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Crise global do diesel pode avançar até 2027 após estoques dos EUA atingirem menor nível para setembro desde 1982 e guerras pressionarem refinarias e transporte

Crise global do diesel pode avançar até 2027 após estoques dos EUA atingirem menor nível para setembro desde 1982 e guerras pressionarem refinarias e transporte

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Crise global do diesel pode avançar até 2027 após estoques dos EUA atingirem menor nível para setembro desde 1982 e guerras pressionarem refinarias e transporte

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 22/09/2026 às 17:27

Atualizado em 22/09/2026 às 17:30

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Conflitos no Irã e na Ucrânia reduzem a oferta internacional, enquanto tanques vazios, preços recordes e reservas abaixo da média histórica indicam dificuldades que podem persistir durante boa parte de 2027

O mercado mundial de diesel enfrenta uma crise que pode atravessar 2026 e continuar durante boa parte de 2027. Nos Estados Unidos, os estoques caíram para 107,9 milhões de barris, o menor volume registrado para essa época do ano desde 1982. Ao mesmo tempo, guerras no Oriente Médio e na Ucrânia prejudicam o fornecimento internacional, enquanto transportadoras e agricultores enfrentam custos crescentes. A combinação de reservas reduzidas e dificuldades de abastecimento preocupa analistas do setor, conforme reportagem publicada pela Reuters em 21 de setembro de 2026.

Estados Unidos registram menor estoque para setembro em 44 anos e tanques começam a ficar sem combustível

Os números da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostram a dimensão do problema. Em 11 de setembro, o país mantinha apenas 107,9 milhões de barris de diesel em estoque, o menor volume para esse período do ano desde o início da série histórica, em 1982.

Entretanto, outro indicador chamou a atenção dos especialistas. A disponibilidade de tanques para aluguel aumentou justamente quando o mercado precisava recompor suas reservas.

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Segundo a corretora de armazenamento The Tank Tiger, a capacidade disponível para locação na América do Norte e no Caribe passou de 11 milhões de barris em junho para 13 milhões em outubro. O volume representa o maior nível em quatro anos.

A explicação revela uma dificuldade incomum. Refinarias e comerciantes deixam de renovar contratos de armazenamento porque não possuem diesel suficiente para ocupar os reservatórios.

Assim, o aumento de tanques disponíveis não significa que o mercado esteja acumulando combustível. Pelo contrário, indica que empresas encontram dificuldades para manter os estoques.

Steven Barsamian, diretor de operações da The Tank Tiger, explicou à Reuters que os contratos normalmente duram entre seis meses e um ano. Por isso, a decisão de não renovar esses acordos sugere que os participantes do mercado esperam dificuldades pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

A EIA apresenta uma perspectiva ainda mais prolongada. A agência projeta que os estoques americanos de destilados, categoria que inclui o diesel, caiam abaixo de 100 milhões de barris em setembro e permaneçam inferiores ao menor nível dos últimos cinco anos durante o restante de 2026 e boa parte de 2027.

Guerras interrompem fornecimento e diesel ultrapassa US$ 6 por galão nos Estados Unidos

A redução dos estoques ocorre enquanto os conflitos no Irã e na Ucrânia prejudicam importantes rotas de abastecimento.

Segundo a Reuters, as guerras comprometem o fornecimento de milhões de barris diários de derivados de petróleo provenientes do Oriente Médio e da Rússia. Além disso, restrições às exportações russas e riscos às instalações energéticas aumentam a incerteza sobre a oferta.

Nos Estados Unidos, o diesel vendido ao consumidor ultrapassou US$ 6 por galão em setembro, atingindo um patamar inédito. O aumento pressiona especialmente agricultores, transportadoras e empresas que dependem de veículos pesados.

O problema já interfere nas decisões operacionais. A empresa americana EcoBox Dumpsters, especializada em gerenciamento de resíduos, passou a utilizar caminhões menores quando possível e a agrupar entregas e coletas por região.

Dessa forma, a companhia tenta reduzir deslocamentos desnecessários e controlar os gastos com combustível.

A pressão também alcança a indústria, que depende de energia e transporte para manter suas operações. Nesse contexto, o custo dos insumos energéticos ganha importância, assim como iniciativas para reduzir o custo do gás natural para grandes consumidores industriais.

Entretanto, a crise não se limita aos Estados Unidos. Na Europa, os estoques de diesel do polo de armazenamento e refino de Amsterdã, Roterdã e Antuérpia ficaram 16% abaixo da média de cinco anos em julho.

Em Singapura, os estoques totais de destilados registraram média próxima de 8,2 milhões de barris nas últimas semanas, abaixo dos 9,6 milhões observados, em média, em 2025.

Portanto, diferentes regiões enfrentam reservas reduzidas ao mesmo tempo, o que limita a capacidade de compensar rapidamente eventuais interrupções de fornecimento.

Margens das refinarias batem recorde e China pode aliviar oferta, mas recuperação ainda depende das guerras

Apesar da pressão sobre o abastecimento, o mercado apresenta alguns sinais de possível recuperação.

Nos Estados Unidos, a margem de refino do diesel de ultrabaixo teor de enxofre atingiu US$ 118,62 por barril em 14 de setembro, segundo os dados citados pela Reuters.

Essa margem representa a diferença entre o preço do diesel e o custo de referência do petróleo bruto. Portanto, valores elevados podem incentivar refinarias a aumentar a produção do combustível.

Além disso, a China ampliou suas exportações de diesel nos últimos meses. Analistas consideram que novos carregamentos chineses podem ajudar a aliviar parte da escassez internacional.

Entretanto, a recuperação depende de fatores que ainda permanecem incertos. Uma escalada dos conflitos no Irã ou na Ucrânia, novas restrições comerciais ou uma paralisação inesperada de refinaria podem provocar outros aumentos de preços.

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O cenário também reforça a importância de alternativas para o transporte de cargas. Fabricantes como a Volvo já desenvolvem caminhões elétricos de longa autonomia para operações pesadas, embora esses veículos ainda não substituam imediatamente toda a frota movida a diesel.

No Brasil, a crise internacional merece atenção, mas não comprova um desabastecimento generalizado. Em setembro, produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram dificuldades pontuais de compra. Entretanto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou, em 15 de setembro, que não identificava um quadro de desabastecimento nacional.

Assim, a perspectiva de escassez até 2027 representa um risco para os mercados internacionais, e não uma previsão de falta inevitável em todos os países.

Enquanto isso, refinarias, comerciantes e transportadoras acompanham a evolução dos conflitos e a recomposição dos estoques. A recuperação dependerá da regularização do fornecimento, do aumento da produção e da capacidade de reconstruir reservas que chegaram a níveis historicamente baixos.

Fonte

Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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