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Curador examina pequeno cartão guardado em arquivo de Nova York, reconhece escrita musical de Frédéric Chopin e encontra primeira obra desconhecida do compositor identificada em quase um século

Curador examina pequeno cartão guardado em arquivo de Nova York, reconhece escrita musical de Frédéric Chopin e encontra primeira obra desconhecida do compositor identificada em quase um século

5 min de leitura

Curador examina pequeno cartão guardado em arquivo de Nova York, reconhece escrita musical de Frédéric Chopin e encontra primeira obra desconhecida do compositor identificada em quase um século

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 03/09/2026 às 15:54

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Curador analisa um pequeno manuscrito musical encontrado nos arquivos da Morgan Library & Museum, em Nova York, e atribuído a Frédéric Chopin.

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Manuscrito de aproximadamente 10 por 13 centímetros contém uma valsa em lá menor atribuída a Chopin, provavelmente composta entre 1830 e 1835, e passou por análises de papel, tinta, caligrafia e estilo musical antes de ser apresentada ao público.

Uma valsa desconhecida de Frédéric Chopin foi encontrada entre os documentos preservados pela Morgan Library & Museum, em Nova York, nos Estados Unidos.

O manuscrito foi identificado pelo curador Robinson McClellan enquanto ele examinava materiais da coleção do falecido colecionador Arthur Satz, incorporada ao acervo da instituição em 2019.

O papel mede aproximadamente 10 por 13 centímetros, dimensão semelhante à de um pequeno cartão-postal, e apresenta apenas algumas linhas de música.

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No alto da folha estavam escritas as palavras “Valse” e “Chopin”. No entanto, o nome do compositor teria sido acrescentado por outra pessoa, enquanto a notação musical apresentava características associadas à escrita de Chopin.

Inicialmente, McClellan não reconheceu aquela composição entre as obras conhecidas do músico polonês. A dúvida levou a Morgan Library a iniciar uma investigação envolvendo especialistas em manuscritos, conservação e história da música.

As análises indicaram que o papel e a tinta eram compatíveis com materiais usados durante a primeira metade do século XIX. A escrita musical, o desenho peculiar da clave de fá e diferentes elementos da composição também reforçaram a atribuição.

A instituição concluiu que a pequena valsa provavelmente foi escrita por Chopin entre 1830 e 1835, quando ele estava na faixa dos 20 anos.

Curador não reconheceu a música escrita no pequeno cartão

Robinson McClellan é curador associado de manuscritos musicais e música impressa da Morgan Library & Museum.

Durante o trabalho de catalogação da Coleção Arthur Satz, ele encontrou o pequeno cartão identificado como uma obra de Chopin. Apesar da indicação, a sequência musical registrada no papel não correspondia a nenhuma valsa conhecida pelo especialista.

McClellan fotografou o manuscrito e tentou tocar a composição em um teclado. Quanto mais examinava as notas, mais percebia que estava diante de um material incomum.

A folha contém 24 compassos acompanhados por um sinal de repetição. Quando executada integralmente, a obra dura aproximadamente um minuto — um período consideravelmente curto em comparação com outras valsas do compositor.

A peça foi escrita em lá menor e começa com uma passagem intensa. Depois dessa abertura dramática, surge uma melodia mais delicada, acompanhada pelo ritmo característico de valsa.

O manuscrito também apresenta indicações de dinâmica e dedilhado. Entre elas aparece uma marcação de grande intensidade sonora próxima ao início, elemento incomum, mas não incompatível com a produção do compositor.

Diante dessas particularidades, a Morgan Library decidiu submeter o material a uma análise detalhada antes de anunciar qualquer conclusão.

Curador examina um pequeno manuscrito musical histórico encontrado nos arquivos de uma biblioteca de Nova York, atribuído a Frédéric Chopin.

Papel, tinta e escrita musical foram examinados por especialistas

Os pesquisadores compararam a escrita encontrada no cartão com manuscritos reconhecidamente produzidos por Chopin.

Alguns detalhes chamaram a atenção, incluindo o tamanho reduzido das notas, o formato da clave de fá e determinadas correções feitas diretamente no papel. Essas características eram semelhantes às encontradas em outros documentos do músico.

A tinta marrom foi identificada como tinta ferrogálica, amplamente empregada durante o século XIX. O papel tecido e produzido mecanicamente também era compatível com aquele utilizado por Chopin durante seus primeiros anos em Paris.

A instituição contou ainda com a avaliação do musicólogo Jeffrey Kallberg, especialista na obra do compositor e professor da Universidade da Pensilvânia.

Além dos aspectos físicos, os pesquisadores estudaram a linguagem musical. A ornamentação, as mudanças harmônicas, o acompanhamento e a construção da melodia apresentavam elementos associados ao estilo desenvolvido por Chopin no começo da década de 1830.

Embora a Morgan Library tenha demonstrado confiança na atribuição, especialistas discutiram se o manuscrito representa uma obra inteiramente concluída.

A ausência de dedicatória e assinatura, somada à curta duração, abriu a possibilidade de que o cartão contenha um esboço, uma ideia musical ou uma peça preparada para ser entregue a alguém.

A procedência anterior do documento também não pôde ser reconstruída completamente. Antes de chegar à coleção de Arthur Satz, o manuscrito pertenceu à família de Augustus Sherrill Whiton Jr., pianista amador e antigo diretor da New York School of Interior Design.

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Caio Aviz

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Lang Lang gravou a valsa após a confirmação da descoberta

A descoberta foi apresentada publicamente em outubro de 2024 e considerada a primeira identificação de uma composição desconhecida de Chopin desde o fim da década de 1930.

Novos trabalhos atribuídos ao músico são especialmente raros. Chopin morreu em Paris, em 1849, aos 39 anos, e deixou uma produção relativamente pequena quando comparada à de outros grandes compositores.

O pianista chinês Lang Lang foi convidado a interpretar a valsa. Para ele, a abertura transmite uma atmosfera escura e dramática que posteriormente se transforma em algo mais positivo.

A gravação permitiu que o público ouvisse as notas preservadas durante décadas no pequeno cartão. Posteriormente, a Deutsche Grammophon lançou comercialmente a interpretação de Lang Lang.

O manuscrito também foi apresentado pela Morgan Library na exposição “Chopin’s Waltz”, em Nova York, acompanhado por outros documentos relacionados ao compositor.

Assim, uma folha de apenas 10 por 13 centímetros, guardada discretamente em uma coleção, revelou uma música que permaneceu desconhecida por quase dois séculos e acrescentou um novo capítulo à história de Frédéric Chopin.

O que você sentiria ao ouvir uma música de Frédéric Chopin que permaneceu desconhecida por quase dois séculos?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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