Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Engenheiro espanhol transforma uma ideia nascida durante seca em máquinas gigantes que “arrancam” água do próprio ar, chegam a cerca de 6 metros e produzem até 5.000 litros por dia para regiões da Namíbia e refugiados no Líbano

Engenheiro espanhol transforma uma ideia nascida durante seca em máquinas gigantes que “arrancam” água do próprio ar, chegam a cerca de 6 metros e produzem até 5.000 litros por dia para regiões da Namíbia e refugiados no Líbano

6 min de leitura

Engenheiro espanhol transforma uma ideia nascida durante seca em máquinas gigantes que “arrancam” água do próprio ar, chegam a cerca de 6 metros e produzem até 5.000 litros por dia para regiões da Namíbia e refugiados no Líbano

Escrito por Ana Alice

Publicado em 08/09/2026 às 23:45

Atualizado em 08/09/2026 às 23:46

Curiosidades

Canal

Engenheiro espanhol cria máquina de 6 metros que transforma umidade do ar em até 5.000 litros de água por dia para comunidades. – Imagem: Reprodução

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Criada durante uma seca na Espanha, tecnologia usa refrigeração para condensar a umidade do ar e produzir água, com versões industriais capazes de alcançar milhares de litros por dia.

O que começou como uma tentativa de obter água em plena seca no sul da Espanha acabou se transformando em uma tecnologia capaz de produzir milhares de litros por dia sem depender de poço, rio ou reservatório.

O engenheiro espanhol Enrique Veiga desenvolveu um sistema que resfria o ar até condensar a umidade presente nele e transformá-la em água, princípio que décadas depois seria levado a comunidades da Namíbia e a uma área de refugiados no Líbano.

Quando a Reuters acompanhou o trabalho, em agosto de 2021, Veiga tinha 82 anos.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

São Mateus recebe R$ 1,1 bilhão de 20 empresas e prepara novo ciclo industrial com mais de mil empregos no norte do Espírito Santo

São Mateus entrou em uma nova fase industrial com mais de R$ 1,1 bilhão anunciado por 20 empresas, uma carteira que combina fábricas, expansão de unidades já instaladas e a…

Paulo Nogueira

0

Naquele momento, sua empresa, a Aquaer, apresentava modelos pequenos capazes de gerar entre 50 e 75 litros de água por dia e versões maiores com produção declarada de até 5.000 litros diários.

A tecnologia não desapareceu depois daquela repercussão.

Material técnico mais recente relacionado aos equipamentos Aquaer descreve uma unidade industrial com capacidade nominal de 5.000 litros por dia, cerca de 6,1 metros de comprimento, 2,44 metros de largura, 2,59 metros de altura e aproximadamente sete toneladas.

A produção indicada, porém, depende das condições de temperatura e umidade do ambiente.

Em junho de 2026, o jornal espanhol El País voltou a citar a Aquaer entre empresas do país que desenvolvem tecnologias voltadas à escassez de água, mostrando que a iniciativa continuava ativa décadas depois dos primeiros experimentos de Veiga.

Uma seca espanhola deu origem à ideia

A história começou durante uma forte seca que atingiu o sul da Espanha na década de 1990.

Veiga, especializado em refrigeração, passou a trabalhar em uma maneira de aproveitar um fenômeno conhecido por qualquer pessoa que já tenha observado gotas se formando em um aparelho de ar-condicionado.

O ar contém vapor de água.

Quando esse ar é resfriado abaixo de determinada temperatura, parte do vapor se condensa e passa ao estado líquido.

O sistema desenvolvido por Veiga faz esse processo de maneira controlada e contínua: capta o ar ambiente, reduz sua temperatura e recolhe a água produzida pela condensação.

Segundo registros sobre a história da Aquaer, o primeiro gerador atmosférico foi apresentado na década de 1990 e a tecnologia passou por certificação técnica na Espanha nos anos seguintes.

A empresa posteriormente desenvolveu equipamentos em diferentes escalas para aplicações domésticas, comerciais e industriais.

Enrique Veiga posa ao lado de um equipamento da Aquaer desenvolvido para condensar a umidade atmosférica e transformá-la em água. Crédito: Diario de Sevilla/divulgação.

Máquina precisa de eletricidade, mas não de uma fonte de água

A expressão “tirar água do ar” pode dar a impressão de que a máquina produz água sem consumir outro recurso.

Não é exatamente isso.

O equipamento precisa de energia elétrica para movimentar o ar e operar o sistema de refrigeração.

O que ele dispensa é uma fonte convencional de água na entrada, como um poço, rio, reservatório ou rede pública.

Essa característica explica por que a tecnologia passou a despertar interesse principalmente em locais áridos, regiões remotas e situações humanitárias.

Na reportagem da Reuters de 2021, a Aquaer afirmava que seus equipamentos conseguiam operar com temperaturas de até 40°C e umidade relativa entre 10% e 15%, condições especialmente difíceis para sistemas convencionais de geração atmosférica de água.

Documentação técnica posterior apresenta faixa operacional ainda mais ampla para determinados equipamentos, chegando a temperaturas de até 50°C e umidade mínima de 15%.

Esses números variam conforme o modelo e não significam que a máquina mantenha sua produção máxima em todas essas condições.

Os 5.000 litros dependem do clima ao redor da máquina

Esse detalhe é essencial para entender a capacidade anunciada.

Uma máquina classificada para gerar 5.000 litros de água por dia não necessariamente produzirá essa quantidade todos os dias, independentemente de onde esteja instalada.

A quantidade de vapor disponível no ar muda com a temperatura e a umidade.

Quanto mais quente e úmido estiver o ambiente, maior tende a ser a quantidade de água que pode ser condensada com determinado gasto de energia.

Em ambientes extremamente secos, a máquina continua podendo funcionar dentro de seus limites técnicos, mas a produção efetiva pode cair.

Em documentação técnica recente, a capacidade de aproximadamente 5.000 litros por dia aparece calculada em condições de 25°C e 60% de umidade relativa.

O mesmo equipamento é apresentado com consumo elétrico nominal de 44,8 kW e potência instalada total de 70 kW, além de reservatório interno e sistema de tratamento com luz ultravioleta.

Por isso, a tecnologia não deve ser entendida como uma fonte ilimitada ou sem custo de água.

Ela transforma umidade atmosférica em água por meio de energia e equipamentos industriais.

O modelo industrial chega a pouco mais de seis metros

As dimensões ajudam a mostrar o salto entre os primeiros equipamentos e as unidades industriais posteriores.

O modelo de 5.000 litros descrito em material técnico recente mede 6,10 metros de comprimento, 2,44 metros de largura e 2,59 metros de altura.

Seu peso indicado é de cerca de 7.000 quilos.

Isso o coloca em uma categoria completamente diferente dos pequenos geradores apresentados na reportagem de 2021, que podiam ser transportados em carrinhos e produziam dezenas de litros diariamente.

A lógica, contudo, é a mesma.

Ar entra no equipamento, passa pelo processo de resfriamento e libera parte da umidade em forma líquida.

Depois, a água precisa passar pelas etapas de tratamento previstas no sistema antes do consumo.

Tecnologia chegou a comunidades da Namíbia

A busca de Veiga por aplicações humanitárias também levou os equipamentos para fora da Espanha.

A Reuters registrou em 2021 que máquinas da Aquaer já estavam fornecendo água a comunidades na Namíbia, país do sudoeste africano onde extensas regiões enfrentam clima árido e disponibilidade limitada de água.

Veiga relatou que moradores de alguns vilarejos demonstravam surpresa ao perceber que o equipamento conseguia produzir água sem estar conectado a uma fonte convencional.

A presença na Namíbia não era apenas experimental.

Registros anteriores sobre a empresa já mencionavam planos e estudos envolvendo o país, enquanto materiais comerciais posteriores passaram a listar a Namíbia entre os mercados alcançados pela tecnologia.

Um refugiado vietnamita levou a ideia a um campo no Líbano

Outra etapa da história começou longe da Espanha.

Nhat Vuong, refugiado vietnamita radicado na Suíça, conheceu Veiga e visitou em 2017 uma comunidade de refugiados próxima a Trípoli, no norte do Líbano.

Depois da visita, fundou a organização sem fins lucrativos Water Inception.

A entidade levou para o local uma máquina com capacidade nominal de aproximadamente 500 litros de água por dia, segundo a Reuters.

A instalação tinha uma escala menor que os equipamentos industriais de 5.000 litros, mas mostrava uma das aplicações que Veiga dizia considerar prioritárias: abastecer lugares nos quais perfurar poços ou transportar água diariamente é difícil.

Na época, Vuong também buscava recursos para instalar painéis solares e reduzir os custos de eletricidade e o impacto ambiental da geração.

Essa questão continua relevante porque energia é um dos principais fatores que determinam a viabilidade de geradores atmosféricos de água.

Não é uma tecnologia exclusiva da Aquaer

A condensação da umidade atmosférica não é uma descoberta exclusiva de Veiga.

Outras empresas e grupos de pesquisa desenvolveram equipamentos baseados no mesmo princípio físico.

O diferencial destacado pela Aquaer ao longo dos anos é a tentativa de manter o funcionamento em condições de temperatura elevada e umidade relativamente baixa, justamente aquelas encontradas em muitas regiões onde a escassez de água é mais grave.

Mesmo assim, a eficiência de qualquer sistema desse tipo depende do ambiente.

Produzir água em um local quente e úmido pode exigir significativamente menos energia por litro do que tentar obter a mesma quantidade em ar extremamente seco.

Por isso, esses equipamentos tendem a funcionar como uma alternativa complementar de abastecimento, principalmente em situações específicas, e não como substitutos universais de redes públicas, dessalinização, poços ou sistemas de captação de chuva.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile