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Elefante cego passa quase 60 anos explorado em mendicância e cerimônias, caminha até o corpo não aguentar mais, desaba aos 58 anos, fica mais de 36 horas no chão com feridas, desidratação e articulações comprometidas e só volta a ficar de pé após operação emergencial com guindaste e cintas
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/09/2026 às 23:03
Atualizado em 10/09/2026 às 23:04
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Manu passou quase seis décadas como elefante de mendicância na Índia, obrigado a caminhar longas distâncias e participar de cerimônias até que, aos 58 anos, completamente cego, desnutrido, desidratado e com graves lesões nas articulações, desabou e permaneceu mais de 36 horas no chão; uma operação emergencial precisou usar guindaste, cintas, hidratação intensiva e atendimento veterinário para colocá-lo novamente de pé antes de sua transferência para um hospital especializado em elefantes.
Aos aproximadamente 58 anos, Manu chegou ao limite físico depois de uma vida marcada pela exploração. O elefante asiático havia sido usado como animal de mendicância por quase seis décadas, caminhava longas distâncias e participava de cerimônias até que, no início de fevereiro de 2025, seu corpo cedeu em uma região remota do estado de Uttar Pradesh, na Índia. Completamente cego, debilitado e desidratado, ele caiu e permaneceu mais de 36 horas sem conseguir se levantar.
Segundo a Wildlife SOS, a equipe recebeu o pedido emergencial de ajuda em fevereiro de 2025 e encontrou Manu com membros inchados, feridas sépticas crônicas nos cotovelos, articulações comprometidas e lesões provocadas pelo longo período deitado.
A situação era tão grave que um guindaste equipado com um sistema de cintas precisou ser posicionado ao redor do animal para ajudá-lo a voltar à posição vertical.
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Paulo Nogueira
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Manu havia sido explorado como elefante de mendicância por quase seis décadas
A condição encontrada em fevereiro não era resultado apenas da queda. De acordo com a Wildlife SOS, Manu havia passado praticamente toda a vida sendo utilizado como um chamado “begging elephant”, expressão empregada para animais levados às ruas para pedir dinheiro, receber alimentos ou participar de atividades comerciais ligadas à presença de elefantes.
A organização afirma que ele era obrigado a percorrer longas distâncias por estradas e também havia sido usado em cerimônias religiosas como elemento decorativo.
Em uma atualização publicada em março de 2026, a Wildlife SOS resumiu sua trajetória afirmando que Manu foi um elefante de mendicância por quase seis décadas.
Esse histórico deixou marcas visíveis. A ficha individual de Manu registra cicatrizes ao longo da coluna, consideradas compatíveis com o uso prolongado de sela, além de problemas articulares, feridas crônicas, abscessos nos pés e comprometimento severo do estado físico.
Aos 58 anos, o corpo cedeu e Manu permaneceu mais de 36 horas no chão
A emergência começou quando Manu simplesmente não conseguiu mais permanecer de pé. Em uma área remota de Uttar Pradesh, ele caiu lateralmente e perdeu a capacidade de se levantar sozinho.
Quando a equipe chegou ao local, na madrugada de 2 de fevereiro de 2025, havia viajado aproximadamente 700 quilômetros para atender à ocorrência. Manu já estava na mesma posição havia mais de 36 horas.
Seu membro dianteiro direito apresentava problemas, o corpo estava severamente desidratado e havia inflamação na articulação do punho, no cotovelo e próxima à coxa da pata traseira direita.
Ficar tanto tempo imóvel representava um perigo adicional para um animal daquele porte. A pressão contínua contra o chão havia provocado feridas e agravado dores preexistentes. Segundo o relato da operação, até sua respiração havia desacelerado.
A primeira prioridade não era transportá-lo. Era impedir que sua condição se deteriorasse ainda mais e encontrar uma maneira segura de colocá-lo novamente em pé.
Guindaste e cintas foram usados para erguer o elefante sem agravar as lesões
Manu não tinha força suficiente para simplesmente responder a estímulos e levantar. Por isso, a equipe decidiu utilizar um guindaste especializado com um sistema de cintas de sustentação.
Antes do içamento, veterinários administraram fluidos para combater a desidratação e acompanharam continuamente os sinais vitais. Frutas também foram oferecidas para ajudar a manter sua energia durante o procedimento.
O posicionamento do guindaste exigiu precisão porque os membros de Manu já estavam submetidos a grande estresse. Uma movimentação inadequada poderia ampliar lesões existentes.
As cintas foram colocadas de maneira a distribuir a sustentação e permitir que o animal recuperasse gradualmente a posição vertical.
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O equipamento conseguiu colocá-lo de pé. A partir daquele momento, veterinários puderam avaliar melhor as articulações, as feridas causadas pela imobilidade prolongada e o estado geral do elefante.
Ele estava completamente cego, desnutrido e carregava feridas antigas pelo corpo
A recuperação de Manu seria muito mais complexa do que simplesmente fazê-lo voltar a caminhar. Uma avaliação detalhada revelou que o elefante havia perdido completamente a visão.
A Wildlife SOS atribui a cegueira ao histórico prolongado de negligência e desnutrição durante o cativeiro. A instituição também encontrou cicatrizes associadas ao uso de selas, feridas crônicas, danos articulares, infecções e sinais de lesões antigas.
A organização afirma ainda que algumas fraturas antigas não haviam cicatrizado adequadamente. Para um animal que precisava sustentar várias toneladas sobre quatro membros já comprometidos, qualquer problema articular ou ósseo representava uma dificuldade adicional.
A cegueira mudava completamente a logística do atendimento. Manu precisava reconhecer terrenos, pessoas e obstáculos usando principalmente o olfato, a audição e a tromba.
Dois dias depois, Manu conseguiu ficar de pé sem a ajuda do guindaste
O primeiro sinal importante de recuperação veio em 4 de fevereiro de 2025, dois dias depois da chegada da equipe ao local.
Às 7 horas daquela manhã, segundo o diário publicado pela Wildlife SOS, Manu conseguiu ficar de pé sozinho. As cintas permaneceram disponíveis caso ele voltasse a cair, mas o fato de conseguir sustentar o próprio peso representava uma mudança decisiva.
Os cuidadores construíram camas de lama ao redor do animal para oferecer uma superfície mais macia caso ele precisasse deitar.
A medida também ajudava a reduzir o risco de novas feridas causadas pela pressão contra superfícies rígidas.
Manu recebeu banhos mornos, teve suas lesões inspecionadas e continuou recebendo hidratação, medicamentos e terapia a laser para diminuir a inflamação nas articulações.
Medo de cair novamente fez o elefante resistir até ao descanso
Um comportamento observado durante a recuperação revelou quanto sua experiência anterior influenciava até movimentos básicos.
De acordo com a Wildlife SOS, Manu demonstrava resistência a deitar nas camas de lama preparadas pela equipe. A instituição explicou que ele estava acostumado a descansar sobre superfícies duras e planas e parecia hesitar diante do novo terreno.
A preocupação era relevante porque descansar também fazia parte da recuperação. Permanecer continuamente de pé poderia aumentar a sobrecarga sobre articulações já inflamadas, enquanto alternar posições ajudaria a diminuir a pressão responsável pelas feridas.
A equipe precisou equilibrar esses fatores sem forçar um elefante completamente cego e debilitado a executar movimentos que pudessem provocar uma nova queda.
Até a entrada na ambulância exigiu uma operação especial
Depois de vários dias de tratamento no próprio local, surgiu outro desafio: transportar Manu por cerca de 700 quilômetros até o Elephant Hospital Campus da Wildlife SOS, em Mathura.
Uma ambulância especializada foi preparada com cobertores e um sistema de roldanas e cintas que poderia sustentar o elefante se ele perdesse o equilíbrio durante a viagem.
Frutas, vegetais e forragem também foram carregados, incluindo cana-de-açúcar e maçãs, alimentos dos quais Manu havia demonstrado gostar.
Assista o vídeo
A equipe chegou a adiar a viagem depois de avaliar que ele ainda não estava suficientemente estável. Posteriormente, uma escavadeira foi utilizada para criar uma depressão no terreno onde a ambulância seria estacionada. Isso permitiu reduzir a altura da plataforma de acesso ao veículo.
Mesmo assim, fazer um elefante cego entrar em um ambiente desconhecido exigiu paciência. Segundo relato posterior da Wildlife SOS, foram necessários cerca de 90 minutos para que Manu avançasse gradualmente até o interior da ambulância.
Viagem começou de madrugada com paradas para acompanhar os sinais vitais
Pouco depois da meia-noite de 8 de fevereiro, a ambulância começou a viagem. O veículo seguiu em velocidade controlada para reduzir movimentos bruscos e evitar sobrecarga adicional nas articulações.
A equipe realizou paradas durante o trajeto para verificar Manu e acompanhar seus sinais vitais. Em uma delas, ele permaneceu estável.
Horas depois, em outro ponto da viagem, produziu um chamado associado ao desejo de receber alimento, algo interpretado pelos cuidadores como um sinal positivo de recuperação do apetite.
Manu finalmente chegou ao Elephant Hospital Campus, onde poderia receber acompanhamento especializado de longo prazo. O centro fica em Mathura, Uttar Pradesh, e foi estruturado para atendimento e reabilitação de elefantes resgatados de situações de exploração e maus-tratos.
Tratamento passou a incluir laser, massagens e acompanhamento permanente
A chegada ao hospital não significou o fim do tratamento. Pelo contrário, problemas acumulados durante décadas exigiam acompanhamento contínuo.
A ficha atual de Manu informa que ele recebe atendimento para dores articulares, feridas crônicas e deficiência visual, além de medicamentos orais, terapia a laser e massagens destinadas a ajudar na mobilidade e no controle da inflamação.
A instituição também precisou adaptar a maneira de interagir com um animal que não consegue enxergar.
Em atualização publicada um ano depois, a Wildlife SOS relatou que a construção de confiança começou desde sua chegada, permitindo que Manu utilizasse a tromba para reconhecer o chão, superfícies e elementos do ambiente.
Sua condição significa que ele necessita de cuidados permanentes e não está sendo preparado para retorno à natureza.
Um ano depois, Manu continuava recebendo cuidados no hospital de elefantes
Em 12 de março de 2026, mais de um ano após o resgate, a Wildlife SOS publicou uma atualização sobre Manu. A instituição voltou a registrar que o elefante havia passado quase seis décadas sendo usado para mendicância e cerimônias e confirmou que seguia no Elephant Hospital Campus.
A mudança em sua rotina é radical. Antes, segundo a organização, seus dias eram marcados por longas caminhadas, exploração comercial, problemas de saúde sem tratamento adequado e condições que culminaram em cegueira e graves danos físicos.
No centro especializado, Manu passou a receber alimentação controlada, tratamento veterinário, acompanhamento das articulações, cuidados com feridas e um ambiente projetado para elefantes resgatados.
O Elephant Conservation and Care Centre associado à instituição mantém áreas abertas, vegetação, piscinas e acesso a terrenos naturais, enquanto o hospital atende especificamente animais que necessitam de suporte veterinário mais complexo.
O resgate revelou as consequências de uma vida inteira de exploração
O episódio de fevereiro de 2025 durou poucos dias, mas foi consequência de décadas. Manu não chegou ao chão depois de um único acidente isolado.
A Wildlife SOS descreve seu estado como resultado de anos de negligência, lesões não tratadas e doenças crônicas, acumulados durante uma vida dedicada à mendicância e às cerimônias.
Aos 58 anos, completamente cego, desidratado, com articulações inflamadas, feridas sépticas e o corpo incapaz de se erguer, ele permaneceu mais de 36 horas deitado até a chegada da equipe.
Foi necessário viajar 700 quilômetros, estabilizá-lo no próprio local, colocar cintas ao redor de seu corpo, utilizar um guindaste para levantá-lo, tratá-lo durante quase uma semana e adaptar uma ambulância para finalmente levá-lo a um hospital especializado.
Um ano depois, Manu seguia sob cuidados permanentes. O elefante que passou quase seis décadas obrigado a trabalhar não recuperará a visão e continuará necessitando de atenção veterinária, mas a operação realizada em Uttar Pradesh encerrou a rotina que havia dominado praticamente toda a sua existência.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

