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Criador que engorda frango e suíno viu o custo de produção subir em agosto nos principais estados produtores, calcula a Embrapa, e entra na safra de 366,6 milhões de toneladas de grãos pagando mais caro pela ração

Criador que engorda frango e suíno viu o custo de produção subir em agosto nos principais estados produtores, calcula a Embrapa, e entra na safra de 366,6 milhões de toneladas de grãos pagando mais caro pela ração

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Criador que engorda frango e suíno viu o custo de produção subir em agosto nos principais estados produtores, calcula a Embrapa, e entra na safra de 366,6 milhões de toneladas de grãos pagando mais caro pela ração

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 16/09/2026 às 12:31

Atualizado em 16/09/2026 às 12:35

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No mesmo dia em que a Conab projetou a maior safra de grãos já estimada para o país, a Embrapa informou que engordar frango e suíno ficou mais caro em agosto, e o motivo dos dois números é o mesmo saco: a ração, que responde por mais de 60% do custo de produção de quem cria.

Os dois levantamentos saíram em 15 de setembro, com poucas horas de diferença entre um e outro, e vale ler os dois juntos porque falam da mesma cadeia por pontas opostas.

A Conab projeta que a safra 2026/27 pode chegar a 366,6 milhões de toneladas de grãos, aumento de 1,4% sobre o ciclo anterior.

A Embrapa, por sua vez, mediu alta no custo de produção do frango de corte no Paraná e do suíno vivo em Santa Catarina, os dois maiores polos desses segmentos no país.

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O frango subiu 1,56% em um mês

No Paraná, o custo de produção do frango de corte avançou 1,56% em agosto e chegou a R$ 4,85 por quilo, contra R$ 4,77 no mês anterior.

Parece pouco. Multiplicado pelo volume de um galpão, não é.

No acumulado do ano a alta é maior, e em doze meses o índice sobe mais ainda, segundo o levantamento da Embrapa Suínos e Aves.

No suíno a alta foi menor, mas o ano conta outra história

Em Santa Catarina, o custo do suíno vivo subiu 0,96% em agosto, passando de R$ 6,29 para R$ 6,35 por quilo.

Aqui o acumulado do ano ainda é negativo, embora a variação em doze meses já apareça positiva.

Ou seja, o suíno vinha de um ano mais folgado e começou a virar a curva agora, no segundo semestre.

A ração é 63,87% do custo do frango

Este é o dado que amarra os dois levantamentos. No frango, a ração responde por 63,87% de todo o custo de produção, e foi ela que subiu 3,77% no mês.

No suíno, a participação é ainda maior: 72,53% do custo total, com alta de 0,98% em agosto.

Quando quase três quartos da conta dependem de uma única rubrica, o criador não tem muito o que reorganizar internamente.

Ele paga o que o grão custar.

O pintainho puxou para baixo e não segurou o mês

Nem tudo subiu. O pintainho de um dia, que corresponde a 18,45% do custo do frango, ficou 5,52% mais barato em agosto.

Ainda assim, o índice fechou em alta, porque a queda no item menor não compensou o avanço no item maior.

Em doze meses, porém, o pintainho acumula acréscimo, então o alívio de agosto é pontual e não tendência.

Do outro lado, a lavoura promete volume recorde

A projeção da Conab para 2026/27 considera área semeada de 85,3 milhões de hectares, com produtividade média nacional levemente menor que a do ciclo anterior.

O milho total deve somar cerca de 148 milhões de toneladas, com alta de 2,8%, e a primeira safra sozinha deve atingir o maior volume em treze anos.

Já a soja aparece com 181,64 milhões de toneladas, num crescimento de área de apenas 1,4%, o menor avanço percentual dos últimos vinte anos.

Volume grande não significa ração barata

Aqui está o nó que interessa a quem cria animal. Safra recorde de milho e soja é boa notícia para o custo da ração, mas só se o grão ficar no país.

A projeção da Conab estima 46 milhões de toneladas de milho exportadas no ciclo, e exportação disputa o mesmo grão que abastece a fábrica de ração.

Por isso o produtor de frango e de suíno acompanha o câmbio com a mesma atenção com que acompanha o boletim de safra.

Arroz e algodão puxam em direções opostas

O arroz deve recuar em produção, com 10,76 milhões de toneladas, mesmo com leve aumento de área, porque a produtividade esperada cai.

O algodão caminha na direção contrária e deve retomar patamares anteriores, com 4,2 milhões de toneladas de pluma, sustentado principalmente pela demanda externa.

O feijão deve ficar estável, na casa de 2,9 milhões de toneladas.

A carne também entrou no documento

A publicação da Conab é a 14ª edição das Perspectivas para a Agropecuária, feita em parceria com o Banco do Brasil, e traz projeções para carne bovina, suína e de aves em 2026 e 2027.

Ou seja, o mesmo documento que projeta o grão projeta o animal que come o grão, o que permite ler a cadeia inteira de uma vez.

E é lendo assim que a conta do criador aparece: produção animal em expansão, custo de ração em alta e margem espremida no meio.

Por que o custo do criador não acompanha o calendário da lavoura

Existe um descompasso de tempo entre as duas pontas que explica boa parte da irritação de quem cria animal e lê manchete de safra recorde.

A lavoura trabalha por ciclo. O criador trabalha por lote.

Enquanto a projeção de grão olha para o que será plantado e colhido nos próximos meses, a fábrica de ração compra no mercado de hoje, com o preço de hoje, para alimentar o animal que já está no galpão.

Por isso uma notícia boa de colheita futura convive sem contradição com uma alta de custo no mês passado. Não são a mesma linha do tempo, ainda que sejam o mesmo grão.

O índice mede o produtor típico, não o seu galpão

Outro ponto que costuma gerar confusão é o alcance do número. Os índices de custo da Embrapa descrevem um produtor de referência em cada estado, com escala e tecnologia definidas na metodologia.

Quem tem escala maior negocia ração em condição diferente. Quem está integrado a uma agroindústria tem outro arranjo ainda.

A serventia do índice não é dizer quanto custa o seu frango. É mostrar a direção do movimento e a composição da conta, que é onde o produtor identifica o que pode e o que não pode negociar.

Onde estão os dois levantamentos

Os índices de custo são apurados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos e estão no site da Embrapa, com a abertura por item de custo.

A projeção de safra completa, cultura por cultura, está publicada no portal da Conab.

Olhando assim, o recado é meio cruel: o país vai colher mais do que nunca e, ainda assim, quem engorda o animal pagou mais caro pela ração no mês passado.

Se você cria frango ou suíno, conta nos comentários quanto o saco de ração subiu na sua região desde julho.

Safra recorde de milho e soja chega a baratear a ração ou o ganho vai todo para a exportação?

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Fontes

Embrapa

Conab


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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