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Depois de perder 500 galinhas para o calor extremo em um único verão, fazendeiro no Japão passa a alimentá-las só depois da meia-noite, enquanto na Espanha, trabalhadores colhem uvas às 3 da manhã para escapar de temperaturas acima de 40°C

Depois de perder 500 galinhas para o calor extremo em um único verão, fazendeiro no Japão passa a alimentá-las só depois da meia-noite, enquanto na Espanha, trabalhadores colhem uvas às 3 da manhã para escapar de temperaturas acima de 40°C

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Depois de perder 500 galinhas para o calor extremo em um único verão, fazendeiro no Japão passa a alimentá-las só depois da meia-noite, enquanto na Espanha, trabalhadores colhem uvas às 3 da manhã para escapar de temperaturas acima de 40°C

Escrito por Carla Teles

Publicado em 12/09/2026 às 14:21

Atualizado em 12/09/2026 às 14:40

Agronegócio

Canal

Para escapar do calor extremo, agricultores no Japão e na Espanha estão invertendo a rotina: galinhas comem depois da meia-noite e uvas são colhidas às 3 da manhã, driblando temperaturas recordes.

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O fenômeno já atinge países da Ásia à Europa: no Japão, onde 70% dos agricultores têm mais de 65 anos, e na Espanha, onde trabalhadores colhem uvas às 3 da manhã para evitar temperaturas que passam dos 40°C durante o dia.

Para escapar de ondas de calor cada vez mais frequentes e perigosas, agricultores em diferentes partes do mundo estão invertendo a própria rotina de trabalho e passando a operar durante a madrugada.

No Japão, um fazendeiro da cidade de Moka mudou o horário de alimentação das galinhas para depois da meia-noite, depois de perder 500 animais por estresse térmico num único verão, em 2020. Já na Espanha, perto de Barcelona, trabalhadores de um vinhedo colhem uvas às 3 da manhã para evitar temperaturas diurnas que podem ultrapassar os 40°C.

Galinhas que só comem depois da meia-noite

Para escapar do calor extremo, agricultores no Japão e na Espanha estão invertendo a rotina: galinhas comem depois da meia-noite e uvas são colhidas às 3 da manhã, driblando temperaturas recordes.

Na cidade japonesa de Moka, uma fazenda mudou completamente a rotina alimentar das próprias galinhas. Quando as temperaturas diurnas chegam aos 35°C, as aves simplesmente perdem o apetite, um mecanismo de defesa do corpo, que reduz o consumo de alimento como forma de lidar com o calor excessivo, mas que também compromete o desenvolvimento e a saúde do plantel ao longo do tempo.

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A mudança de horário não foi uma decisão preventiva: veio depois de um prejuízo concreto. Em um verão especialmente intenso, em 2020, o fazendeiro perdeu 500 galinhas por estresse térmico. Diante do tamanho da perda, a solução encontrada foi simples, ainda que radical, inverter o relógio biológico da própria criação, passando a alimentar as aves apenas depois da meia-noite, quando o calor já deu uma trégua.

Flores colhidas à noite e uma população agrícola envelhecida

A alteração de rotina não fica restrita às galinhas de Moka. Na cidade japonesa de Nikki, trabalhadores de outra fazenda passaram a colher flores durante a noite, também como forma de evitar o estresse térmico, só que, nesse caso, o risco recai diretamente sobre as pessoas, não sobre os animais.

Esse cuidado adicional faz ainda mais sentido diante de um dado demográfico do campo japonês: cerca de 70% dos agricultores do país têm mais de 65 anos. Trabalhadores mais velhos são naturalmente mais vulneráveis a complicações de saúde ligadas ao calor extremo, o que torna a adaptação de horários uma questão de segurança, e não apenas de conforto, para boa parte da força de trabalho rural japonesa.

Uvas colhidas às 3 da manhã na Espanha

O fenômeno não se limita ao Japão. Países que vão da Ásia à Europa vêm enfrentando ondas de calor cada vez mais severas, e a resposta encontrada por muitos produtores é semelhante, ainda que a milhares de quilômetros de distância. Em El Bedorc, perto de Barcelona, um vinhedo espanhol também precisou se adaptar à nova realidade climática.

Ali, os trabalhadores colhem as uvas às 3 da manhã, horário em que as temperaturas ainda estão amenas o suficiente para permitir um trabalho seguro e produtivo. A alternativa evita a exposição direta ao sol e ao calor das tardes espanholas, quando os termômetros podem ultrapassar os 40°C, uma condição que tornaria a colheita diurna arriscada tanto para a saúde dos trabalhadores quanto para a qualidade da própria uva colhida sob estresse térmico.

Os riscos de trabalhar contra o relógio

O trabalho noturno no campo, porém, não é isento de riscos. Colher ou cuidar de plantações no escuro reduz naturalmente a visibilidade, o que aumenta a chance de acidentes com ferramentas, máquinas e no próprio deslocamento pela lavoura. Some-se a isso a fadiga: operar contra o relógio biológico natural, em horários normalmente reservados ao sono, cobra um preço físico dos trabalhadores ao longo do tempo.

Há ainda um risco específico para a própria colheita: o ar da madrugada costuma deixar as plantas mais úmidas, um efeito do orvalho e da queda de temperatura noturna. Essa umidade pode ser especialmente problemática em culturas de grãos, que, quando colhidos molhados, tendem a estragar muito mais rápido do que quando colhidos secos, criando um equilíbrio delicado entre fugir do calor extremo do dia e preservar a qualidade do que é colhido à noite.

Por que isso importa para o futuro da comida

Os casos de Moka, Nikki e do vinhedo perto de Barcelona são exemplos pontuais de uma mudança que tende a se espalhar. À medida que temperaturas recordes se tornam mais frequentes ao redor do mundo, adaptar as rotinas de trabalho no campo, incluindo a inversão de horários para a madrugada, pode deixar de ser uma exceção isolada para se tornar uma ferramenta importante de resiliência na produção de alimentos.

Em última análise, o que está em jogo não é apenas o conforto de quem trabalha na lavoura, mas a própria capacidade de manter a produção agrícola estável num mundo que aquece: cada ajuste de horário, cada galinheiro que passa a funcionar de madrugada, é também uma pequena engrenagem a mais na equação da segurança alimentar global.

No seu dia a dia, você já sentiu o calor extremo afetando alguma rotina, de trabalho, de casa ou até de alimentação? Conte nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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