Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Elefanta passa anos entre circo e parque temático no Brasil, perde as duas companheiras com quem dividia a vida, fica completamente sozinha até finalmente ser levada para um santuário em Mato Grosso, onde ganha espaço, cuidados e a chance de voltar a conviver com outras elefantas

Elefanta passa anos entre circo e parque temático no Brasil, perde as duas companheiras com quem dividia a vida, fica completamente sozinha até finalmente ser levada para um santuário em Mato Grosso, onde ganha espaço, cuidados e a chance de voltar a conviver com outras elefantas

9 min de leitura

Elefanta passa anos entre circo e parque temático no Brasil, perde as duas companheiras com quem dividia a vida, fica completamente sozinha até finalmente ser levada para um santuário em Mato Grosso, onde ganha espaço, cuidados e a chance de voltar a conviver com outras elefantas

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 03/09/2026 às 10:57

Atualizado em 03/09/2026 às 10:58

Curiosidades

Canal

Transporte da Elefante baby – créditos: globalelephants

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Após décadas entre circo e parque temático, elefanta Baby fica sozinha, viaja quase 2 mil km e começa nova vida em santuário de Mato Grosso.

Quando a elefanta asiática Baby chegou ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, em 20 de junho de 2026, carregava uma trajetória que havia começado muito longe dali. Nascida em cativeiro na Flórida, nos Estados Unidos, ela foi vendida para um circo aos três anos, passou parte da vida viajando com apresentações e depois foi transferida para o Beto Carrero World, em Santa Catarina. No parque, viveu durante anos ao lado de duas outras elefantas. Uma era especialmente próxima. A outra mantinha relação mais distante. As duas morreram, deixando Baby como a única elefanta do local.

Antes da mudança, integrantes do santuário observaram nela balanço corporal repetitivo e constante, comportamento estereotipado que aparecia com maior intensidade quando havia pouca estimulação. Depois de uma decisão da Justiça catarinense, Baby deixou Santa Catarina e percorreu 1.927 quilômetros em uma operação de transporte de três dias.

Baby nasceu em cativeiro e foi vendida para um circo ainda muito jovem

A história conhecida de Baby começa nos Estados Unidos. Segundo o Santuário de Elefantes Brasil, ela nasceu no Busch Gardens, na Flórida, filha dos elefantes Vance e Mala, dentro de um programa de reprodução em cativeiro.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

Demissão em massa: Uber anuncia corte de 3,3 mil funcionários no maior enxugamento desde a pandemia

Maior demissão da empresa desde a pandemia elimina 3,3 mil vagas, enxuga a estrutura corporativa e revela a ameaça que pode transformar o aplicativo em algo muito diferente

A Uber anunciou…

Paulo Nogueira

0

A Global Sanctuary for Elephants informa um detalhe especialmente marcante: Baby tinha apenas três anos quando foi vendida para um circo. A partir dali, passou parte significativa de sua juventude dentro da realidade das apresentações itinerantes, deslocando-se com o circo antes de ser transferida para o parque pertencente ao mesmo grupo.

Baby nasceu em cativeiro e foi vendida para um circo ainda muito jovem

O santuário informa que Baby tinha 34 anos quando chegou ao Mato Grosso, embora reportagem da Folha baseada na sentença judicial tenha mencionado idade estimada de 32 anos. Como existe essa divergência documental, a idade de 34 anos neste conteúdo corresponde ao cadastro atual da própria instituição que recebeu a elefanta.

Depois do circo, a vida passou a acontecer dentro de um parque temático

O destino seguinte foi o Beto Carrero World, em Penha, Santa Catarina. Ali, Baby passou a maior parte da vida adulta e foi uma das atrações animais do complexo.

A Global Sanctuary for Elephants descreve esses anos como uma rotina cercada por movimento, multidões, brinquedos e barulho característicos de um parque temático. Seu recinto tinha principalmente terra e pedras, com uma quantidade limitada de grama, insuficiente para que ela pudesse pastar como faria em um ambiente natural.

O espaço era delimitado por fosso, barreira de pedras e cercamento. É importante registrar, porém, que a sentença que determinou a transferência de Baby afirmou não haver evidências de maus-tratos no Beto Carrero World, no Animália Park ou no próprio santuário. A mudança foi determinada a partir de uma discussão sobre qual destino seria considerado mais adequado às características do animal.

Durante anos, Baby teve outras duas elefantas como companhia

Baby não viveu todo esse período completamente isolada. No Beto Carrero, ela dividiu sua rotina durante muitos anos com duas outras elefantas. Segundo o santuário, Baby possuía uma relação próxima com uma delas e uma relação mais distante com a outra.

Para animais altamente sociais, essas relações representam muito mais do que simplesmente ocupar o mesmo recinto.

Durante anos, Baby teve outras duas elefantas como companhia

O problema veio depois: as duas companheiras morreram. Baby permaneceu sozinha.

O próprio santuário descreve esse período como o momento em que a elefanta precisou começar a lidar com uma vida sem suas antigas companheiras.

Movimentos repetitivos começaram a chamar a atenção dos especialistas

Quando integrantes da equipe que posteriormente receberia Baby tiveram os primeiros contatos com ela, um comportamento específico chamou atenção.

A elefanta balançava o corpo repetidamente. O Santuário de Elefantes Brasil classifica esse padrão como comportamento estereotipado, descrevendo um balanço constante que aparecia especialmente quando Baby não tinha estímulos suficientes.

Comportamentos estereotipados são movimentos repetitivos que podem ocorrer em animais mantidos em ambientes restritivos ou pouco estimulantes. No caso específico de Baby, é importante não extrapolar além da avaliação divulgada pelos responsáveis: a instituição associou a maior frequência do balanço aos momentos de menor estimulação.

Essa característica se tornaria um dos sinais acompanhados depois da chegada ao santuário.

Em 2024, Baby acabou se tornando a única elefanta do Beto Carrero

A situação mudou novamente quando o Beto Carrero World anunciou o encerramento das atividades de seu zoológico, que havia funcionado durante mais de três décadas.

Segundo a Folha, Baby deixou de ter contato com visitantes em 2024. Ainda havia, porém, uma questão decisiva: para onde a elefanta seria levada?

O parque pretendia encaminhá-la para o Animália Park, em Cotia, São Paulo. Uma ação civil pública movida pela ONG Princípio Animal levou a discussão à Justiça de Santa Catarina.

Em junho de 2026, o juiz Douglas Braida de Moraes determinou que o destino fosse outro: o Santuário de Elefantes Brasil, em Mato Grosso.

Justiça determinou que Baby fosse levada para o santuário

A sentença foi proferida em 2 de junho de 2026. O entendimento judicial foi de que a transferência planejada para outro parque, onde Baby poderia novamente ficar exposta ao público, representaria uma regressão diante da situação existente naquele momento.

O Beto Carrero World afirmou ter recebido a decisão com respeito e tristeza e declarou que trabalharia para garantir um processo seguro e tranquilo para a elefanta.

A sentença também determinou que a empresa responsável pelo parque pagasse ao santuário cinco salários mínimos mensais durante 12 meses, recursos destinados a alimentação, tratamentos de saúde e apoio aos cuidados de Baby.

Começava então a preparação para uma viagem incomum: transportar uma elefanta adulta por quase dois mil quilômetros através do Brasil.

Quase 2 mil quilômetros separavam Baby de sua nova casa

Baby deixou Santa Catarina em 18 de junho de 2026. O percurso planejado até Chapada dos Guimarães tinha precisamente 1.927 quilômetros, segundo a Global Sanctuary for Elephants.

A viagem deveria levar aproximadamente três dias, mas o planejamento não estabelecia uma corrida contra o relógio. A própria condição da elefanta determinaria o ritmo.

Transporte da Elefante baby – créditos: globalelephants

Durante o transporte, Baby permaneceu em uma caixa especialmente preparada e foi observada por câmeras. A equipe realizou paradas para oferecer alimento fresco, água, fazer a limpeza e acompanhar suas condições.

A instituição afirma que elefantes não são normalmente sedados durante esse tipo de transporte, justamente para que permaneçam conscientes e possam reagir ao movimento da viagem.

Em 20 de junho de 2026, a caixa finalmente chegou a Mato Grosso

No terceiro dia de viagem, o caminhão chegou ao Santuário de Elefantes Brasil.

Baby estava em casa. Segundo o registro do próprio santuário, a elefanta levou menos de cinco minutos para deixar a caixa de transporte depois da abertura.

Pouco tempo depois, começou a explorar o novo ambiente, comeu palmeiras e frutas, tomou banho e se cobriu de poeira.

Esse último comportamento é especialmente importante para elefantes. Terra, lama e água fazem parte dos recursos utilizados naturalmente para cuidados com a pele.

Os tratadores relataram que Baby também começou a esfregar o corpo nas estruturas, ajudando a remover acúmulos de pele antiga.

Baby ganhou uma área de aproximadamente seis hectares durante a quarentena

A chegada ao santuário não significou contato imediato com as outras elefantas.

Primeiro veio a quarentena. A Folha informou que Baby foi mantida inicialmente em uma área de aproximadamente seis hectares, equivalente a cerca de 60 mil metros quadrados, enquanto eram aguardados resultados de exames determinados no processo judicial.

Esse espaço fica no habitat projetado para elefantes asiáticos machos, ainda sem moradores permanentes, permitindo que Baby permaneça separada durante a quarentena.

Depois da liberação sanitária, o planejamento é iniciar gradualmente sua aproximação com as demais fêmeas asiáticas.

Os movimentos repetitivos começaram a diminuir depois da chegada

Uma das mudanças mais significativas relatadas pelo santuário não aparece em exames de sangue.

Ela aparece no comportamento. O balanço repetitivo do corpo, observado antes da transferência, passou a ocorrer com menor frequência.

A equipe considera provável que a mudança esteja relacionada à quantidade de novos estímulos disponíveis: sons, cheiros, árvores, terra, água, vegetação e espaço para explorar.

O santuário também observou mudança na postura corporal. No início, Baby aparecia mais rígida, frequentemente com a cabeça erguida e movimentos considerados abruptos. Com o passar das semanas, os responsáveis começaram a descrevê-la como mais relaxada, com movimentos mais suaves e maior confiança.

O pôr do sol parece ter se tornado um dos momentos preferidos de Baby

Uma atualização publicada em 31 de agosto de 2026 mostra como a observação da personalidade da elefanta começou a ganhar detalhes.

Os cuidadores perceberam que Baby parecia ficar especialmente disposta a explorar durante o fim do dia. Quando o Sol baixa, a temperatura cai e o ambiente fica mais silencioso, ela tende a se movimentar mais pelo habitat.

ELEFANTA BABY- créditos: globalelephants

A equipe ressaltou que não é possível afirmar categoricamente que esse seja seu horário preferido, mas o padrão passou a chamar atenção.

No mesmo relato, Baby foi descrita como boa comedora, rápida em aprender comportamentos de treinamento e progressivamente mais independente.

Banhos de mangueira e banhos de terra também passaram a fazer parte frequente da rotina.

As outras elefantas já perceberam que existe uma nova vizinha

Baby ainda estava cumprindo quarentena no fim de agosto, mas isso não significava isolamento visual completo. O desenho dos habitats permite que, em determinados pontos, as elefantas consigam se enxergar à distância.

Maia, Bambi, Guillermina, Rana e Mara já demonstraram curiosidade em relação à recém-chegada.

Em 19 de agosto, Baby e Guillermina ficaram posicionadas de forma que puderam se observar durante alguns minutos, separadas pelos corredores e cercas dos respectivos habitats.

Antes disso, Rana e Mara também haviam parado em uma área de onde conseguiam enxergar Baby. A equipe chegou a ouvir vocalizações durante a noite, mas foi cuidadosa ao afirmar que não havia certeza de que Baby estivesse participando delas.

O santuário de Mato Grosso foi criado justamente para elefantes que deixam circos e zoológicos

O Santuário de Elefantes Brasil começou a receber animais em 2016 e está localizado em Chapada dos Guimarães.

A propriedade possui cerca de 2.800 acres, pouco mais de 1.100 hectares, embora apenas partes sejam desenvolvidas como habitats em cada etapa. Atualmente, as residentes asiáticas são Maia, Rana, Mara, Bambi, Guillermina e Baby.

A instituição não é aberta à visitação pública. Segundo a organização, a ausência de visitantes faz parte de uma proposta de reduzir pressões externas e permitir que os elefantes tenham espaço para se afastar das pessoas quando desejarem.

É uma mudança profunda para Baby, cuja vida anterior foi marcada justamente por circo e parque de diversões.

Depois de perder duas companheiras, Baby agora pode reconstruir sua vida no próprio ritmo

A história ainda não terminou. Baby chegou ao santuário há pouco mais de dois meses e, até o fim de agosto de 2026, continuava em quarentena. Portanto, ainda seria prematuro transformar sua adaptação em uma história concluída de integração perfeita com uma nova manada.

Uma elefanta vendida para um circo aos três anos, que depois passou anos em um parque temático, perdeu suas duas companheiras e acabou vivendo sozinha, percorreu 1.927 quilômetros até encontrar um ambiente completamente diferente.

Desde então, Baby começou a tomar banhos frequentes, cobrir o corpo com terra, caminhar entre árvores e capins, criar as próprias trilhas e observar outras elefantas à distância.

E aquele movimento repetitivo que chamava atenção quando faltavam estímulos já diminuiu, segundo os próprios responsáveis por seus cuidados.

Depois de décadas em que quase todos os caminhos de sua vida foram escolhidos por pessoas, talvez a mudança mais importante seja justamente a mais simples: Baby começou a descobrir que agora pode escolher para onde quer caminhar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

Sair da versão mobile