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Coreia do Norte amplia complexo nuclear de Yongbyon com nova instalação identificada pela AIEA, movimento que aumenta as preocupações sobre a capacidade de produção de material nuclear do país e pode elevar tensões geopolíticas no leste asiático

Coreia do Norte amplia complexo nuclear de Yongbyon com nova instalação identificada pela AIEA, movimento que aumenta as preocupações sobre a capacidade de produção de material nuclear do país e pode elevar tensões geopolíticas no leste asiático

8 min de leitura

Coreia do Norte amplia complexo nuclear de Yongbyon com nova instalação identificada pela AIEA, movimento que aumenta as preocupações sobre a capacidade de produção de material nuclear do país e pode elevar tensões geopolíticas no leste asiático

Escrito por Hilton Libório

Publicado em 21/09/2026 às 13:57

Atualizado em 21/09/2026 às 13:58

Geopolítica

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Kim Jong Un e a expansão do complexo nuclear de Yongbyon

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A AIEA detecta expansão da infraestrutura de enriquecimento de urânio em Yongbyon e novos sinais sobre o avanço do programa nuclear norte-coreano. 

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil em 09 de setembro de 2026, a Coreia do Norte construiu uma nova instalação de enriquecimento de urânio no complexo de Yongbyon, que pode comportar até 28 cascatas de centrífugas. A informação consta de avaliação da AIEA, que também identificou sinais de operação em uma área ampliada do complexo de enriquecimento de Kangson.

As descobertas indicam que o Programa nuclear norte-coreano continua expandindo sua infraestrutura em diferentes pontos do país. A análise foi feita principalmente com imagens de satélite e informações de fontes abertas, já que a AIEA não mantém inspetores na Coreia do Norte desde 2009.

O novo edifício em Yongbyon tem dois andares. Imagens divulgadas pela mídia estatal durante uma visita de Kim Jong Un ajudaram a agência a identificar equipamentos de enriquecimento no interior da estrutura.

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AIEA identifica nova instalação nuclear em Yongbyon

A nova Instalação nuclear foi identificada pela AIEA como a segunda estrutura conhecida de enriquecimento de urânio no complexo de Yongbyon. A avaliação surgiu da comparação entre imagens de satélite obtidas durante a construção e fotografias divulgadas posteriormente pela imprensa estatal norte-coreana. Segundo a agência, as fotografias indicam a presença de cascatas de centrífugas a gás nos andares superior e inferior do prédio.

A construção teria espaço para até 28 cascatas semelhantes às observadas nas imagens. O número representa uma capacidade potencial da estrutura. Não significa, necessariamente, que todas as cascatas estejam instaladas ou funcionando simultaneamente. Esse detalhe é importante porque imagens externas permitem identificar mudanças físicas, mas não oferecem o mesmo nível de confirmação que uma inspeção presencial.

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O que são as cascatas de centrífugas

As cascatas são conjuntos de centrífugas conectadas para realizar sucessivas etapas de enriquecimento de urânio. O processo aumenta a concentração do isótopo urânio-235. Dependendo do grau de enriquecimento e da finalidade, o material pode ter aplicações civis ou ser utilizado na produção de combustível e, em determinados níveis, de material para armas nucleares. Por isso, a expansão de uma Instalação nuclear de enriquecimento recebe atenção especial dos organismos internacionais.

Yongbyon ganha novo foco no Programa nuclear

Yongbyon permanece como um dos principais centros conhecidos da infraestrutura nuclear norte-coreana. O complexo está associado a diferentes atividades do ciclo nuclear, incluindo instalações relacionadas à produção de combustível e ao funcionamento de reatores.

Documentos do Conselho de Segurança da ONU também identificam o centro de pesquisa nuclear de Yongbyon e instalações relacionadas ao ciclo do combustível como parte da estrutura nuclear do país. A nova expansão acrescenta outro elemento a esse cenário.

A AIEA afirmou que as evidências disponíveis apontam para uma ampliação contínua da infraestrutura nuclear em diferentes locais. Entre os principais sinais observados estão:

O conjunto das informações não permite estabelecer, sozinho, quanto material nuclear adicional está sendo produzido. Ainda assim, mostra que a infraestrutura necessária para o enriquecimento de urânio continua recebendo investimentos.

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Kangson amplia a capacidade de enriquecimento

A análise da AIEA não se limita a Yongbyon. A agência também identificou sinais de atividade em Kangson, região próxima à capital Pyongyang. Segundo o relatório citado na fonte, uma Instalação nuclear de enriquecimento de urânio em Kangson teria começado a operar em janeiro, dentro de um anexo construído em 2024. A informação é relevante porque apresenta um segundo ponto de atividade relacionado ao enriquecimento.

Para os analistas, acompanhar diferentes locais é essencial para compreender a dimensão do Programa nuclear. Uma estrutura isolada pode oferecer apenas uma parte do quadro. Quando novas instalações aparecem em diferentes complexos, a avaliação precisa considerar toda a infraestrutura conhecida. A AIEA, entretanto, mantém ressalvas sobre o que pode ser confirmado remotamente.

Como a AIEA monitora a Coreia do Norte

A ausência de inspetores torna o monitoramento uma tarefa particularmente complexa. Desde 2009, a AIEA não possui equipe de inspeção permanente dentro da Coreia do Norte. A agência utiliza outras fontes para acompanhar as atividades. Entre elas estão imagens de satélite, fotografias oficiais, informações disponíveis publicamente e comparações de imagens produzidas em diferentes períodos.

No caso de Yongbyon, essa metodologia permitiu acompanhar a construção do novo prédio e, posteriormente, relacionar sua estrutura às fotografias divulgadas durante a visita de Kim Jong Un.

Esse tipo de monitoramento consegue revelar obras, mudanças no terreno, novos edifícios e possíveis equipamentos. Porém, existem limites importantes. Sem acesso físico, não é possível verificar diretamente todas as características operacionais de uma instalação. Por isso, a capacidade potencial de até 28 cascatas não deve ser interpretada automaticamente como produção efetiva correspondente a esse número.

Expansão do Programa nuclear aumenta atenção internacional

A expansão da infraestrutura ocorre dentro de um contexto internacional marcado por sanções contra Pyongyang. O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu o regime de sanções relacionado à Coreia do Norte em 2006, após o primeiro teste nuclear do país. A resolução 1718 proibiu uma série de atividades e estabeleceu medidas contra pessoas e entidades associadas aos programas nucleares e de mísseis. 

Atualmente, o regime inclui restrições financeiras, comerciais e relacionadas a programas de armas de destruição em massa, além de medidas direcionadas a indivíduos e entidades. A AIEA considera que os avanços observados no Programa nuclear norte-coreano são incompatíveis com as resoluções aplicáveis do Conselho de Segurança.

A posição de Pyongyang diante da AIEA

A Coreia do Norte contesta a autoridade da AIEA sobre suas atividades nucleares. Em setembro de 2024, a missão norte-coreana junto às Nações Unidas em Viena declarou que o país considerava irreversível seu status como Estado possuidor de armas nucleares.

Na mesma manifestação, Pyongyang questionou a competência jurídica da AIEA para interferir em seus assuntos internos, argumentando que sua situação deveria ser tratada a partir de sua própria condição nuclear.

Essa posição contrasta diretamente com a atuação da agência e com o regime de decisões do Conselho de Segurança da ONU. O impasse também ajuda a explicar uma das principais dificuldades atuais: a ausência de inspeções presenciais limita a possibilidade de confirmar diretamente o funcionamento e a finalidade de determinadas instalações.

Rafael Grossi alerta para expansão da infraestrutura

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, destacou a preocupação da agência com a continuidade das atividades de enriquecimento em Yongbyon e Kangson. A avaliação apresentada por Grossi acompanha o relatório que descreve as novas evidências encontradas por meio de monitoramento remoto.

A preocupação central está relacionada à expansão da capacidade de produção de material nuclear para armas. A agência, porém, não apresentou uma quantidade atualizada de material produzido especificamente pela nova estrutura de Yongbyon. Essa distinção é fundamental para interpretar os dados. Uma nova instalação pode indicar aumento da capacidade disponível, mas capacidade instalada e produção efetiva não são necessariamente equivalentes.

O que a nova instalação muda no cenário regional

A expansão da infraestrutura nuclear ocorre em um ambiente de elevada sensibilidade geopolítica no leste asiático. Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos acompanham há anos o desenvolvimento das capacidades nucleares e de mísseis de Pyongyang. A presença de novas estruturas de enriquecimento acrescenta uma variável importante às avaliações sobre o ritmo de desenvolvimento do país.

No caso de Yongbyon, o número potencial de 28 cascatas chama atenção porque demonstra a dimensão física planejada para o novo edifício. Já Kangson acrescenta outro ponto de interesse ao monitoramento internacional. Ainda assim, os dados disponíveis não permitem concluir, apenas com base nas imagens, qual será a produção final de material nuclear ou quando uma eventual capacidade adicional atingirá seu máximo operacional.

O que os dados revelam sobre o futuro nuclear norte-coreano

A principal evidência apresentada pela AIEA é a expansão física da infraestrutura. O novo prédio de dois andares em Yongbyon, a presença indicada de cascatas de centrífugas e os sinais de atividade em Kangson formam um quadro de continuidade. A Coreia do Norte mantém, portanto, estruturas relevantes para seu Programa nuclear em mais de um local.

O cenário também evidencia a importância do monitoramento por satélite enquanto não existem inspeções presenciais. A ausência de acesso direto torna cada nova imagem, fotografia oficial ou alteração estrutural uma peça importante para a reconstrução das atividades do país.

A instalação nuclear identificada em Yongbyon não permite determinar sozinha o volume de material produzido. Ela, porém, representa uma nova evidência de que a infraestrutura de enriquecimento continua sendo ampliada.

Expansão mantém Yongbyon no centro das atenções

Os dados apresentados pela AIEA apontam para uma expansão da infraestrutura de enriquecimento de urânio da Coreia do Norte em Yongbyon e Kangson. Em Yongbyon, o novo prédio de dois andares poderia acomodar até 28 cascatas de centrífugas, enquanto Kangson apresenta indícios de operação em uma área ampliada. O cenário reforça a relevância de Yongbyon para o acompanhamento do Programa nuclear do país, mas também mostra que a análise precisa considerar outros locais.

Sem inspetores dentro do território norte-coreano desde 2009, a AIEA depende de imagens de satélite e fontes abertas para acompanhar essas mudanças. Por isso, os dados disponíveis ajudam a dimensionar a infraestrutura, mas não substituem verificações presenciais.

A evolução da Instalação nuclear de enriquecimento será, assim, um dos elementos importantes para acompanhar a trajetória do Programa nuclear norte-coreano e seus possíveis impactos sobre a segurança regional.

Fonte

CNN Brasil


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Hilton Libório.

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