O candidato ao Senado Inácio Moreira (PSOL/Rede) afirmou, durante sabatina do ac24horas, que é favorável à investigação e ao eventual impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso sejam comprovadas irregularidades. Questionado sobre a possibilidade de integrar, no Senado, uma maioria interessada em afastar ministros da Corte, Inácio disse que sua posição não seria determinada por pressão partidária ou ideológica.
“Eu sou a favor de respeitar as instituições. As instituições são compostas por pessoas e pessoas falham”, afirmou.
Segundo Inácio, o fato de uma pessoa ocupar uma instituição de Estado não significa que ela esteja acima da responsabilização. Para ele, qualquer pessoa que cometa um erro ou crime deve responder por seus atos, independentemente da posição que ocupa.
“Eu quero que quem cometeu erro seja preso, principalmente ladrão do colarinho branco”, declarou.
Ao explicar sua posição, o candidato fez uma comparação com situações vivenciadas em seu bairro e criticou o que considera tratamento desigual entre ricos e pobres no sistema de Justiça brasileiro. “Lá no meu bairro, quando falha a polícia, já chega dando mãozada. Quanto mais prender”, afirmou.
Inácio também citou casos de corrupção envolvendo políticos e empresários para defender que a Justiça tenha o mesmo rigor com pessoas de diferentes classes sociais. Ele mencionou o ex-presidente Fernando Collor de Mello como exemplo.
“Eu não conheço nenhum burguês preso aqui em Francisco de Oliveira Conde. Quando um rico, que nem o Fernando Collor de Mello, que prendeu o dinheiro de pessoas humildes que estavam na poupança, quando ele é condenado, é prisão domiciliar. Televisão de 80 polegadas, piscina”, afirmou.
Na avaliação do candidato, o sistema penitenciário brasileiro é marcado pela desigualdade. Ele defendeu que pessoas condenadas cumpram suas penas, mas tenham condições de retornar à sociedade após o processo de ressocialização.
“Quem está no sistema penitenciário é pobre. E tem que estar lá mesmo para pagar, mas para ter uma oportunidade de voltar para a sociedade e se ressocializar”, disse.
Inácio questionou, porém, a capacidade do sistema prisional de cumprir essa função. “Quem acredita que o sistema penitenciário brasileiro consegue restaurar alguém para a sociedade?”, perguntou.
Ele também criticou a diferença de tratamento entre pessoas pobres e indivíduos com maior poder econômico envolvidos em crimes ou infrações.
“Eu não consigo ver os bacanas, muitos playboys aí de carro, dando cavalo de pau, botando risco de vida e matando pessoas presas. Esses têm como pagar fiança. Estão soltos no outro dia. Sabe quem chora? É a mãe que está lá no bairro, que não tem condições”, afirmou.
Ao ser questionado diretamente se assinaria um eventual pedido de impeachment contra um ministro do STF, Inácio respondeu que sim, desde que houvesse comprovação de irregularidade.“Com certeza. De qualquer um. Comprovou, tem que ser punido”, declarou.
O candidato também afirmou que não mudaria sua posição caso sofresse pressão de seu partido ou de integrantes do campo político ao qual está ligado.
“Eu não gosto de ser mais homem do que ninguém, não. Mas mais pressão para mim não ser candidato a senador não tem. E eu sou candidato a senador da República”, afirmou.
Inácio aproveitou a resposta para reforçar sua candidatura e o número de urna, encerrando a participação na sabatina com um pedido de voto. “Número 500, porque entre nós são outros 500. E o principal é porque são dois votos. Então, se você já tem o seu primeiro voto, dá o segundo para mim”, disse.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

