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Complexo a carvão de 740 MW em Santa Catarina entra na mira da energia nuclear após AIEA, ABDAN e Diamante abrirem estudo para instalar pequeno reator modular em uma das usinas

Complexo a carvão de 740 MW em Santa Catarina entra na mira da energia nuclear após AIEA, ABDAN e Diamante abrirem estudo para instalar pequeno reator modular em uma das usinas

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Complexo a carvão de 740 MW em Santa Catarina entra na mira da energia nuclear após AIEA, ABDAN e Diamante abrirem estudo para instalar pequeno reator modular em uma das usinas

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 26/09/2026 às 11:21

Atualizado em 26/09/2026 às 11:22

Energia Nuclear

Canal

Vista aérea de um complexo termelétrico com chaminé principal, estruturas industriais, subestação elétrica, pilha de carvão e aerogeradores no entorno.

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Diamante Energia, AIEA e ABDAN abriram estudo para avaliar a conversão de uma das quatro usinas do Complexo Jorge Lacerda, de 740 MW, em Santa Catarina, para uso de pequeno reator modular nuclear, sem decisão de implantação tomada.

Um dos maiores complexos de geração a carvão do Brasil entrou oficialmente no radar da energia nuclear. A Diamante Energia assinou em Viena uma carta de intenções com a AIEA e a ABDAN para estudar se uma das usinas do Complexo Jorge Lacerda, em Santa Catarina, pode ser convertida para operar com um pequeno reator modular, conhecido pela sigla SMR.

O movimento chama atenção porque coloca frente a frente duas tecnologias separadas por décadas de história energética. O Complexo Jorge Lacerda soma 740 MW de capacidade instalada, reúne quatro usinas em operação e nasceu apoiado no carvão mineral catarinense. Agora, uma parte dessa infraestrutura pode ser analisada sob o conceito internacional Coal-to-Nuclear, que estuda o aproveitamento de áreas e estruturas de usinas fósseis para projetos nucleares de nova geração.

Acordo assinado em Viena coloca uma usina a carvão no centro de um estudo nuclear

A carta de intenções foi assinada em 16 de setembro de 2026, durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena. O documento reúne a Diamante Geração de Energia, a AIEA e a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares, a ABDAN.

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Segundo a Diamante, a cooperação prevê estudos para conversão de uma termelétrica a carvão em instalação com Small Modular Reactor, além de troca de conhecimento técnico, disseminação de experiências e definição de atividades capazes de apoiar a tomada de decisão sobre o projeto.

Representantes da AIEA, ABDAN e Diamante Energia exibem os documentos assinados em Viena para a cooperação sobre estudos de conversão de uma termelétrica a carvão em instalação com SMR. Foto: Dean Calma/AIEA.

O ponto mais importante é que o acordo ainda não representa uma decisão de construir o reator. Ele abre uma etapa de avaliação técnica, regulatória e econômica para saber se a conversão faz sentido e quais obstáculos teriam de ser superados antes de uma eventual implantação.

Complexo Jorge Lacerda tem 740 MW e quatro usinas em operação

Localizado em Capivari de Baixo, no Sul de Santa Catarina, o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda é administrado pela Diamante Energia e possui quatro usinas que somam 740 MW de capacidade instalada. A estrutura conta com sete geradores e continua tendo papel importante na geração térmica do Sul do país.

A planta foi construída ao longo de décadas para aproveitar o carvão mineral da região. Esse histórico torna a hipótese de instalar tecnologia nuclear no mesmo complexo especialmente incomum: em vez de abandonar toda a área industrial e começar um projeto em outro local, o conceito Coal-to-Nuclear busca estudar quanto da infraestrutura existente pode ser reaproveitado.

A própria empresa afirma que a intenção atual se limita a uma das usinas. A estratégia é avaliar diferentes fontes no mesmo complexo, e o carvão continua fazendo parte da operação e da cadeia produtiva regional.

Autoridade nuclear já iniciou consulta regulatória para possível SMR em Santa Catarina

O acordo internacional não surgiu do zero. Em maio de 2026, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear realizou uma visita técnica ao Complexo Jorge Lacerda depois de um requerimento formal apresentado pelo Grupo Diamante Energia.

A consulta tem como objetivo orientar a empresa sobre os procedimentos necessários para um eventual licenciamento, especialmente a Licença Prévia de Local. Na visita, especialistas avaliaram preliminarmente a área cogitada para receber o empreendimento, observando características regionais, distância de centros populacionais e a necessidade de dados meteorológicos para estudos de segurança.

Equipe durante a visita técnica ligada à consulta regulatória para uma possível instalação de SMR no Complexo Jorge Lacerda. Crédito: ANSN/Gov.br.

Essa etapa regulatória é relevante porque projetos nucleares exigem análise do local antes mesmo de qualquer construção. O processo inclui requisitos específicos de segurança, radioproteção, características do sítio e planejamento de emergência.

SMR promete usinas menores, mas projeto ainda precisa provar viabilidade

Os pequenos reatores modulares são concebidos para ter potência e dimensões menores que as de grandes centrais nucleares tradicionais. O modelo busca permitir fabricação mais padronizada de componentes e implantação por módulos, mas cada projeto continua sujeito a licenciamento nuclear rigoroso e a avaliações econômicas próprias.

No caso de Jorge Lacerda, a principal questão é descobrir se uma instalação existente a carvão pode oferecer vantagens de infraestrutura para uma futura unidade nuclear. O conceito Coal-to-Nuclear considera fatores como conexão à rede elétrica, área industrial disponível, mão de obra qualificada e sistemas auxiliares que, dependendo do projeto, podem reduzir a necessidade de começar tudo do zero.

A AIEA vem apoiando estudos internacionais sobre esse tipo de transição. A parceria com a Diamante e a ABDAN prevê justamente troca de conhecimento sobre oportunidades, desafios e modelos para conversão de ativos térmicos.

Transição do carvão até 2040 aumenta peso da decisão em Santa Catarina

A discussão também está ligada ao Programa de Transição Energética Justa de Santa Catarina. Segundo a ANSN, o programa prevê substituição gradual de usinas a carvão por fontes de menor emissão até 2040.

Isso cria uma disputa tecnológica importante para o futuro do complexo. A infraestrutura já existe, a região possui uma cadeia econômica ligada à geração térmica e qualquer mudança de fonte envolve investimentos, licenciamento, qualificação profissional e impacto sobre fornecedores locais.

Por enquanto, a novidade concreta é o avanço institucional: a empresa já abriu consulta regulatória no Brasil e agora formalizou uma cooperação com a principal agência internacional do setor nuclear e com a ABDAN para aprofundar os estudos.

Próximo passo será transformar o acordo em estudos capazes de sustentar uma decisão

O projeto ainda terá de atravessar avaliações técnicas, econômicas e regulatórias antes que uma eventual instalação nuclear possa sair do papel. A carta assinada em Viena cria a estrutura de cooperação, mas a decisão final dependerá dos resultados desses estudos e das exigências do licenciamento brasileiro.

Se a proposta avançar, o Complexo Jorge Lacerda poderá se tornar um dos casos mais observados de transição entre carvão e energia nuclear no país. Se os estudos não demonstrarem viabilidade, o acordo terá servido para medir, com dados concretos, até onde essa conversão pode chegar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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