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Elefanta cega passa 60 anos sendo pintada, acorrentada e usada como adereço em casamentos na Índia, continua trabalhando mesmo sem conseguir enxergar e com o corpo debilitado, até operação de resgate retirá-la das ruas e levá-la a um hospital especializado

Elefanta cega passa 60 anos sendo pintada, acorrentada e usada como adereço em casamentos na Índia, continua trabalhando mesmo sem conseguir enxergar e com o corpo debilitado, até operação de resgate retirá-la das ruas e levá-la a um hospital especializado

6 min de leitura

Elefanta cega passa 60 anos sendo pintada, acorrentada e usada como adereço em casamentos na Índia, continua trabalhando mesmo sem conseguir enxergar e com o corpo debilitado, até operação de resgate retirá-la das ruas e levá-la a um hospital especializado

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 01/09/2026 às 23:33

Atualizado em 01/09/2026 às 23:34

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Elefanta cega usada por décadas em casamentos na Índia é resgatada aos 60 anos e recebe tratamento especializado antes de morrer aos 62. (Foto: Wildlife SOS)

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Nina passou quase seis décadas entre ruas e cerimônias de casamento em Uttar Pradesh, onde era usada para pedir dinheiro e posar para fotografias mesmo após perder completamente a visão. Resgatada em junho de 2021, a elefanta chegou ao hospital da Wildlife SOS desnutrida, com osteoartrite, lesões nas patas e marcas deixadas pelo uso prolongado de sela e correntes.

Durante boa parte de aproximadamente 60 anos, a elefanta Nina repetiu uma rotina que envolvia ruas movimentadas, correntes, pinturas no corpo e longas cerimônias de casamento na Índia. Mesmo completamente cega e já idosa, ela continuava sendo utilizada como atração em festas e para pedir dinheiro nas ruas de Uttar Pradesh.

A história começou a mudar depois que uma pessoa registrou a condição do animal e enviou fotografias e vídeos à organização Wildlife SOS. De acordo com a entidade, as imagens mostravam uma elefanta debilitada, incapaz de enxergar e ainda submetida a uma rotina de trabalho. A equipe iniciou então uma operação para localizá-la e retirá-la daquela situação.

O resgate ocorreu em junho de 2021. Depois de décadas em cativeiro, Nina foi transportada em uma ambulância especialmente preparada para elefantes até o Elephant Hospital Campus, em Mathura, no estado de Uttar Pradesh. Ela viveria ali seus últimos dois anos.

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Paulo Nogueira

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Fotografias e vídeos enviados à ONG deram início à operação para encontrar Nina

A Wildlife SOS relata que Nina havia sido transformada em uma espécie de adereço vivo para cerimônias de casamento. Seu corpo recebia pinturas decorativas, mantos e uma pesada estrutura sobre as costas, enquanto ela permanecia parada para fotografias entre convidados, fogos de artifício e música.

Além dos casamentos, a elefanta era levada pelas ruas para pedir dinheiro. Segundo a organização, a exploração continuou até mesmo durante o período da pandemia de Covid-19, apesar da idade avançada, da fragilidade física e da perda total da visão.

A denúncia recebida pela entidade exigiu cautela. Em um relato posterior sobre o caso, a Wildlife SOS afirmou ter preparado uma operação discreta de resgate, porque havia o receio de que o responsável pelo animal desaparecesse com Nina caso percebesse a movimentação da equipe.

Veterinários e tratadores chegaram ao local e conduziram a elefanta até uma ambulância. Nina nunca havia sido transportada daquela maneira e inicialmente demonstrou resistência e ansiedade. Frutas, principalmente bananas, foram usadas pelos cuidadores para ajudá-la a entrar no veículo.

Em 5 de junho de 2021, Nina iniciou a viagem que encerraria décadas de trabalho nas ruas

Resgate em junho de 2021 levou Nina das ruas para um hospital especializado em elefantes. (Foto: Wildlife SOS)

Os registros feitos pela Wildlife SOS durante o deslocamento mostram que Nina começou a viagem na madrugada de 5 de junho de 2021. Nas primeiras horas, recusou água e demonstrou insegurança diante do ambiente desconhecido.

A condição física também chamou atenção. A elefanta estava magra e apresentava sinais de desnutrição. Durante uma parada para comprar frutas, os tratadores descobriram que ela aceitava melancias e bananas, alimentos que passaram a ser oferecidos durante o trajeto.

Quando chegou ao Elephant Hospital Campus, Nina desceu do veículo sem poder enxergar onde estava. A organização descreve que ela explorou o novo ambiente principalmente com a tromba, o olfato e a audição.

Naquele local, próximo ao rio Yamuna, ela passou a ouvir outros elefantes e diferentes sons que não faziam parte da rotina das ruas e das festas. Depois de receber comida, descansou no recinto preparado para sua chegada.

Exames revelaram osteoartrite, feridas nas patas e perda irreversível da visão

A avaliação veterinária mostrou que o estado de Nina era mais grave do que a equipe esperava. A perda da visão era completa e irreversível.

Segundo a Wildlife SOS, os veterinários concluíram que havia indícios de que a cegueira pudesse ter sido provocada deliberadamente. Em outro relato publicado pela organização, a hipótese apresentada foi de lesão causada por um ankush, instrumento semelhante a um gancho tradicionalmente utilizado no manejo coercitivo de elefantes.

Os problemas não estavam limitados aos olhos. Nina apresentava osteoartrite severa nas patas traseiras, além de abscessos, úlceras e dificuldades para caminhar.

A região da coluna também tinha inchaço e inflamação. Os veterinários associaram parte das lesões à pressão exercida durante anos pela pesada sela colocada sobre suas costas. A Wildlife SOS informou ainda que uma antiga queda em uma vala ou uma colisão poderiam estar relacionadas aos problemas das patas traseiras.

A combinação de idade avançada, má nutrição, piso inadequado e décadas de trabalho tornava a recuperação completa improvável.

Banhos medicinais, laser e cuidados diários substituíram correntes e pinturas

O tratamento passou a fazer parte da rotina de Nina. Os veterinários utilizaram terapia a laser para aliviar as articulações afetadas pela artrite, banhos medicinais para tratar os abscessos nas patas e medicamentos para controle da dor.

Suplementos vitamínicos e uma alimentação planejada também foram introduzidos. Como a condição física impedia atividades intensas, Nina fazia caminhadas curtas acompanhada por um cuidador e recebia cuidados frequentes nas unhas e patas.

O hospital onde ela foi recebida foi inaugurado pela Wildlife SOS em 2018 em colaboração com o Departamento Florestal de Uttar Pradesh. A instalação foi criada especificamente para atender elefantes feridos, doentes ou idosos e conta com recursos para exames, tratamentos veterinários e reabilitação.

Nina também passou a ter contato com outros elefantes. Holly e Lakshmi ficavam próximas de seu recinto e, segundo os cuidadores, tornaram-se suas companheiras. Por causa da fragilidade física, o contato precisava ser controlado, mas foi provavelmente uma das poucas oportunidades de convivência com outros elefantes que ela teve durante a vida adulta.

Dois anos após o resgate, o corpo de Nina já não conseguiu se levantar novamente

No fim de agosto e início de setembro de 2023, a condição da elefanta piorou. Nina permaneceu deitada por vários dias. Inicialmente ainda aceitava alimentos, mas começou a comer cada vez menos.

A equipe tentou ajudá-la a se levantar, sem sucesso. As lesões nas patas e a doença degenerativa nas articulações já comprometiam severamente sua capacidade de sustentar o próprio peso.

Segundo o veterinário S. Ilayaraja, então vice-diretor de serviços veterinários da Wildlife SOS, a redução progressiva na alimentação deixou o animal cada vez mais debilitado. Nina morreu aos 62 anos em setembro de 2023, após falência de múltiplos órgãos associada ao período prolongado em decúbito e à idade avançada.

Durante os últimos momentos, tratadores permaneceram ao seu lado. Papaias e melancias, que estavam entre suas frutas preferidas, continuaram sendo oferecidas enquanto ela ainda conseguia se alimentar. Outros elefantes estavam próximos quando Nina morreu.

Caso de Nina expõe prática que ainda mantém centenas de elefantes trabalhando nas ruas

A história não representa um caso isolado. Em levantamento divulgado pela própria Wildlife SOS em 2024, a organização estimava que quase 300 elefantes ainda eram utilizados na Índia para pedir dinheiro ou alugados para atividades comerciais, incluindo cerimônias e eventos.

Esses animais podem permanecer longos períodos acorrentados, caminhar sobre asfalto e concreto e trabalhar mesmo quando apresentam ferimentos ou doenças. A organização calcula ainda que existam cerca de 2,7 mil elefantes em cativeiro no país, embora nem todos estejam empregados na atividade de mendicância.

A Wildlife SOS mantém em Mathura um centro dedicado a animais retirados de situações desse tipo. Atualmente, o Elephant Conservation & Care Centre abriga mais de 30 elefantes resgatados de diferentes formas de exploração, incluindo mendicância, circos e propriedade privada.

Nina passou praticamente toda a vida sob controle humano, mas teve pouco mais de dois anos fora da rotina de correntes, ruas e casamentos. O período foi curto diante das seis décadas anteriores, mas permitiu que ela finalmente deixasse de trabalhar e recebesse atendimento veterinário contínuo.

O que você pensa sobre o uso de elefantes e outros animais como atração em festas, cerimônias e atividades turísticas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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