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Depois que o motor quebra durante passeio para ver baleias com o irmão e o sobrinho, homem atravessa 67 dias à deriva no Mar de Okhotsk, enfrenta frio extremo, bebe água da chuva e perde metade do próprio peso até um barco finalmente encontrá-lo cerca de 1.000 km longe do ponto de partida
Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/09/2026 às 20:51
Atualizado em 05/09/2026 às 20:52
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Após uma viagem pelo extremo leste da Rússia terminar com o motor do barco quebrado, Mikhail Pichugin passou 67 dias à deriva no Mar de Okhotsk e foi o único dos três ocupantes encontrado com vida.
Por 67 dias, Mikhail Pichugin ficou à deriva em uma pequena embarcação no Mar de Okhotsk, no extremo leste da Rússia, enfrentando frio, falta de água potável e alimentos cada vez mais escassos.
Ele havia partido em agosto de 2024 acompanhado do irmão e do sobrinho adolescente, mas foi o único dos três encontrado com vida, depois que um barco de pesca avistou a embarcação a cerca de 1.000 quilômetros da região onde a viagem havia começado.
Pichugin, que tinha 46 anos na época, foi resgatado em 14 de outubro de 2024, próximo à península de Kamchatka.
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Paulo Nogueira
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Seu irmão, Sergei, de 49 anos, e o sobrinho Ilya, de 15, morreram durante o período no mar.
O sobrevivente contou posteriormente que amarrou os corpos à embarcação para impedir que fossem levados pelas ondas.
A história ganhou um novo capítulo muito depois do resgate.
Em abril de 2026, um tribunal de Ulan-Ude condenou Pichugin a três anos de trabalhos forçados, com retenção de 10% do salário, depois de considerá-lo culpado por violações das regras de segurança da navegação que contribuíram para as duas mortes e pelo uso de documentação falsa relacionada ao motor da embarcação.
O julgamento ocorreu quase um ano e meio depois da sobrevivência que havia repercutido internacionalmente.
Viagem para observar baleias terminou com o motor parado
Mikhail, Sergei e Ilya viajavam pelo extremo leste russo e haviam passado pela região das Ilhas Shantar, conhecida pela presença de baleias.
Em 9 de agosto de 2024, os três estavam retornando em direção à ilha de Sakhalin quando o motor da embarcação deixou de funcionar.
A situação piorou quando um dos remos quebrou.
Sem motor e com capacidade limitada para direcionar a embarcação, o grupo ficou praticamente entregue às correntes do Mar de Okhotsk, uma região do Pacífico Norte conhecida por temperaturas baixas durante grande parte do ano.
O telefone que levavam não conseguia acessar a rede móvel.
Ainda assim, eles utilizaram o aparelho como instrumento de geolocalização durante aproximadamente uma semana.
Quando a bateria do telefone e a de um carregador portátil acabaram, também perderam essa possibilidade.
Havia ainda alguns sinalizadores de emergência.
Eles chegaram a dispará-los na tentativa de chamar a atenção de equipes de busca, mas ninguém os encontrou.
Pichugin contou depois que helicópteros chegaram a passar relativamente próximos da embarcação.
Mesmo assim, os ocupantes não conseguiram ser vistos.
Buscas pelo barco terminaram sem encontrar os três
Quando os viajantes não chegaram ao destino, equipes russas iniciaram uma operação de busca.
Helicópteros e aviões percorreram parte da região, e os responsáveis pela operação consideraram a possibilidade de a embarcação estar sendo levada em direção à península de Kamchatka.
A hipótese estava correta.
O problema é que a área de busca era imensa e o barco pequeno demais para ser localizado com facilidade no oceano.
As buscas acabaram suspensas sem encontrar os três ocupantes.
Enquanto isso, a embarcação continuou se afastando.
Quando Pichugin finalmente foi encontrado, já estava aproximadamente 1.000 quilômetros distante da região de onde havia partido.
Chuva virou fonte de água durante os 67 dias
Um dos maiores problemas passou a ser a água potável.
Pichugin relatou que eles coletavam água da chuva para beber.
A alimentação também era limitada.
O grupo levava pequenas quantidades de macarrão e ervilhas e tentou complementar os estoques pescando.
À medida que as semanas passaram, no entanto, comida e energia ficaram cada vez mais escassas.
O frio representava outro risco constante.
Os três tinham um saco de dormir feito com lã de camelo, mas o material ficou molhado e não conseguia secar completamente.
Pichugin explicou posteriormente que entrava no saco de dormir e movimentava o corpo para tentar recuperar um pouco de calor.
A estratégia era improvisada, mas tornou-se parte da rotina de sobrevivência.
Sobrinho morreu primeiro e irmão não resistiu
Setembro chegou sem qualquer sinal de resgate.
Segundo relatos de Pichugin reproduzidos pela imprensa russa e pela Associated Press, seu sobrinho Ilya morreu depois de sofrer com hipotermia e fome.
Sergei também começou a apresentar alterações de comportamento.
Em determinado momento, segundo Mikhail, o irmão tentou sair da embarcação.
Ele também não resistiu às condições extremas.
A conclusão judicial divulgada em 2026 apontou que as duas mortes ocorreram em consequência de hipotermia generalizada associada a grave exaustão alimentar e à permanência prolongada em ambiente frio e úmido.
Sozinho, Pichugin decidiu prender os corpos do irmão e do sobrinho ao barco para que não desaparecessem no mar.
Ainda faltariam dias até que alguém finalmente o encontrasse.
Barco de pesca apareceu quando Pichugin já estava extremamente debilitado
Em 14 de outubro, a tripulação de um barco pesqueiro chamado Angel percebeu uma pequena embarcação à distância.
Dentro dela estava Pichugin.
Ele havia passado mais de dois meses à deriva.
Imagens divulgadas depois do resgate mostraram o sobrevivente extremamente magro, com colete salva-vidas e pouca força para se movimentar.
Segundo relatos publicados na época, ele havia perdido aproximadamente metade do peso corporal, chegando perto de 50 quilos.
O pescador foi retirado do barco e encaminhado para atendimento médico em Magadan.
Os médicos diagnosticaram desidratação e hipotermia, mas informaram que sua condição era estável.
Quando conseguiu falar com jornalistas no hospital, resumiu a razão que o fez continuar tentando sobreviver: “Eu simplesmente não tinha escolha.”
Ele mencionou a mãe e a filha que o aguardavam em casa e atribuiu sua sobrevivência também à fé.
Investigações começaram logo após o resgate
A sobrevivência de Pichugin não encerrou o caso.
Pouco depois do resgate, investigadores russos abriram uma apuração para determinar se haviam ocorrido violações das normas de segurança marítima.
Inicialmente, a imprensa chegou a informar que uma eventual acusação poderia resultar em pena de até sete anos.
A investigação avançou nos meses seguintes.
Em janeiro de 2025, Pichugin foi formalmente acusado de violar regras de operação de transporte marítimo.
Segundo a investigação, a embarcação navegava em uma área mais distante da costa do que aquela permitida para sua categoria.
As autoridades também concluíram que o motor apresentava problemas no sistema de refrigeração e que Pichugin havia utilizado informações falsas em documentos relacionados ao equipamento.
A defesa contestou pontos importantes da acusação durante o processo.
Assista o vídeo
Tribunal condenou sobrevivente em abril de 2026
O julgamento terminou em 14 de abril de 2026, no Tribunal Distrital de Oktyabrsky, em Ulan-Ude.
Segundo a decisão divulgada oficialmente, Pichugin foi considerado culpado por violar as normas de segurança de navegação, causando por negligência a morte de duas pessoas, e por utilizar documento que continha informações falsas.
O tribunal aplicou uma pena de três anos de trabalhos forçados, com 10% dos rendimentos destinados ao Estado.
A promotoria havia pedido uma punição mais severa, com três anos em uma colônia penal de regime aberto e multa.
O juiz optou pelos trabalhos forçados.
Inicialmente, a decisão ainda poderia ser contestada.
Em maio de 2026, porém, o advogado Andrei Nazarov informou que Pichugin decidiu não apresentar recurso de apelação, fazendo com que a sentença entrasse em vigor.
A defesa afirmou posteriormente que pretendia recorrer por meio de cassação, modalidade diferente de revisão judicial prevista no sistema russo.
Até 4 de setembro de 2026, não foi localizada uma decisão pública posterior que alterasse a condenação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

