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Engenheiro de 78 anos perde negócios na Venezuela, chega aos EUA com uma mala, não consegue emprego e recomeça do zero vendendo mais de 240 tortas por mês

Engenheiro de 78 anos perde negócios na Venezuela, chega aos EUA com uma mala, não consegue emprego e recomeça do zero vendendo mais de 240 tortas por mês

6 min de leitura

Engenheiro de 78 anos perde negócios na Venezuela, chega aos EUA com uma mala, não consegue emprego e recomeça do zero vendendo mais de 240 tortas por mês

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 10/09/2026 às 13:54

Atualizado em 10/09/2026 às 13:55

Curiosidades

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Máximo Mendoza construiu uma longa carreira na engenharia civil e participou de grandes projetos em Caracas, mas afirma ter perdido seus negócios na Venezuela. Aos 70 anos, permaneceu nos Estados Unidos e tentou conseguir emprego sem sucesso. Depois, aprendeu com a filha uma receita criada há mais de 30 anos e transformou a cozinha de casa em um pequeno negócio que hoje recebe pedidos de diferentes regiões de Miami.

Aos 78 anos, Máximo Mendoza entra semanalmente em um supermercado de Miami e enche o carrinho com farinha, açúcar, ovos e manteiga. Dias depois, os ingredientes viram tortas de chocolate e goiabada produzidas manualmente na cozinha de sua casa em Coral Gables. Somente em um dos meses recentes, ele preparou mais de 240 unidades, segundo reportagem publicada pelo Washington Post.

A cena contrasta radicalmente com a vida profissional que Mendoza construiu durante décadas. Formado em engenharia civil, ele administrou uma empresa na Venezuela e trabalhou em grandes projetos de Caracas. Entretanto, depois de perder seus negócios, deixou o país em meio à crise econômica, permaneceu nos Estados Unidos em 2018 e precisou reconstruir sua vida profissional praticamente do zero.

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O resultado dessa sequência de recomeços é a Max & Crust, negócio que nasceu modestamente em feiras locais e ganhou força depois de transformar a história pessoal de Mendoza em parte da identidade da marca.

Antes das tortas, ele construiu uma carreira como engenheiro

A confeitaria não fazia parte dos planos de Mendoza.

Quando jovem, ele queria estudar veterinária. Contudo, segundo seu relato ao Washington Post, episódios de violência guerrilheira provocavam interrupções recorrentes na universidade que frequentava em Maracay. Como sua família não conseguia sustentar indefinidamente os custos, ele retornou a Caracas, começou a trabalhar e passou a estudar engenharia à noite.

A decisão abriu uma carreira completamente diferente.

Mendoza posteriormente criou uma empresa e trabalhou em projetos importantes da capital venezuelana. Entre eles estava o Parque Central, um dos grandes complexos arquitetônicos de Caracas. Ele também prestou serviços relacionados a projetos municipais e estaduais e teve contratos com o arquiteto Enrique Delfino.

Durante anos, portanto, engenharia significou estabilidade econômica.

Até que essa estrutura começou a desaparecer.

Mendoza afirma que perdeu empresa e contratos na Venezuela

Mendoza relaciona o declínio de seus negócios às mudanças políticas ocorridas depois da eleição de Hugo Chávez em 1998.

O engenheiro, que se opunha ao governo, afirmou ao Washington Post que sua empresa dependia de contratos públicos e que esses trabalhos desapareceram. A reportagem apresenta essa parte como relato pessoal de Mendoza, e essa atribuição precisa permanecer clara na publicação do CPG.

Sem o negócio de engenharia, ele tentou recomeçar.

Dessa vez, mudou completamente de setor e passou para a agricultura, administrando uma fazenda que produzia e embalava milho-doce destinado a distribuidores.

Segundo Mendoza, posteriormente o governo também tomou esse empreendimento.

A sequência ajuda a entender por que uma carreira que parecia consolidada terminou, décadas depois, diante de um forno doméstico na Flórida.

O contexto econômico por trás dessas histórias já apareceu no CPG, que mostrou como a Venezuela passou da riqueza proporcionada pelo petróleo para uma crise econômica e um dos maiores movimentos migratórios recentes das Américas.

Viagem aos Estados Unidos em 2018 acabou se tornando mudança definitiva

Em 2018, Mendoza viajou aos Estados Unidos para participar da primeira comunhão da neta.

Naquele momento, a Venezuela atravessava uma profunda crise econômica. Sua filha, que já era cidadã norte-americana, convenceu os pais a permanecerem no país. Mendoza e a esposa solicitaram residência permanente por meio dela.

Eles tinham uma mala e algumas economias.

Quando o dinheiro começou a acabar, sua esposa conseguiu emprego em uma boutique. O casal também realizou trabalhos com entregas.

Mendoza, por sua vez, tentou retornar ao mercado formal.

Ele procurou diferentes oportunidades e chegou a se candidatar para trabalhar em um hospital e para carregar caminhões em uma loja de materiais de construção.

Ninguém o contratou.

Aos 70 e poucos anos, filha sugeriu começar novamente

Foi então que sua filha Ana apresentou uma possibilidade aparentemente improvável.

Ela sugeriu que o pai começasse a produzir tortas.

Havia apenas um problema: Mendoza praticamente não sabia cozinhar.

A receita vinha da própria Ana. Mais de 30 anos antes, quando ainda estudava na Venezuela, ela desenvolveu as tortas para ganhar dinheiro extra. Depois de se mudar para os Estados Unidos, continuou preparando algumas unidades ocasionalmente e chegou a vendê-las em feiras.

Imagem ilustrativa.

Agora, seria o pai quem aprenderia a receita.

Mendoza precisou começar literalmente do básico. A filha ensinou o processo, e ele passou a produzir as tortas manualmente.

Primeiras vendas aconteceram em uma pequena feira

Em março, Mendoza começou a vender seus produtos em um pequeno mercado de Key Biscayne, na região de Miami.

O volume inicial era pequeno. Entretanto, ele continuou preparando tortas e comparecendo às feiras semana após semana.

Nesse ponto, o negócio ainda dependia principalmente do produto.

Em novembro, porém, ocorreu uma mudança decisiva.

A marca passou por uma reformulação e adotou o nome Max & Crust. A estratégia colocou Mendoza — conhecido pelos clientes como Grandpa Max — no centro da comunicação.

A empresa deixou de vender apenas tortas.

Passou também a contar a história do engenheiro venezuelano que havia perdido sua antiga vida profissional e estava recomeçando depois dos 70 anos.

Mudança da marca foi seguida por disparada nos pedidos

Depois do reposicionamento, as vendas cresceram.

Pedidos começaram a chegar pelo Instagram e WhatsApp, tanto em espanhol quanto em inglês. Além disso, a clientela ultrapassou a comunidade venezuelana e passou a incluir consumidores de diferentes partes da região de Miami.

Em um dos meses seguintes, Mendoza registrou seu maior volume até então.

Foram mais de 240 tortas produzidas em apenas um mês.

Para atender à demanda, ele começava a trabalhar antes do amanhecer e, em alguns dias, terminava somente depois da meia-noite.

O negócio ainda funciona dentro da residência.

Porém, o volume já fez Mendoza descrever a operação como praticamente industrial.

História mostra outro lado da diáspora venezuelana

O empreendimento também se conecta a um fenômeno muito maior.

Milhões de venezuelanos deixaram seu país durante anos de deterioração econômica e instabilidade política. Parte dessa população construiu uma nova vida nos Estados Unidos, especialmente na Flórida.

O CPG já mostrou o movimento inverso mais recente, no qual venezuelanos passaram a deixar os Estados Unidos e retornar ao país diante da pressão migratória, do ambiente mais hostil e da distância da família.

Mendoza vive uma situação diferente. Ele conseguiu permanecer legalmente nos Estados Unidos por meio da filha e construiu sua nova atividade econômica em Miami.

Ainda assim, sua trajetória compartilha um elemento comum a muitas histórias migratórias: uma profissão consolidada no país de origem nem sempre se transforma imediatamente em oportunidade no destino.

Aos 78 anos, ele ainda quer transformar a cozinha em empresa maior

As 240 tortas mensais não representam o objetivo final.

Mendoza pretende ampliar o negócio para conseguir enviar seus produtos a clientes de outros estados norte-americanos. Depois, espera deixar a cozinha doméstica e instalar a operação em uma cozinha industrial.

Por enquanto, ele continua produzindo manualmente em Coral Gables.

Cada pedido representa uma transformação que dificilmente poderia imaginar quando trabalhava como engenheiro civil em Caracas.

Primeiro, perdeu a atividade profissional que havia construído durante décadas. Depois, tentou agricultura. Em seguida, mudou de país aos 70 anos, fez entregas e procurou empregos que não conseguiu.

Finalmente, aprendeu uma profissão que nunca havia exercido.

Hoje, aos 78 anos, aquele engenheiro que dizia não saber cozinhar prepara mais de 240 tortas em um mês e planeja transformar a pequena operação doméstica em um negócio capaz de vender para outros estados.

E você, teria coragem de aprender uma profissão completamente nova e começar um negócio do zero depois dos 70 anos?

Fonte

The Washington Post


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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