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Energia limpa bate recorde, evita quase US$ 500 bilhões em gastos e mundo precisa mais que dobrar capacidade até 2030

Energia limpa bate recorde, evita quase US$ 500 bilhões em gastos e mundo precisa mais que dobrar capacidade até 2030

6 min de leitura

Energia limpa bate recorde, evita quase US$ 500 bilhões em gastos e mundo precisa mais que dobrar capacidade até 2030

Escrito por Carla Teles

Publicado em 21/09/2026 às 16:38

Atualizado em 21/09/2026 às 16:40

Energia Renovável

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Energia limpa acelera com energia solar, capacidade renovável e redes elétricas no centro das metas da COP28.

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Energia limpa atrai US$ 2 tri, enquanto redes elétricas viram novo gargalo global

A energia limpa encerrou 2025 com recorde de expansão das fontes renováveis, que adicionaram 693 gigawatts (GW) de capacidade no mundo. Apesar do avanço, a capacidade instalada terá de passar dos atuais 5,15 terawatts (TW) para 11,2 TW até 2030 para atingir a meta global definida na COP28. Isso exige elevar a média anual de novas instalações para cerca de 1.200 GW nos próximos cinco anos.

Segundo reportagem da Exame, publicada em 21 de setembro de 2026, os dados fazem parte de uma avaliação da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), elaborada com a Presidência turca da COP31 e a Global Renewables Alliance. O levantamento foi divulgado durante a Semana do Clima de Nova York e acompanha o cumprimento das metas internacionais para renováveis e eficiência energética.

Mundo adicionou 693 GW de capacidade renovável em 2025

O volume instalado em 2025 foi o maior já registrado. Os 693 GW de nova capacidade renovável representaram um avanço importante, mas ainda ficaram abaixo do ritmo necessário para cumprir a meta estabelecida para o fim da década. A média anual terá de alcançar 1.200 GW entre 2026 e 2030, cerca de 73% acima do resultado de 2025.

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Dados revisados divulgados pela própria IRENA em julho confirmaram que 2025 terminou com um acréscimo recorde de 693 GW. A agência informou ainda que as renováveis chegaram a aproximadamente metade da capacidade elétrica instalada global, reforçando a dimensão que solar, eólica, hidrelétrica e outras fontes assumiram no sistema energético mundial.

Capacidade precisa sair de 5,15 TW para 11,2 TW até 2030

A meta foi estabelecida na COP28, realizada em Dubai, quando países concordaram em buscar a triplicação da capacidade global de fontes renováveis até 2030 e a duplicação do ritmo de melhoria da eficiência energética. Para o primeiro objetivo, o mundo precisa alcançar 11,2 TW de capacidade renovável instalada.

Ao final de 2025, o total estava em 5,15 TW segundo o relatório citado pela Exame. A diferença significa que, nos cinco anos restantes, será necessário acrescentar ao sistema uma quantidade de capacidade superior à construída em toda a trajetória anterior das renováveis. O recorde de um único ano, portanto, terá de se transformar em um ritmo ainda maior e sustentado.

Renováveis evitaram quase US$ 500 bilhões em gastos com combustíveis fósseis

A expansão também teve efeito sobre os custos de energia. A IRENA estima que as renováveis evitaram quase US$ 500 bilhões em despesas com combustíveis fósseis. O cálculo considera a economia associada à geração renovável que substituiu alternativas fósseis no sistema energético.

Um relatório oficial da IRENA sobre custos de geração estima o valor em aproximadamente US$ 480 bilhões em 2025. O mesmo documento informa que mais de 90% dos projetos renováveis de grande escala que entraram em operação no ano produziram eletricidade a um custo inferior ao da nova usina fóssil mais barata disponível em seus respectivos mercados.

Energia limpa atraiu mais de US$ 2 trilhões em investimentos

O fluxo de investimentos também aumentou. Segundo os dados apresentados por Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, mais de US$ 2 trilhões foram destinados à energia limpa no último ano. A cifra aparece junto ao avanço das renováveis e à redução dos custos de geração em diferentes mercados.

Em discurso realizado em Nova York em 21 de setembro de 2026, Stiell voltou a citar os quase US$ 500 bilhões poupados em combustíveis fósseis e os investimentos acima de US$ 2 trilhões. A fala ocorreu durante o Industry Acceleration Summit e utilizou os novos dados da IRENA para tratar da expansão mundial das fontes renováveis.

Energia solar lidera expansão e deve ganhar mais espaço

A energia solar ocupa posição central no crescimento projetado para os próximos anos. A expectativa apresentada no levantamento é que a média anual de nova capacidade solar líquida dobre até 2030 em comparação com o patamar registrado em 2025.

Solar e eólica também devem aumentar sua participação conjunta na matriz de capacidade elétrica. Se as projeções forem alcançadas, as duas fontes variáveis poderão superar toda a capacidade instalada baseada em combustíveis fósseis e representar aproximadamente 62% da capacidade mundial de geração em 2030. Em 2025, essa participação era de 35%.

Redes elétricas passam a limitar o ritmo da expansão

O crescimento da geração cria uma segunda necessidade: ampliar a infraestrutura capaz de receber e distribuir a nova eletricidade. Francesco La Camera, diretor-geral da IRENA, apontou que redes elétricas e outros componentes do sistema não estão avançando na mesma velocidade da capacidade renovável.

O relatório calcula que serão necessários quase US$ 1 trilhão por ano em investimentos em redes elétricas entre 2026 e 2030, mais que o dobro do nível registrado em 2025. O sistema também precisará incorporar baterias, armazenamento e mecanismos de flexibilidade para equilibrar momentos de maior e menor produção.

Queda no custo das baterias favorece armazenamento de energia

O armazenamento ganha importância à medida que solar e eólica ocupam uma parcela maior da capacidade. Os custos das baterias caíram 30% entre 2024 e 2025 e 95% desde 2010, segundo os dados apresentados no relatório. Essa redução aumenta a viabilidade de projetos que combinam produção renovável e baterias na mesma instalação.

Em 2025, aproximadamente um quarto dos grandes projetos solares que entraram em operação já combinava geração e armazenamento. As baterias permitem guardar parte da eletricidade produzida e utilizá-la quando a geração solar ou eólica diminui, ajudando a reduzir a variação da oferta ao longo do dia.

Eficiência energética avança abaixo do ritmo definido na COP28

O aumento da oferta de energia limpa não é a única meta acompanhada. A intensidade energética global, indicador que relaciona consumo de energia e atividade econômica, melhorou cerca de 2% em 2025. O resultado representa apenas metade dos 4% considerados necessários para o cumprimento do compromisso firmado na COP28.

A dificuldade aumenta porque a demanda por eletricidade está crescendo. Data centers e sistemas associados à inteligência artificial estão entre os fatores citados para explicar parte desse avanço. O relatório aponta que a expansão dessas atividades precisará ser acompanhada de eficiência e maior participação de fontes renováveis no abastecimento.

Inteligência artificial aumenta pressão sobre sistemas elétricos

Simon Stiell afirmou que empresas de tecnologia precisam monitorar o consumo de energia e água de seus data centers e aumentar o uso de eletricidade renovável. A expansão da inteligência artificial ocorre em um período no qual redes elétricas já precisam absorver novos veículos elétricos, processos industriais e outras formas de eletrificação.

No discurso, o secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas associou o crescimento dos centros de dados ao aumento da demanda energética e pediu maior transparência sobre o consumo dessas instalações. A questão acrescenta pressão sobre uma infraestrutura que, segundo a IRENA, já precisa receber investimentos muito superiores aos níveis atuais.

Segurança energética amplia peso econômico das renováveis

As fontes renováveis também passaram a ocupar espaço maior nas discussões sobre segurança energética. Ben Backwell, presidente da Global Renewables Alliance, relacionou crises geopolíticas recentes ao aumento da preocupação dos países com preços, abastecimento e dependência de combustíveis importados.

A redução da exposição ao carvão, petróleo e gás pode diminuir a vulnerabilidade de consumidores e empresas a oscilações nos mercados internacionais. O avanço da energia limpa, portanto, está ligado tanto às metas climáticas quanto às decisões sobre infraestrutura, custo da eletricidade e segurança de abastecimento.

Próxima etapa depende de geração, redes e eficiência avançarem juntas

A COP31 deverá receber os novos números com a distância entre compromissos e execução ainda no centro das discussões. A conferência será realizada sob presidência da Turquia, e a eletrificação está entre os temas previstos para a agenda. Também está em discussão uma meta para que a eletricidade alcance 35% do consumo final global de energia até 2035.

O recorde de 693 GW mostra que a capacidade renovável continua crescendo, mas a próxima fase exige um salto para 1.200 GW de novas instalações por ano, acompanhado por redes, armazenamento e ganhos maiores de eficiência energética. Sem esse avanço simultâneo, a capacidade global ficará abaixo dos 11,2 TW previstos para 2030.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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