajudam a explicar por que o manejo da fazenda não termina quando a novilha atinge o peso ou chega ao parto. O desempenho da lactação seguinte continua relacionado ao acompanhamento sanitário e reprodutivo adotado durante a transição.

Reprodução muda conforme a categoria do animal

A propriedade também trabalha com estratégias reprodutivas diferentes para cada grupo. Nas novilhas, o foco está no controle da reposição e no parto precoce; entre as primíparas, entram primeiro serviço planejado e ressincronização para reduzir perdas de fertilidade.

Para as multíparas, o manejo pode incluir inseminação artificial em tempo fixo (IATF), transferência de embriões (TE) e fertilização in vitro (FIV), conforme o serviço reprodutivo. Vacas com repetidos serviços podem receber embriões ou entrar em programas de FIV.

Os indicadores gerais acompanharam essas mudanças. A taxa de prenhez apresentada pela propriedade passou de 12% para 26%, enquanto a taxa de serviço subiu de 40% para 65%.

A concepção geral avançou de 28% para 40%. Na primeira IATF, a taxa informada ficou entre 45% e 50%.

O acompanhamento dos indicadores é consolidado semanalmente e usado pela equipe nas decisões de manejo. Ao explicar essa rotina, Tiago Carneiro resumiu a lógica da propriedade na frase: “Sem medir, não existe gestão”.

A execução segue um ciclo de treinamento, padronização, checagem e correção, com a proposta de manter os protocolos definidos próximos do trabalho realizado diariamente. Na apresentação, essa ideia também apareceu na afirmação de que “o protocolo só funciona quando o operacional funciona”.

A gestão dos processos operacionais tem participação de Ana Elisa Negrão P. Barreto, esposa de Carneiro. Ela foi apresentada como responsável pela gestão operacional da propriedade, função ligada à execução cotidiana dos protocolos aplicados ao bezerreiro, à recria, à reprodução e às demais etapas do manejo.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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