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Empresários compram mina de calcário desativada com 100 acres, recebem 850 mil caminhões de material reciclado para elevar o piso e transformam galerias sob zoológico e avenida em tirolesas, trilhas e centro comercial

Empresários compram mina de calcário desativada com 100 acres, recebem 850 mil caminhões de material reciclado para elevar o piso e transformam galerias sob zoológico e avenida em tirolesas, trilhas e centro comercial

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Empresários compram mina de calcário desativada com 100 acres, recebem 850 mil caminhões de material reciclado para elevar o piso e transformam galerias sob zoológico e avenida em tirolesas, trilhas e centro comercial

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 11/09/2026 às 19:51

Atualizado em 11/09/2026 às 19:52

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Tirolesas atravessam as galerias da Louisville Mega Cavern, antiga mina de calcário transformada em atração turística e espaço comercial no Kentucky. Imagem ilustrativa.

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A antiga mina de Louisville forneceu calcário durante 42 anos, ganhou estradas construídas sobre toneladas de concreto, tijolos, rochas e terra reciclados e passou a abrigar depósitos, passeios históricos, circuito de cordas e tirolesas sob uma área urbana do Kentucky

Durante mais de quatro décadas, explosões controladas retiraram enormes volumes de calcário do subsolo de Louisville, no estado norte-americano do Kentucky. A rocha extraída ajudou a construir estradas, pontes e outras obras de infraestrutura no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Quando a atividade mineradora chegou ao fim, permaneceu sob a cidade um labirinto artificial de aproximadamente 100 acres, área equivalente a cerca de 40 hectares.

Em vez de abandonar definitivamente as galerias, investidores privados adquiriram o espaço em 1989 e perceberam que a mina poderia receber uma combinação incomum de armazenamento comercial, reciclagem, turismo e aventura.

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O projeto exigiu uma profunda transformação interna. Mais de 850 mil cargas de caminhão com concreto, tijolos, blocos, pedras e terra foram utilizadas para preencher áreas escavadas, elevar o piso e construir estradas subterrâneas.

Hoje, a antiga mina é conhecida como Louisville Mega Cavern e reúne tirolesas, circuito aéreo de cordas, caminhadas e passeios de bonde sob partes do zoológico de Louisville e das dez faixas da Watterson Expressway.

A mineração que escavou 100 acres sob Louisville

A origem da Louisville Mega Cavern remonta à década de 1930, quando o empresário Ralph Rogers criou a Louisville Crushed Stone.

Rogers havia identificado a demanda crescente por pedra britada, especialmente durante um período em que projetos públicos impulsionavam a construção de rodovias e pontes nos Estados Unidos.

O calcário era retirado por meio de perfurações e explosões. A operação avançava horizontalmente, deixando grandes pilares de rocha para sustentar o teto enquanto novas galerias eram abertas.

A extração continuou da década de 1930 até o início dos anos 1970, totalizando aproximadamente 42 anos de mineração, segundo o histórico divulgado pela própria Louisville Mega Cavern.

A pedra retirada foi empregada em obras de infraestrutura de Louisville e de outras áreas do Meio-Oeste. Ao final da operação, os trabalhadores haviam criado aproximadamente 4 milhões de pés quadrados de espaço subterrâneo, equivalentes a cerca de 371 mil metros quadrados.

Embora seja chamada de caverna, a estrutura não surgiu por processos naturais. Trata-se de uma antiga pedreira subterrânea de calcário inteiramente modificada pela atividade humana.

Trabalhadores e caminhões diante de uma antiga mina de calcário, estrutura posteriormente transformada na Louisville Mega Cavern, no Kentucky. Imagem ilustrativa.

Investidores compraram a mina e encontraram um enorme espaço vazio

Depois do encerramento da extração, as galerias permaneceram praticamente inativas durante anos.

O cenário começou a mudar em 1989, quando investidores privados adquiriram a propriedade. Eles enxergaram no isolamento proporcionado pelas camadas de terra e calcário uma oportunidade para instalar depósitos comerciais de alta segurança.

No entanto, transformar uma antiga mina em uma instalação utilizável exigia mais do que iluminação e paredes. O piso apresentava diferenças profundas de nível deixadas pela retirada das rochas.

Os pilares que atualmente parecem ter entre 7,6 e 9 metros de altura possuíam originalmente aproximadamente 26 a 27 metros. Grande parte da porção inferior acabou cercada pelo material empregado para elevar o chão.

Além disso, foram implantadas estradas internas, sistemas contra incêndio, áreas comerciais, iluminação com sensores de movimento e estruturas de ventilação.

O processo levou anos e precisou atender exigências específicas. Conforme a administração da atração, foram necessários 12 anos para obter uma licença de construção subterrânea.

Mais de 850 mil caminhões elevaram o piso da antiga mina

Desde o início da década de 1990, caminhões passaram a descarregar na mina concreto, tijolos, blocos, pedras e terra provenientes de demolições e outras atividades.

Em vez de seguirem diretamente para aterros, esses materiais foram reaproveitados no preenchimento dos espaços escavados.

A administração calcula que mais de 850 mil cargas de caminhão já tenham sido recebidas. O material ajudou a levantar o piso, cobrir depressões e criar vias capazes de receber veículos e estruturas comerciais.

Esse processo transformou a antiga mina em um grande centro de reaproveitamento de resíduos de construção. Por tonelagem, a Louisville Mega Cavern afirma ser o maior centro de reciclagem do Kentucky.

Apesar do volume já depositado, as novas estruturas ocupam apenas parte dos aproximadamente 4 milhões de pés quadrados disponíveis.

A recuperação da área também é apresentada pela Minerals Education Coalition como um exemplo de reaproveitamento de uma antiga operação de extração de calcário.

Temperatura subterrânea reduz gastos de climatização

A temperatura média dentro das galerias permanece próxima de 58 graus Fahrenheit, equivalentes a aproximadamente 14°C, durante todo o ano.

A estabilidade térmica favoreceu a instalação de depósitos e escritórios. Enquanto construções convencionais sofrem com o calor do verão e o frio do inverno, as camadas de rocha ajudam a isolar os espaços subterrâneos.

Segundo a administração da Mega Cavern, os custos com serviços públicos podem ficar entre 75% e 85% abaixo dos registrados em um edifício semelhante construído na superfície.

O sistema utiliza o calor irradiado pelas rochas, o isolamento natural, lâmpadas acionadas por movimento e até a energia térmica liberada por equipamentos e pessoas.

A circulação do ar ocorre parcialmente pela diferença natural de pressão entre o interior e o exterior. Ventiladores adicionais são utilizados para controlar a umidade e reduzir a formação de neblina nas galerias.

O espaço também possui redes de combate a incêndio e unidades de climatização equipadas com luz ultravioleta para combater mofo, fungos e bactérias transportados pelo ar.

Tirolesas e circuito de cordas ocuparam antigas galerias

A transformação não ficou limitada ao armazenamento comercial. Parte da antiga mina foi preparada para receber visitantes interessados em conhecer a história da extração e atravessar os corredores subterrâneos.

Uma das principais atrações é a Mega Ziplines, apresentada pela empresa como um circuito de tirolesas totalmente subterrâneo. A experiência utiliza plataformas, cabos suspensos e iluminação especial instalada entre os pilares de calcário.

Outro espaço, chamado Mega Quest, reúne pontes aéreas e obstáculos em um circuito de cordas construído inteiramente abaixo das ruas de Louisville.

Os visitantes também podem percorrer aproximadamente 2,9 quilômetros durante um passeio subterrâneo a pé. O trajeto permite observar os pilares, as marcas deixadas pela mineração e as soluções empregadas na recuperação da área.

Há ainda um passeio de bonde com cerca de 70 minutos de duração. O roteiro aborda a geologia regional, a extração de calcário, o uso de materiais reciclados e as tecnologias adotadas na conversão da mina.

As experiências atualmente oferecidas podem ser consultadas na página de atrações da Louisville Mega Cavern.

Galerias avançam sob zoológico e dez faixas de avenida

As dimensões da mina ficam ainda mais impressionantes quando comparadas às construções existentes na superfície.

As galerias passam sob todas as dez faixas da Watterson Expressway, também chamada de I-264. Essa parte da pedreira foi escavada antes da construção da própria via expressa.

Aproximadamente 70% da área do zoológico de Louisville também está localizada sobre a antiga mina. Quem observa os animais e percorre as alamedas na superfície pode não perceber que, dezenas de metros abaixo, existem estradas, depósitos e atrações turísticas.

O terreno superficial e o espaço subterrâneo possuem classificações de zoneamento diferentes. A situação criou uma área de uso duplo considerada única no Kentucky.

O governo metropolitano de Louisville e o estado classificam a Mega Cavern como um edifício. Com aproximadamente 100 acres internos, o complexo é divulgado como a maior construção do Kentucky em área.

Durante a Crise dos Mísseis de Cuba, na década de 1960, autoridades chegaram a planejar o uso das galerias como abrigo para até 50 mil pessoas em caso de ataque nuclear.

Décadas depois, o espaço imaginado como abrigo de emergência passou a receber empresas, eventos e turistas. A antiga operação industrial demonstra como uma área minerada pode adquirir uma função completamente diferente após o encerramento da extração.

Você entraria em uma tirolesa instalada dentro de uma antiga mina, sabendo que acima das galerias existem um zoológico e uma avenida com dez faixas? Deixe sua opinião e compartilhe esta transformação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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