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Ela cultivava mangas por 8 anos, via parte da produção apodrecer e aceitava o preço disponível. Agora aos 50, vende quase 2 toneladas por nova rede de compradores na Europa e triplica renda com a fruta

Ela cultivava mangas por 8 anos, via parte da produção apodrecer e aceitava o preço disponível. Agora aos 50, vende quase 2 toneladas por nova rede de compradores na Europa e triplica renda com a fruta

9 min de leitura

Ela cultivava mangas por 8 anos, via parte da produção apodrecer e aceitava o preço disponível. Agora aos 50, vende quase 2 toneladas por nova rede de compradores na Europa e triplica renda com a fruta

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 01/09/2026 às 18:34

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Jiwanti Bara dependia de comerciantes locais que praticamente definiam quanto pagar. Ela entrou em uma organização liderada por mulheres que conecta produtoras a novos mercados, elevou o preço da manga de cerca de ₹20 para ₹30 por quilo e leva carregamentos de Jharkhand à Inglaterra e Itália

Durante anos, Jiwanti Bara, de 50 anos, cuidou das mangueiras Amrapali plantadas ao redor de sua casa na vila de Birnibera, no estado indiano de Jharkhand, mas enfrentava um problema justamente quando chegava a hora de transformar a colheita em renda. Se os comerciantes locais não comprassem as frutas rapidamente, parte das mangas simplesmente apodrecia. Em 2026, depois de aprender técnicas de manejo pós-colheita e passar a vender por meio de uma organização de produtores, ela comercializou quase duas toneladas e viu sua renda com mangas subir de aproximadamente 25 mil rúpias para 80 mil rúpias, conforme informações publicadas pelo The Better India em 29 de agosto.

A mudança não aconteceu porque Jiwanti passou a produzir uma fruta completamente diferente. O que mudou foi tudo aquilo que acontecia depois que a manga saía da árvore: momento correto da colheita, retirada da seiva, prevenção de danos, classificação, separação por qualidade, embalagem e, principalmente, acesso a compradores além dos intermediários locais.

O resultado ultrapassou sua propriedade. Mulheres agricultoras de Jharkhand passaram a alcançar mercados organizados dentro da Índia, enquanto carregamentos de mangas produzidas no estado chegaram à Inglaterra, Itália e Emirados Árabes Unidos. A primeira exportação comercial de mangas frescas de Jharkhand para o Reino Unido envolveu 1,5 tonelada de mangas Amrapali de uma empresa de produtores formada por mulheres, segundo o governo indiano.

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Durante anos, comerciante chegava à vila e praticamente decidia o preço

Jiwanti cultiva mangas há aproximadamente oito anos.

Durante boa parte desse período, produzir não era seu maior problema.

Vender era.

Quando a época da colheita chegava, pequenos agricultores da região dependiam de comerciantes que apareciam nas comunidades para comprar a produção.

A margem de negociação era pequena.

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Se o agricultor recusasse o valor oferecido, enfrentava um risco imediato: a manga continuava amadurecendo e poderia estragar antes que aparecesse outro comprador.

Por isso, muitas famílias aceitavam o preço disponível.

Jiwanti relata que frutas não vendidas a tempo acabavam apodrecendo e que praticamente não havia alternativa além de aceitar aquilo que os compradores locais ofereciam.

O problema, portanto, não estava apenas dentro do pomar.

Estava na distância entre produzir e conseguir vender.

Programa espalha pomares por quase 186 mil acres

A situação ganhou escala porque Jharkhand havia incentivado milhares de famílias rurais a plantar pomares por meio do Birsa Harit Gram Yojana, programa do Departamento de Desenvolvimento Rural do estado.

Com o passar dos anos, agricultores plantaram pomares em aproximadamente 186 mil acres de suas próprias terras.

Em 2026, essas plantações já beneficiavam cerca de 215 mil famílias rurais nos 24 distritos de Jharkhand.

As variedades Amrapali e Mallika ganharam espaço porque apresentam características adequadas ao cultivo e ao transporte por longas distâncias.

Então, as árvores cresceram.

A produção aumentou.

E apareceu um novo problema:

quem compraria tanta manga?

Produzir mais sem criar canais de venda poderia simplesmente aumentar o volume de frutas desperdiçadas.

Boa colheita cria um problema que ninguém resolveria apenas plantando mais

No final de 2025, técnicos começaram a perceber uma produção expressiva nos pomares desenvolvidos pelo programa.

Porém, o mercado não havia crescido na mesma velocidade.

Os agricultores dominavam o cultivo.

Por outro lado, muitos ainda não conheciam práticas necessárias para entrar em mercados organizados, como classificação, padronização, embalagem e manutenção da qualidade depois da colheita.

Isso mantinha grande parte da produção dependente dos mesmos compradores locais.

Assim, o desafio deixou de ser aumentar a quantidade de árvores.

Passou a ser transformar uma fruta colhida no interior de Jharkhand em um produto capaz de viajar centenas ou milhares de quilômetros sem perder o padrão exigido pelo comprador.

Mulheres aprendem que manga para exportação começa a ser preparada ainda no pomar

A partir de dezembro de 2025, agricultores começaram a receber treinamento.

Eles aprenderam técnicas de manejo do pomar, aplicação de nutrientes, controle de pragas e doenças, colheita e tratamento pós-colheita.

Além disso, passaram a observar o estágio correto de maturação.

Aprenderam a retirar a seiva.

Começaram a evitar impactos capazes de machucar as frutas.

E passaram a separar as mangas por tamanho, aparência e qualidade.

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Para quem vendia praticamente toda a produção aos comerciantes locais, vários desses procedimentos eram novos.

Agora, porém, cada detalhe poderia definir o destino da fruta.

Uma manga poderia seguir para exportação.

Outra poderia abastecer um comprador organizado dentro da Índia.

E frutas fora do padrão premium ainda precisavam encontrar outro mercado para evitar desperdício.

Estratégia tenta encontrar comprador até para a manga que não serve para exportação

Esse ponto foi essencial.

Não bastava selecionar as melhores frutas e enviá-las para o exterior.

Se apenas as mangas de padrão internacional encontrassem compradores, o restante da produção continuaria correndo o risco de estragar.

Por isso, as organizações envolvidas criaram canais diferentes.

Frutas com qualidade de exportação poderiam seguir para compradores premium.

Outras categorias entrariam em mercados nacionais ou locais.

Dessa maneira, o objetivo era aumentar a parcela aproveitada da colheita.

Duas organizações lideradas por mulheres passaram a desempenhar papel central: Mahila Jagriti Farmer Producer Company e Biura Farmer Producer Company.

Elas reuniam a produção de várias agricultoras, organizavam a compra, verificavam qualidade e negociavam com mercados que dificilmente seriam alcançados por uma pequena produtora individualmente.

Quase 2 toneladas mudam a renda de Jiwanti em uma única colheita

Foi nessa nova estrutura que os números de Jiwanti mudaram.

Antes, ela obtinha aproximadamente ₹25 mil com o cultivo de mangas.

Em 2026, vendeu quase duas toneladas por meio de sua organização de produtores.

A renda chegou a aproximadamente ₹80 mil.

Isso representa mais de três vezes o valor anterior.

Ao mesmo tempo, o preço recebido pela agricultora subiu de aproximadamente ₹20 para perto de ₹30 por quilo.

Ou seja, não foi apenas uma questão de vender mais volume.

Cada quilo também passou a valer mais.

Para Jiwanti, a principal diferença foi perceber que manter a qualidade poderia abrir portas para compradores antes inacessíveis.

Preço chega a ₹42 por quilo para manga destinada à exportação

O movimento também aparece nos números gerais de Simdega.

Segundo o especialista ouvido pelo The Better India, o volume de mangas comercializado pela iniciativa passou de aproximadamente 10 toneladas para quase 31 toneladas.

Os preços também mudaram.

Antes, ficavam aproximadamente entre ₹20 e ₹25 por quilo.

Nos mercados domésticos organizados, chegaram a cerca de ₹31 por quilo.

Já frutas com qualidade de exportação alcançaram até ₹42 por quilo.

Esse último valor também aparece em cobertura independente sobre o primeiro carregamento para Londres, que informou aquisição das mangas de produtoras locais por ₹42 o quilo.

Portanto, classificação e acesso ao comprador passaram a determinar quanto a mesma cultura poderia render.

Primeiro teste sai em maio; menos de 3 semanas depois, manga parte para a Inglaterra

O salto internacional aconteceu rapidamente.

Em 13 de maio de 2026, um primeiro carregamento saiu de Simdega em direção a Handia, em Allahabad.

O objetivo também era testar etapas como compra, agrupamento da produção, embalagem e transporte de longa distância.

Então veio a virada.

Em 2 de junho, segundo a cronologia relatada pelo The Better India, saiu de Simdega o primeiro carregamento destinado à Inglaterra.

Depois, em 16 de junho, outro seguiu para a Itália.

O governo indiano também confirmou a primeira exportação comercial de mangas frescas de Jharkhand ao Reino Unido: 1,5 tonelada de mangas Amrapali, proveniente de uma companhia de produtoras formada exclusivamente por mulheres, foi destinada a Londres.

A fruta que antes corria o risco de apodrecer esperando um comprador local agora atravessava continentes.

Mulheres deixam de apenas trabalhar no pomar e passam a discutir preço e mercado

A transformação não ficou restrita à renda.

Segundo Dewanti Devi, de 35 anos, anteriormente as mulheres participavam principalmente do trabalho nos pomares, enquanto os homens costumavam cuidar das vendas.

Com as organizações de produtoras, isso começou a mudar.

As mulheres passaram a participar das discussões sobre agregação, controle de qualidade, compra e comercialização.

Também começaram a receber informações sobre aquilo que os compradores procuravam.

Consequentemente, ganharam mais elementos para negociar.

Em vez de esperar apenas pelo comerciante que aparecesse na época da colheita, passaram a compreender para onde a produção poderia seguir e quanto diferentes mercados estavam dispostos a pagar.

37 organizações passam a representar mais de 11 mil agricultores

A estrutura cresceu para muito além de uma única vila.

Em 2026, o programa alcançava os 24 distritos de Jharkhand, aproximadamente 12 mil vilas, 3.300 conselhos locais e 264 blocos administrativos.

Desse universo, 5.231 vilas já haviam alcançado a fase produtiva.

Além disso, cerca de 46.586 agricultoras se beneficiavam diretamente dos pomares que começaram a produzir.

Uma rede de 37 organizações de produtores reunia 11.347 agricultores associados e apoiava atividades de agregação, comercialização e geração de valor.

Portanto, a história de Jiwanti representa um resultado individual dentro de uma estrutura consideravelmente maior.

15,8 toneladas de mangas seguem para outros países em 9 carregamentos

Quando as conexões internacionais começaram a funcionar, as exportações deixaram de representar apenas uma experiência isolada.

Segundo os dados publicados pelo The Better India, a rede enviou 15,8 toneladas métricas de mangas Amrapali em nove carregamentos internacionais.

Os destinos incluíram Londres, Dubai e Itália.

As mangas saíram de diferentes regiões de Jharkhand.

Gumla enviou 3,5 toneladas para Dubai e Itália.

Deoghar enviou 1 tonelada para Dubai.

Ramgarh respondeu por 6 toneladas destinadas a Londres e Dubai.

Simdega enviou 1,6 tonelada para Londres e Itália.

Jamshedpur mandou 1,2 tonelada para Londres.

E Lohardaga enviou 1,5 tonelada para Dubai.

Uma fruta deixa de depender de um único comprador

Talvez a mudança mais importante esteja justamente na quantidade de opções.

Antes, Jiwanti dependia do comerciante que chegasse até sua região.

Agora, as organizações conseguem direcionar diferentes categorias da produção para diferentes compradores.

Isso reduz a dependência de uma única negociação.

Também reduz a pressão para aceitar qualquer preço apenas porque a manga está amadurecendo.

Além das exportações, as organizações passaram a conectar agricultores a varejistas e compradores organizados dentro da própria Índia.

A consequência é uma mudança na relação de força.

Quando existe apenas um comprador e uma fruta perecível, o produtor tem pouco tempo para negociar.

Quando existem vários canais, a situação muda.

O segredo não estava em plantar mais, mas no que acontecia depois da colheita

A trajetória de Jiwanti desmonta uma ideia intuitiva.

Para aumentar a renda de um agricultor, pode parecer necessário produzir muito mais.

Nesse caso, porém, uma parte importante da transformação aconteceu depois da colheita.

A manga precisava sair da árvore no momento adequado.

Depois, precisava ser manuseada sem danos.

Em seguida, classificada.

Então, embalada.

Finalmente, conectada ao comprador certo.

Esse conjunto de etapas permitiu transformar um produto que podia perder valor rapidamente em uma mercadoria capaz de percorrer milhares de quilômetros.

E foi justamente essa ponte entre pomar e mercado que estava faltando.

Da fruta apodrecendo no chão às caixas destinadas à Europa

A mudança pode ser resumida pela trajetória da própria Jiwanti.

Durante anos, ela cultivou mangas e dependia de comerciantes locais.

Quando não conseguia vender a tempo, parte da produção podia apodrecer.

Sua renda com a cultura ficava em aproximadamente ₹25 mil.

Depois, recebeu treinamento.

Aprendeu técnicas de pós-colheita.

Passou a vender pela organização de produtores.

Em uma única temporada, comercializou quase duas toneladas.

Sua renda chegou a cerca de ₹80 mil.

Enquanto isso, mangas produzidas pelas agricultoras da região começaram a seguir para mercados que antes pareciam inalcançáveis, incluindo Inglaterra e Itália.

A árvore continuou praticamente a mesma.

A fruta também.

O que mudou foi o caminho entre a colheita e quem estava disposto a pagar por ela.

Fonte

The Better India


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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