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Coordenador de TI perdeu R$ 400 mil em bets, apostou até na maternidade esperando pelo filho, virou entregador de moto e agora desinfluencia quase 30 mil seguidores

Coordenador de TI perdeu R$ 400 mil em bets, apostou até na maternidade esperando pelo filho, virou entregador de moto e agora desinfluencia quase 30 mil seguidores

5 min de leitura

Coordenador de TI perdeu R$ 400 mil em bets, apostou até na maternidade esperando pelo filho, virou entregador de moto e agora desinfluencia quase 30 mil seguidores

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 02/09/2026 às 19:39

Atualizado em 02/09/2026 às 19:40

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Wederson Marcos dos Santos, de 35 anos, perdeu as economias em apostas online, recorreu a bancos, parentes e agiotas, trabalhou até 14 horas por dia e ainda planeja quitar R$ 100 mil em dívidas apenas em 2027.

Enquanto a esposa cuidava do bebê que acabara de nascer, o coordenador de tecnologia da informação Wederson Marcos dos Santos ainda fazia apostas online pelo celular dentro da maternidade. A família vivia um momento de celebração, mas ele escondia dívidas que já comprometiam a vida financeira da casa.

A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, jornal brasileiro de cobertura nacional sobre assuntos diversos. Wederson resumiu a dimensão da compulsão em uma frase: “Eu não joguei na hora do parto do meu filho, mas joguei na maternidade”.

Em maio de 2026, aos 35 anos, ele se aproximava de um ano sem apostar. Ainda carregava uma dívida de R$ 100 mil, trabalhava com entregas de moto para reforçar a renda e reunia quase 30 mil seguidores em um perfil dedicado a afastar outras pessoas das bets.

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A aposta feita dentro da maternidade expôs uma dívida escondida da família

O filho de Wederson nasceu em outubro de 2022. Dois meses depois, ao ver a esposa amamentando, ele sentiu o peso de ter prometido sustentar a casa enquanto já acumulava dívidas. Foi nesse momento que contou à companheira o que estava acontecendo.

A revelação não encerrou o problema. Mesmo após receber apoio da esposa e procurar ajuda, ele voltou a apostar e a mentir. A razão que apresentava para continuar era a tentativa de recuperar R$ 100 mil já perdidos, comportamento conhecido como perseguição das perdas.

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Essa perseguição ocorre quando a pessoa tenta apagar um prejuízo com novas apostas. Cada rodada parece oferecer uma saída rápida, porém também abre espaço para uma perda maior. No caso de Wederson, a busca pelo dinheiro anterior alimentou novos empréstimos e recaídas.

De R$ 40 mil em seis meses a R$ 400 mil perdidos entre 2021 e 2025

Formado em Sistemas de Informação pela Universidade Federal de Goiás, Wederson tinha emprego estável em Aparecida de Goiânia, em Goiás. Ele começou a apostar em 2021 e perdeu R$ 40 mil em seis meses, valor que correspondia a todas as economias reunidas até então.

Os ganhos ocasionais ajudavam a manter a ilusão de que seria possível recuperar o prejuízo. Em uma ocasião, uma aposta de 75 centavos virou R$ 17 mil. Em outra, R$ 800 chegaram a R$ 22 mil em uma roleta ao vivo. Parte do dinheiro pagava contas, mas o restante voltava para o aplicativo e acabava perdido.

Com o passar do tempo, valores menores deixaram de provocar a mesma emoção. Wederson chegou a colocar R$ 40 mil em uma única rodada. Entre 2021 e 2025, o prejuízo acumulado atingiu R$ 400 mil.

Crédito fácil, Pix e celular fizeram a dívida crescer rapidamente

O acesso contínuo às bets permitia apostar de madrugada, no banheiro, durante encontros familiares e em qualquer intervalo do dia. O celular eliminava a distância entre o impulso e o depósito, enquanto o Pix tornava a transferência imediata.

Quando as economias acabaram, Wederson buscou crédito em bancos, pediu dinheiro a parentes e recorreu a agiotas. A sogra chegou a emprestar R$ 8 mil para o pagamento de um desses credores. Ele também deixou de pagar a casa e, em certo momento, não tinha dinheiro para consertar o pneu da moto.

A Folha de S.Paulo, jornal brasileiro de cobertura nacional sobre assuntos diversos, registrou que a perda total chegou a R$ 400 mil em quatro anos. Com o salário mínimo nacional de 2026 fixado em R$ 1.621, esse montante equivale a cerca de 247 salários mensais, ou pouco mais de 20 anos e meio de renda, caso nenhum centavo fosse gasto.

Conhecer tecnologia não impediu o avanço do vício em apostas

A formação em tecnologia da informação, área conhecida pela sigla TI, permitia que Wederson entendesse o papel dos algoritmos. Esses algoritmos são conjuntos de regras usados por sistemas digitais para organizar ações e respostas. Ainda assim, esse conhecimento não interrompeu o comportamento compulsivo.

O caso mostra a diferença entre compreender uma tecnologia e controlar a reação emocional provocada por ela. Propagandas, influenciadores, pagamentos rápidos e disponibilidade constante mantinham as apostas sempre próximas, inclusive durante atividades familiares e profissionais.

Wederson reconheceu a dependência como uma doença após uma fase de desespero na qual chegou a pensar em tirar a própria vida. Ele passou por atendimento psiquiátrico, usou medicação e ficou três semanas afastado de casa. A recuperação ganhou força quando assumiu a gravidade do problema e retomou o apoio da família.

Emprego em TI e entregas de moto criaram jornadas de até 14 horas

O salário de coordenador de TI já não bastava para as despesas comuns e o pagamento das dívidas. Para aumentar a renda, Wederson passou a transportar passageiros no caminho para o escritório e a fazer entregas de moto nos fins de semana.

Wederson Marcos dos Santos e esposa (Reprodução/ Redes sociais)

As duas atividades criaram jornadas que chegaram a mais de 14 horas por dia. O trabalho adicional não representa dinheiro fácil nem uma solução imediata. Ele faz parte de um esforço prolongado para reparar o prejuízo e recuperar a estabilidade financeira.

Em janeiro de 2026, Wederson conseguiu comprar a própria moto, que antes era alugada porque seu nome estava comprometido pelas dívidas. Em maio daquele ano, já conseguia encerrar o trabalho no sábado na hora do almoço e dedicar mais tempo à família.

Perfil criado para desinfluenciar mostra o custo real das bets

Wederson abriu uma conta no TikTok para desabafar sobre a dependência. No início, não mostrava o rosto. Depois, passou a expor a própria trajetória, falar das recaídas e responder a pessoas que também relatavam perdas, mentiras e dificuldade para parar.

Quase 30 mil seguidores acompanhavam o perfil em maio de 2026. Em vez de exibir supostos ganhos, ele mostra as consequências financeiras e familiares das apostas e tenta desestimular quem entrou nas plataformas após ver propagandas de influenciadores.

O trabalho como desinfluenciador não significa que a recuperação terminou. Em maio de 2026, Wederson estava perto de completar um ano sem apostas, mas ainda devia R$ 100 mil. Ele reconhece que a compulsão pode voltar se houver uma brecha e trata a distância das bets como um cuidado contínuo.

A projeção era chegar ao equilíbrio financeiro apenas em 2027. A história mostra uma recuperação construída com tratamento, trabalho, apoio familiar e vigilância diária, enquanto uma dívida elevada continua presente. Para quem enfrenta situação parecida, o relato também expõe como a tentativa de recuperar uma perda pode ampliar o prejuízo.

Você acredita que histórias assim ajudam a mostrar o risco real das apostas online? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com quem precisa conhecer o outro lado das bets.

Fonte

Folha de S.Paulo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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