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Conab estima safra de café recorde de 67,6 milhões de sacas em 2026, 4,5 milhões acima da marca de 2020, puxada pelo “ano de alta” do café arábica e por Minas Gerais, que colhe mais da metade
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 24/09/2026 às 20:25
Atualizado em 24/09/2026 às 20:26
Agronegócio
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Com 99% da área colhida, a safra de café de 2026 deve fechar 19,6% acima de 2025, segundo o 3º levantamento da Conab; o café arábica cresce 34,8%, o conilon recua 6,6% com o frio no Espírito Santo e o café moído soma 14 meses de queda no IPCA
A Conab estima a safra de café de 2026 em 67,6 milhões de sacas de 60 kg, a maior da série histórica e 19,6% acima de 2025, no boletim divulgado em 24 de setembro.
Os números saíram no terceiro levantamento da safra de café, feito com 99% da área já colhida. Pela tabela da companhia, a produção sobe de 56,5 milhões de sacas em 2025 para 67,6 milhões. São 11,1 milhões de sacas a mais.
A safra de café de 2026 passa a de 2020 em 4,5 milhões de sacas
Até aqui, o topo da série da Conab, que começa em 2001, era a colheita de 2020, com 63,1 milhões de sacas. A estimativa nova supera essa marca em 4,5 milhões de sacas, ou 7,2%, mostra a planilha histórica da companhia.
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A mesma série mostra o tamanho do salto: 49,3 milhões de sacas em 2019, 47,7 milhões em 2021, 50,9 milhões em 2022, 55,1 milhões em 2023, 54,2 milhões em 2024 e 56,5 milhões em 2025. Em nenhum desses seis anos a colheita passou de 57 milhões.
A saca da estatística é de café beneficiado: o grão cru, sem a casca, antes da torra. Em quilos, 67,6 milhões de sacas vezes 60 kg dão 4,06 bilhões de quilos de café verde na safra de café de 2026.
Área cresceu 5,1%, mas a produtividade fez a maior parte do trabalho
Uma safra de café cresce por dois caminhos: mais hectares produzindo ou mais sacas por hectare. A Conab registra os dois. A área em produção subiu 5,1%, para 1,95 milhão de hectares, e a produtividade foi de 30,4 para 34,6 sacas por hectare, alta de 13,8%.
Multiplicando as duas altas, a conta fecha: 1,051 vezes 1,138 dá 1,196, os 19,6% de crescimento. A produtividade subiu quase três vezes mais que a área. A tabela histórica da Conab mostra que 34,6 sacas por hectare é a maior média desde 2001.
O boletim explica o salto com quatro motores: bienalidade positiva, novas áreas em produção, mais tecnologia e insumos e clima mais favorável.
Bienalidade: o pé de café alterna um ano cheio e um de descanso
A bienalidade é o vaivém natural do cafeeiro. Segundo a Conab, a planta alterna um ano de florada grande com outro de florada mais fraca. Em 2026, o café arábica está no ano de alta em quase todos os estados.
No Sul de Minas, o boletim detalha o efeito pé a pé. A lavoura que carregou pouco em 2025 se recuperou e agora gasta mais energia com frutos. A que carregou muito perdeu folhas e segurou menos flores, às vezes com bicho-mineiro e calor.
Na série do café arábica, a gangorra aparece nítida. Foram 43,4 milhões de sacas em 2016, 34,2 milhões em 2017, 47,5 milhões em 2018, 34,3 milhões em 2019, 48,7 milhões em 2020 e 31,4 milhões em 2021, mostra a tabela da Conab.
De 2022 a 2025, com 32,7, 38,9, 39,6 e 35,8 milhões de sacas, o compasso se perdeu. A Conab afirma que clima adverso pode alterar o ciclo, e o boletim registra em Minas chuva irregular e ondas de calor com efeito até sobre a bienalidade. No conilon, o clima pesa mais que o ciclo, segundo a companhia.
O café arábica ganhou 12,4 milhões de sacas e parou perto do recorde
O café arábica, cerca de 70% da produção, carrega o recorde nas costas. O boletim informa 48,2 milhões de sacas, alta de 34,8%, ou 12,4 milhões a mais. O conilon perde 1,4 milhão e cai para 19,4 milhões. O saldo é o ganho de 11,1 milhões.
Mesmo assim, o café arábica fica 524 mil sacas abaixo do recorde da espécie, os 48,7 milhões de 2020, registra a série da Conab. O total passa 2020 porque o conilon cresceu: de 8 milhões de sacas em 2016 para 20,8 milhões, seu recorde, em 2025.
A comparação com o levantamento de maio mostra a virada da colheita. Em quatro meses, a estimativa do café arábica subiu de 45,8 milhões para 48,2 milhões de sacas, e a do conilon caiu de 20,9 milhões para 19,4 milhões.
Minas Gerais colhe mais da metade da safra de café do país
Minas Gerais deve colher 35,6 milhões de sacas, alta de 38,2%, segundo a Conab. É 52,7% da safra de café do Brasil. Com o Espírito Santo, dono de 24,4%, o par soma 77,1%. Os cinco maiores, com São Paulo, Bahia e Rondônia, passam de 97%.
A maior virada mineira está no Triângulo, no Alto Paranaíba e no Noroeste. A região quase dobrou a colheita, de 4,8 milhões para 8,9 milhões de sacas, informa o boletim. O Sul e Centro-Oeste, maior polo mineiro, vai a 15,9 milhões.
O clima ajudou depois de um começo ruim. No Cerrado Mineiro, três semanas de seca em outubro de 2025 derrubaram parte das flores, detalha a Conab. De dezembro a março, a chuva voltou e garantiu o que o boletim chama de “excelente enchimento de grãos”.
No Sul de Minas, a colheita começou em maio, teve pico em julho e agosto e chegou a 90% da área, registra a Conab. Chuva acima da média em junho atrasou o serviço e derrubou café no chão.
Frio na florada tirou 2 milhões de sacas do conilon capixaba
O Espírito Santo, maior produtor de conilon do país, vai na contramão. A estimativa da Conab mostra 16,5 milhões de sacas no estado, queda de 5,4%. O conilon capixaba cai 14,3%, cerca de 2 milhões de sacas a menos, para 12,1 milhões.
A causa, segundo o boletim, foi o frio, que deixou irregular a florada do conilon. O café arábica capixaba, em ano de alta na bienalidade, fez o caminho oposto e cresceu 33%, para 4,38 milhões de sacas.
Em maio, a Conab ainda previa 13,6 milhões de sacas de conilon no estado. O corte de 1,4 milhão até setembro explica quase todo o recuo do conilon brasileiro no período, de 1,5 milhão de sacas.
São Paulo cresce 30,6%, Rondônia 24% e o Paraná fica para trás
São Paulo, que só planta café arábica, deve colher 6,2 milhões de sacas, alta de 30,6%, conforme a Conab. Chuva regular e temperatura amena, sem calor excessivo, ajudaram as lavouras do interior paulista.
Rondônia, só de conilon, tinha 98% da área colhida no fim de agosto. A estimativa é de 2,9 milhões de sacas, 24% acima de 2025. O boletim explica o ganho com a renovação das lavouras por plantas clonais mais produtivas.
A Bahia cresce 1,2%, para 4,5 milhões de sacas. O Paraná é exceção: cai 3,3%, para 724,1 mil sacas, com pouca chuva, calor na florada e bienalidade negativa no estado, registra a Conab.
Em agosto, na bolsa de Nova York, o café arábica ficou no patamar de 2025
Para quem vende café arábica, o preço seguiu firme em agosto. A média foi de 344,56 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, 0,9% acima de agosto de 2025, segundo a análise de mercado da Conab. O robusta, referência do conilon, caiu. Em Londres, a média de agosto foi de US$ 3.701 por tonelada, 11,5% abaixo de agosto de 2025, registra a companhia.
O preço do café nesse patamar também mexe na lavoura. No Cerrado Mineiro, muitas áreas que deveriam ser podadas ou renovadas seguiram produzindo, afirma o boletim, porque nos preços atuais até lavoura de baixa produção garante boa margem ao produtor.
A exportação acelerou com a colheita. Em agosto de 2026, o Brasil embarcou 3,8 milhões de sacas, recorde para o mês e 43,2% acima de agosto de 2025, informa a Conab. De janeiro a agosto, os embarques somam 24,6 milhões, 6,6% abaixo de 2025.
O preço do café moído caiu 14 meses seguidos no IPCA
Na prateleira, o movimento é outro e começou antes da colheita de 2026. De acordo com o IBGE, o café moído ficou mais barato em todos os meses de julho de 2025 a agosto de 2026. São 14 quedas seguidas no IPCA.
Em 12 meses até agosto de 2026, o preço do café moído recua 16,94%, enquanto o índice geral sobe 4,22%, mostra a tabela do IBGE. Só em agosto, a baixa foi de 1,86%.
O alívio aparece no carrinho do supermercado, mas vem depois de uma disparada. Em maio de 2025, o mesmo café moído acumulava alta de 82,24% em 12 meses, registra o IBGE.
As 14 quedas acumulam 19,6%. Encadeadas a essa alta e à de 0,56% em junho de 2025, elas deixam o café moído de agosto de 2026 cerca de 47% mais caro que o de maio de 2024.
A Conab não espera tombo no preço do café na bolsa
A análise de mercado da Conab registra três forças que empurram o preço do café na bolsa para baixo: a safra brasileira no mercado, a colheita que se aproxima no Vietnã e a alta sazonal da produção na Colômbia. A companhia não espera reduções expressivas, por causa dos estoques baixos e da demanda em alta.
O número fechado da safra de café de 2026 vem no quarto e último levantamento, com a colheita encerrada e os grãos beneficiados, informa a Conab. Em 2025, esse boletim saiu em 4 de dezembro.
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café
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

