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Empresário brasileiro afirma que a adoção da escala 5×2 obrigou grupo a ter um terceiro funcionário para cada dois, reduziu a produtividade e diminuiu as gorjetas, em teste feito em cinco restaurantes e um hotel no Brasil

Empresário brasileiro afirma que a adoção da escala 5×2 obrigou grupo a ter um terceiro funcionário para cada dois, reduziu a produtividade e diminuiu as gorjetas, em teste feito em cinco restaurantes e um hotel no Brasil

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Empresário brasileiro afirma que a adoção da escala 5×2 obrigou grupo a ter um terceiro funcionário para cada dois, reduziu a produtividade e diminuiu as gorjetas, em teste feito em cinco restaurantes e um hotel no Brasil

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 11/09/2026 às 18:43

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A experiência manteve a jornada semanal de 44 horas e concentrou o expediente em cinco dias. Marcos Livi relatou dificuldades para cobrir as folgas e conciliar horários dos trabalhadores e decidiu retomar a organização anterior depois de três meses de teste.

O chef e empresário Marcos Livi, sócio-fundador do Grupo Bah, encerrou a experiência com a escala 5×2 depois de testar o formato em cinco restaurantes e um hotel. Na avaliação dele, a mudança dificultou a cobertura das folgas, reduziu a produtividade e diminuiu as gorjetas distribuídas às equipes.

A experiência foi relatada por Livi à Folha de S.Paulo. O empresário, que administra oito negócios e mais de 150 funcionários, afirmou que decidiu experimentar a jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso antes de uma eventual mudança nacional nas regras trabalhistas.

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O teste ocorreu entre janeiro e março em operações do grupo localizadas em três estados. Participaram os restaurantes Brique, Quintana Bar e Veríssimo Bar, em São Paulo; Vistta, em Santa Catarina; Cozinha Ana Terra, no Rio Grande do Sul; e o Parador Hampel, hotel onde funciona o Cozinha Ana Terra.

Cada restaurante envolvido tinha cerca de 25 funcionários. A experiência não reduziu a carga semanal de 44 horas: as mesmas horas passaram a ser concentradas em cinco dias, em vez de distribuídas ao longo de seis.

Essa reorganização aumentou em aproximadamente uma hora o expediente diário, de acordo com o relato do empresário. Livi afirmou que a mudança afetou principalmente empregados que precisavam conciliar o trabalho com compromissos pessoais, como buscar filhos na escola ou frequentar cursos antes ou depois do expediente.

A cobertura das folgas também exigiu outra composição das equipes. Livi relatou que, para cada dois trabalhadores, precisava de um terceiro funcionário capaz de cobrir os dias de descanso, ampliando a necessidade de pessoal disponível para manter as operações funcionando.

Nos estabelecimentos do grupo, essa necessidade atingia áreas que dependem de presença contínua, como atendimento e cozinha. O empresário associou a nova organização das escalas à queda de produtividade observada durante o período experimental.

As gorjetas foram outro ponto considerado na decisão de abandonar o modelo. Segundo Livi, os valores passaram a ser divididos entre um número maior de funcionários, reduzindo a parcela recebida individualmente pelos trabalhadores envolvidos na operação.

Manutenção das 44 horas mudou o efeito da escala

A experiência do Grupo Bah teve uma característica decisiva: a quantidade de dias trabalhados diminuiu, mas a jornada semanal não. Com as mesmas 44 horas concentradas em cinco dias, o expediente diário ficou mais longo, condição necessária para interpretar os problemas relatados pelo empresário.

O teste, portanto, não avaliou uma redução simultânea de dias trabalhados e de carga semanal. O formato colocado em prática pelo grupo preservou o total de horas e alterou principalmente a distribuição do trabalho e a organização das folgas.

Essa diferença também limita comparações automáticas com outras experiências de jornada 5×2. Empresas que adotam dois dias de descanso com cargas semanais menores operam sob outra distribuição de horas, enquanto horários de funcionamento e composição das equipes também variam entre atividades.

No caso do Grupo Bah, restaurantes e hotel precisavam manter o serviço durante vários dias da semana, inclusive quando parte da equipe estava de folga. A cobertura desses períodos passou a exigir mais trabalhadores disponíveis para preservar o funcionamento dos turnos.

O empresário afirmou que a adaptação dos próprios funcionários também foi difícil. O aumento do período diário de trabalho interferiu na organização de atividades realizadas fora do emprego, especialmente entre quem dependia de horários próximos ao início ou ao fim do expediente para cumprir outros compromissos.

Grupo retomou o modelo anterior

Depois dos três meses de experiência, Livi decidiu voltar à organização usada antes do teste. A decisão considerou os efeitos que ele atribuiu ao formato sobre produtividade, composição das equipes, rotina dos trabalhadores e distribuição das gorjetas.

O empresário relatou ainda que a volta ao modelo anterior foi recebida de forma positiva pela equipe. A partir da experiência, passou a defender que as empresas possam organizar suas escalas de acordo com as características de cada atividade.

O resultado observado pelo Grupo Bah, porém, refere-se às operações administradas por Livi e ao desenho específico testado entre janeiro e março. A experiência manteve as 44 horas semanais, além de envolver estabelecimentos de alimentação e hotelaria com necessidade de cobertura contínua dos turnos.

Por isso, o relato não permite concluir que empresas de outros setores, com horários, quadros de pessoal ou cargas semanais diferentes, teriam o mesmo desempenho sob uma escala 5×2. Também não separa os efeitos dos dois dias de descanso daqueles provocados pela concentração das horas em menos dias.

No teste do grupo, a duração maior do expediente, a necessidade de trabalhadores adicionais para cobrir folgas e a divisão das gorjetas entre mais pessoas entraram na avaliação de Livi sobre o funcionamento do modelo.

Ao fim do período experimental, os cinco restaurantes e o hotel retornaram à organização anterior, encerrando o teste iniciado em janeiro. A experiência ficou restrita às seis operações participantes e às condições adotadas pelo Grupo Bah durante aqueles três meses.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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