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Entregador de jornal há 25 anos atende ao pedido de uma cliente idosa que só queria o jornal jogado mais perto da porta, percebe que quem não consegue andar 6 metros até o jornal também não consegue fazer compras, passa a buscar mantimentos de graça e vira a linha de vida de 140 idosos da rota, com mais de 1.000 idas ao mercado
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/09/2026 às 17:31
Atualizado em 08/09/2026 às 17:32
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Greg Dailey, de 51 anos, entregador de jornais em East Windsor, Nova Jersey, começou a fazer compras para uma cliente de 88 anos na pandemia de Covid-19 e, com a filha Erin e 12 voluntários, passou a atender 140 idosos, com mais de 1.000 idas ao supermercado sem cobrar nada
Greg Dailey, de 51 anos, entregador de jornais há 25 anos em East Windsor, Nova Jersey, transformou sua rota em uma rede de abastecimento para 140 idosos com medo de sair de casa durante a pandemia de Covid-19. Tudo começou quando uma cliente de 88 anos pediu que o jornal fosse jogado mais perto da porta, e, em seis meses, ele e a família já haviam feito mais de 1.000 viagens ao supermercado, entregando tudo de graça.
As informações foram publicadas pela CNN, em reportagem de Kathleen Toner, com atualização em 4 de dezembro de 2020, dentro da série CNN Heroes, com declarações de Dailey e de uma das idosas atendidas, Joan Coppinger.
Acorda às 4h e entrega jornais há 25 anos em East Windsor
Greg Dailey acorda às 4 da manhã todos os dias para começar a rota de entrega de jornais em East Windsor. Ele mantém esse segundo emprego há 25 anos.
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Paulo Nogueira
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A rota inclui 450 clientes que moram em condomínios para idosos, segundo o próprio Dailey. Foi esse público que virou o centro da iniciativa.
Loja de molduras fechou no fim de março e a rota virou a renda principal
Quando as ordens de confinamento em todo o estado o obrigaram a fechar sua loja de molduras, no fim de março de 2020, a entrega de jornais se tornou a principal fonte de renda de Dailey.
Foi nesse período, com a loja fechada, que ele passou a entregar muito mais do que jornais.
Cliente de 88 anos pediu o jornal mais perto da porta
A iniciativa começou quando uma das clientes idosas pediu que ele jogasse o jornal mais perto da porta dela. Alguns dias depois, na fila do supermercado, a senhora de 88 anos lhe veio à mente.
Dailey ligou para ela e perguntou se precisava de alguma coisa. Ela aceitou a oferta com gratidão e pediu alguns itens.
“Se ela não consegue andar 6 metros, como vai fazer compras?”
“Se ela não consegue andar 6 metros para comprar o jornal, como vai fazer compras no supermercado?”, disse Dailey à CNN. “Então, liguei para ela e perguntei se precisava de alguma coisa.”
O raciocínio ligou um pedido pequeno a um problema maior: a distância até a porta era a mesma barreira que impedia a idosa de sair de casa para se abastecer.
Pedido da vizinha e a conta dos 450 clientes em condomínios para idosos
Minutos depois do primeiro pedido, a senhora ligou de volta e perguntou se ele se importaria de comprar algumas coisas para a vizinha do outro lado da rua. Depois de entregar as compras, Dailey teve o que descreve como uma epifania.
“Eu entrego jornais para 450 clientes que moram em condomínios para idosos. São duas pessoas que moram a menos de trinta metros uma da outra e não conseguem sair para comprar mantimentos. E quanto aos outros?”, disse ele.
Bilhete junto com o jornal ofereceu compras de graça
Dois dias depois, todos os clientes de Dailey encontraram um bilhete dele junto com o jornal. “Entendo que, nestes tempos difíceis, algumas pessoas têm dificuldade em sair de casa para comprar itens essenciais do dia a dia”, dizia. “Gostaria de oferecer meus serviços gratuitamente a quem precisar de mantimentos, produtos de limpeza, etc.”
As respostas chegaram em grande número, e a notícia se espalhou para além dos clientes da rota. A esposa de Dailey, os dois filhos e a sogra passaram a ajudar, atendendo o telefone e auxiliando nas compras.
Erin, 24, montou o sistema: planilha, cupons e cinco a dez pedidos por dia
A filha de Dailey, Erin, de 24 anos, tornou-se parceira dele no projeto. Juntos, desenvolveram um sistema para controlar os pedidos, que chegam a uma média de cinco a dez por dia.
As pessoas preenchem uma planilha com informações de contato, códigos de desconto que possuam em diversas lojas e uma lista de compras detalhada. “Na maioria das vezes, tento manter a comunicação por e-mail”, diz Dailey. “Algumas pessoas não têm facilidade para usar tecnologias como e-mail ou mensagens de texto. Tenho clientes para os quais eu literalmente vou até a casa deles e pego os bilhetes na porta.”
Rotina: rota até 7h, supermercado às 9h, entregas até 19h
Depois de voltar da rota de jornais por volta das 7h, Dailey e Erin organizam os pedidos do dia. Às 9h, geralmente já estão em um dos dois supermercados locais, onde dividem as listas e começam a trabalhar, muitas vezes com ajuda de funcionários para achar itens.
“Outro dia, eu tinha uma lista que me deixou completamente perplexo. Tinha toneladas de frutas e vegetais, e eu não fazia ideia do que metade daqueles vegetais eram”, contou. Após um almoço rápido em casa, os dois fazem uma segunda rodada de compras e entregas, terminando entre 18h e 19h. Dailey vai para a cama cedo para recomeçar no dia seguinte.
Cheque na porta cobre só o custo das compras
Com o carro carregado, Dailey liga para cada casa quando está a caminho, informando o custo total dos itens. As compras ficam em um local combinado: garagem, porta-malas do carro ou porta de casa.
Em troca, ele recebe um cheque que o reembolsa pelo custo das compras. O serviço em si, as idas ao mercado e as entregas, não é cobrado.
Três meses sem folga, exceto o domingo de Páscoa
Durante os três primeiros meses da iniciativa, Dailey e Erin só tiraram folga no domingo de Páscoa. Dailey não gosta de chamar de “clientes” as pessoas que ajuda.
“Alguns deles, sinceramente, querem conversar. Eles se sentem sozinhos… enquanto outros simplesmente ficam atrás da porta e me mostram as mãos em sinal de oração”, disse. “Isso comove profundamente. A interação simplesmente elimina o cansaço. Me revigora e me dá energia porque eles são muito gratos.”
Joan Coppinger, com enfisema: “Sem ele, não sei como conseguiria fazer compras”
Joan Coppinger é uma das frequentadoras assíduas do serviço. Ela sofre de enfisema, doença respiratória que a coloca em alto risco diante do vírus, e não saía de casa desde março. A única filha mora em outro estado.
“Sem ele, não sei como conseguiria fazer compras. Os serviços de entrega da Instacart e as pessoas para quem você liga estão todos com a agenda lotada por semanas”, disse Joan. “Ele tem um bom coração e uma grande alma. Ele vai direto para o céu.”
Loja reabriu em junho, mas “enquanto precisarem de mim, estarei aqui”
Dailey reabriu a loja de molduras no início de junho de 2020, quando as restrições foram suspensas, mas percebeu que, enquanto a Covid-19 representasse uma ameaça, o trabalho continuaria necessário.
“Achei que o movimento diminuiria, mas ainda estou recebendo pessoas novas. Muitas estão com muito medo de sair. Eu disse a elas: ‘Enquanto precisarem de mim, estarei aqui’”, afirmou.
Em dezembro de 2020, 12 voluntários, ideia de ONG e um abraço adiado
Quando a reportagem foi atualizada, em 4 de dezembro de 2020, a esposa de Dailey havia assumido um papel maior desde a reabertura da loja, e a família contava com 12 voluntários, a maioria estudantes universitários. Dailey seguia envolvido nas entregas e pensava em criar uma organização sem fins lucrativos para que as pessoas pudessem apoiar o trabalho.
“Tudo aconteceu à distância, mas acabei me afeiçoando muito a vários deles. Criamos um vínculo”, disse ele sobre os 140 idosos da rota. “Sinceramente, mal posso esperar para dar um abraço nessas pessoas.”
Na sua opinião, iniciativas como a de Greg Dailey mostram que a solução para idosos isolados está na vizinhança, ou expõem a falta de serviços públicos e de entrega capazes de atender quem não pode sair de casa? Deixe sua opinião nos comentários.
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entregador de jornal faz compras para idosos na pandemia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

