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Dona de barraca de lanches ganha R$ 103 milhões na Mega-Sena, casa-se 22 dias depois, entrega R$ 12 milhões ao marido e aos filhos dele e caso termina em disputa judicial pela metade da fortuna
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 09/09/2026 às 23:53
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A dona de barraca ganhou cerca de R$ 103 milhões na Mega-Sena, casou-se 22 dias depois, entregou R$ 12 milhões ao marido e aos filhos dele e enfrentou ação em que o ex exigiu metade da fortuna ao alegar união estável anterior ao casamento
Uma mulher que trabalhava como proprietária de uma barraca de lanches ganhou aproximadamente R$ 103 milhões na Mega-Sena, em 2020.
Naquele momento, ela estava noiva havia cerca de dois meses. Apenas 22 dias depois do sorteio, oficializou o casamento sob o regime de separação total de bens.
A união durou nove meses. Depois da separação, a milionária entregou R$ 10 milhões ao ex-marido e destinou outros R$ 2 milhões aos dois filhos dele.
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Mesmo com o recebimento dos valores, o homem procurou a Justiça para exigir uma parcela maior da fortuna.
O argumento central era que o casal já mantinha uma união estável antes do casamento. Caso a alegação fosse aceita, o prêmio poderia entrar na discussão sobre os bens adquiridos durante a convivência.
O prêmio que transformou a vida da proprietária de uma barraca
Antes de ganhar na Mega-Sena, a mulher trabalhava como dona de uma barraca de lanches.
A mudança financeira ocorreu em 2020, quando uma aposta premiada lhe garantiu aproximadamente R$ 103 milhões.
Na época, ela mantinha um relacionamento amoroso e estava noiva havia cerca de dois meses. O casamento ocorreu menos de um mês depois do sorteio.
O casal escolheu o regime de separação total de bens. Nesse modelo, cada cônjuge mantém, em princípio, a administração e a propriedade do próprio patrimônio.
A escolha do regime matrimonial, entretanto, não eliminou a possibilidade de uma discussão sobre o período anterior à cerimônia.
O prêmio foi conquistado antes do casamento. Por isso, a tentativa do ex-marido de participar da fortuna dependia principalmente da comprovação de que já existia uma união estável quando a aposta foi feita.
A diferença de apenas 22 dias entre o sorteio e o casamento colocou a cronologia no centro do processo.
A separação ocorreu nove meses depois do casamento
O casamento terminou aproximadamente nove meses após a cerimônia.
Depois do rompimento, a ganhadora transferiu R$ 10 milhões ao ex-marido. Ela também destinou R$ 1 milhão para cada um dos dois filhos dele.
As três transferências somaram R$ 12 milhões.
Após entregar os valores, a milionária mudou-se de cidade. Ainda assim, o pagamento não encerrou a disputa patrimonial.
O ex-marido alegou que os dois não eram apenas namorados ou noivos antes do casamento. Segundo sua versão, o relacionamento já apresentava características de uma união estável.
O reconhecimento dessa tese poderia alterar todo o resultado financeiro da separação.
Caso a Justiça concluísse que a união estável existia no momento do sorteio, o homem poderia tentar incluir parte do prêmio na divisão dos bens acumulados durante a convivência.
Por que o ex-marido exigiu metade da fortuna
A ação não dependia somente da existência de um relacionamento amoroso anterior ao casamento.
O ponto decisivo era determinar qual natureza jurídica aquela relação possuía quando a mulher ganhou na Mega-Sena.
Namoro, noivado e união estável podem representar diferentes etapas afetivas. Entretanto, não produzem automaticamente as mesmas consequências patrimoniais.
Assista o vídeo
O casamento ocorreu sob separação total de bens e somente depois do sorteio. Portanto, o prêmio não foi adquirido durante o matrimônio.
A principal possibilidade de alcançar o dinheiro estava no período anterior.
O ex-marido precisava demonstrar que o casal já vivia uma relação reconhecível como entidade familiar antes da cerimônia. Assim, o prêmio teria sido recebido durante essa suposta união estável.
A existência de um namoro sério ou de um noivado, isoladamente, não resolvia a questão. A Justiça precisava analisar as provas sobre a convivência e a intenção do casal naquele período.
Justiça chegou a bloquear parte dos bens da ganhadora
Enquanto o processo avançava, a Justiça adotou medidas para preservar o patrimônio envolvido na disputa.
Em dezembro de 2023, uma decisão determinou o bloqueio de 50% dos bens da ganhadora, correspondente ao valor então calculado em aproximadamente R$ 66 milhões.
A busca patrimonial, porém, localizou cerca de R$ 22,5 milhões.
O bloqueio impedia que os valores encontrados fossem movimentados livremente até que a Justiça analisasse o mérito da ação.
A medida não representava uma decisão definitiva de entregar o dinheiro ao ex-marido. Seu objetivo era manter parte do patrimônio disponível caso o pedido dele fosse aceito ao final do processo.
Em fevereiro de 2024, uma nova decisão autorizou a liberação de 10% da quantia bloqueada. O restante continuou indisponível enquanto as alegações e as provas eram examinadas.
Dessa forma, mesmo sem uma definição sobre a divisão do prêmio, parte da fortuna permaneceu judicialmente protegida.
Relacionamento anterior não foi reconhecido como união estável
Em fevereiro de 2025, a Justiça de Alagoas decidiu que a ganhadora não precisaria entregar metade do prêmio ao ex-marido.
A sentença reconheceu que o casal mantinha um relacionamento amoroso antes do casamento. Entretanto, concluiu que as provas apresentadas não demonstravam a formação de uma união estável naquele período.
Esse entendimento atingiu diretamente o principal fundamento da ação.
Sem o reconhecimento da união estável anterior, o prêmio permaneceu ligado exclusivamente à ganhadora. Afinal, o sorteio ocorreu antes do casamento formalizado sob separação total de bens.
O fato de os dois estarem noivos não criou automaticamente um direito sobre a fortuna. Da mesma forma, a proximidade entre o sorteio e a cerimônia não foi suficiente para demonstrar uma união estável.
A Justiça diferenciou a existência de um relacionamento afetivo da comprovação de uma entidade familiar com consequências patrimoniais.
O ex-marido, portanto, não conseguiu provar o vínculo jurídico necessário para exigir a divisão pretendida.
Bloqueio permaneceu até o encerramento definitivo do processo
Embora a decisão de fevereiro de 2025 tenha favorecido a ganhadora, os bens não foram liberados imediatamente.
A sentença estabeleceu que os valores permaneceriam bloqueados até o trânsito em julgado. Essa etapa ocorre quando não existem mais recursos comuns capazes de modificar o resultado.
Somente depois do encerramento definitivo do processo a milionária poderia recuperar integralmente o controle dos bens que continuavam indisponíveis.
O bloqueio funcionava como uma garantia temporária. Se uma instância superior alterasse a decisão, ainda existiria patrimônio preservado para cumprir uma eventual divisão.
Caso a sentença fosse mantida até o final, os valores seriam liberados em favor da ganhadora.
A disputa mostrou que, em conflitos envolvendo prêmios de loteria, a data da aposta pode ser tão importante quanto os números sorteados.
Nesse caso, somente 22 dias separaram a conquista de R$ 103 milhões do casamento. No entanto, o ex-marido precisava comprovar que a vida familiar havia começado antes da cerimônia.
Sem provas suficientes da união estável, o relacionamento anterior permaneceu juridicamente diferente do casamento que ocorreu depois do sorteio.
Você considera correto manter o prêmio exclusivamente com a ganhadora ou acredita que o relacionamento anterior ao casamento deveria permitir a divisão da fortuna? Deixe sua opinião e compartilhe o caso.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

