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Empreiteiro arranca reboco de banheiro durante reforma, encontra caixa escondida abaixo do armário e descobre US$ 182 mil em notas guardadas dentro da parede havia cerca de 70 anos, mas avaliação de até US$ 500 mil transforma achado em batalha judicial

Empreiteiro arranca reboco de banheiro durante reforma, encontra caixa escondida abaixo do armário e descobre US$ 182 mil em notas guardadas dentro da parede havia cerca de 70 anos, mas avaliação de até US$ 500 mil transforma achado em batalha judicial

8 min de leitura

Empreiteiro arranca reboco de banheiro durante reforma, encontra caixa escondida abaixo do armário e descobre US$ 182 mil em notas guardadas dentro da parede havia cerca de 70 anos, mas avaliação de até US$ 500 mil transforma achado em batalha judicial

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 05/09/2026 às 09:46

Curiosidades

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Reforma de banheiro em casa de Cleveland revela US$ 182 mil escondidos na parede desde a década de 1930 e descoberta termina em disputa entre proprietário, empreiteiro e herdeiros

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Notas antigas apareceram dentro de caixas metálicas durante a reforma de uma casa em Cleveland, nos Estados Unidos, e algumas tinham valor muito superior ao impresso. O que começou como uma descoberta de US$ 182 mil colocou frente a frente o empreiteiro e a proprietária do imóvel e, quando o caso se tornou público, trouxe para a disputa os descendentes do homem que havia escondido o dinheiro décadas antes.

Uma reforma aparentemente comum em um banheiro de uma casa de Cleveland, no estado americano de Ohio, terminou com a descoberta de US$ 182 mil em dinheiro escondido atrás das paredes. O empreiteiro Bob Kitts retirava o reboco abaixo de um armário de medicamentos quando percebeu uma caixa envolvida em papel, presa em um espaço que permanecera fechado por décadas.

Dentro dela havia envelopes cheios de notas antigas. A descoberta ocorreu em 2006 na residência de Amanda Reece, conhecida de Kitts desde os tempos de escola. O dinheiro havia permanecido escondido desde aproximadamente o fim da década de 1930 e incluía cédulas que, segundo avaliadores consultados na época, poderiam valer várias vezes o valor de face para colecionadores.

A surpresa, porém, rapidamente deu lugar a uma disputa sobre quem tinha direito ao dinheiro. Kitts defendia que deveria receber uma parcela considerável pelo achado. Reece entendia que o dinheiro encontrado dentro de sua propriedade lhe pertencia. A divulgação pública do conflito acabou provocando uma consequência que nenhum dos dois havia previsto.

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Paulo Nogueira

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Primeira caixa surgiu atrás do reboco abaixo do armário do banheiro

Segundo uma reconstrução publicada posteriormente pela Cleveland Magazine, Kitts trabalhava na casa localizada na Edgewater Drive quando começou a arrancar o reboco abaixo do armário de medicamentos. Atrás dos azulejos havia uma camada resistente de argamassa presa a uma tela metálica.

Quando parte dessa estrutura finalmente cedeu, apareceu uma caixa envolvida em papel pardo. O material estava escondido entre os elementos estruturais da parede, fora da visão de quem utilizava normalmente o banheiro.

Ao abrir o embrulho, o empreiteiro encontrou uma caixa metálica verde e diversos envelopes envelhecidos. Um deles deixou à mostra a ponta de uma nota de US$ 50. O próprio Kitts contou posteriormente que precisou se sentar depois de perceber o que havia encontrado.

Os jornais usados para envolver as caixas eram do fim da década de 1930. Um deles tinha data de setembro de 1939 e outro, encontrado pouco depois, era de outubro de 1938. Isso indica que parte do dinheiro permaneceu escondida por aproximadamente 67 anos até ser encontrada em 2006.

Kitts telefonou para Amanda Reece e pediu que ela voltasse para casa.

Um fio dentro da parede levou os trabalhadores até uma segunda caixa

Trabalhadores puxam fio encontrado atrás do reboco e revelam segunda caixa escondida na parede com mais de US$ 100 mil em notas antigas. (Foto: Gigazine)

Enquanto esperavam a proprietária, Kitts e outro trabalhador perceberam um fio atrás do reboco. Ao puxá-lo, fizeram outra caixa cair de dentro da parede.

A estrutura ficava justamente perto do antigo armário de medicamentos. Junto dela apareceram lâminas de barbear enferrujadas que haviam sido descartadas durante décadas por uma abertura existente nos antigos armários de banheiro americanos.

Quando Reece chegou, começaram a conferir o conteúdo. Sobre uma mesa, os envelopes foram abertos e as notas acabaram ocupando boa parte da superfície.

As cédulas não eram iguais ao dinheiro que circulava nos Estados Unidos em 2006. Algumas traziam referências a bancos e cidades específicas, inclusive Cleveland e Peoria. O dinheiro pertencia a uma época em que o sistema bancário americano tinha características diferentes das atuais.

Na cobertura inicial do caso, a Associated Press informou que uma das caixas continha US$ 25,2 mil, enquanto outra guardava mais de US$ 100 mil. A reforma ainda revelaria outros compartimentos.

Novas caixas atrás da banheira elevaram o total encontrado para US$ 182 mil

A descoberta não terminou naquele primeiro dia.

Quando os trabalhadores continuaram a demolir o banheiro e retiraram a banheira, outras duas caixas apareceram. Elas continham aproximadamente US$ 25 mil adicionais, misturados a objetos religiosos e cédulas mais usadas.

Algumas dessas notas eram bem mais recentes do que as encontradas inicialmente, com exemplares emitidos até o fim da década de 1950. Somando as diferentes caixas, o montante chegou a US$ 182 mil em valor de face.

A casa havia sido construída em 1923 e tinha cerca de 3.500 pés quadrados, pouco mais de 325 metros quadrados. Reece havia comprado o imóvel em 1996 por US$ 265 mil e pretendia reformá-lo antes de colocá-lo à venda.

A reforma do banheiro, portanto, revelou um valor que correspondia a uma parcela considerável do preço pago pela própria residência dez anos antes.

Cédulas raras fizeram estimativa do achado chegar a US$ 500 mil

Avaliação de notas antigas encontradas na parede identifica cédulas raras e eleva valor potencial do conjunto para até US$ 500 mil. (Foto: Gigazine)

O valor impresso nas notas era apenas uma parte da história.

Kitts levou alguns exemplares para avaliação e descobriu que certas cédulas tinham interesse numismático. Entre elas estavam notas de US$ 10 da série de 1929 ligadas ao Federal Reserve de Cleveland, além de cédulas de US$ 500 e pelo menos uma de US$ 1 mil.

Na cobertura publicada em dezembro de 2007, a Associated Press informou que um avaliador consultado por Kitts estimou que, devido à raridade e ao estado de conservação de parte das notas, o conjunto poderia chegar a US$ 500 mil no mercado de colecionadores.

Esse número, porém, era uma estimativa numismática e não significava que todas as cédulas seriam efetivamente vendidas por esse preço.

Uma nota de US$ 10 avaliada separadamente, por exemplo, recebeu uma estimativa várias vezes superior ao seu valor de face. Era justamente essa diferença entre o dinheiro impresso nas cédulas e seu possível preço como objeto de coleção que aumentava o tamanho potencial da descoberta.

Nome escrito nos envelopes revelou quem provavelmente escondeu o dinheiro

As próprias caixas forneceram uma pista sobre a origem do patrimônio.

Nos envelopes aparecia a inscrição “P. Dunne, Newspaper & Magazine Distributor”, acompanhada de um endereço comercial em Cleveland. Investigações posteriores identificaram o homem como Patrick Dunne, empresário ligado à distribuição de jornais, revistas e informações sobre corridas de cavalos.

Algumas reportagens iniciais chegaram a identificá-lo como Peter Dunne, mas uma apuração mais extensa publicada pela Cleveland Magazine posteriormente reconstruiu sua trajetória e o identificou como Patrick Dunne.

Dunne havia se mudado para a residência da Edgewater Drive na década de 1930. Ele acumulou patrimônio em diferentes negócios e chegou a ter participação de 10% no Cleveland Browns, equipe de futebol americano criada em 1945.

Ele morreu em 1968, aos 87 anos, sem filhos. A maior parte de seu patrimônio ficou para uma familiar chamada Agatha. Depois da morte dela, em 1974, a residência foi vendida.

O dinheiro escondido atrás das paredes não apareceu nos inventários conhecidos.

Oferta de 10% e pedido de 40% colocaram empreiteiro e proprietária em lados opostos

Proprietária oferece 10% do dinheiro encontrado, empreiteiro reivindica 40% e desacordo leva descoberta milionária para disputa judicial. (Foto: Gigazine)

Nos primeiros momentos, a descoberta foi celebrada por Kitts e Reece. O entendimento sobre a divisão do dinheiro, entretanto, virou rapidamente motivo de conflito.

Segundo o advogado de Reece citado pela Associated Press, ela ofereceu ao empreiteiro 10% do valor encontrado. Kitts considerou a quantia insuficiente e reivindicou 40%.

Kitts sustentava uma versão diferente sobre o início das negociações. Segundo ele, havia sido discutida inicialmente uma divisão mais favorável e a proprietária teria posteriormente reduzido sua participação.

O empreiteiro passou a argumentar que princípios jurídicos relacionados a bens perdidos poderiam lhe dar direito ao dinheiro encontrado. Reece rejeitou a interpretação. Em dezembro de 2007, quando a disputa chegou à imprensa, os dois já se comunicavam essencialmente por meio de advogados.

Foi justamente a exposição pública do caso que mudou completamente a disputa.

Reportagem sobre o tesouro levou investigadores até os parentes de Patrick Dunne

Depois que a história apareceu no jornal The Plain Dealer em 12 de dezembro de 2007, profissionais especializados em localizar herdeiros começaram a pesquisar a família de Patrick Dunne.

Em poucas horas, segundo a Cleveland Magazine, foram identificados sobrinhos-netos e outros parentes do empresário. Cerca de três semanas depois, mais de uma dezena deles pediu judicialmente a reabertura do espólio de Dunne e apresentou uma reivindicação sobre os US$ 182 mil encontrados na antiga residência.

A discussão deixou então de envolver apenas o empreiteiro e a dona da casa.

Se o dinheiro continuava pertencendo ao patrimônio de Dunne, seus sucessores poderiam ter direito à quantia mesmo décadas depois da venda do imóvel.

Foi nesse momento que uma descoberta capaz de render centenas de milhares de dólares se transformou definitivamente em uma batalha judicial.

Quando a Justiça entrou no caso, grande parte dos US$ 182 mil já havia desaparecido

Havia outro problema. Quando os herdeiros apresentaram suas reivindicações, a maior parte do dinheiro já não estava disponível.

Em fevereiro de 2008, Reece informou à Justiça que restava apenas uma parcela da quantia. Posteriormente, entregou US$ 25.230 em notas antigas após uma ordem judicial.

Em depoimento, ela afirmou que uma parte havia sido vendida e outra utilizada em despesas. Também disse que cerca de US$ 60 mil guardados em uma caixa de sapatos dentro de seu armário haviam sido furtados, embora o suposto desaparecimento não tivesse sido comunicado à polícia na época.

Reece relatou ainda ter usado dinheiro em uma viagem ao Havaí com a mãe. Parte das notas antigas também foi negociada pela internet e com comerciantes especializados.

A proprietária acabou abrindo mão de sua reivindicação sobre a parcela restante. Sua situação financeira havia se deteriorado e ela posteriormente perdeu a casa da Edgewater Drive.

Decisão deixou Kitts com 13,7% do dinheiro restante e colocou 21 herdeiros na divisão

O desfecho ocorreu em 2008.

O magistrado Charles Brown, do Tribunal de Sucessões do Condado de Cuyahoga, determinou que Bob Kitts receberia 13,7% do dinheiro que ainda estava sob controle judicial. O restante seria destinado aos descendentes de Patrick Dunne.

Ao todo, 21 herdeiros entraram na divisão.

Naquele momento, as notas restantes foram avaliadas em aproximadamente US$ 38.592 considerando seu valor para colecionadores. Pelos cálculos divulgados pela Associated Press, Kitts receberia cerca de US$ 5.287, enquanto cada um dos 21 herdeiros ficaria com aproximadamente US$ 1.586 caso as cédulas fossem negociadas pelo valor da avaliação.

O valor ficou muito distante dos US$ 182 mil encontrados originalmente e ainda mais distante da estimativa inicial de até US$ 500 mil para o conjunto completo de cédulas.

O advogado que representava o espólio de Dunne resumiu à Associated Press uma consequência prática da disputa: caso empreiteiro e proprietária tivessem chegado a um acordo antes de tornar o caso público, os herdeiros provavelmente nem sequer saberiam que o dinheiro existia.

Para Kitts, a reforma que começou com uma caixa inesperada atrás do reboco terminou com pouco mais de US$ 5 mil previstos na divisão judicial.

Se você encontrasse uma fortuna escondida dentro da parede da sua casa durante uma reforma, dividiria o dinheiro com quem fez a descoberta ou consideraria que tudo pertence ao dono do imóvel?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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