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Do tamanho de cerca de 2.400 campos de futebol, iceberg de 17 km² atravessou mais de mil quilômetros desde a Groenlândia e mostrou a força das correntes que descem do Ártico

Do tamanho de cerca de 2.400 campos de futebol, iceberg de 17 km² atravessou mais de mil quilômetros desde a Groenlândia e mostrou a força das correntes que descem do Ártico

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Do tamanho de cerca de 2.400 campos de futebol, iceberg de 17 km² atravessou mais de mil quilômetros desde a Groenlândia e mostrou a força das correntes que descem do Ártico

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 11/09/2026 às 20:34

Atualizado em 11/09/2026 às 20:46

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Imagens do Landsat 9 permitiram acompanhar o bloco entre a costa nordeste da Groenlândia e o Estreito da Dinamarca; em agosto, a NASA já registrava fragmentação e considerava improvável que os remanescentes alcançassem rotas marítimas ao sul da ilha.

O iceberg de aproximadamente 17 quilômetros quadrados observado no Estreito da Dinamarca havia se deslocado mais de mil quilômetros para o sul desde sua provável área de origem no nordeste da Groenlândia. O percurso foi reconstruído com imagens de satélite e acompanhou correntes que margeiam a ilha.

O Earth Observatory, da NASA informou que o bloco foi registrado em 12 de junho de 2026 pelo Operational Land Imager (OLI), instrumento do satélite Landsat 9. Na imagem, ele aparecia ao sul do cabo Kangikajiip Appalia, cercado por gelo marinho e fragmentos menores.

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Com cerca de 17 km² naquele registro, o iceberg era grande para os padrões da Groenlândia, embora muito menor que alguns blocos desprendidos de plataformas de gelo da Antártida. A NASA comparou sua área a aproximadamente cinco vezes a do Central Park, em Nova York.

Um cálculo do CPG com base na área divulgada pela NASA e nas dimensões de campo recomendadas pela FIFA ajuda a traduzir essa escala. Considerando um gramado de 105 por 68 metros, os 17 km² equivalem a cerca de 2.381 campos, arredondados para aproximadamente 2.400.

Origem provável em Jøkelbugten

Imagem orbital destaca gelo marinho junto à costa da Groenlândia, região influenciada por correntes que transportam icebergs ao sul. (Imagem: NASA Earth Observatory)

O ponto exato do desprendimento não foi determinado. Keld Quistgaard, conselheiro sênior de gelo do Serviço de Gelo da Groenlândia, ligado ao Instituto Meteorológico Dinamarquês, situou a provável origem em Jøkelbugten, uma baía no nordeste da Groenlândia.

Duas possibilidades permaneciam abertas para a formação do bloco: a geleira Zachariæ Isstrøm ou uma plataforma de gelo remanescente próxima. A plataforma e a geleira chegaram a ocupar a baía em conjunto antes do rápido recuo do Zachariæ Isstrøm no início dos anos 2000.

Sem um registro contínuo do momento em que o bloco se separou, os pesquisadores não determinaram com precisão qual das duas estruturas o originou. Essa incerteza permaneceu mesmo depois de o trajeto mais ao sul ser reconstruído pelas imagens orbitais.

Christopher Shuman, glaciologista aposentado da Universidade de Maryland, considerou mais provável que o iceberg tivesse vindo desse gelo remanescente. A avaliação se baseou no tamanho do bloco e no padrão de lagoas azul-claras de água de degelo espalhadas pela superfície.

A reconstrução do percurso é difícil porque a costa nordeste da Groenlândia fica tomada, durante parte do ano, por gelo marinho e numerosos fragmentos de icebergs. Em imagens do fim de maio, havia vários blocos de aparência semelhante, o que dificultava acompanhar individualmente a massa que depois seguiu para o sul.

À medida que o gelo ao redor se tornou menos denso, o iceberg passou a se destacar nas imagens orbitais. O acompanhamento permitiu relacionar o objeto observado no Estreito da Dinamarca à região de Jøkelbugten, embora não tenha estabelecido uma rota contínua medida ponto a ponto desde o desprendimento.

Corrente costeira conduziu o bloco para o sul

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A distância em relação à provável origem aumentou nos meses seguintes. Em meados de agosto, o iceberg estava aproximadamente 1.500 quilômetros afastado da baía apontada como origem e seguia para o sul pela Corrente Costeira da Groenlândia, em direção ao Atlântico Norte.

Essa marca não significa que a trajetória percorrida tenha exatamente 1.500 quilômetros, porque o número descreve a separação entre a posição do bloco e Jøkelbugten. Ainda assim, a NASA registrou que ele apareceu no Estreito da Dinamarca mais de mil quilômetros ao sul da provável origem.

A deriva também ajuda a visualizar o transporte de gelo pelas correntes que acompanham a margem oriental da Groenlândia. No caso observado, a Corrente Costeira da Groenlândia conduziu o bloco para latitudes mais baixas, mantendo seu deslocamento em direção ao Atlântico Norte.

As lagoas de degelo visíveis no topo forneceram outra pista sobre a origem. No registro de junho, a superfície clara estava marcada por numerosas áreas azuladas de água líquida, característica comparada pelos pesquisadores ao gelo remanescente existente em Jøkelbugten.

Imagens anteriores mostram que partes dessa plataforma podem derivar para o sul e permanecer presas durante anos entre ilhas próximas à baía, sob ação de ventos e marés. Esse comportamento ajuda a explicar por que determinar o momento exato do desprendimento continua difícil mesmo com observação por satélite.

O acompanhamento orbital permitiu reconhecer o mesmo bloco em momentos diferentes, mas não preencher todos os intervalos de sua viagem. Durante o período em que permaneceu entre gelo marinho e outros fragmentos, a identificação dependeu da comparação de forma, tamanho e características visíveis da superfície.

Em agosto, o iceberg já mostrava sinais de fragmentação. Quistgaard esperava que a ruptura prosseguisse ao longo do mês, enquanto imagens posteriores indicavam perda da estrutura observada anteriormente.

A NASA avaliou que essa fragmentação no Estreito da Dinamarca tornava improvável que os remanescentes alcançassem as rotas marítimas que passam ao sul da Groenlândia, o que limitava o risco de o bloco manter a mesma dimensão ao avançar para águas mais movimentadas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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