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Criada em uma família de poucos recursos em Goiás, sofreu bullying ainda criança, aprendeu inglês pelo YouTube, criou uma ONG aos 15 anos que alcançou 8 mil estudantes, foi aprovada em 11 faculdades e se tornou a primeira brasileira a ganhar uma bolsa Rhodes para estudar em Oxford. Que trajetória!
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/09/2026 às 13:32
Atualizado em 05/09/2026 às 13:52
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Criada em Goiânia, jovem transformou experiências difíceis na escola em uma trajetória marcada por educação, projetos sociais e oportunidades internacionais, passando pelo aprendizado de inglês na internet, pela criação de iniciativas de grande alcance e por conquistas acadêmicas reconhecidas dentro e fora do Brasil.
Criada em Goiânia em uma família de poucos recursos, Luiza Vilanova transformou uma experiência dolorosa da adolescência em uma trajetória marcada por educação, projetos sociais e oportunidades acadêmicas internacionais, que mais tarde a levariam a universidades reconhecidas mundialmente.
Antes de chegar a uma dessas instituições e conquistar uma bolsa para estudar em Oxford, ela enfrentou bullying, aprendeu inglês com vídeos gratuitos na internet e criou, ainda adolescente, uma iniciativa social que passou a alcançar milhares de estudantes em diferentes regiões.
Bullying e o início do Gotinhas do Bem
A história ganhou novo rumo quando Luiza tinha 15 anos e, depois de procurar organizações onde pudesse atuar como voluntária, encontrou dificuldades por ainda ser menor de idade, situação que a levou a criar o próprio projeto.
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Desse movimento nasceu o Gotinhas do Bem, iniciativa voltada à prevenção do bullying em escolas públicas, um problema que ela conhecia de perto e que acabaria se tornando o ponto de partida para seu trabalho com outros estudantes.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Luiza sofreu bullying aos 11 e 12 anos, período em que estudava como bolsista em uma escola particular, enfrentando agressões físicas e psicológicas que marcaram sua experiência escolar naquela fase.
Mais tarde, essa vivência serviria de base para atividades com outros alunos, desenvolvidas com foco em habilidades socioemocionais e prevenção de comportamentos agressivos, aproximando sua experiência pessoal de uma proposta educativa voltada diretamente ao ambiente escolar.
O primeiro desafio foi convencer alguma escola a receber uma iniciativa criada por uma adolescente, por isso Luiza passou a procurar instituições e apresentar pessoalmente sua proposta até conseguir espaço em uma escola localizada na periferia de Goiânia.
A partir dali, o projeto começou a usar atividades lúdicas e estratégias elaboradas com apoio de especialistas, sempre direcionadas a questões de convivência entre estudantes e à prevenção do bullying dentro das escolas atendidas pela iniciativa.
Projeto alcançou 8 mil estudantes em 15 estados
O alcance cresceu e, de acordo com números registrados pela Folha de S.Paulo, quando Luiza terminou o ensino médio, o Gotinhas do Bem já havia impactado cerca de 8 mil estudantes em 15 estados brasileiros e sete países.
Aquilo que começou com uma adolescente procurando espaço para trabalhar como voluntária passou, assim, a ter atuação muito além de sua cidade e ganhou dimensão suficiente para alcançar estudantes em diferentes regiões da América Latina e da África.
Inglês pelo YouTube e 11 aprovações em universidades
Enquanto o projeto social avançava, Luiza começou a mirar universidades fora do Brasil, mas o obstáculo não estava apenas no processo seletivo, porque os custos ligados às candidaturas internacionais também representavam uma barreira relevante para sua família.
Sem condições de bancar sozinha essas despesas, ela precisou recorrer ao apoio de fundações para participar das seleções, ao mesmo tempo em que enfrentava outra dificuldade decisiva para quem pretendia estudar no exterior: o domínio do idioma.
Luiza relatou à Folha de S.Paulo que não falava inglês e aprendeu a língua utilizando vídeos disponíveis no YouTube, incorporando essa ferramenta gratuita à preparação necessária para disputar vagas em instituições de ensino superior nos Estados Unidos.
O esforço resultou em uma sequência incomum de aprovações, pois a jovem recebeu respostas positivas de 11 faculdades e escolheu a Universidade Columbia, em Nova York, onde cursou educação e ciência política em uma das instituições da Ivy League.
Columbia e a criação do Tocando em Frente
A mudança de Goiânia para Nova York também colocou Luiza em contato com uma realidade diferente daquela em que havia crescido, mas não interrompeu sua ligação com iniciativas educacionais voltadas a jovens brasileiros e problemas presentes nas escolas.
Durante a graduação, ela passou a desenvolver um segundo projeto social, desta vez direcionado à evasão escolar, e foi nesse contexto que surgiu o Tocando em Frente, organização criada para tornar a experiência escolar mais atrativa.
Voltada especialmente a cidades do interior, a proposta buscava ampliar referências disponíveis para alunos e passou a envolver jovens voluntários responsáveis por desenvolver ações em diferentes comunidades, ligando formação, permanência na escola e participação estudantil.
Conforme dados relatados pela Folha de S.Paulo, o Tocando em Frente reuniu 150 voluntários com idades entre 13 e 25 anos e alcançou aproximadamente 12 mil estudantes, ampliando novamente a escala das iniciativas ligadas à trajetória de Luiza.
Por meio de encontros, atividades e outras ações, o trabalho também passou a aproximar jovens de temas relacionados à educação e à permanência na escola, mantendo atenção sobre estudantes que poderiam se beneficiar de novas referências e oportunidades.
Em uma das experiências relatadas por Luiza, a organização visitou uma comunidade quilombola de Goiás à procura de estudantes do ensino médio interessados em atuar como voluntários, encontrando jovens que já estavam grávidas ou cuidavam de filhos pequenos.
Posteriormente, uma delas contou ao projeto que pensava em abandonar os estudos, mas decidiu permanecer na escola e passou a atuar na própria iniciativa, episódio citado como parte das ações desenvolvidas junto aos estudantes atendidos.
Bolsa Rhodes e pós-graduação em Oxford
Ao mesmo tempo em que ampliava esse trabalho, Luiza concluiu a graduação em Columbia em educação e ciência política e avançou para uma nova etapa acadêmica ligada à Rhodes Scholarship, programa associado à Universidade de Oxford.
A bolsa financia estudos de pós-graduação em Oxford, no Reino Unido, e reúne selecionados de diferentes partes do mundo, oferecendo a Luiza uma oportunidade acadêmica internacional depois de uma trajetória construída entre projetos sociais e formação universitária.
Segundo a Folha de S.Paulo, Luiza tornou-se a primeira brasileira a conquistar esse financiamento, abrindo caminho para seus estudos de pós-graduação em Oxford e acrescentando uma nova etapa a uma trajetória iniciada muito antes das aprovações internacionais.
O percurso reúne agressões sofridas na escola, trabalho voluntário iniciado ainda na adolescência, aprendizado de inglês pela internet, dificuldades para financiar candidaturas acadêmicas, 11 aprovações em universidades e projetos que passaram a alcançar milhares de alunos.
Ao longo dessas etapas, a educação permaneceu ligada não apenas à formação acadêmica da jovem, mas também às iniciativas criadas para estudantes de diferentes regiões, conectando sua trajetória universitária a problemas que ela já acompanhava antes da faculdade.
Mesmo inserida em ambientes universitários altamente competitivos, Luiza continuou ampliando a atuação com jovens e escolas, mantendo os projetos iniciados no Brasil e aproximando sua formação em educação e ciência política de questões vividas por estudantes.
De uma adolescente que não encontrava uma organização disposta a aceitá-la como voluntária a uma estudante selecionada para uma das bolsas acadêmicas mais conhecidas internacionalmente, sua história passou por escolas públicas, milhares de estudantes, Nova York e Oxford.
Entre o bullying enfrentado na adolescência, o inglês aprendido pela internet, os projetos sociais criados ainda jovem e as aprovações internacionais que vieram depois, qual etapa dessa trajetória mais surpreende você e ajuda a dimensionar o caminho percorrido?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

