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Embraer entregou em 25 de setembro de 2026 ao Uzbequistão um C-390 Millennium que seria o FAB 2861 da Força Aérea Brasileira, segundo registros de frota citados pela Airway, depois que o Brasil reduziu sua encomenda de 28 para 18 aviões
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 27/09/2026 às 00:00
Atualizado em 27/09/2026 às 00:01
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O C-390 Millennium UK39010 fez o voo inaugural em agosto com matrícula de teste, chegou a Confins com as insígnias brasileiras encobertas e abre a encomenda de dois aviões do Uzbequistão, primeiro operador do modelo na Ásia Central.
O C-390 Millennium que a Embraer entregou ao Uzbequistão em 25 de setembro era para ser o FAB 2861, da Força Aérea Brasileira, segundo registros de frota citados pela Airway.
A entrega em Gavião Peixoto e o número de série 39000019
A entrega aconteceu na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Segundo a Airway, é o primeiro C-390 Millennium da Força Aérea do Uzbequistão.
O avião recebeu a matrícula uzbeque UK39010 e carrega o número de série de fabricante 39000019, o chamado MSN, detalha a Airway. Esse número identifica a célula, a estrutura do avião, do começo ao fim da vida útil.
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Os registros de frota que ligam o avião ao FAB 2861
Registros de frota citados pela Airway indicam que essa aeronave estava “inicialmente designada como FAB 2861”. A célula, porém, não chegou a ser incorporada pela Força Aérea Brasileira e foi finalizada para o Uzbequistão.
A mesma ligação já tinha aparecido em 12 de agosto de 2026, no Poder Aéreo. O site escreveu que o MSN 39000019 havia sido construído para a Força Aérea Brasileira e “deveria receber a matrícula FAB 2861”.
Em junho de 2026, numa visita à linha de montagem de Gavião Peixoto, a célula ainda era apontada como o KC-390 mais avançado destinado ao Brasil. O Poder Aéreo registrou que ela estava prevista para receber aquela matrícula.
De 28 para 18 aviões: a conta da encomenda brasileira
O governo brasileiro encomendou originalmente 28 KC-390 em 2014, registra a Airway. KC-390 é o nome que o modelo recebe na Força Aérea Brasileira.
Depois de anos de negociação sobre cronograma de entregas e restrições orçamentárias, Embraer e FAB acertaram em 2022 a redução para 22 aviões. Outro acordo baixou o compromisso para 19, com entregas até 2034, conforme a Airway.
O corte mais recente veio em agosto de 2025. Embraer e FAB fecharam um acordo para baixar de 19 para 18 os aviões do contrato, informou a fabricante no relatório de pedidos e entregas do terceiro trimestre de 2025.
A Embraer afirmou que o acordo seguiu o objetivo estratégico da empresa de aumentar a disponibilidade de aviões a curto prazo para clientes internacionais. Na carteira de abril de 2026, a FAB aparecia com 18 pedidos firmes: 8 aviões entregues e 10 a entregar.
A conta é direta: 28 menos 18 dá 10 aviões a menos, ou 36% do pedido original (10 dividido por 28).
Como um avião feito para o Brasil pôde mudar de dono
O redirecionamento veio depois que o Brasil reduziu a encomenda, explica a Airway. O corte deixou aviões ligados à sequência original de produção brasileira disponíveis para outros clientes, e o MSN 39000019 foi um deles.
O Poder Aéreo explicou a vantagem de prazo. Usar um avião em estágio avançado de fabricação permitiria à Embraer cumprir o cronograma do cliente centro-asiático, sem esperar uma célula mais atrasada na linha.
Na reportagem de agosto, o Poder Aéreo lembrou que a Embraer já tinha confirmado a primeira entrega ao Uzbequistão para 2026. A entrega de 25 de setembro cumpriu esse prazo.
O voo de 6 de agosto com matrícula de teste
O MSN 39000019 voou pela primeira vez em 6 de agosto de 2026, em Gavião Peixoto, com a matrícula de teste PT-CYQ. A Airway registra que as marcas do novo operador vieram só depois.
Do primeiro voo à entrega, passaram-se 50 dias, de 6 de agosto a 25 de setembro. Nesse intervalo, o avião foi a Confins e recebeu as marcas da força aérea uzbeque.
Insígnias encobertas e pintura prevista em Confins
A movimentação já chamava a atenção de observadores da aviação, contou o Poder Aéreo. Na terça-feira, 11 de agosto, cinco dias depois do primeiro voo, o avião chegou ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG).
Nesse dia, o avião foi registrado com as insígnias brasileiras encobertas. Para o site, as marcas cobertas indicavam que o “destino original havia sido alterado”.
O Poder Aéreo informou que a célula seria preparada em Confins para receber as cores da Força Aérea do Uzbequistão. O serviço ficaria com a GOL Aerotech, unidade de manutenção da companhia aérea no aeroporto.
Por que a Embraer manda aviões para a GOL Aerotech
A Embraer vem usando a GOL Aerotech para liberar capacidade industrial em Gavião Peixoto, relatou o Poder Aéreo. A unidade mineira faz pintura e acabamento de aviões destinados a clientes internacionais.
A estratégia apareceu em setembro de 2025, quando a Embraer usou a GOL Aerotech para aplicar a nova identidade visual do seu KC-390 demonstrador. Na época, a fabricante afirmou que a experiência abria caminho para pintar aviões de clientes.
O MSN 39000019 foi o terceiro KC-390 encaminhado ao centro da GOL Aerotech em 2026, segundo o Poder Aéreo. Antes dele passaram por lá o primeiro C-390 Millennium da República Tcheca e um avião da Coreia do Sul.
O avião tcheco, de número de série 39000020, chegou a Confins em maio com acabamento “predominantemente cinza”. Recebeu ali a camuflagem definitiva em três tons de cinza e foi entregue à Força Aérea Tcheca em julho.
Os números de série são vizinhos, 39000019 e 39000020, e o de número maior foi entregue antes: o tcheco em julho, o uzbeque em setembro.
PT-CYQ, UK39010 e o FAB 2861 citado pela Airway
O mesmo avião aparece com três identificações. Voou em teste como PT-CYQ, estava designado para ser o FAB 2861, segundo registros de frota citados pela Airway, e foi entregue como UK39010.
PT é um dos prefixos das matrículas brasileiras, e UK é o prefixo das aeronaves registradas no Uzbequistão. Na FAB, os aviões levam números de quatro algarismos, como o 2861.
Nas fotos oficiais da Embraer, a matrícula aparece pintada na cauda como UK 39010, logo abaixo da bandeira do Uzbequistão.
A linha do tempo do C-390 Millennium que trocou de destino
Um comprador mantido em segredo por mais de um ano
A Embraer anunciou a venda em 27 de dezembro de 2024, sem revelar o cliente, conforme a Airway. O contrato previa dois C-390 Millennium, além de treinamento, suporte e peças de reposição.
O comprador ficou mais de um ano sem ser identificado publicamente. A revelação veio no Singapore Airshow, em fevereiro de 2026, detalhou o Poder Aéreo.
Primeiro operador do avião na Ásia Central
Com a entrega, o Uzbequistão passa a ser o primeiro operador do C-390 na Ásia Central, destaca a Airway. O país ainda deve receber a segunda aeronave prevista no contrato assinado em dezembro de 2024.
A força aérea do país pretende usar o avião principalmente em missões de transporte e humanitárias, segundo a Airway. O Poder Aéreo publicou a mesma descrição em agosto, atribuída à própria Embraer.
Para o Poder Aéreo, a chegada do primeiro C-390 representa uma “importante modernização” da capacidade de transporte militar do Uzbequistão.
O que o C-390 Millennium carrega e que missões faz
O C-390 Millennium pode transportar até 26 toneladas, informa a Airway. Além de carga, o avião faz transporte de tropas, lançamento aéreo, evacuação médica, busca e salvamento e combate a incêndios.
O projeto nasceu para atender às necessidades da FAB, lembra o Poder Aéreo. Para o site, o avião hoje “se consolida como um dos principais produtos brasileiros” no mercado mundial de defesa.
Os 13 países que compraram ou escolheram o cargueiro
A Airway registra nove clientes confirmados: Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão e Emirados Árabes Unidos.
A reportagem da Airway acrescenta Suécia, Eslováquia e Colômbia, que já selecionaram o avião. O comunicado da Embraer sobre a entrega inclui ainda a Lituânia, e a lista chega a 13 países entre compradores e escolhas anunciadas.
A Suécia já passou da escolha ao contrato: a carteira da Embraer de abril de 2026 lista 4 pedidos firmes do país. Eslováquia e Lituânia, com 3 aviões cada, ficavam fora da carteira porque os contratos ainda não estavam em vigor ou seguiam em discussão, segundo a fabricante.
A Europa domina a lista, com oito países europeus, de Portugal à Lituânia. Seis deles já têm pedidos firmes. Fora da Europa, aparecem Coreia do Sul, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos e Colômbia, além do Brasil.
Emirados Árabes fizeram o maior pedido internacional
O maior pedido internacional do C-390 Millennium veio dos Emirados Árabes Unidos em maio de 2026, conforme a Airway. O contrato prevê 10 aviões, com opção para mais 10.
Se a opção for exercida, os Emirados chegam a 20 aviões, mais que os 18 do contrato brasileiro. Só o pedido firme, de 10, já passa da metade desse número.
A meta de subir de 6 para 10 aviões por ano até o fim da década
Em junho de 2026, executivos da Embraer estimaram a produção do ano em seis aeronaves, relatou o Poder Aéreo. As entregas previstas para 2026 incluíam República Tcheca, Coreia do Sul e Uzbequistão.
A meta é chegar a cerca de 10 aviões por ano até o fim da década, também segundo o Poder Aéreo.
Com o avanço das encomendas internacionais, a Embraer passou a administrar ao mesmo tempo aviões de vários operadores. Para o Poder Aéreo, o caso do MSN 39000019 evidencia a “crescente flexibilidade” da linha.
A FAB ainda pode receber um avião com a matrícula 2861
A mudança de destino “não significa necessariamente” que a FAB tenha desistido da matrícula FAB 2861, avaliou o Poder Aéreo em agosto.
Uma possibilidade, para o site, é que “outra célula de produção seja futuramente atribuída à FAB” e receba o número 2861. Nesse caso, a matrícula mudaria de avião, e não de dono.
A própria FAB já tinha feito procedimentos administrativos para as futuras matrículas FAB 2860, FAB 2861 e FAB 2862, segundo o Poder Aéreo. Os três números estavam previstos no planejamento da força.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

