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Depois de passar por lares temporários, gêmeos de 4 anos são adotados por uma mãe solteira; duas décadas depois, um deles chega às Olimpíadas, conquista duas medalhas de prata e diz que não sabe onde estaria sem ela

Depois de passar por lares temporários, gêmeos de 4 anos são adotados por uma mãe solteira; duas décadas depois, um deles chega às Olimpíadas, conquista duas medalhas de prata e diz que não sabe onde estaria sem ela

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Depois de passar por lares temporários, gêmeos de 4 anos são adotados por uma mãe solteira; duas décadas depois, um deles chega às Olimpíadas, conquista duas medalhas de prata e diz que não sabe onde estaria sem ela

Escrito por Ana Alice

Publicado em 04/09/2026 às 18:52

Curiosidades

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Nos Jogos de Tóquio, Kenny Bednarek disputa os 200 metros e conquista a primeira das duas medalhas de prata de sua carreira olímpica. (Imagem: Olympics.com)

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História marcada por acolhimento, adoção e esporte acompanha dois irmãos que encontraram estabilidade ainda pequenos e seguiram caminhos distintos, enquanto um deles avançou das pistas escolares até competições internacionais, acumulou resultados expressivos e reconheceu publicamente o papel decisivo da família em sua formação.

Kenny Bednarek e o irmão gêmeo fraterno, Ian, tinham 4 anos quando foram adotados por Mary Ann Bednarek após uma passagem pelo sistema de acolhimento, mudança que estabeleceu a base familiar de uma trajetória que, décadas depois, alcançaria o pódio olímpico.

Criados por uma mãe solteira que já cuidava de duas meninas, os irmãos encontraram uma rotina permanente, enquanto Kenny descobria no esporte um caminho próprio até conquistar duas medalhas olímpicas de prata nos 200 metros e associar sua evolução ao apoio recebido em casa.

Ao recordar a infância em entrevista à Associated Press, o velocista reconheceu problemas quando era criança e afirmou que Mary Ann dedicou tempo para ajudá-lo a se tornar quem é, acrescentando que não sabe onde estaria sem o amor, cuidado e apoio dela.

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Paulo Nogueira

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Nascido em Tulsa, Oklahoma, Kenny se mudou com a família para Rice Lake, no noroeste de Wisconsin, quando tinha 12 anos, e foi nesse ambiente que a corrida passou a ocupar espaço cada vez maior em sua formação esportiva.

Kenny Bednarek compete pelos Estados Unidos após uma trajetória marcada pela adoção, pelo atletismo e por duas medalhas olímpicas de prata. (Imagem: AP Photo/Petr David Josek)

Caminho fora dos grandes programas universitários

Antes de alcançar o circuito internacional, Bednarek não seguiu a rota tradicional dos grandes programas universitários de atletismo, preferindo passar uma temporada no Indian Hills Community College, em Iowa, onde começou a transformar velocidade em resultados de projeção nacional.

Foi ali que, na temporada de 2019, venceu os títulos nacionais dos 200 e 400 metros no campeonato ao ar livre da NJCAA Division I, desempenho que evidenciou seu potencial e abriu caminho para uma carreira profissional entre velocistas de elite.

A primeira medalha olímpica veio nos Jogos de Tóquio, disputados em 2021, quando terminou os 200 metros na segunda colocação, atrás do canadense Andre De Grasse, resultado que colocou o atleta criado em Rice Lake entre os principais nomes internacionais da prova.

Um ano mais tarde, Bednarek voltou a terminar em segundo nos 200 metros do Campeonato Mundial, dessa vez atrás do norte-americano Noah Lyles, mantendo uma sequência de pódios que reforçou sua presença constante entre os finalistas das grandes competições de velocidade.

Segunda prata olímpica amplia trajetória de Kenny Bednarek

Nos Jogos de Paris, em 2024, ele alcançou novamente a final olímpica dos 200 metros e conquistou outra medalha de prata, superado por Letsile Tebogo, de Botsuana, enquanto Mary Ann acompanhava a prova nas arquibancadas e depois se encontrou com o filho.

Para Bednarek, aquela medalha teve significado especial justamente porque sua mãe estava no estádio, e a Associated Press registrou que ele considerou importante competir em alto nível enquanto permitia que Mary Ann acompanhasse presencialmente um dos momentos centrais de sua carreira.

Muito antes desses pódios, porém, a história familiar havia começado sob circunstâncias diferentes, quando Mary Ann recebeu a possibilidade de acolher dois irmãos de 4 anos que já estavam no sistema de foster care e decidiu assumir a criação dos dois junto das filhas.

Segundo o Superior Catholic Herald, Mary Ann criava os quatro filhos sem companheiro e conduzia a maternidade de forma independente, circunstância que confirma o papel de mãe solteira mencionado na trajetória dos gêmeos desde os primeiros anos em sua casa.

Adoção dos gêmeos mudou a rotina familiar

Ao chegarem, os meninos carregavam todos os pertences em uma única mala e haviam passado por mudanças anteriores de cuidado, enquanto Mary Ann precisava administrar a adaptação de uma casa que já incluía duas meninas mais velhas, conforme registrou o mesmo veículo.

A convivência também exigiu paciência com comportamentos distintos entre os irmãos, porque Ian era mais receptivo, enquanto Kenny falava pouco e evitava contato físico, características lembradas por Mary Ann ao descrever o período em que ambos ainda se ajustavam ao novo ambiente doméstico.

Com o passar dos anos, a corrida se tornou para Kenny uma atividade associada à liberdade, definição usada pelo atleta em entrevista à Associated Press, na qual explicou que a pista oferecia um espaço em que a disputa se resumia a ele e ao relógio.

Essa relação com o esporte ganhou estrutura competitiva no ensino médio e se consolidou no community college, até que os resultados nacionais de 2019 o projetaram para um nível em que cada centésimo passou a separar medalhas, colocações e oportunidades internacionais.

Velocista Kenny Bednarek representa os Estados Unidos nos 200 metros e consolida sua trajetória entre os principais nomes do atletismo mundial. (Imagem: Hannah Peters/Getty Images for World Athletics)

Dos primeiros treinos aos 19,57 segundos nos 200 metros

Em sua melhor marca nos 200 metros, Bednarek alcançou 19,57 segundos, número que ajuda a dimensionar a evolução técnica de um corredor que saiu de um programa universitário menor para disputar sucessivamente finais contra campeões olímpicos e mundiais.

Mesmo após essa transformação esportiva, Bednarek não apresenta a própria trajetória como uma história construída apenas dentro das pistas, pois volta à infância ao explicar a importância da estabilidade familiar e atribui à mãe parte decisiva da pessoa e do atleta que se tornou.

As duas pratas olímpicas permanecem como os resultados mais visíveis desse percurso nos Jogos, mas a ligação entre mãe e filho reaparece nas entrevistas sempre que Kenny descreve o apoio recebido antes de possuir reconhecimento esportivo ou qualquer perspectiva de carreira internacional.

Ao acompanhar uma trajetória que começou no sistema de acolhimento e chegou a dois pódios olímpicos, o que mais chama sua atenção: o desempenho construído no esporte ou a decisão familiar tomada quando os irmãos ainda tinham apenas 4 anos?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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