Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Do churrasco para o tanque: sebo bovino vira biodiesel B100, faz caminhão da JBS rodar 500 mil km sem diesel fóssil e transforma resíduo da carne em combustível para cargas pesadas

Do churrasco para o tanque: sebo bovino vira biodiesel B100, faz caminhão da JBS rodar 500 mil km sem diesel fóssil e transforma resíduo da carne em combustível para cargas pesadas

SP

6 min de leitura

Do churrasco para o tanque: sebo bovino vira biodiesel B100, faz caminhão da JBS rodar 500 mil km sem diesel fóssil e transforma resíduo da carne em combustível para cargas pesadas

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 05/09/2026 às 22:18

Atualizado em 05/09/2026 às 22:20

Biocombustíveis Renováveis

Canal

Gorduras provenientes da cadeia da carne podem ser aproveitadas na fabricação de biodiesel B100, combustível usado pela JBS em caminhões que já percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Caminhão DAF abastecido exclusivamente com biodiesel produzido a partir de gorduras animais e óleo usado já percorreu mais de 500 mil quilômetros em operação real.

Em 2023, a JBS iniciou uma experiência para colocar nas estradas caminhões pesados abastecidos exclusivamente com biodiesel B100, combustível produzido sem diesel fóssil. Cerca de três anos depois, um dos veículos envolvidos no projeto ultrapassou a marca de 500 mil quilômetros rodados entre Lins, no interior de São Paulo, e o Porto de Santos.

O resultado chamou atenção não apenas pela quilometragem alcançada, mas pela origem do combustível usado na operação. Parte do biodiesel é produzida a partir de sebo bovino, gordura obtida no processamento dos animais, além de óleo de cozinha usado, transformando resíduos da cadeia produtiva em fonte de energia para o transporte de cargas.

Gorduras de origem animal, como o sebo bovino da cadeia da carne, podem ser transformadas em biodiesel B100 utilizado como combustível em caminhões pesados.

Sebo bovino e óleo de cozinha usado viram combustível para caminhões pesados

O biodiesel usado nos veículos é produzido pela Biopower, empresa da JBS especializada na fabricação do combustível renovável. Entre as matérias-primas estão gorduras animais provenientes da própria cadeia produtiva e óleo de cozinha usado, materiais que passam a ter uma nova finalidade antes de retornar à operação logística.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Geração de Energia

Aneel reduz em 14,67% as tarifas da Roraima Energia após recalcular cobrança para 213 mil unidades consumidoras

A tarifa da Roraima Energia caiu em média 14,67% depois que a Aneel refez o cálculo homologado em janeiro e incorporou recursos antecipados pela repactuação do Uso de Bem Público.
Os…

Paulo Nogueira

0

Uma das etapas responsáveis por transformar óleos e gorduras em combustível é a transesterificação. Nesse processo, os triglicerídeos presentes nas matérias-primas reagem com um álcool, como metanol ou etanol, formando ésteres e glicerina. Depois disso, o material é purificado até atingir as especificações necessárias para utilização em motores do ciclo Diesel.

Mais do que dar um novo destino aos resíduos, o processo cria uma ligação direta entre a produção de alimentos e o transporte. O material gerado dentro da própria cadeia é convertido em combustível e volta para a operação como fonte de energia para caminhões pesados.

Abastecimento representa a expansão dos biocombustíveis no Brasil, onde o diesel dos postos contém 15% de biodiesel desde agosto de 2025.

Caminhão com B100 enfrenta serra, cargas pesadas e longas distâncias

A experiência começou com três caminhões DAF 530, em configuração 6×4 e capacidade para transportar até 74 toneladas. O objetivo era testar o comportamento do B100 em condições reais de trabalho, incluindo viagens longas, cargas elevadas e diferentes características de percurso.

Um desses veículos passou a fazer regularmente a ligação entre Lins e o Porto de Santos. A rota inclui trechos de serra, com subidas e descidas acentuadas, o que aumenta a exigência sobre o motor e permite observar o desempenho do combustível em situações mais severas.

Nos primeiros seis meses, o caminhão percorreu quase 60 mil quilômetros e consumiu aproximadamente 35 mil litros de B100. Naquele momento, a JBS informou que o rendimento havia ficado equivalente ao obtido com diesel fóssil. A operação continuou e, cerca de três anos depois, o mesmo veículo ultrapassou 500 mil quilômetros abastecido exclusivamente com biodiesel.

Frota movida a B100 já acumulou mais de 1,1 milhão de quilômetros

O desempenho do caminhão que superou meio milhão de quilômetros faz parte de uma operação maior. Desde o início do projeto, em 2023, os veículos abastecidos exclusivamente com B100 já percorreram juntos mais de 1,1 milhão de quilômetros.

Segundo a JBS, avaliações realizadas ao longo da experiência, inclusive com participação de montadoras, não identificaram aumento de consumo nem falhas de manutenção atribuídas ao combustível. A companhia também afirma que os caminhões não precisaram receber adaptações específicas para operar com o biodiesel utilizado no projeto.

Esse acompanhamento ao longo de milhões de quilômetros permitiu observar o comportamento do combustível fora de testes controlados. Os veículos passaram a cumprir rotas comerciais regulares, transportando cargas e enfrentando as mesmas condições de trabalho presentes na operação convencional.

Recomendado para você

Agronegócio

Família abandona criação de gado e produção de leite após quase 30 anos, vira alvo de piadas ao plantar abóboras e hoje transforma sementes em 400 litros anuais de “ouro negro” premiado

Após quase 30 anos criando gado na Croácia, família Ovanin enfrentou piadas ao mudar de atividade, multiplicou por dez a plantação e conquistou quatro medalhas com óleo de sementes de…

Viviane Alves

0

Abastecimento com biodiesel 100% acontece dentro da unidade de Lins

O combustível utilizado pelos caminhões não precisa ser buscado em postos convencionais. Dentro do complexo industrial da JBS em Lins foi instalado um ponto destinado exclusivamente ao abastecimento com B100, chamado pela empresa de “bioponto”.

Segundo a companhia, a estrutura foi o primeiro ponto de abastecimento de biodiesel 100% do Brasil homologado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O local possui duas bombas e capacidade para armazenar até 46 mil litros do combustível.

O sistema ajuda a fechar o ciclo dentro da própria cadeia produtiva. Resíduos do processamento de bovinos e outros materiais são aproveitados na fabricação do biodiesel, que depois retorna à operação como combustível para os caminhões responsáveis pelo transporte de cargas.

Abastecimento de veículo ilustra o avanço dos biocombustíveis no Brasil, enquanto projetos com B100 avaliam a substituição integral do diesel fóssil.

Biodiesel já está presente no diesel vendido diariamente nos postos brasileiros

Embora o B100 ainda seja utilizado em operações específicas, o biodiesel já faz parte do combustível comercializado diariamente no país. Desde 1º de agosto de 2025, o diesel vendido nos postos brasileiros passou a conter obrigatoriamente 15% de biodiesel, formando a mistura conhecida como B15.

No caso dos caminhões utilizados pela JBS, a proporção é diferente. O B100 é formado integralmente por biodiesel e não utiliza diesel fóssil na composição do combustível abastecido nesses veículos.

Em julho de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou uma revisão das regras relacionadas aos usos voluntários de B100 e de misturas com percentuais superiores aos 15% obrigatórios.

Brasil produziu 9,8 bilhões de litros de biodiesel em 2025

O avanço dessas aplicações acontece em um mercado que já atingiu grande escala no Brasil. Dados do Balanço Energético Nacional 2026, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, mostram que o país produziu 9,8 bilhões de litros de biodiesel em 2025, crescimento de 8,5% em comparação com o ano anterior.

Apesar da possibilidade de utilizar gorduras animais e outros resíduos, o óleo de soja continua sendo a principal matéria-prima da indústria brasileira. Em 2025, ele respondeu por 65,9% da produção nacional, enquanto outros materiais graxos representaram 12,5%.

Os números ajudam a mostrar o tamanho alcançado pelo setor e também o espaço existente para outras matérias-primas. Entre elas estão justamente os resíduos provenientes da indústria de alimentos, como aqueles utilizados na produção do combustível empregado pela JBS.

Uso do B100 pode reduzir consumo de diesel fóssil em caminhões já existentes

O transporte rodoviário ocupa posição importante nessa discussão porque grande parte das mercadorias brasileiras depende de caminhões para circular entre diferentes regiões. Nesse cenário, o B100 aparece como uma alternativa para reduzir o uso de combustível fóssil sem retirar imediatamente de operação veículos equipados com motores a combustão.

No primeiro teste realizado pela JBS em parceria com a DAF, divulgado em 2024, a empresa estimou redução de até 80% nas emissões de dióxido de carbono em comparação com o diesel fóssil. Considerando toda a operação desde 2023, a companhia calcula que os caminhões abastecidos com B100 tenham evitado aproximadamente mil toneladas de CO₂ equivalente.

A experiência mostra uma tentativa de fechar o ciclo dentro da própria cadeia produtiva. O sebo bovino e outros resíduos deixam de servir apenas como subprodutos e passam a retornar ao sistema na forma de combustível, movimentando caminhões entre o interior paulista e o Porto de Santos.

Você acredita que o biodiesel B100 feito com sebo bovino pode se tornar uma alternativa real ao diesel fóssil no transporte de cargas ou ainda existem desafios técnicos e econômicos que precisam ser superados? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

Sair da versão mobile