7 min de leitura
Custando na faixa dos R$ 100 mil, Renault ressuscita o pequeno “sapinho” que virou febre nos anos 1990: Twingo retorna em 2026 com faróis redondos inspirados no original, motor elétrico, até 263 km de autonomia e bancos traseiros deslizantes
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/09/2026 às 00:19
Atualizado em 03/09/2026 às 00:22
Automotivo
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Renault Twingo retorna em 2026 como elétrico de 82 cv, bateria LFP, até 263 km de autonomia e visual inspirado diretamente no clássico dos anos 1990.
Poucos carros populares europeus dos anos 1990 foram tão fáceis de reconhecer quanto o Renault Twingo. Pequeno, arredondado, com faróis grandes que pareciam olhos e uma dianteira que formava uma espécie de sorriso, o modelo lançado no início daquela década fugia completamente do desenho quadrado de muitos compactos daquele período.
Mais de três décadas depois, a Renault decidiu recuperar justamente essa personalidade no Twingo E-Tech electric, quarta geração do modelo, comercializada na Europa em 2026 com motor de 60 kW, equivalentes a 82 cv, bateria LFP de 27,5 kWh e autonomia oficial de até 263 quilômetros no ciclo WLTP.
O novo carro não tenta transformar o Twingo em SUV, crossover ou compacto premium. Com apenas 3,79 metros de comprimento, cinco portas e dois bancos traseiros que podem deslizar separadamente para priorizar espaço para passageiros ou bagagem, a Renault voltou a apostar na mesma ideia que tornou a primeira geração diferente: um automóvel minúsculo por fora, mas extremamente aproveitado por dentro.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Demissão em massa: Uber anuncia corte de 3,3 mil funcionários no maior enxugamento desde a pandemia
Maior demissão da empresa desde a pandemia elimina 3,3 mil vagas, enxuga a estrutura corporativa e revela a ameaça que pode transformar o aplicativo em algo muito diferente
A Uber anunciou…
Paulo Nogueira
0
Twingo original apareceu quando carros pequenos ainda eram extremamente simples
A história começou no Salão de Paris de 1992, com comercialização a partir do período seguinte. O primeiro Twingo surpreendeu porque não parecia simplesmente uma versão menor de outro Renault.
A carroceria de volume único lembrava uma pequena minivan. Os faróis grandes e arredondados davam personalidade ao veículo, enquanto o interior explorava soluções de modularidade incomuns em carros tão pequenos.
A Renault afirma que o Twingo ultrapassou 4,1 milhões de unidades vendidas em 25 países ao longo de suas diferentes gerações. Só esse número ajuda a entender por que a fabricante voltou a buscar tão diretamente a aparência do primeiro modelo.
O nome Twingo, portanto, não ficou três décadas desaparecido. O que a Renault efetivamente ressuscitou no modelo de 2026 foi principalmente a linguagem visual e a filosofia prática da primeira geração dos anos 1990.
O “sapinho” volta principalmente no rosto do carro
É na dianteira que a ligação entre passado e presente fica mais evidente. O novo Twingo voltou a utilizar faróis arredondados, agora totalmente em LED, e uma pequena grade que reforça a impressão de um rosto sorridente.
Assista o vídeo
A Renault afirma explicitamente que os faróis e a dianteira são referências à primeira geração.
As linhas da carroceria também recuperam o estilo arredondado do original. O capô curto encontra um para-brisa bastante inclinado, formando novamente uma silhueta semelhante à de uma pequena bolha.
A diferença é que aquilo que nos anos 1990 era resultado de simplicidade mecânica agora precisa conviver com aerodinâmica, sensores, sistemas eletrônicos e exigências modernas de segurança.
O Twingo agora abandona completamente o motor a gasolina
A maior transformação não pode ser vista do lado de fora. O Twingo E-Tech electric é 100% elétrico.
Seu motor entrega 60 kW, equivalentes a 82 cv, uma potência relativamente modesta se comparada aos números cada vez maiores dos elétricos modernos, mas coerente com a proposta de um automóvel urbano leve.
A Renault evitou colocar bateria enorme e centenas de cavalos em um carro que foi desenvolvido principalmente para circular em cidades.
A estratégia foi fazer o contrário: reduzir peso, consumo, tamanho da bateria e custo.
Segundo a fabricante, o Twingo parte de aproximadamente 1.200 kg, valor baixo para os padrões atuais dos veículos elétricos.
Bateria tem apenas 27,5 kWh
Enquanto elétricos de maior porte podem utilizar baterias acima de 60, 80 ou até 100 kWh, o novo Twingo trabalha com um conjunto de apenas 27,5 kWh.
A química escolhida é LFP, sigla para lítio-ferro-fosfato. É a primeira aplicação desse tipo de bateria no Renault Group, segundo a fabricante.
A empresa afirma que a combinação entre química LFP e arquitetura cell-to-pack contribui para reduzir em aproximadamente 20% o custo do conjunto de bateria em relação à solução de referência utilizada no projeto.
Essa escolha ajuda a explicar como a Renault conseguiu manter o preço inicial abaixo da barreira dos 20 mil euros na Europa.
Autonomia chega a 263 quilômetros no ciclo WLTP
Com a bateria de 27,5 kWh, o alcance homologado pode chegar a 263 km no ciclo europeu WLTP. Não é um número pensado para competir com automóveis elétricos de longa distância.
A proposta é urbana.
A própria Renault enquadra o Twingo como um carro destinado principalmente a deslocamentos dentro das cidades e regiões próximas.
Em março de 2026, a fabricante também divulgava consumo de 12,2 kWh por 100 quilômetros, ainda indicado naquele material como sujeito ao processo final de homologação.
Para quem roda algumas dezenas de quilômetros por dia, a lógica é utilizar uma bateria menor em vez de carregar centenas de quilos adicionais apenas para obter autonomia que raramente seria necessária no uso cotidiano.
Recarga rápida pode levar a bateria de 10% a 80% em cerca de 30 minutos
A versão padrão utiliza carregador embarcado AC de 6,6 kW. Segundo os dados divulgados pela Renault, a recarga de 10% a 100% pode ser realizada em aproximadamente 4 horas e 15 minutos, considerando as condições especificadas pela fabricante.
Existe ainda o pacote Advanced Charge. Ele adiciona carregador AC bidirecional de 11 kW e capacidade de recarga rápida DC de 50 kW.
Nessa configuração, a Renault estimou aproximadamente 30 minutos para passar de 10% a 80% da bateria. O pacote também permite funções V2L e V2G em mercados compatíveis.
Com V2L, a bateria pode fornecer eletricidade para equipamentos externos, chegando a até 3.700 watts por meio de adaptador adequado.
Ficha técnica do Renault Twingo E-Tech electric 2026
Os bancos traseiros são um dos segredos mais importantes do novo Twingo
O motor elétrico pode representar a maior transformação tecnológica, mas talvez a característica mais fiel ao Twingo original esteja dentro do carro.
Os dois bancos traseiros podem deslizar individualmente. Isso permite modificar a distribuição do espaço conforme a necessidade.
Se existe um passageiro alto atrás do motorista, o banco daquele lado pode ser deslocado para trás. Se o outro lado estiver ocupado apenas por bagagens, o segundo assento pode avançar.
A Renault utiliza esse sistema desde a versão de entrada, não apenas na configuração mais cara. Essa solução recupera diretamente uma das características mais lembradas da primeira geração.
Interior mistura nostalgia com Google integrado e até 24 assistentes de condução
A semelhança com o passado diminui drasticamente quando o motorista olha para o painel. A versão Evolution já possui quadro digital de 7 polegadas e tela multimídia de aproximadamente 10 polegadas, além de espelhamento sem fio de smartphones.
Na versão Techno, aparece o sistema OpenR Link com Google integrado. O motorista pode utilizar serviços como Google Maps e outros recursos diretamente pela central do veículo, dependendo do mercado e configuração.
A Renault também informa disponibilidade de até 24 sistemas avançados de assistência à condução, uma quantidade impensável no pequeno carro popular lançado nos anos 1990.
O pacote pode incluir recursos como frenagem automática de emergência, monitoramento do motorista e assistentes de estacionamento.
Função One Pedal permite dirigir grande parte do tempo usando apenas o acelerador
Outra tecnologia disponível é o One Pedal. Quando ativado, o sistema aumenta significativamente a regeneração de energia ao tirar o pé do acelerador.
O carro desacelera com intensidade suficiente para chegar até a parada completa em determinadas situações.
Isso permite conduzir boa parte do tempo urbano modulando apenas o pedal do acelerador.
Em congestionamentos, semáforos e trânsito lento, a necessidade de alternar constantemente entre acelerador e freio pode diminuir.
Além do conforto, a desaceleração regenerativa ajuda a devolver parte da energia para a bateria.
Preço europeu foi uma das maiores apostas do projeto
Quando o protótipo apareceu, a Renault estabeleceu uma promessa bastante clara: fazer o novo Twingo custar menos de € 20 mil antes de incentivos governamentais.
A meta foi cumprida. A versão Evolution foi anunciada por € 19.490.
Com a cotação aproximada de 2 de setembro de 2026, isso corresponderia a cerca de R$ 115 mil em uma conversão matemática direta.
Esse valor, porém, não pode ser interpretado como possível preço brasileiro.
Impostos, logística, homologação, estratégia comercial e produção mudariam completamente o cálculo caso o modelo fosse vendido oficialmente no Brasil.
A versão Techno foi inicialmente anunciada na Europa por € 21.090.
No Brasil, Renault ainda mostra o Twingo como protótipo
A Renault possui atualmente uma página brasileira dedicada ao Twingo E-Tech electric Prototype. Nela, a empresa destaca os faróis redondos inspirados na primeira geração, o banco traseiro deslizante e o interior pensado para maximizar espaço.
A página brasileira continua tratando o modelo apresentado localmente como protótipo, enquanto a comercialização confirmada está concentrada na Europa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

