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Cratera de quase 9 metros se abre numa rua após anos da compra das casas na região, os contratos dos lotes avisavam aos construtores que havia minas de gesso no subsolo, mas quase todos os donos das casas não sabiam e 13 imóveis precisam ser evacuados

Cratera de quase 9 metros se abre numa rua após anos da compra das casas na região, os contratos dos lotes avisavam aos construtores que havia minas de gesso no subsolo, mas quase todos os donos das casas não sabiam e 13 imóveis precisam ser evacuados

7 min de leitura

Cratera de quase 9 metros se abre numa rua após anos da compra das casas na região, os contratos dos lotes avisavam aos construtores que havia minas de gesso no subsolo, mas quase todos os donos das casas não sabiam e 13 imóveis precisam ser evacuados

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 12/09/2026 às 14:48

Atualizado em 12/09/2026 às 14:49

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Em Hideaway Hills, na Dakota do Sul, documentos usados na venda dos lotes aos construtores mencionavam antigas minas de gesso e possíveis cavidades subterrâneas, mas essa informação não apareceu nos contratos posteriores dos moradores, antes de rachaduras, pequenos buracos e uma enorme cratera atingirem o bairro.

Os contratos dos lotes de Hideaway Hills avisavam aos construtores que o terreno e áreas vizinhas haviam sido minerados na superfície e no subsolo, mas os contratos usados depois na venda das casas não traziam referência à atividade subterrânea. Quase todos os compradores desconheciam a existência das antigas minas.

A decisão da Suprema Corte de Dakota do Sul, reproduzida pela Justia, plataforma jurídica que reúne decisões judiciais dos Estados Unidos, registra essa diferença entre os documentos e detalha uma sequência que terminou com uma cratera de quase 30 pés de profundidade, aproximadamente 9,1 metros, aberta em 27 de abril de 2020.

O buraco surgiu a poucos metros de uma residência, atingiu parte do jardim e da rua e deixou tubulações e linhas subterrâneas expostas. A instabilidade levou à evacuação de 13 casas em uma comunidade construída sobre uma antiga mina de gesso.

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Contrato vendido aos construtores dizia que havia minas de gesso e cavidades no subsolo

A diferença entre os documentos começa antes de os moradores comprarem suas casas. O loteamento Hideaway Hills foi desenvolvido em Black Hawk, no estado norte americano de Dakota do Sul, sobre uma área com um longo histórico de extração de gesso.

Quando os lotes passaram do incorporador Byron Keith Kuchenbecker para os construtores das casas, os contratos traziam um alerta claro. Os compradores eram informados de que a propriedade e terrenos próximos haviam sido minerados na superfície e no subsolo para retirada de gesso.

Contrato vendido aos construtores dizia que havia minas de gesso e cavidades no subsolo.

Os documentos também informavam que poderiam existir fissuras, cavidades e outras condições subterrâneas ligadas à mineração. O vendedor não oferecia garantia sobre essas condições, e os construtores assumiam a responsabilidade por eventuais problemas no subsolo.

Na prática, portanto, o histórico de mineração não era uma informação desconhecida durante essa etapa do empreendimento. Ele estava colocado expressamente nos contratos usados na negociação dos lotes.

Alerta sobre a mineração desapareceu quando as casas foram vendidas aos moradores

A situação mudou na etapa seguinte. O corretor Ron Sjodin participou da venda dos lotes aos construtores e também representou esses construtores quando as casas prontas foram posteriormente comercializadas aos moradores.

Nos contratos firmados entre construtores e compradores das residências, porém, não havia referência à antiga mineração nem à existência de atividade subterrânea. A diferença ficou registrada nos documentos analisados no processo judicial.

Em depoimento, Sjodin explicou que entendia que esse tipo de divulgação seria necessário para casas já existentes, e não para construções novas. Ele também declarou que não considerava o histórico de mineração um defeito relevante para a propriedade.

O resultado dessa cadeia de vendas aparece de forma direta no processo: quase todos os compradores não sabiam que existiam minas subterrâneas ou problemas relacionados ao terreno quando adquiriram suas casas em Hideaway Hills.

Antes mesmo das casas ficarem prontas e da cratera, obras encontraram grandes vazios debaixo do terreno

Os sinais no subsolo apareceram ainda durante o desenvolvimento do bairro. Em 2004, enquanto o terreno era preparado e valas para redes de serviços eram abertas, foram encontrados grandes espaços vazios sob a área.

Em um dos episódios, uma máquina usada na obra caiu parcialmente em um buraco. A abertura revelou uma cavidade subterrânea que Kuchenbecker descreveu como tendo entre 40 e 50 pés de profundidade. O buraco foi preenchido e o solo compactado.

Depois dessa descoberta, foram feitas perfurações de 25 pés de profundidade na área destinada a dez casas da East Daisy Drive. Nenhuma cavidade foi encontrada nesses pontos e o desenvolvimento continuou.

Pouco depois, durante a abertura de uma vala para a rede de esgoto, apareceu outro vazio, estimado em 6 pés de profundidade. Essa abertura também foi preenchida, enquanto a tubulação foi protegida com uma estrutura de aço.

Casas começaram a apresentar rachaduras em 2008 e pequenos buracos surgiram na rua

O desenvolvimento do loteamento terminou por volta de 2005, e os moradores começaram a ocupar as residências pouco depois. Apenas alguns anos se passaram até os primeiros problemas visíveis.

Em 2008, proprietários começaram a relatar assentamentos do terreno e rachaduras dentro das casas. Paredes e porões apresentavam sinais de movimentação, enquanto ruas do bairro também mostravam problemas.

Naquele mesmo ano surgiu o primeiro buraco registrado na East Daisy Drive. Outro apareceu posteriormente no quintal da mesma propriedade e revelou até o para choque de um automóvel que estava no espaço vazio abaixo do solo.

Os episódios menores antecederam o problema que mudaria definitivamente a situação de Hideaway Hills. Mais de uma década depois, uma abertura muito maior revelou a dimensão da instabilidade existente sob a comunidade.

Cratera de quase 9 metros abriu a poucos metros de uma casa e 13 imóveis foram evacuados

Em 27 de abril de 2020, uma cratera com aproximadamente 9,1 metros de profundidade, se abriu na East Daisy Drive. Ela apareceu a poucos metros da extremidade de uma residência e expôs um enorme espaço vazio sob o bairro.

Parte do jardim e da rua foi atingida. Tubulações e linhas subterrâneas que atravessavam a comunidade ficaram expostas, tornando visível aquilo que durante anos permaneceu escondido sob as casas.

A consequência imediata foi grave. Treze residências foram evacuadas por causa da instabilidade do subsolo. A decisão judicial também registra problemas de rachaduras e assentamentos envolvendo moradores da comunidade, que possuía mais de 150 proprietários.

Alerta sobre a mineração desapareceu quando as casas foram vendidas aos moradores.

A mina antiga havia utilizado o sistema conhecido como câmaras e pilares. Nesse tipo de exploração, partes do minério são retiradas e outras permanecem como pilares de sustentação, formando uma rede de corredores e grandes espaços subterrâneos.

Antiga mina de gesso havia criado uma rede de túneis e grandes câmaras sob a área

A primeira atividade de mineração registrada no terreno ocorreu no começo dos anos 1900. A empresa Dakota Plaster realizou mineração tanto na superfície quanto abaixo dela.

Na operação subterrânea foi utilizado o método de câmaras e pilares, que deixou uma extensa rede de túneis e grandes espaços vazios. Os registros disponíveis não permitem estabelecer todas as datas da exploração, embora indiquem atividade durante quase 30 anos.

A Justia, plataforma jurídica que reúne decisões judiciais dos Estados Unidos, também reproduz na decisão que documentos existentes mostram fornecimento de gesso a partir de 1924 e indicam que a mina subterrânea provavelmente já estava inativa em 1927. A falta de registros de determinados períodos impede reconstruir toda a história da exploração.

Décadas depois, o Estado da Dakota do Sul também explorou gesso na propriedade, mas por mineração de superfície. O terreno passou por recuperação antes de ser vendido e posteriormente transformado no loteamento residencial Hideaway Hills.

Suprema Corte manteve decisão favorável ao Estado no processo julgado em julho de 2026

A história das casas sobre a antiga mina chegou à Suprema Corte de Dakota do Sul em um processo movido por moradores contra o Estado. A decisão foi publicada em 9 de julho de 2026.

O ponto analisado nessa ação era uma alegação de desapropriação inversa. Os moradores buscavam responsabilizar o poder público sob o argumento de que ações do Estado teriam causado danos a propriedades privadas em circunstâncias que exigiriam compensação.

A Suprema Corte concluiu que os moradores não conseguiram estabelecer uma reivindicação válida desse tipo. Entre os pontos considerados, o tribunal entendeu que as ações governamentais discutidas ocorreram enquanto o próprio Estado era dono da propriedade e que as atividades analisadas não preenchiam o requisito de uso público necessário para essa reclamação.

Você compraria uma casa sabendo que antigas minas e possíveis cavidades existem sob o terreno? Conte nos comentários o que mais chama sua atenção nessa história e compartilhe a publicação com quem acompanha assuntos de construção, mineração e mercado imobiliário.

Fonte

Justia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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