A deputada federal Antônia Lúcia (MDB-AC), que tenta renovar o mandato nas eleições deste ano, recebeu R$ 2,95 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral. O valor, repassado integralmente pela Direção Nacional do MDB, é o maior entre os nove candidatos do partido no Acre que disputam uma vaga na Câmara dos Deputados.
O montante destinado à parlamentar chama atenção não apenas pela diferença em relação aos demais integrantes da chapa, mas também pelo contexto jurídico que envolve a candidatura. Antônia Lúcia foi condenada pelo crime de peculato e enfrenta questionamentos na Justiça Eleitoral sobre sua elegibilidade.
Um levantamento dos recursos declarados pelos candidatos do MDB feito pelo ac24horas neste sábado (5) mostra que Antônia Lúcia recebeu quase R$ 3 milhões, valor mais de três vezes superior ao destinado aos outros principais nomes da legenda na disputa pela Câmara.
O segundo maior volume de recursos identificado até agora é o de Minoru Kinpara, com pelo menos R$ 833 mil entre repasses partidários e doações. Ney Amorim aparece com R$ 804 mil, seguido por Leonardo Melo, com R$ 793 mil, e Vagner Sales, presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, com R$ 790 mil.
Pedro Longo, atual deputado estadual e também candidato a deputado federal, registrou R$ 15 mil em recursos próprios. Outros três integrantes da chapa, Drª. Kel Guimarães, o vereador de Rio Branco Fábio Araújo e a Professora Sirlene Luz, ainda não haviam registrado recebimento de recursos no momento do levantamento.
O valor recebido por Antônia Lúcia supera em mais de R$ 2,1 milhões o montante identificado para Minoru Kinpara, segundo colocado no ranking interno da chapa. Em relação a Pedro Longo, a diferença chega a R$ 2,935 milhões.
Como mostrou o ac24horas e reportagem publicada na última sexta-feira (5), o Supremo Tribunal Federal (STF) assumiu o julgamento da ação penal que envolve Antônia Lúcia e acusações relacionadas ao desvio de recursos públicos. O caso chegou à Suprema Corte em razão da prerrogativa de foro da parlamentar.
Entenda: STF assume julgamento de ação por peculato envolvendo Antônia Lúcia
Antônia Lúcia foi condenada por peculato em processo que tramitou na Justiça Federal. Em julgamento anterior, ela chegou a receber uma condenação que envolvia também o crime de concussão. Posteriormente, houve absolvição em relação a essa acusação, mas a condenação por peculato foi mantida.
Além da ação penal, a candidatura da deputada também foi questionada pelo Ministério Público Eleitoral. Em agosto, o órgão pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) que negasse o registro de candidatura de Antônia Lúcia, sustentando que condenações por peculato e improbidade administrativa poderiam tornar a parlamentar inelegível.
O pedido ainda depende de análise definitiva da Justiça Eleitoral. Até que haja decisão final sobre o registro, a candidatura segue submetida ao processo eleitoral.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

