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Em 1984, Bruce McCandless saiu do Challenger sem nenhum cabo, avançou 98 metros sozinho no espaço com uma mochila a jato e entrou para a história como o primeiro “satélite humano”

Em 1984, Bruce McCandless saiu do Challenger sem nenhum cabo, avançou 98 metros sozinho no espaço com uma mochila a jato e entrou para a história como o primeiro “satélite humano”

5 min de leitura

Em 1984, Bruce McCandless saiu do Challenger sem nenhum cabo, avançou 98 metros sozinho no espaço com uma mochila a jato e entrou para a história como o primeiro “satélite humano”

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 02/09/2026 às 16:48

Atualizado em 02/09/2026 às 16:49

Curiosidades

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Bruce McCandless realizou em 1984 a primeira caminhada espacial sem cabo, chegando a cerca de 98 metros do ônibus espacial Challenger.

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A experiência realizada durante a missão STS-41B colocou um astronauta completamente livre da nave em órbita, usando apenas pequenos propulsores de nitrogênio para controlar direção, velocidade e retorno ao ônibus espacial

Em 7 de fevereiro de 1984, Bruce McCandless II protagonizou uma cena que ainda hoje parece desafiar o instinto de sobrevivência: deixou o compartimento de carga do ônibus espacial Challenger, afastou-se da nave e seguiu sozinho pelo espaço sem nenhum cabo de segurança ligando seu traje ao veículo.

Não era uma emergência nem uma perda de controle. Era exatamente o contrário.

McCandless estava testando a Manned Maneuvering Unit (MMU), uma espécie de mochila propulsora criada para permitir que astronautas se movimentassem de forma independente fora do ônibus espacial. Durante o teste, ele chegou a cerca de 320 pés — aproximadamente 98 metros — do Challenger, tornando-se o primeiro ser humano a realizar uma caminhada espacial completamente desacoplado de uma espaçonave.

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A imagem do astronauta aparentemente sozinho sobre a Terra se tornaria uma das fotografias mais famosas da história da exploração espacial.

Bruce McCandless literalmente passou a voar sozinho em órbita

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O detalhe que torna a cena ainda mais impressionante é que McCandless não estava simplesmente “flutuando”.

O Challenger e o astronauta continuavam viajando ao redor da Terra em enorme velocidade. Segundo o National Air and Space Museum, do Smithsonian, a velocidade orbital estava na faixa de 17.500 milhas por hora, cerca de 28 mil km/h. Pequenas alterações provocadas pelos propulsores eram suficientes para mudar a posição relativa entre McCandless e a nave.

Era justamente essa capacidade que a MMU pretendia demonstrar.

A unidade possuía 24 pequenos propulsores alimentados por nitrogênio gasoso. Dois controles manuais instalados nos braços do equipamento permitiam ao astronauta comandar seus movimentos e sua orientação no espaço.

Na prática, McCandless levava nas costas um pequeno veículo espacial individual.

Foi daí que surgiu uma descrição difícil de superar: ele havia se tornado o primeiro “satélite humano”.

Não havia um cabo para impedir que ele continuasse se afastando

Antes daquela missão, astronautas que realizavam atividades extraveiculares permaneciam presos à espaçonave por sistemas de segurança.

Com a MMU, essa ligação física desaparecia.

A própria NASA recorda que havia apreensão dentro da agência porque aquele era o primeiro voo de uma mochila autopropulsada sem cabo de segurança. O equipamento permitiria que astronautas ultrapassassem os limites do compartimento de carga e alcançassem objetos localizados mais longe da nave.

McCandless sabia exatamente o peso daquele momento.

Ao iniciar o voo, brincou fazendo referência às palavras de Neil Armstrong na Lua:

“Pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas é um grande salto para mim.”

A frase ajudava a quebrar a tensão, mas o que estava acontecendo do lado de fora era um teste tecnológico sério.

Qualquer movimento precisava ser controlado com precisão suficiente para que ele pudesse se afastar e depois retornar ao Challenger.

A mochila havia sido criada pensando em missões muito além daquela fotografia

A MMU não nasceu apenas para produzir liberdade de movimento durante caminhadas espaciais.

Uma de suas aplicações previstas era permitir que astronautas alcançassem satélites em órbita, aproximassem-se desses equipamentos e ajudassem a trazê-los até o compartimento de carga do ônibus espacial para manutenção ou recuperação.

A ideia foi efetivamente utilizada durante o programa dos ônibus espaciais.

A unidade testada por McCandless também participou de outras missões em 1984. O equipamento esteve envolvido nos preparativos para a recuperação do satélite Solar Maximum Mission e posteriormente nas operações de recuperação dos satélites de comunicação Palapa.

Isso mostra por que aquele voo era mais importante do que a fotografia sugere.

A NASA estava experimentando, na prática, a possibilidade de transformar um astronauta em um veículo orbital individual capaz de trabalhar longe da espaçonave.

A fotografia mais famosa não foi registrada exatamente no primeiro voo

Existe uma curiosidade pouco conhecida por trás da imagem que ajudou a eternizar McCandless.

O primeiro voo sem cabo ocorreu em 7 de fevereiro de 1984. Entretanto, o Smithsonian informa que uma das fotografias mais conhecidas do astronauta usando a MMU foi registrada dias depois, em 11 de fevereiro, durante a mesma missão.

O piloto do Challenger, Robert “Hoot” Gibson, também registrou algumas das imagens mais marcantes da operação.

Segundo relato reunido posteriormente pela NASA, Gibson percebeu imediatamente o impacto visual daquilo que via pela janela: um astronauta completamente isolado da nave, aparentemente suspenso sobre o planeta. Ele utilizou uma câmera Hasselblad para documentar cuidadosamente a cena.

O resultado transformou um teste de engenharia em um símbolo visual de toda uma era da exploração espacial.

A tecnologia teve uma carreira surpreendentemente curta

Apesar do sucesso, a MMU não se tornou equipamento permanente das caminhadas espaciais.

O Smithsonian registra que as unidades foram utilizadas em apenas três missões do ônibus espacial em 1984. Depois disso, deixaram de voar.

Uma das razões foi justamente a evolução das próprias operações do Shuttle.

O ônibus espacial podia ser posicionado com grande precisão, enquanto seu braço robótico realizava muitas das tarefas de aproximação e recuperação que inicialmente justificavam uma mochila individual. Mudanças de segurança adotadas posteriormente também tornariam necessária uma adaptação cara da MMU.

A tecnologia desapareceu das missões, mas a demonstração permaneceu.

Por alguns minutos em 1984, um ser humano deixou uma espaçonave em órbita, eliminou o último cabo físico que o ligava a ela e comandou sozinho seu deslocamento acima da Terra.

Uma missão histórica do Challenger

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A experiência ocorreu durante a STS-41B, lançada em 3 de fevereiro de 1984.

A missão durou 7 dias, 23 horas, 15 minutos e 55 segundos, completou 128 órbitas e percorreu aproximadamente 3,3 milhões de milhas. Além de McCandless, o astronauta Robert Stewart também realizou uma caminhada espacial sem cabo utilizando a MMU.

A história de McCandless, porém, acabou condensada em uma única imagem: um traje branco minúsculo cercado pelo negro do espaço, com a curvatura azul da Terra centenas de quilômetros abaixo.

Quatro décadas depois, é fácil olhar para a fotografia e esquecer que não se tratava de montagem ou ilustração.

Ali havia realmente um homem sozinho no espaço, sem cabo algum ligando-o à nave.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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