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Depois de três semanas de instrução e três saltos de uma aeronave em voo, 1.030 militares receberam as asas de prata no Rio de Janeiro, sete deles da Força Aérea, e no meio da turma uma cabo se tornou a primeira mulher da própria graduação a virar paraquedista do Exército

Depois de três semanas de instrução e três saltos de uma aeronave em voo, 1.030 militares receberam as asas de prata no Rio de Janeiro, sete deles da Força Aérea, e no meio da turma uma cabo se tornou a primeira mulher da própria graduação a virar paraquedista do Exército

RJ

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Depois de três semanas de instrução e três saltos de uma aeronave em voo, 1.030 militares receberam as asas de prata no Rio de Janeiro, sete deles da Força Aérea, e no meio da turma uma cabo se tornou a primeira mulher da própria graduação a virar paraquedista do Exército

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 01/09/2026 às 09:49

Forças Armadas

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A conta de saltos que essa turma precisou fazer para chegar à boina grená passa de três mil, e quem coloca a boina na cabeça do formando não é o instrutor.

Existe uma diferença prática entre viajar dentro de um avião militar e sair dele no ar, e é ela que separa um soldado das asas de prata. Em 29 de agosto de 2026, 1.030 militares atravessaram essa linha na mesma manhã, numa cerimônia marcada para as 10h no 26º Batalhão de Infantaria Pára-quedista, no Rio de Janeiro, conforme a própria Brigada de Infantaria Pára-quedista anunciou em sua página de notícias.

O tamanho da turma é o dado que salta primeiro. Segundo o balanço do Exército Brasileiro publicado pela Defesa em Foco, dos 1.030 brevetados 1.023 pertencem ao Exército e sete à Força Aérea Brasileira. A solenidade foi presidida pelo Comandante do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, no batalhão que leva o nome de Santos Dumont.

O que é uma tropa de pronto emprego

O objetivo declarado pelo Exército ao formar essa turma é ampliar o contingente qualificado para integrar uma das tropas de pronto emprego da Força. São unidades que precisam estar prontas para deslocamento rápido, sem o tempo de mobilização que uma tropa comum exige.

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É a mesma categoria de tropa que aparece quando o Exército monta exercício de grande porte na cidade, como no treinamento conduzido no Campo de Gericinó, no Rio de Janeiro, que simulou uma guerra entre países fictícios.

Três semanas de estágio e três saltos obrigatórios

O Estágio Básico Paraquedista dura três semanas e é voltado a cabos e soldados, de acordo com o Exército Brasileiro. Nesse período, os alunos passam por treinamento físico-militar e aprendem as técnicas aeroterrestres que sustentam o salto, do equipamento ao procedimento dentro da aeronave. O ciclo termina com três saltos de uma aeronave militar em voo, requisito descrito pela própria Força.

Nenhum dos três é dispensável, e é isso que transforma o estágio num filtro em vez de um curso. Antes dele, os militares já haviam concluído o Treinamento Individual Básico de Combate, o TIBC, etapa celebrada numa formatura anterior em que receberam o boot marrom, conforme o material divulgado pelo Exército.

A conta de saltos que a turma inteira somou

Conforme o requisito de três saltos por militar descrito pelo Exército, e multiplicado pelos 1.030 formandos que a Força informou ter brevetado, o estágio resulta em 3.090 saltos. Um volume desse tamanho não se resolve só com coragem: exige aeronave disponível, zona de lançamento liberada, equipe de solo e dobragem de paraquedas repetida milhares de vezes.

Meses de preparo antes das três semanas

A conta de três semanas descreve o estágio, não o caminho inteiro até ele. Conforme a nota publicada em 13 de julho de 2026 pela Brigada de Infantaria Pára-quedista para anunciar a data da cerimônia, foram meses de preparo físico, técnico e psicológico até que os militares estivessem prontos para conquistar a boina, o boot e as asas de prata.

É a diferença entre o curso e a preparação para o curso. O estágio é a etapa final de um processo mais longo, e a tropa aeroterrestre do Exército Brasileiro só recebe quem atravessa essa última porta.

Sete militares da Força Aérea no meio de mil do Exército

Dos 1.030 brevetados, sete são da Força Aérea Brasileira, segundo o balanço do Exército. É um detalhe pequeno na conta e grande na prática, porque mostra que a formação aeroterrestre não fica restrita a uma Força: militares da FAB passam pelo mesmo estágio de três semanas e pelos mesmos três saltos.

Treinamento conjunto, entre Forças e entre países, é rotina no calendário do Exército. Foi o caso do exercício que juntou militares brasileiros e uruguaios em preparação para missões de paz da ONU, conduzido por software de combate antes da fase em campo.

Quem entrega o brevê e quem entrega a boina

A cerimônia divide as tarefas de propósito, e a divisão é o próprio ritual. Enquanto os instrutores entregam as asas de prata aos formandos, são os familiares que colocam a tradicional boina grená na cabeça de cada um, conforme descreveu o Exército. Mais de 6 mil familiares e amigos acompanharam a solenidade, segundo a Força.

Boot marrom, brevê e boina compõem o que a tropa chama de tríade alada, os três símbolos ligados à identidade do paraquedista militar, de acordo com a Brigada de Infantaria Pára-quedista. Cada um deles marca uma etapa vencida, e não um enfeite de uniforme.

Cabo Aguiar e o marco da turma de 2026

Entre os mais de mil formandos, o próprio Exército destacou um nome. A Cabo Aguiar, da Companhia de Comando da Brigada de Infantaria Pára-quedista, tornou-se, segundo informação oficial divulgada pela Força, a primeira mulher de sua graduação a se tornar paraquedista militar.

O recorte oficial é preciso e vale repetir do jeito que foi dito: primeira mulher da graduação de cabo, e não primeira mulher paraquedista do Exército. O material divulgado não traz detalhes adicionais sobre a trajetória profissional dela, conforme registrou o portal B-11.

A entrada das mulheres, uma fatia por vez

O caso dela se encaixa num movimento que vem acontecendo em etapas dentro do Exército, e não de uma vez só. Um exemplo recente é o da jovem que entrou na primeira turma do serviço militar feminino em Campo Grande, seguindo o pai e o avô.

Nos dois casos é a própria Força quem registra a abertura da porta, e é esse registro que permite datar o marco. Sem a nota oficial, a informação não existiria publicamente com data e unidade.

Do soldado ao general, o mesmo brevê de prata

Durante a solenidade, o General Tomás Paiva chamou atenção para uma particularidade da tropa: do soldado ao general, todos usam o mesmo brevê de prata, segundo o relato divulgado pelo Exército. É uma característica incomum num sistema em que quase tudo, do uniforme à insígnia, muda conforme o posto e a graduação.

Ele também destacou a importância da presença das famílias na cerimônia e parabenizou os novos brevetados, conforme o mesmo material da Força. A fala se encaixa no desenho do ritual, em que a família tem tarefa definida.

Precursores e Cometas no céu da cerimônia

A formatura teve demonstração de salto livre operacional do Batalhão de Precursores, unidade que salta antes do grosso da tropa para preparar a zona de lançamento, de acordo com o Exército. A equipe de salto livre da Brigada, chamada Os Cometas, também participou das demonstrações.

É a parte da cerimônia que aproxima os recém-brevetados e as famílias do ambiente operacional da unidade, conforme descreveu a Defesa em Foco a partir do material da Força. Quem acabou de fazer três saltos automáticos assiste, do chão, ao que a especialidade faz em salto livre.

Uma turma maior que a do ano passado

A comparação com o ciclo anterior dá a dimensão do número. Em junho de 2025, a mesma Brigada de Infantaria Pára-quedista brevetou 991 militares, conforme registrou o site Forças Terrestres. A turma de 2026, com 1.030, é 39 militares maior que aquela.

O Exército não divulgou meta anual de brevetações para a especialidade, então a variação entre um ciclo e outro não vem acompanhada de explicação oficial. O que existe publicado é o número de cada formatura, e ele subiu.

Por que a tropa aeroterrestre treina saltando

Tropa aeroterrestre existe para chegar onde não há pista, porto nem estrada disponível, entrando pelo ar e montando a operação a partir do ponto de queda. É por isso que o requisito do estágio é o salto, e não o tiro ou a marcha, que já vêm da formação anterior.

O Exército não detalhou, no material da brevetação, em quais operações essa turma deve ser empregada. O calendário da Força para setembro inclui, conforme a autorização já publicada, o Exercício Formosa 2026, autorizado a receber militares dos Estados Unidos, da França e do Paraguai, em Goiás e no Distrito Federal.

O que vem depois das asas de prata

A brevetação não encerra o ciclo, apenas habilita. A partir dela, o militar passa a poder integrar a tropa aeroterrestre e a seguir para cursos e estágios mais avançados dentro da própria especialidade, conforme a estrutura descrita pela Brigada de Infantaria Pára-quedista.

A unidade anunciou a data da cerimônia com mais de um mês de antecedência, em 13 de julho, com hora e local definidos, e cumpriu o calendário: 10h do dia 29 de agosto, no 26º Batalhão de Infantaria Pára-quedista. A marca seguinte divulgada na mesma página de notícias da Brigada é o seu Jubileu.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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