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Dois amigos saem com detector de metais procurando ouro, desenterram meteorito de 24,3 kg e vendem a descoberta ao governo por cerca de R$ 738 mil

Dois amigos saem com detector de metais procurando ouro, desenterram meteorito de 24,3 kg e vendem a descoberta ao governo por cerca de R$ 738 mil

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Dois amigos saem com detector de metais procurando ouro, desenterram meteorito de 24,3 kg e vendem a descoberta ao governo por cerca de R$ 738 mil

Escrito por Débora Araújo

Publicado em 08/09/2026 às 13:41

Ciência e Tecnologia

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Dois amigos saem com detector de metais procurando ouro, desenterram meteorito de 24,3 kg e vendem a descoberta ao governo por cerca de R$ 738 mil

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O que começou como uma busca por ouro terminou em uma descoberta inesperada: uma enorme rocha espacial escondida no solo, posteriormente adquirida pelo governo por uma quantia surpreendente.

Paul McRae e John Miller passaram vários dias procurando ouro com detectores de metais perto de Georgetown, no estado australiano de Queensland, quando, em julho de 2016, um sinal forte levou os amigos a cavar durante cerca de duas horas até encontrar uma rocha excepcionalmente pesada. Segundo a ABC News, o objeto que inicialmente parecia apenas uma pedra acabou identificado como um raro meteorito de ferro e níquel de 24,3 quilos, ligado a material formado há aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

A descoberta permaneceu inteira e, depois de ser levada à Geoscience Australia e submetida a análises, tornou-se o maior exemplar conhecido daquele tipo associado ao meteorito Georgetown. Em agosto de 2020, a agência científica do governo australiano adquiriu a peça com apoio de AU$ 200 mil do National Cultural Heritage Account. Pela cotação atual usada nesta reportagem, o valor equivale a aproximadamente R$ 738 mil.

Detector de metais disparou quando os dois amigos já encerravam a busca por ouro

A rotina daquele dia de 2016 não tinha como objetivo encontrar nada vindo do espaço. Paul McRae e John Miller estavam em uma área de criação de gado nas proximidades de Georgetown, no norte de Queensland, usando detectores de metais para procurar ouro, atividade conhecida na Austrália como fossicking. Os amigos já estavam na região havia alguns dias.

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A tarde avançava e eles se preparavam para terminar a busca e voltar para jantar quando o detector de Paul emitiu um sinal forte. Ele começou a retirar a terra, mas, em vez de o sinal desaparecer à medida que mexia no solo, a resposta do equipamento ficava cada vez mais intensa. Paul então chamou John para ajudá-lo.

Os dois continuaram escavando durante aproximadamente duas horas. Quando finalmente alcançaram o objeto responsável pelo sinal, encontraram uma massa coberta de terra que, visualmente, não parecia particularmente valiosa. A primeira pista de que tinham algo incomum veio da combinação entre a resposta extremamente forte do detector e o peso da rocha.

Rocha de 24,3 kg era tão pesada que ficou rolando na carroceria da caminhonete

Paul e John chegaram a lascar a superfície da peça para tentar entender o que haviam encontrado. A aparência do material exposto não se parecia com as rochas que os dois estavam acostumados a encontrar naquela região de Queensland. Quando tentaram retirar o objeto do buraco, a massa elevada reforçou a suspeita de que aquilo não era uma pedra comum.

O meteorito pesava 24,3 quilos, massa semelhante à de uma mala grande completamente carregada. Mesmo assim, a descoberta não foi imediatamente tratada como um tesouro científico. Os amigos colocaram a rocha no veículo e seguiram a vida. Segundo a ABC News, ela permaneceu por aproximadamente quatro semanas rolando na parte traseira da caminhonete.

Esse detalhe se tornaria especialmente curioso depois da identificação. Enquanto o objeto era transportado como uma pedra pesada cuja natureza ainda era desconhecida, os dois estavam carregando o maior exemplar já confirmado daquele raro tipo do meteorito Georgetown.

Geoscience Australia percebeu rapidamente que a pedra não era comum

A Geoscience Australia registra que a descoberta ocorreu em julho de 2016 e que Paul McRae e John Miller levaram o espécime à instituição em 2017 para obter uma avaliação especializada. O órgão é a agência nacional de geociências da Austrália e mantém, entre outras estruturas científicas, uma coleção nacional de minerais, meteoritos e fósseis.

O curador Steven Petkovski relatou que recebe frequentemente consultas de pessoas convencidas de terem encontrado meteoritos, mas que, na enorme maioria dos casos examinados, os objetos têm origem terrestre. Quando viu a peça levada por Paul e John, contudo, as características do material chamaram sua atenção imediatamente.

A análise mostrou tratar-se de um meteorito de ferro e níquel. A superfície cortada revela estruturas metálicas claras contrastando com áreas mais escuras e componentes minerais, uma aparência muito diferente daquela da massa ainda coberta pela terra vermelha de Queensland quando saiu do buraco.

Descoberta estava ligada a meteorito identificado originalmente em 1988

O nome Georgetown não foi criado especificamente para a peça encontrada pelos dois amigos. O Meteoritical Bulletin Database registra oficialmente o meteorito Georgetown (iron) a partir de material encontrado em Queensland em 1988. Sua classificação recomendada atualmente é Iron, IAB-ung, dentro do complexo dos meteoritos de ferro IAB.

O registro histórico é especialmente interessante porque o primeiro material de Georgetown também teria sido localizado por um garimpeiro que utilizava detector de metais. O Meteoritical Bulletin informa que um espécime de 1,3 quilo chegou ao conhecido comerciante de meteoritos Robert Haag em 1991, enquanto outras amostras passaram a integrar coleções científicas.

A massa recuperada por Paul e John em 2016, entretanto, mudou radicalmente a escala conhecida desse material. Com 24,3 quilos, ela era várias vezes maior do que as peças documentadas anteriormente e deu aos cientistas uma oportunidade de examinar uma quantidade muito mais expressiva do meteorito.

Meteorito pode preservar material formado há cerca de 4,5 bilhões de anos

A Geoscience Australia descreve o espécime como um material de aproximadamente 4,5 bilhões de anos, idade próxima à formação do Sistema Solar. Cientistas acreditam que meteoritos metálicos desse tipo estejam relacionados a material originado no interior de antigos corpos planetários ou asteroides que passaram por diferenciação durante os estágios iniciais do Sistema Solar.

No caso do Georgetown, a composição inclui principalmente ferro e níquel, além de estruturas minerais que oferecem pistas sobre as condições em que o corpo original se formou e posteriormente se fragmentou. A Geoscience Australia destaca ainda a presença de troilita, um sulfeto de ferro de aparência bronzeada, associada a estruturas metálicas.

É justamente essa combinação química e estrutural que transforma a peça em muito mais do que um objeto raro para colecionadores. Ao estudar sua mineralogia e sua composição, pesquisadores podem obter informações sobre os materiais que participaram da formação de asteroides, planetas e outros corpos nos primeiros períodos da história do Sistema Solar.

Peça de 24,3 kg tornou-se o maior exemplar conhecido daquele tipo

Depois dos estudos realizados sobre a massa, a Geoscience Australia concluiu que Paul e John haviam encontrado o maior exemplo conhecido do raro material de Georgetown. A agência informou em 2021 que o espécime era um dos apenas seis exemplares oficialmente confirmados, nomeados e classificados daquele tipo específico considerado em sua análise à época.

A instituição também informou que a massa de 24,3 quilos parecia representar uma parte de um corpo maior que se fragmentou antes de atingir a superfície terrestre. A descoberta em Queensland não significa, portanto, que uma rocha exatamente daquele tamanho tenha viajado intacta desde sua formação primordial até o ponto onde os amigos a encontraram.

Há ainda uma distinção importante entre a classificação científica atual do meteorito no Meteoritical Bulletin e a forma como sua raridade foi descrita pela Geoscience Australia em 2021. A base internacional hoje registra Georgetown como Iron, IAB-ung, enquanto o número de seis usado pelo órgão australiano se referia aos exemplares comparados naquele contexto específico.

Governo destinou AU$ 200 mil para manter meteorito na Austrália

Depois de reconhecer a relevância científica da peça, Steven Petkovski buscou recursos para que ela permanecesse em uma coleção pública australiana. O financiamento veio do National Cultural Heritage Account, mecanismo do governo federal destinado a ajudar instituições australianas a adquirir objetos de importância para o patrimônio cultural do país.

O Office for the Arts informou que o fundo forneceu AU$ 200 mil para auxiliar a Geoscience Australia na aquisição do meteorito. A própria agência científica registra que a compra foi oficialmente concluída em agosto de 2020, cerca de quatro anos depois da descoberta realizada por Paul e John.

A ABC News posteriormente informou que os dois amigos receberam AU$ 200 mil pela descoberta. Convertidos pela cotação atual de aproximadamente R$ 3,69 por dólar australiano consultada para esta reportagem, os AU$ 200 mil equivalem a cerca de R$ 737,9 mil, arredondados no título para R$ 738 mil. Trata-se de uma conversão monetária atual, não do equivalente em reais na data da transação.

Amigos poderiam ter dividido a pedra, mas decidiram mantê-la inteira

Uma das decisões mais relevantes de Paul e John ocorreu antes da destinação definitiva do meteorito. Grandes massas podem ser cortadas em fatias e fragmentos menores, criando diversas peças comercializáveis para colecionadores, laboratórios e instituições. Os dois, porém, preferiram não seguir esse caminho.

À ABC News, Paul explicou que queria preservar o objeto como uma peça única e mantê-lo em um lugar onde crianças e estudantes pudessem vê-lo como parte do patrimônio científico australiano. John também tratou com humor a alternativa de dividir a massa, dizendo que poderiam ter terminado com dois enormes pesos de porta.

A opção por não fragmentar os 24,3 quilos foi determinante para o valor científico do exemplar. Uma grande massa intacta preserva relações espaciais entre minerais e estruturas que podem desaparecer quando um meteorito é pulverizado comercialmente em dezenas ou centenas de pequenas amostras.

Meteorito passou a integrar a coleção científica nacional da Austrália

Com a aquisição concluída, o Georgetown passou para a National Mineral and Fossil Collection, mantida pela Geoscience Australia. A instituição afirmou que a incorporação permitiria que pesquisadores continuassem estudando a peça e, ao mesmo tempo, possibilitaria sua utilização em atividades de educação científica.

A coleção nacional contém mais de 300 mil exemplares entre minerais, meteoritos, fósseis e lâminas de rocha. Em informação atualizada em maio de 2026, a Geoscience Australia informa que aproximadamente 700 espécimes permanecem em exposição permanente no foyer de sua sede em Symonston, Canberra.

O Georgetown também ganhou uma exposição digital produzida em colaboração com o Google Arts & Culture. Nela, a instituição registra o peso de 24,3 quilos, a composição dominada por ferro e níquel e sua associação ao complexo IAB, permitindo observar em detalhe a superfície preparada da peça.

Busca por ouro terminou com uma peça de 4,5 bilhões de anos e cerca de R$ 738 mil

Paul McRae e John Miller começaram aquele dia de julho de 2016 interessados no sinal que todo garimpeiro com detector espera encontrar: metal escondido no solo capaz de indicar ouro. O equipamento realmente encontrou metal, mas sua origem estava muito além das jazidas de Queensland.

Depois de duas horas cavando, quatro semanas transportando a pedra na caminhonete e meses até a avaliação especializada, os amigos descobriram que os 24,3 quilos encontrados no campo correspondiam ao maior exemplar conhecido do meteorito Georgetown analisado pela Geoscience Australia. Quatro anos depois, a agência federal conseguiu adquirir oficialmente a massa com AU$ 200 mil de recursos públicos.

A conversão atual coloca a negociação em aproximadamente R$ 738 mil, mas o desfecho ultrapassou o preço. Em vez de ser dividido e desaparecer em diversas coleções particulares, o bloco permaneceu inteiro na Austrália, disponível para pesquisa e divulgação científica. O sinal que Paul tentou localizar esperando encontrar ouro terminou revelando uma massa metálica cuja história começou bilhões de anos antes de existir qualquer garimpeiro, detector ou mesmo o planeta tal como é conhecido hoje.

Fonte

ABC News


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Débora Araújo.

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