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Escalador erra a rota na Sierra Nevada e fica preso com apenas um pé apoiado numa saliência de 15 centímetros, enquanto voluntários enfrentam uma operação de mais de 15 horas para conseguir retirá-lo da montanha
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 12/09/2026 às 09:09
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Rob Martin ficou preso a cerca de 3.230 metros de altitude depois de sair da rota correta, enquanto ventos fortes impediram que um helicóptero realizasse a retirada diretamente da parede
Uma escalada na Sierra Nevada, na Califórnia, terminou em uma das operações mais delicadas enfrentadas recentemente por equipes voluntárias de resgate da região. Rob Martin, de 51 anos, saiu da rota durante a subida da Laurel Mountain e acabou encurralado em uma parede quase vertical.
Segundo informações do Mono County Sheriff Search and Rescue, da Associated Press e de entrevistas concedidas posteriormente pelo próprio escalador, Martin passou aproximadamente nove horas sobre uma saliência de apenas 15 centímetros, enquanto equipes tentavam descobrir como retirá-lo com segurança.
Escalador se separou do companheiro durante subida da Laurel Mountain
Martin havia viajado com o parceiro de escalada Scott Berry para realizar a subida do Mendenhall Couloir, uma rota conhecida da Laurel Mountain, montanha que chega a aproximadamente 3.602 metros de altitude.
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Durante a ascensão, os dois acabaram seguindo por linhas diferentes. Berry continuou por uma área mais ao sul, enquanto Martin avançou por um trecho que se tornou progressivamente mais íngreme e instável.
Quando percebeu o problema, retornar já não parecia seguro.
Um pedaço da própria montanha se soltou quando ele tentou se apoiar
A gravidade da situação ficou evidente quando Martin tentou utilizar um grande pedaço de calcário como apoio e a rocha simplesmente se desprendeu da parede.
Pouco depois, ele conseguiu alcançar uma pequena saliência de aproximadamente 15 centímetros de largura e 30 centímetros de comprimento. O espaço era tão reduzido que Martin precisava alternar constantemente o peso entre as pernas.
Abaixo dele havia aproximadamente 730 metros de exposição vertical, segundo relatos publicados pelo San Francisco Chronicle. Uma queda naquele ponto poderia ser fatal.
Única proteção disponível também não parecia confiável
Martin procurou uma fissura na rocha onde pudesse instalar equipamentos de segurança, mas não encontrou nenhum ponto considerado adequado.
Sem alternativa, colocou uma fita ao redor de uma pequena formação rochosa e a conectou à própria cadeirinha. O problema era que a pedra se movimentava quando ele a puxava, tornando impossível confiar completamente naquele ponto de proteção.
Pedido de socorro foi enviado por satélite
Por volta das 13h20 de 22 de agosto, Martin acionou o botão SOS de um Garmin InReach Mini, equipamento capaz de enviar mensagens por satélite mesmo em locais sem cobertura de celular.
O alerta chegou às autoridades do Condado de Mono, que acionaram a equipe voluntária de busca e salvamento.
Martin estava aproximadamente a 3.230 metros de altitude, mas localizar exatamente sua posição na enorme parede ainda seria um desafio.
Ventos impediram retirada direta por helicóptero
Um helicóptero da California Highway Patrol chegou a ser mobilizado para tentar ajudar na operação.
As condições, porém, impediram uma retirada direta. Rajadas próximas dos 80 km/h, associadas à altitude e ao calor, tornaram perigosa uma tentativa de içamento junto à parede.
A aeronave conseguiu deixar socorristas em uma área elevada da montanha, mas a aproximação final teria de ser feita por terra.
Equipes carregaram cerca de 366 metros de corda pela montanha
Os voluntários levaram aproximadamente 366 metros de corda, além de equipamentos para perfuração, instalação de ancoragens, capacete e cadeirinha para Martin.
Mesmo depois de chegarem à parte superior da montanha, dois integrantes passaram mais de duas horas procurando pelo escalador.
O vento carregava os gritos pela parede e criava ecos, dificultando identificar de onde vinha a voz de Martin.
Cãibras começaram enquanto escalador tentava não adormecer
Durante as horas de espera, Martin movimentava constantemente mãos, pernas e pés para manter a circulação e tentar evitar que os músculos travassem.
Ele relatou posteriormente que começou a sentir cãibras nas mãos, pés e pernas.
Com a chegada da noite, outro temor apareceu: adormecer sobre aquela pequena saliência, perder o equilíbrio e cair.
Voluntários precisaram perfurar a rocha no escuro
Quando finalmente chegaram acima de Martin, os socorristas montaram uma ancoragem utilizando quatro pontos perfurados diretamente na rocha.
Um dos voluntários avançou lateralmente pela parede preso ao sistema de segurança, instalando novos pontos de proteção enquanto se aproximava do escalador.
Por volta das 22h, ele conseguiu finalmente conectar Martin às cordas e retirá-lo da pequena saliência onde permanecera durante aproximadamente nove horas.
Depois de ser retirado, Martin ainda terminou a subida
Martin foi levado inicialmente para uma área maior e mais segura, onde recebeu água e alimento.
Mesmo exausto, decidiu não passar a noite na montanha. Ele acompanhou os quatro socorristas até a crista da Laurel Mountain, alcançada aproximadamente às 0h45 do dia seguinte.
A operação terminou às 4h43, mais de 15 horas após o primeiro pedido de socorro.
No total, 14 voluntários participaram de diferentes etapas da missão, somando mais de 170 horas de trabalho voluntário. Apesar das cãibras e da longa exposição na montanha, Martin conseguiu sair sem ferimentos graves.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

