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Comerciante acordou com R$ 77,6 milhões depositados por erro do banco, avisou o gerente em vez de gastar, esperou o estorno chegar, viu os R$ 77,6 milhões serem retirados e ficou com R$ 14 mil negativos por outro erro na conta
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/09/2026 às 14:11
Atualizado em 05/09/2026 às 14:51
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Sócio do irmão em uma pequena distribuidora, Paulo André Alves esperava cerca de R$ 8 mil para pagar compromissos da empresa. O crédito incompatível com as vendas foi comunicado ao banco, mas o primeiro estorno também atingiu recursos que pertenciam ao negócio.
Paulo André Alves conhecia o movimento da distribuidora de bebidas da família o suficiente para perceber que havia algo errado quando abriu a conta empresarial e encontrou mais de R$ 77,6 milhões registrados como faturamento de vendas em cartão.
Ele esperava ter aproximadamente R$ 8 mil disponíveis para compromissos da empresa, valor muito distante da cifra mostrada pelo banco. Em vez de sacar, transferir ou gastar parte do dinheiro, procurou a instituição para informar a inconsistência.
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O episódio ocorreu em dezembro de 2018, na Região Metropolitana de Curitiba, e foi relatado posteriormente pela Folha de S.Paulo. Alves era sócio do irmão em uma pequena distribuidora e costumava conferir pela manhã o que havia entrado na conta e quais pagamentos precisavam ser feitos.
A identificação do crédito como faturamento de cartão tornava a situação ainda mais incompatível com a rotina do negócio. As vendas nessa modalidade faziam parte da operação, mas o comerciante sabia que a empresa não havia realizado transações capazes de produzir uma receita de dezenas de milhões de reais.
Nos primeiros instantes, Alves tentou entender de onde poderia ter surgido o saldo. Ao confrontar o valor exibido na tela com as vendas que reconhecia como legítimas, concluiu que o dinheiro não correspondia à atividade da distribuidora.
A preocupação passou então para a origem do crédito e para as consequências de qualquer movimentação. O empresário cogitou a possibilidade de fraude ou invasão da conta e decidiu buscar uma explicação antes de tocar no valor que aparecia disponível.
Banco atribuiu o crédito a erro sistêmico
Alves entrou em contato com o Banco Safra para relatar o problema e tentar descobrir de onde haviam surgido os recursos. Conforme contou à Folha, a instituição atribuiu o depósito milionário a um “erro sistêmico”, sem apresentar a ele uma explicação detalhada sobre o mecanismo que provocara o lançamento.
O comerciante aguardou a retirada do valor sem tratar o saldo temporariamente disponível como patrimônio próprio. A expectativa era que o estorno eliminasse os R$ 77,6 milhões indevidos e devolvesse a conta à situação anterior, com o dinheiro que realmente pertencia à empresa.
Segundo o relato publicado pelo jornal, o problema começou a ser tratado por volta das 8h30 e a movimentação foi regularizada perto das 13h. Durante esse intervalo, Alves acompanhou a conta até o crédito extraordinário deixar de aparecer.
A retirada dos milhões, porém, trouxe uma segunda inconsistência. Quando voltou a consultar o saldo, o empresário encontrou R$ 14 mil negativos, embora antes do lançamento indevido houvesse aproximadamente R$ 8 mil que pertenciam à distribuidora.
Esse novo erro atingia diretamente uma obrigação da empresa. O dinheiro que estava disponível antes do crédito milionário seria usado para pagar fornecedores, e o saldo negativo deixou temporariamente o comerciante sem acesso aos recursos que esperava utilizar.
Alves não reivindicava qualquer parcela dos R$ 77,6 milhões. Depois de informar que a quantia não correspondia às vendas da distribuidora, seu objetivo era recuperar o saldo existente antes da movimentação bancária e normalizar os pagamentos do negócio.
A inconsistência posterior também foi corrigida. Assim, a conta passou, em poucas horas, do saldo esperado pela empresa para dezenas de milhões de reais e, após o estorno, para um valor negativo antes de voltar à normalidade.
Conta era usada para acompanhar o caixa da distribuidora
A conta jurídica fazia parte da rotina de controle das entradas e saídas do estabelecimento. Era por meio dela que Alves verificava os recebimentos e organizava os pagamentos, o que ajudou a identificar rapidamente que o faturamento exibido pelo banco não poderia corresponder às operações reais.
A diferença entre os valores reforçava essa percepção: o comerciante esperava cerca de R$ 8 mil para compromissos imediatos e encontrou mais de R$ 77,6 milhões associados a vendas em cartão, uma modalidade presente no negócio, mas em dimensão incompatível com o movimento reconhecido por ele.
A distribuidora era administrada por Alves e pelo irmão e tinha origem em um negócio familiar. A reportagem informou que a empresa havia sido criada como continuidade de um bar fundado pelo pai dos dois, em Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba.
A família também tinha planos de ampliar a operação com a abertura de uma nova unidade. Depois do episódio bancário, Alves indicou que pretendia seguir com o projeto e priorizar recursos próprios em vez de recorrer a financiamento para viabilizar a expansão.
O caso terminou sem uma explicação pública detalhada sobre a origem dos R$ 77,6 milhões ou sobre a razão de o estorno ter levado inicialmente a conta a R$ 14 mil negativos. A Folha informou que procurou a assessoria de imprensa do Banco Safra, mas a instituição não quis comentar o episódio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

