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Enfermeira adota filho de paciente em seus últimos dias de vida, cumpre a promessa feita à mãe solo de 45 anos com câncer terminal e, anos depois, continua criando o menino como um de seus próprios filhos

Enfermeira adota filho de paciente em seus últimos dias de vida, cumpre a promessa feita à mãe solo de 45 anos com câncer terminal e, anos depois, continua criando o menino como um de seus próprios filhos

9 min de leitura

Enfermeira adota filho de paciente em seus últimos dias de vida, cumpre a promessa feita à mãe solo de 45 anos com câncer terminal e, anos depois, continua criando o menino como um de seus próprios filhos

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 07/09/2026 às 11:15

Atualizado em 07/09/2026 às 11:20

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Enfermeira adota filho de paciente terminal

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Enfermeira acolheu mãe com câncer terminal e seu filho de 8 anos, assumiu o menino após a morte dela e manteve a promessa por anos.

Em 2014, Tricia Somers tinha 45 anos, enfrentava um câncer de fígado em estágio terminal e carregava um medo ainda maior do que a própria morte: o que aconteceria com Wesley, seu único filho, então com 8 anos, quando ela não estivesse mais viva. Durante uma internação na Pensilvânia, ela conheceu a enfermeira oncológica Tricia Seaman e, depois de poucas semanas de convivência, fez uma pergunta capaz de mudar definitivamente a vida das duas famílias: queria saber se a profissional e o marido aceitariam criar Wesley depois de sua morte.

Segundo a ABC7, Seaman ficou inicialmente sem palavras. Somers era uma paciente que conhecera havia pouco tempo, mas a conexão entre as duas havia sido imediata. O que a mãe não sabia era que Tricia e o marido, Dan Seaman, já estavam tentando aumentar a própria família por meio de acolhimento e adoção. Meses depois, a história avançou muito além daquele pedido: Tricia e Dan abriram a própria casa não apenas para Wesley, mas também para a mãe do menino, cuidando dos dois durante os últimos meses de vida de Somers.

Tricia Somers já havia perdido os próprios pais e temia deixar Wesley sozinho

Somers era mãe solo e Wesley ocupava o centro de sua vida. De acordo com relatos posteriores de Tricia Seaman, a paciente carregava fotos e desenhos do menino e falava constantemente sobre ele durante a internação.

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Sua situação familiar tornava o diagnóstico ainda mais angustiante. Os pais de Somers já haviam morrido de câncer, e ela não acreditava possuir uma rede familiar disponível para assumir os cuidados do filho quando sua doença chegasse ao estágio final.

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Somers havia se mudado para Harrisburg buscando recomeçar a vida depois de enfrentar violência doméstica, segundo a reconstrução publicada pelo jornal The Sentinel anos mais tarde. Criara Wesley praticamente como sua principal referência familiar.

Quando recebeu a confirmação de que o câncer havia se espalhado e não poderia mais ser curado, sua preocupação se concentrou imediatamente no futuro do menino.

Enfermeira entrou no quarto e mãe disse que sentiu uma confiança inexplicável

Tricia Seaman trabalhava havia muitos anos como enfermeira e encontrou Somers depois de um procedimento hospitalar.

Até o nome das duas chamava atenção.

Ambas se chamavam Tricia e tinham as mesmas iniciais, T.S. Seaman chegou a brincar que seria fácil se lembrar da paciente por causa da coincidência.

Somers descreveu posteriormente uma sensação de conforto praticamente imediata ao conhecer a enfermeira. Disse que parecia ter sido coberta por um cobertor quente e que, desde aquele primeiro contato, sentira que aquela mulher teria algum papel importante em sua vida.

Seaman não permaneceu designada permanentemente para cuidar de Somers, mas continuou entrando no quarto para perguntar como ela estava.

As duas começaram a conversar.

Somers contou sua história, falou sobre Wesley e revelou o medo de morrer sem saber quem criaria o filho.

Pedido veio quando Somers soube que o câncer era terminal

A conversa decisiva ocorreu próximo ao fim de uma das internações. Segundo Seaman relatou em 2022, Somers havia recebido resultados mostrando que o câncer era terminal. A mãe então se levantou e comunicou diretamente que iria morrer.

Logo depois veio a pergunta.

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Ela queria que Tricia e Dan criassem Wesley depois de sua morte.

A enfermeira ficou em choque.

A ABC7 registrou em 2014 que Somers perguntou se, caso morresse, Seaman poderia receber e cuidar de seu filho. A própria mãe reconheceu que o pedido provavelmente pareceria extraordinário para alguém que a conhecera havia tão pouco tempo.

Seaman não respondeu impulsivamente.

Pediu que Somers pensasse cuidadosamente sobre uma decisão daquela magnitude.

A mãe insistiu.

Para ela, havia encontrado a família que procurava.

O que Somers não sabia é que a enfermeira já tentava adotar uma criança

Havia uma coincidência que Somers desconhecia.

Tricia e Dan Seaman já tinham quatro filhos, mas desejavam aumentar a família e vinham explorando caminhos como acolhimento e adoção.

Em outubro de 2013, meses antes de Somers fazer o pedido, os dois haviam sido aprovados como pais acolhedores. Segundo Seaman, porém, nenhuma colocação havia se concretizado.

Quando a enfermeira contou ao marido o que acabara de acontecer, Dan não descartou a possibilidade.

Enfermeira adota filho de paciente em seus últimos dias de vida, cumpre a promessa feita à mãe solo de 45 anos com câncer terminal e, anos depois, continua criando o menino como um de seus próprios filhos

A família começou a se aproximar de Somers e Wesley.

Tricia passou a visitar o apartamento da mãe, enquanto encontros foram organizados para que Wesley conhecesse Dan e os outros quatro filhos do casal.

Seaman mais tarde lembraria que, ao conhecer o garoto, sentiu tristeza pela situação de Somers e, simultaneamente, a sensação de que poderia estar conhecendo um futuro filho.

Família de seis pessoas abriu espaço para mais dois dentro de casa

A história não avançou diretamente da internação para a guarda de Wesley. Antes disso, a própria saúde de Somers se deteriorou.

A quimioterapia e a progressão da doença dificultaram tarefas básicas. Ela começou a ter problemas para caminhar, sair de casa, buscar comida e levar Wesley à escola.

Em maio de 2014, Seaman e o marido decidiram que não fazia sentido esperar que Somers morresse para começar a ajudá-la.

Convidaram mãe e filho para morar com eles.

A decisão transformou completamente a dinâmica doméstica.

A família Seaman, que já tinha quatro filhos, passou a dividir a rotina com Wesley e com uma mulher gravemente doente que precisava de medicação, alimentação, transporte e acompanhamento.

Somers não precisaria mais se preocupar sozinha com a comida do menino ou com o horário dos próprios remédios.

A nova família assumiria essas tarefas.

Enfermeira disse que já não era apenas profissional, mas família

Uma frase de Seaman resume a transformação daquela relação.

Em entrevista reproduzida pela ABC7, ela contou que, em determinado momento, disse a Somers que já não poderia ser apenas sua enfermeira porque agora era família.

Somers chorou ao receber o convite para ir morar com os Seaman.

A partir dali, os últimos meses de sua vida deixaram de ser vividos exclusivamente entre hospital, tratamentos e a preocupação com o futuro do filho.

Wesley começou a conviver com os quatro filhos de Tricia e Dan: Anna, Jenna, Emma e Noah.

O garoto, que antes era filho único, passaria a ter irmãs e um irmão.

Em entrevista de 2014, Wesley resumiu a mudança dizendo que, até então, só tinha a mãe e que estava feliz por agora ter também um irmão.

Somers viveu mais do que a previsão inicial e acompanhou a nova família se formar

Quando o estado da paciente piorou em 2014, houve momento em que os médicos estimaram que ela poderia ter apenas cerca de um mês de vida.

Somers, porém, permaneceu viva por mais tempo.

Isso permitiu que acompanhasse a integração de Wesley à família que ela própria havia escolhido.

Os Seaman não precisaram aprender depois de sua morte quais eram as tradições, preferências e histórias mais importantes entre mãe e filho.

Puderam conhecê-las diretamente.

Tricia Seaman disse em 2014 que essa convivência permitiria manter elementos da história de Wesley vivos no futuro, porque sua infância e a relação com a mãe não seriam um mistério para a nova família.

Essa característica distingue a história de muitas situações de tutela após a perda dos pais.

Somers não apenas escolheu quem criaria o filho.

Ela pôde conviver com aquelas pessoas enquanto ainda estava viva.

Tricia Somers morreu aos 45 anos em dezembro de 2014

O desfecho que todos temiam chegou em 7 de dezembro de 2014.

Tricia Lee Somers morreu aos 45 anos no Carolyn Croxton Slane Hospice Residence, em Harrisburg. Seu obituário registrou Wesley entre os sobreviventes e descreveu Daniel, Tricia, Anna, Jenna, Emma e Noah Seaman como sua família adotiva.

Wesley havia completado 9 anos poucas semanas antes.

Nos últimos estágios da doença, a família Seaman continuou visitando Somers no hospice ao lado do menino. Quando ela morreu, Tricia afirmou que todos estavam sofrendo, mas também sentiam paz por terem conseguido permanecer ao lado dela até o fim.

A promessa agora precisava continuar sem a presença da mulher que a havia feito nascer.

Casal assumiu oficialmente a responsabilidade por Wesley

Antes da morte de Somers, os Seaman já haviam iniciado a documentação para assumir legalmente o menino.

Depois de 7 de dezembro, Tricia e Dan se tornaram responsáveis por Wesley, e ele passou definitivamente a integrar a família. Fontes posteriores descrevem o casal como seus guardiões e, em alguns relatos, utilizam a linguagem de adoção para explicar a relação familiar estabelecida.

A distinção jurídica é importante.

O relato de 2016 da Us Weekly afirma que, depois da morte de Somers, os Seaman tornaram-se guardiões legais de Wesley.

Independentemente da terminologia adotada pelas diferentes reportagens, o resultado prático permaneceu o mesmo: Wesley continuou vivendo com Tricia, Dan e os quatro filhos do casal como membro da família.

A enfermeira havia cumprido a promessa feita no hospital.

Dois anos depois, Wesley já falava diariamente sobre a mãe dentro da nova casa

Em 2016, quase dois anos depois da morte de Somers, Wesley tinha 10 anos e seguia vivendo com os Seaman.

Tricia contou à Us Weekly que ele falava sobre a mãe todos os dias.

A intenção da família não era apagar Somers para construir uma nova história.

Era exatamente o contrário.

A mulher que havia confiado o filho a eles continuava presente nas conversas, nas lembranças e nas tradições familiares.

Seaman também escreveu um livro, “God Gave Me You”, sobre a amizade entre as duas mulheres e a maneira como Wesley passou a integrar sua família. O lançamento ocorreu em 2016.

A enfermeira dizia considerar um privilégio tanto ter conhecido Somers quanto poder criar seu filho.

Oito anos depois do pedido, Wesley continuava com a família

A confirmação mais forte de que a promessa não foi apenas um gesto momentâneo apareceu anos depois.

Em 2022, o jornal The Sentinel voltou à história.

Tricia Seaman tinha então 49 anos e continuava trabalhando como enfermeira oncológica. Wesley já era adolescente e, segundo a reportagem, estava prosperando dentro da família.

Oito anos haviam passado desde aquela conversa improvável dentro de um hospital.

O menino de 8 anos que corria o risco de perder sua única referência familiar tinha crescido cercado por irmãos e pelos adultos escolhidos pessoalmente por sua mãe.

A história já não era apenas sobre uma promessa feita a uma paciente terminal.

Era sobre o cumprimento dessa promessa ao longo de quase uma década.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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