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Depois de ficar guardado desde 1980 em um centro de pesquisas canadense, o fóssil do cefalópode Enchoteuthis passou por um escaneamento em 3D que revelou duas perfurações na estrutura interna, ajudando os cientistas a entenderem como funcionavam as redes alimentares e as caças nos mares do Cretáceo.

Depois de ficar guardado desde 1980 em um centro de pesquisas canadense, o fóssil do cefalópode Enchoteuthis passou por um escaneamento em 3D que revelou duas perfurações na estrutura interna, ajudando os cientistas a entenderem como funcionavam as redes alimentares e as caças nos mares do Cretáceo.

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Depois de ficar guardado desde 1980 em um centro de pesquisas canadense, o fóssil do cefalópode Enchoteuthis passou por um escaneamento em 3D que revelou duas perfurações na estrutura interna, ajudando os cientistas a entenderem como funcionavam as redes alimentares e as caças nos mares do Cretáceo.

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 03/09/2026 às 17:58

Ciência e Tecnologia

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Fóssil de Enchoteuthis de 81 milhões de anos revela marcas de mordida e evidências de ataques no Período Cretáceo.

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Paleontólogos identificaram duas marcas de mordida no esqueleto interno de um fórssil de Enchoteuthis de 81 milhões de anos no Canadá, revelando raras evidências de interações entre predadores e presas nos mares do Período Cretáceo.

O espécime analisado, registrado como Q80.05.14, possui cerca de 49 centímetros de comprimento preservado. Ele foi coletado originalmente no ano de 1980 na formação Pierre Shale, localizada na província de Manitoba.

Análise do gladius do cefalópode Enchoteuthis

Atualmente abrigado no Canadian Fossil Discovery Centre, o fóssil consiste em um gladius, a estrutura interna de suporte do animal. A peça apresenta uma rafe quase completa e parte da patela, sem as extremidades anterior e posterior.

Os pesquisadores estimaram que o comprimento total do gladius alcançava aproximadamente 60 centímetros. A partir dessa medição, os cientistas projetaram que o comprimento corporal total do Enchoteuthis era inferior a um metro.

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Para examinar o material, a equipe coordenada pela paleontóloga Melina Jobbins, da Universidade de Manitoba, utilizou tecnologia de escaneamento em 3D e moldes de silicone. O procedimento permitiu detalhar as duas marcas subtriangulares presentes na estrutura fossilizada.

Marcas de mordida e a dinâmica de predação

A primeira perfuração, situada na parte frontal da estrutura, foi interpretada com maior confiança como uma marca de mordida. Como não apresenta sinais de cicatrização, o dano ocorreu pouco antes ou no momento da morte do animal.

A segunda marca, localizada na parte posterior, apresentou origem mais ambígua durante as análises. Os pesquisadores avaliaram que o dano pode representar um segundo golpe do mesmo ataque ou uma lesão decorrente de um confronto separado.

Outra hipótese para a segunda marca é a delaminação da estrutura. Isso ocorre quando o gladius se divide ao longo de suas camadas fibrosas naturais durante a investida ou no decorrer da decomposição da carcaça do animal.

Os pesquisadores destacaram que a identificação do predador exato a partir de evidências indiretas carrega incertezas. A ausência de dentes cravados ou de um espaçamento regular impediu a confirmação definitiva da espécie responsável pelo ataque sofrido pelo Enchoteuthis.

Possíveis predadores e o ecossistema do Cretáceo

Apesar das incertezas sobre o autor da mordida, a equipe conseguiu delimitar os suspeitos. O réptil marinho mosassauro, como o Latoplatecarpus, e o peixe predador Cimolichthys habitavam a mesma via marítima do Enchoteuthis e permanecem como possíveis causadores.

Por outro lado, outros animais que viviam no mesmo ambiente foram descartados pelos especialistas. Tubarões e o mosassauro gigante Tylosaurus acabaram excluídos da lista de suspeitos com base no formato de suas mordidas ou na morfologia dos dentes.

No Período Mesozoico, os cefalópodes, incluindo coleóides e amonites, figuravam como um dos grupos mais abundantes dos mares. Eles serviam como uma importante fonte de alimento para grandes répteis marinhos e peixes da época.

A dinâmica entre presas e predadores é sustentada por evidências diretas, como fósseis com conteúdo estomacal preservado, e indiretas, como fraturas e marcas de mordidas. O estudo dessas marcas auxilia na compreensão das redes alimentares da Via Marítima Interior Ocidental.

Fonte: Science News


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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