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Dona de 13 navios de GNL e duas FSRUs em operação no Brasil pode ser vendida por mais de US$ 3 bilhões e XRG, braço internacional da ADNOC, promete comprar até 50% e construir uma das maiores plataformas globais de gás e GNL

Dona de 13 navios de GNL e duas FSRUs em operação no Brasil pode ser vendida por mais de US$ 3 bilhões e XRG, braço internacional da ADNOC, promete comprar até 50% e construir uma das maiores plataformas globais de gás e GNL

6 min de leitura

Dona de 13 navios de GNL e duas FSRUs em operação no Brasil pode ser vendida por mais de US$ 3 bilhões e XRG, braço internacional da ADNOC, promete comprar até 50% e construir uma das maiores plataformas globais de gás e GNL

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 20/09/2026 às 07:33

Atualizado em 20/09/2026 às 07:36

Petróleo e Gás

Canal

A Energos Celsius é uma das FSRUs da Energos Infrastructure em operação no Brasil. Referência visual: Energos Infrastructure.

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Energos Infrastructure, dona de 13 navios e duas FSRUs no Brasil, pode valer mais de US$ 3 bilhões em venda da Apollo enquanto XRG, braço da ADNOC, avalia comprar até 50%

Uma empresa criada há apenas quatro anos para concentrar ativos marítimos de GNL entrou no radar de uma possível transação bilionária. A Apollo avalia alternativas para a Energos Infrastructure, que opera 13 navios e mantém duas unidades de armazenamento e regaseificação no Brasil, enquanto a XRG, plataforma internacional da ADNOC, aparece entre os potenciais compradores.

Segundo a Reuters, a Apollo Global Management vem conversando com interessados nas últimas semanas e sinalizou abertura para uma venda total ou parcial. Pessoas familiarizadas com as discussões disseram que uma operação poderia avaliar a companhia em mais de US$ 3 bilhões. Entre os nomes citados está a XRG, braço internacional lançado pela ADNOC para investir fora dos Emirados Árabes Unidos.

As conversas ainda estão em estágio de avaliação. As fontes ouvidas pela Reuters alertaram que a alternativa de não haver negócio também permanece sobre a mesa, e Apollo, XRG e Energos não confirmaram publicamente uma transação.

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Energos Infrastructure reúne 13 navios de GNL, dos quais nove são FSRUs

A Energos Infrastructure opera uma frota de 13 embarcações de infraestrutura de GNL. Segundo a Reuters e a própria companhia, nove são unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação, conhecidas como FSRUs, duas são unidades de armazenamento e duas são navios transportadores de GNL.

As FSRUs funcionam como terminais de importação sobre a água. Elas recebem o gás natural liquefeito, armazenam o combustível a temperaturas criogênicas, fazem a regaseificação e enviam o gás para a rede. Esse modelo permite ampliar a capacidade de importação sem esperar anos pela construção de um terminal completo em terra.

A empresa informa ativos em mercados como Brasil, República Dominicana, Egito, Indonésia, Jordânia, México, Holanda e Porto Rico. Boa parte da frota está ligada a contratos de longo prazo, característica que ajuda a explicar por que a companhia pode atrair compradores interessados em infraestrutura com receitas contratadas.

Duas FSRUs da Energos operam no Brasil com capacidade combinada superior a 1,7 bilhão de pés cúbicos por dia

O Brasil aparece diretamente no centro da carteira da Energos. A Energos Nanook, com capacidade de armazenamento de 170.213 m³, opera no ancoradouro do TMIB e pode entregar até 750 milhões de pés cúbicos de gás por dia após a regaseificação, segundo a ficha técnica da companhia.

A segunda unidade é a Energos Celsius, de 160.607 m³, atualmente em Barcarena, no Pará. A empresa informa capacidade de regaseificação de até 1 bilhão de pés cúbicos por dia. Somadas, as duas unidades colocam mais de 1,7 bilhão de pés cúbicos diários de capacidade nominal ligada ao mercado brasileiro.

A Energos Nanook tem 170.213 m³ de capacidade de armazenamento e opera no Brasil. Foto: Energos Infrastructure.

Esse tipo de infraestrutura ganhou espaço no país porque permite receber cargas internacionais de GNL e conectá-las rapidamente à geração elétrica e à rede de gás. A flexibilidade também aumenta a capacidade de resposta em períodos de maior demanda ou de restrição de oferta doméstica.

Apollo criou a plataforma em negócio de cerca de US$ 2 bilhões e depois comprou a fatia que faltava

A Energos nasceu em 2022, quando fundos geridos pela Apollo e a New Fortress Energy fecharam uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2 bilhões. O acordo original transferiu 11 embarcações de infraestrutura de GNL para uma nova plataforma, na qual fundos da Apollo ficaram com cerca de 80% e a New Fortress com 20%.

Em janeiro de 2024, a Apollo comprou a participação de 20% da New Fortress, passando a controlar integralmente a plataforma. Desde então, a frota cresceu para 13 embarcações e a presença internacional foi ampliada.

A diferença entre o valor indicado na formação da plataforma e a avaliação superior a US$ 3 bilhões discutida agora não representa automaticamente um ganho líquido para a Apollo, porque a estrutura de capital, a composição dos ativos e os contratos mudaram ao longo do período. O dado mostra, porém, a escala financeira que a companhia alcançou no mercado de infraestrutura flutuante de GNL.

XRG pode comprar até 50% e tenta construir uma das maiores plataformas globais de gás e GNL

A Reuters informou que a XRG está entre os potenciais interessados e avalia uma participação de até 50%. A empresa foi lançada pela ADNOC em 2024 como plataforma internacional de investimentos em gás, produtos químicos e soluções de energia.

O plano estratégico aprovado pela XRG prevê construir um negócio integrado de gás e GNL entre os cinco maiores do mundo, com meta de 20 a 25 milhões de toneladas por ano até 2035. A companhia vem ampliando presença em diferentes pontos da cadeia, de produção de gás até liquefação e infraestrutura.

Nos Estados Unidos, a XRG aumentou em 2026 sua participação no projeto Rio Grande LNG, no Texas, incluindo os trens 4 e 5. Na Argentina, assinou acordos para adquirir 32% de participação em três blocos de Vaca Muerta ligados ao projeto Argentina LNG, ao lado da YPF e da Eni.

Uma entrada na Energos acrescentaria exposição à outra ponta da cadeia: armazenamento, regaseificação e infraestrutura marítima de importação. Isso colocaria ativos físicos já em operação em mercados consumidores dentro do portfólio internacional da XRG.

Frota continua ganhando contratos enquanto a possível venda é discutida

A Energos segue operando e expandindo a utilização dos ativos enquanto as alternativas estratégicas são avaliadas. Em setembro de 2026, a companhia informou que a FSRU Energos Force chegou a Stade, na Alemanha, para apoiar a nova infraestrutura de importação de GNL do país.

O terminal alemão deve receber sua primeira carga totalmente carregada em novembro e, quando estiver operacional, poderá alimentar a rede com até 3,2 bilhões de metros cúbicos de gás em 2027, segundo a Energos. O projeto ilustra como uma única FSRU pode se tornar peça relevante no sistema energético de um país.

A Energos Force também mostra por que a companhia pode interessar a investidores: o valor não está apenas nos navios, mas nos contratos, posições em terminais, capacidade de regaseificação e acesso a mercados que precisam importar gás rapidamente.

A Energos Force chegou a Stade em setembro de 2026 para apoiar nova infraestrutura alemã de importação de GNL. Foto: Energos Infrastructure.

Uma venda acima de US$ 3 bilhões colocaria a infraestrutura flutuante de GNL no centro da disputa por ativos globais de gás

O processo ainda pode terminar sem venda, mas a movimentação ocorre num momento em que grandes grupos de energia estão investindo em gás e GNL em várias regiões. A busca por ativos com contratos de longo prazo, acesso a terminais e capacidade de importação favorece plataformas que já chegam prontas para operar.

Para o Brasil, qualquer mudança de controle na Energos teria interesse especial porque duas FSRUs da companhia estão ligadas ao sistema local. Os ativos continuariam sujeitos aos contratos e às regras aplicáveis, mas uma nova estrutura societária poderia colocar parte da infraestrutura brasileira dentro de um portfólio ainda maior de gás e GNL.

Se a transação avançar, o ponto decisivo será saber se a Apollo venderá a companhia inteira ou manterá participação ao lado de um novo investidor. Você acha que a entrada de um gigante ligado à ADNOC mudaria a disputa por infraestrutura de GNL no Brasil e no mundo? Comente e compartilhe a matéria.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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