Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Empresa compra fábrica de lítio após falência da antiga operadora, retoma instalação nos EUA com US$ 15 milhões e anuncia US$ 1 bilhão em contratos para reciclar baterias

Empresa compra fábrica de lítio após falência da antiga operadora, retoma instalação nos EUA com US$ 15 milhões e anuncia US$ 1 bilhão em contratos para reciclar baterias

10 min de leitura

Empresa compra fábrica de lítio após falência da antiga operadora, retoma instalação nos EUA com US$ 15 milhões e anuncia US$ 1 bilhão em contratos para reciclar baterias

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 18/09/2026 às 18:55

Atualizado em 18/09/2026 às 18:56

Mineração

Canal

Imagem ilustrativa.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Uma fábrica norte-americana de reciclagem de baterias ganhou um novo proprietário e voltou a operar após enfrentar dificuldades financeiras sob sua antiga controladora. A R3 Lithium anunciou o início das atividades em Covington, na Geórgia, em uma unidade com capacidade para triturar 30 mil toneladas de materiais de baterias por ano e produzir 2.500 toneladas anuais de carbonato de lítio. A empresa também captou US$ 15 milhões e informou possuir aproximadamente US$ 1 bilhão em contratos de fornecimento assinados. Entretanto, a produção comercial contínua ainda depende de melhorias na instalação.

Uma fábrica de reciclagem de baterias que ficou paralisada após a crise financeira de sua antiga controladora está recebendo uma nova oportunidade nos Estados Unidos. A R3 Lithium anunciou o início das operações de sua unidade em Covington, no estado da Geórgia, com o objetivo de recuperar carbonato de lítio de resíduos industriais e baterias usadas.

Segundo reportagem publicada pela Processing Magazine em 10 de setembro de 2026, a instalação reúne trituração de baterias e refino de lítio em um mesmo complexo.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Além disso, a companhia anunciou uma rodada de financiamento de US$ 15 milhões e contratos de fornecimento que somam aproximadamente US$ 1 bilhão.

Entretanto, os números representam etapas diferentes do negócio. O financiamento fornece recursos para a empresa, os contratos estabelecem compromissos comerciais e a capacidade industrial indica o volume que a fábrica foi projetada para processar ou produzir.

R3 Lithium retoma fábrica adquirida em julho de 2026 após crise da antiga proprietária

A instalação fica em Covington, aproximadamente 60 quilômetros a leste de Atlanta. O complexo ocupa 154 mil pés quadrados, equivalentes a cerca de 14,3 mil metros quadrados.

A fábrica pertencia anteriormente à Ascend Elements, empresa que enfrentou dificuldades financeiras e entrou com pedido de recuperação sob a legislação de falências norte-americana em 2026.

Imagem: Reprodução Processing Magazine.

Depois disso, a R3 Lithium adquiriu a unidade em julho de 2026.

Além dos equipamentos, a nova proprietária manteve integrantes da equipe responsável por demonstrar a fabricação de carbonato de lítio reciclado no local em 2025.

Consequentemente, a empresa assumiu uma instalação que já possuía infraestrutura industrial e resultados anteriores de produção, em vez de iniciar a construção de uma fábrica do zero.

Entretanto, a aquisição não significa que todas as linhas retornaram imediatamente à operação contínua. A R3 ainda executa melhorias para ampliar a estabilidade do processo.

Fábrica tem capacidade para triturar 30 mil toneladas de materiais de baterias por ano

O complexo possui linhas capazes de processar até 30 mil toneladas métricas anuais de materiais de baterias, conforme a capacidade nominal divulgada pela empresa.

A instalação recebe resíduos gerados durante a fabricação de células e baterias que chegaram ao fim de sua vida útil.

Primeiramente, os materiais passam por uma etapa de trituração. O processo gera uma mistura concentrada conhecida como massa negra, ou black mass.

Essa mistura contém materiais provenientes dos componentes internos das baterias e serve de matéria-prima para a recuperação de minerais.

Entretanto, a capacidade de trituração não corresponde ao volume de lítio recuperado. Afinal, as baterias contêm diferentes componentes, e a composição varia conforme a tecnologia utilizada.

Portanto, a referência de 30 mil toneladas indica a capacidade anual de processamento de materiais, não a produção final de carbonato de lítio.

Linha industrial pode produzir 2.500 toneladas de carbonato de lítio por ano

Após a trituração, a R3 utiliza uma linha de processamento destinada à recuperação de lítio.

A instalação possui capacidade nominal para produzir 2.500 toneladas métricas de carbonato de lítio por ano.

Além disso, o terreno reserva espaço para uma segunda linha com a mesma capacidade.

Se a companhia construir e colocar esse equipamento adicional em funcionamento, a capacidade combinada poderá chegar a 5 mil toneladas anuais.

Entretanto, a empresa não anunciou um cronograma definitivo para a segunda linha.

Da mesma forma, os 2.500 toneladas da estrutura existente representam capacidade projetada, não um volume comprovadamente produzido desde a retomada das operações.

A prioridade atual consiste em executar as melhorias necessárias para alcançar produção comercial contínua.

Processo recupera lítio de baterias descartadas sem depender de uma nova mina

A tecnologia da R3 procura recuperar um mineral já presente nos resíduos da cadeia de baterias.

Depois de produzir a massa negra, a instalação utiliza cristalização com equipamento de calcinação e precipitação à base de água para separar e refinar o lítio.

Segundo a empresa, o processo reúne as etapas de trituração e recuperação do carbonato de lítio no mesmo local.

Dessa maneira, a instalação pretende devolver o material à cadeia norte-americana de baterias sem exigir mineração primária para aquela parcela de lítio recuperada.

Entretanto, isso não elimina a necessidade de mineração para atender a toda a demanda do setor. A quantidade de resíduos disponível e a eficiência da recuperação limitam o volume obtido por reciclagem.

Além disso, a empresa não publicou uma análise completa de ciclo de vida que permita atribuir um percentual específico de redução de emissões ao processo.

Instalação já demonstrou carbonato de lítio reciclado com pureza de 99% em 2025

A nova proprietária destaca um resultado alcançado antes da aquisição.

Em 2025, a equipe da instalação demonstrou a produção de carbonato de lítio com 99% de pureza, utilizando matéria-prima de conteúdo integralmente reciclado, segundo a R3.

A companhia apresenta o resultado como um marco na recuperação industrial de lítio nos Estados Unidos.

Entretanto, a pureza informada não comprova automaticamente que todo o produto atende às especificações de todos os fabricantes de baterias.

Os requisitos comerciais dependem de limites de impurezas e de outras características exigidas por cada cliente.

Além disso, a demonstração de 2025 não significa que a instalação manteve produção contínua desde então.

Após a crise da antiga operadora, a R3 assumiu a unidade e anunciou sua retomada em setembro de 2026.

Rodada de US$ 15 milhões financiará melhorias na linha de recuperação de lítio

Para apoiar a nova etapa, a R3 anunciou a captação de US$ 15 milhões em uma rodada de financiamento Série A.

Entre os investidores citados estão Integral GlobalTech Partners, TDK Ventures e Axial Partners.

Segundo a empresa, os recursos apoiarão melhorias na linha existente de carbonato de lítio e a preparação para a operação comercial contínua.

Entretanto, os US$ 15 milhões não representam o custo total de construção da instalação.

A fábrica já existia antes da aquisição. Reportagens sobre seu histórico apontam que a antiga proprietária havia investido aproximadamente US$ 150 milhões no complexo.

Da mesma forma, o novo financiamento não deve ser confundido com o valor de aquisição, que não foi detalhado nas fontes consultadas.

Assim, a R3 combina uma instalação industrial existente com novos recursos destinados à recuperação operacional.

Empresa anuncia aproximadamente US$ 1 bilhão em contratos de fornecimento de lítio

Além do financiamento, a R3 informou possuir aproximadamente US$ 1 bilhão em contratos de fornecimento assinados.

Entre os compradores mencionados está a Trafigura, empresa internacional de comercialização de matérias-primas.

Esses acordos podem oferecer uma referência de demanda futura para os materiais recuperados na instalação.

Entretanto, a companhia não divulgou todos os prazos, volumes, preços e condições contratuais necessários para avaliar integralmente os compromissos.

Portanto, o valor anunciado não corresponde a US$ 1 bilhão já recebido em caixa.

Também não representa lucro, faturamento anual ou investimento na fábrica.

O resultado financeiro efetivo dependerá da produção, das entregas, dos preços e do cumprimento das condições previstas nos contratos.

Níquel, cobalto, manganês e grafite também poderão gerar receitas

A recuperação do lítio não encerra o aproveitamento dos materiais recebidos pela fábrica.

Segundo a R3, o processo também gera um concentrado de óxidos metálicos que contém níquel, cobalto e manganês, além de grafite.

A empresa pretende comercializar esse material separadamente, permitindo que outros operadores realizem etapas adicionais de processamento.

Dessa maneira, a instalação busca aproveitar diferentes componentes presentes nas baterias.

Entretanto, a R3 não divulgou o volume efetivamente produzido desse concentrado desde a retomada das operações.

Também não apresentou a receita já obtida com sua comercialização.

Portanto, essa atividade representa uma fonte potencial de negócios associada à recuperação do lítio, sem comprovação pública de resultados financeiros específicos.

Reciclagem de baterias oferece alternativa à produção de lítio a partir de novas jazidas

O crescimento da indústria de baterias aumenta a procura por materiais processados para fabricação de células.

Entretanto, diferentes empresas buscam fontes distintas para atender à demanda.

Na Alemanha, por exemplo, a Vulcan Energy desenvolve projetos para extrair lítio de salmouras geotérmicas. Uma reportagem do CPG detalhou o projeto de € 1,26 bilhão que pretende alcançar uma produção anual de 21,1 mil toneladas de lítio para baterias.

Enquanto a Vulcan procura obter matéria-prima de recursos naturais, a R3 trabalha com minerais presentes em baterias usadas e resíduos industriais.

Além disso, as capacidades anunciadas pelos projetos correspondem a empreendimentos e estágios diferentes.

Portanto, a reciclagem e a extração primária podem integrar uma mesma cadeia de abastecimento, sem que uma elimine automaticamente a necessidade da outra.

Minerais críticos também movimentam investimentos em processamento nos Estados Unidos

A retomada da unidade de Covington faz parte de um cenário mais amplo de investimentos no processamento de matérias-primas industriais.

Entretanto, cada mineral possui uma cadeia produtiva específica.

Em outra reportagem do CPG, os Estados Unidos anunciaram um contrato de até US$ 2 bilhões para recompor reservas de tungstênio e um pacote financeiro separado de US$ 450 milhões.

Embora o tungstênio tenha aplicações diferentes das do lítio, os dois casos envolvem investimentos para ampliar atividades de processamento e fornecimento de minerais considerados estratégicos.

Entretanto, o anúncio da R3 é uma iniciativa empresarial. Os US$ 15 milhões de financiamento e os contratos comerciais da companhia não integram automaticamente o pacote de tungstênio.

Novas químicas de baterias também podem modificar a demanda por materiais

O crescimento da reciclagem acompanha a evolução das tecnologias utilizadas no armazenamento de energia.

Além das baterias de íons de lítio, pesquisadores investigam outras composições para determinadas aplicações.

Uma reportagem do CPG apresentou uma bateria experimental de zinco e iodo que alcançou recarga em três minutos e superou 60 mil ciclos em condições específicas de laboratório.

Entretanto, a tecnologia ainda não representa uma substituição comercial generalizada das baterias de lítio.

No caso da R3, a prioridade permanece na recuperação de materiais provenientes de baterias que já circulam no mercado e de resíduos de fabricação.

Consequentemente, a composição das baterias descartadas influenciará a disponibilidade e as características da matéria-prima recebida pela unidade.

R3 projeta participação superior a 50% na produção americana de carbonato de lítio em 2027

A empresa também apresentou uma projeção para o mercado norte-americano.

Segundo a R3, sua instalação de Covington poderá responder por mais de 50% da produção total de carbonato de lítio dos Estados Unidos em 2027.

Entretanto, essa participação representa uma previsão da companhia, não um resultado já alcançado.

O percentual dependerá tanto do volume efetivamente produzido pela R3 quanto da produção das demais empresas no país.

Além disso, a capacidade instalada de 2.500 toneladas anuais não garante que a fábrica produzirá essa quantidade integralmente durante 2027.

A companhia ainda precisa estabilizar suas operações, concluir melhorias e demonstrar produção contínua.

Por isso, a projeção deve ser acompanhada separadamente dos resultados industriais já comprovados.

Empresa pretende expandir reciclagem de lítio para a América do Norte e a Europa

A R3 também anunciou planos para construir uma rede de instalações de reciclagem.

O projeto envolve unidades de trituração e recuperação de carbonato de lítio na América do Norte e na Europa.

Segundo a empresa, a expansão utilizará módulos com capacidade de até 5 mil toneladas anuais, acompanhados por contratos de fornecimento.

Entretanto, a companhia não apresentou um cronograma completo de inauguração dessas futuras instalações.

Também não divulgou o investimento total necessário para executar toda a rede.

Assim, o projeto permanece uma estratégia de expansão, enquanto a prioridade operacional está na unidade existente da Geórgia.

Fábrica voltou a operar, mas produção contínua ainda precisa ser demonstrada

O anúncio de setembro confirma a retomada de uma instalação industrial que já havia demonstrado a fabricação de carbonato de lítio reciclado em 2025.

A unidade possui capacidade instalada para triturar 30 mil toneladas de materiais de baterias por ano e produzir 2.500 toneladas anuais de carbonato de lítio.

Além disso, a R3 captou US$ 15 milhões, anunciou aproximadamente US$ 1 bilhão em contratos e reservou espaço para uma segunda linha de produção.

Entretanto, nenhum desses números comprova que a fábrica já opera continuamente em plena capacidade.

O próximo desafio será transformar a infraestrutura existente e os compromissos comerciais em produção regular, entregas aos clientes e resultados financeiros.

E você: a recuperação de lítio de baterias usadas poderá se tornar uma atividade industrial relevante no Brasil ou a disponibilidade de resíduos ainda limitará esse mercado?

Fonte

Processing Magazine


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

Sair da versão mobile