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Embraer prepara uma nova indústria com eVTOL elétrico para quatro passageiros, alcance de 100 km e fábrica capaz de produzir 480 aeronaves por ano no interior de São Paulo

Embraer prepara uma nova indústria com eVTOL elétrico para quatro passageiros, alcance de 100 km e fábrica capaz de produzir 480 aeronaves por ano no interior de São Paulo

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Embraer prepara uma nova indústria com eVTOL elétrico para quatro passageiros, alcance de 100 km e fábrica capaz de produzir 480 aeronaves por ano no interior de São Paulo

Escrito por Carla Teles

Publicado em 24/09/2026 às 20:33

Atualizado em 24/09/2026 às 20:50

Indústria

Canal

Embraer e Eve Air Mobility avançam com eVTOL em Taubaté, enquanto certificação prepara a mobilidade aérea urbana para operação comercial.

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Controlada pela Embraer, a Eve Air Mobility desenvolve um eVTOL elétrico com um piloto e quatro passageiros, alcance de até 100 quilômetros e produção em Taubaté, onde a fábrica poderá chegar a 480 unidades por ano

A Embraer está no centro de um projeto que pretende levar a aviação elétrica de decolagem e pouso vertical a uma escala industrial no Brasil. Por meio da Eve Air Mobility, empresa que controla, a fabricante brasileira participa do desenvolvimento de um eVTOL projetado inicialmente para transportar um piloto e quatro passageiros em trajetos de até 100 quilômetros.

Os avanços foram detalhados por Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility, em entrevista publicada pela Veja em 24 de setembro de 2026. O executivo afirmou que o desafio vai além da aeronave e inclui fábrica, certificação, vertiportos, recarga de baterias, integração ao espaço aéreo e uma estrutura operacional necessária para transformar o projeto em transporte comercial.

eVTOL da Embraer leva projeto para uma nova etapa

O programa passou por um marco importante em dezembro de 2025, quando o protótipo realizou seu primeiro voo. Em agosto de 2026, a Eve avançou novamente ao executar o primeiro voo parcial de transição, etapa em que acionou em voo a hélice traseira responsável pela propulsão horizontal.

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Essa transição é necessária porque a aeronave combina capacidades diferentes ao longo da operação. O sistema utiliza propulsão para decolagem e pouso vertical e, durante o deslocamento, passa a incorporar a propulsão horizontal necessária para avançar em velocidade de cruzeiro.

Modelo inicial terá um piloto e quatro passageiros

Na primeira configuração prevista pela Eve, o eVTOL terá espaço para cinco ocupantes: um piloto e quatro passageiros. A proposta é utilizar a aeronave principalmente em trajetos urbanos e regionais de curta distância, com alcance de até 100 quilômetros.

A empresa não trata o equipamento como um automóvel capaz de voar. Bordais afirma que o produto precisa cumprir requisitos próprios da aviação, incluindo sistemas de controle de voo, critérios de segurança e processo formal de certificação antes de qualquer operação comercial.

Fábrica em Taubaté poderá chegar a 480 aeronaves por ano

A estratégia industrial envolve uma unidade em Taubaté, no interior de São Paulo, destinada à fabricação dos eVTOLs. A capacidade total planejada pode chegar a 480 aeronaves anuais quando todas as etapas do projeto industrial estiverem implantadas.

O planejamento da Eve prevê crescimento modular. A capacidade máxima foi dividida em quatro módulos equivalentes, cada um projetado para fabricar até 120 aeronaves por ano. Assim, a empresa poderá ampliar a produção conforme a evolução do mercado, em vez de instalar toda a capacidade de uma única vez.

Embraer dá respaldo industrial ao projeto da Eve

A Eve opera como uma empresa voltada à mobilidade aérea urbana, mas utiliza a experiência acumulada pela Embraer no setor aeroespacial. A própria companhia destaca esse histórico como parte da estrutura empregada no desenvolvimento do veículo, na engenharia e na preparação do ecossistema necessário à operação.

A unidade de Taubaté coloca a produção do novo modelo dentro de São Paulo, estado que já concentra parte relevante da atividade aeroespacial brasileira. O projeto industrial será responsável por transformar aeronaves ainda em fase de desenvolvimento e certificação em uma linha capaz de atender a demanda comercial futura.

Seis aeronaves de configuração final estão previstas para 2027

Antes que a produção em série comece, a Eve ainda precisa ampliar a campanha de ensaios. A empresa prevê fabricar seis aeronaves em configuração final durante 2027, destinadas aos testes ligados ao processo de certificação.

Essas unidades deverão aproximar os ensaios do padrão que será utilizado comercialmente. Diferentemente do protótipo atual, aeronaves de configuração final permitem verificar sistemas, cargas, comportamento estrutural e outros parâmetros que precisam ser demonstrados às autoridades antes da entrada em serviço.

Certificação aparece no horizonte de 2028

A Eve trabalha com 2028 como ponto de partida para a certificação, segundo Bordais. O executivo ressaltou que o objetivo não é simplesmente chegar primeiro ao mercado, mas completar corretamente uma campanha capaz de sustentar uma operação segura.

O cronograma, portanto, continua sujeito aos resultados dos testes e às etapas regulatórias. O próprio setor trata datas futuras como projeções porque o eVTOL ainda precisa demonstrar desempenho e segurança em uma sequência extensa de ensaios antes da liberação comercial.

Testes já levaram a mudanças na estrutura da aeronave

A campanha de voo não serve apenas para confirmar aquilo que foi previsto em simulações. Segundo o CEO da Eve, os ensaios medem forças, vibrações e cargas estruturais que não podem ser reproduzidas perfeitamente nos computadores.

Em algumas áreas, os testes indicaram necessidade de reforçar a estrutura. Em outras, os resultados ficaram acima do esperado, inclusive no comportamento acústico. Cada voo passa a alimentar novas decisões de engenharia antes que o projeto seja congelado para a configuração comercial.

Ruído é tratado como diferença frente aos helicópteros

A Eve trabalha com uma meta de ruído entre aproximadamente 60 e 64 decibéis para seu eVTOL. Na comparação apresentada por Bordais, um helicóptero pode alcançar aproximadamente 75 decibéis, embora a percepção sonora também dependa da frequência produzida por cada equipamento.

A redução de ruído é especialmente relevante porque a aplicação prevista envolve grandes áreas urbanas. Para que operações frequentes ocorram perto de regiões residenciais ou empresariais, o impacto acústico precisará ser considerado ao lado da segurança, da infraestrutura e das regras de tráfego aéreo.

São Paulo aparece entre os mercados imaginados para os primeiros trajetos

Entre os exemplos citados pela empresa estão conexões de curta distância dentro da Região Metropolitana de São Paulo. Uma possibilidade seria ligar o Aeroporto Internacional de Guarulhos a outras áreas da cidade, reduzindo o tempo gasto em trajetos que hoje dependem do trânsito terrestre.

A Eve também menciona deslocamentos entre regiões empresariais e pontos estratégicos de acesso. O foco inicial está em rotas nas quais a diferença entre o tempo gasto por terra e pelo ar possa justificar uma operação aérea de pequena distância.

Cerca de 2,7 mil aeronaves aparecem entre pedidos e intenções

A Eve acumulava aproximadamente 2,7 mil aeronaves entre pedidos e cartas de intenção, segundo os números apresentados na entrevista de setembro de 2026. A própria reportagem ressalta que boa parte dessas manifestações ainda não equivale a uma compra definitiva.

O volume ajuda a dimensionar por que a capacidade industrial planejada para Taubaté chega a centenas de unidades anuais. Ao mesmo tempo, cartas de intenção não devem ser tratadas como entregas garantidas, já que os negócios dependem da certificação, da evolução do mercado e das decisões futuras dos operadores.

Vertiportos serão tão importantes quanto a aeronave

A implantação comercial não depende somente do desenvolvimento do eVTOL. Bordais cita a necessidade de vertiportos, pontos de carregamento de baterias, procedimentos de emergência e integração com o espaço aéreo antes que uma rede de transporte possa funcionar de forma regular.

Também será necessário organizar locais de embarque e desembarque e adaptar a operação às estruturas urbanas existentes. Essa é a razão pela qual a Eve apresenta o projeto como um ecossistema, e não apenas como a fabricação de um novo tipo de aeronave.

Mobilidade aérea urbana exige novas regras e profissionais

A construção desse mercado também passa por regulamentação e qualificação de mão de obra. Em encontro promovido anteriormente pela Eve e pela InvestSP, a empresa já havia colocado infraestrutura, formação profissional e integração entre poder público e setor privado entre os requisitos para a operação dos eVTOLs no país.

A indústria prevista inclui, portanto, atividades que vão além da montagem das aeronaves. Manutenção, gestão de tráfego aéreo urbano, recarga, operação dos vertiportos e suporte técnico deverão acompanhar a expansão caso a tecnologia avance para uso comercial em larga escala.

Operação autônoma fica para uma etapa futura

A primeira versão comercial terá piloto, mas a arquitetura do projeto poderá permitir uma configuração futura com maior número de passageiros. Bordais afirma que a possibilidade de autonomia depende tanto da evolução tecnológica quanto da regulamentação e não deve ser tratada como uma etapa imediata.

Isso significa que a estratégia atual está concentrada em certificar a aeronave para a configuração inicial. Qualquer operação sem piloto exigiria outra combinação de tecnologia, validação de segurança e autorização regulatória.

Preço das viagens dependerá da escala de operação

Bordais também reconhece que as primeiras viagens não deverão começar como um serviço de baixo custo. A introdução de uma tecnologia inédita exige infraestrutura e uma cadeia operacional ainda inexistente em escala comercial.

A expectativa da Eve é que o aumento da utilização das aeronaves ajude a reduzir os custos ao longo do tempo. Quanto maior a escala da operação, maior tende a ser a possibilidade de diluir despesas relacionadas à infraestrutura, manutenção e utilização dos equipamentos.

Embraer participa de aposta que vai muito além de um novo avião

A dimensão do projeto fica mais clara quando produção, infraestrutura e regulamentação são analisadas em conjunto. A fábrica de Taubaté poderá chegar a 480 unidades por ano, mas essa capacidade somente fará sentido se houver operadores, vertiportos, recarga, regras de tráfego e certificação para sustentar a nova rede.

É esse conjunto que leva a Embraer e a Eve a tratar o eVTOL como o início de uma possível nova indústria. O primeiro objetivo continua sendo colocar uma aeronave elétrica certificada em operação; o passo seguinte será construir ao redor dela um mercado capaz de produzir, manter e utilizar centenas de unidades.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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