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Escassez de mão de obra chega na engenharia, Brasil pode ter falta de mais de 500 mil engenheiros e 90% das empresas da construção enfrentam dificuldade para encontrar profissionais; país tem só 6 engenheiros por mil habitantes
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/09/2026 às 23:06
Atualizado em 22/09/2026 às 23:20
Economia
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Estimativas reunidas pelo setor apontam déficit de 75 mil engenheiros e projeção superior a 500 mil até 2030; na Baixada Santista, representantes citam falta de especialistas em dragagem, solos e geotecnia, além de profissionais preparados para novas tecnologias da construção.
A falta de profissionais qualificados já alcança a engenharia e pressiona empresas ligadas à construção e à infraestrutura. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) reúne estimativas que apontam déficit de cerca de 75 mil engenheiros no Brasil e carência que pode superar 500 mil profissionais até 2030.
A entidade afirma que a escassez pode elevar custos, alongar prazos e reduzir a produtividade de projetos de infraestrutura. Os números apresentados pelo sindicato têm origens distintas e representam estimativas sobre a falta de profissionais, e não uma contagem de vagas abertas.
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O déficit de 75 mil engenheiros é atribuído pelo Sinicon à Confederação Nacional da Indústria (CNI). Já a projeção superior a 500 mil profissionais até 2030 aparece associada a estimativas do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), conforme a publicação do sindicato.
Dificuldade de contratação atinge a construção
Um levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), realizado em 2022, apontou que cerca de 90% das empresas pesquisadas enfrentavam dificuldades para contratar mão de obra qualificada, ante 77% em uma medição anterior.
O período da pesquisa é relevante porque o percentual de 90% continua sendo citado para dimensionar o problema enfrentado pelo setor, mas não corresponde a uma sondagem realizada em 2026. No levantamento original, as maiores dificuldades apareciam em funções como pedreiro, carpinteiro, mestre de obras e encarregado.
A mesma pesquisa mostrou que 72,67% das empresas estavam dispostas a custear qualificação para os empregados. Entre as entrevistadas, 43,33% preferiam treinamento prático e teórico dentro do próprio canteiro, alternativa destinada a aproximar a capacitação das necessidades encontradas na execução das obras.
No caso da indústria, o material reunido pelo Sinicon também cita dado da CNI segundo o qual 22,4% das empresas industriais encontram dificuldade para contratar trabalhadores qualificados. O percentual trata da mão de obra qualificada de forma geral e não se refere exclusivamente a engenheiros.
Baixada Santista exige profissionais especializados
Na Baixada Santista, representantes do setor apontam demanda por atividades que exigem especialização. Alexandre Euzébio, diretor de Inovação, Ciência e Tecnologia da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas), cita como principais lacunas profissionais de dragagem, estudos de solos e geotecnia.
“A CNI aponta a falta de trabalhadores qualificados como um dos maiores entraves. Na região, isso é agravado pela nossa vocação: a expansão do Porto de Santos, o Polo de Cubatão e o boom imobiliário, que exigem um perfil altamente técnico que simplesmente não encontramos em volume e prontidão suficientes”, afirma Euzébio.
Para o dirigente, essas especializações não oferecem demanda constante de trabalho e exigem experiência acumulada. “Áreas de superespecialização não têm ofertas constantes de trabalho, requerem profissionais com muita experiência e isso afasta os recém-formados de procurarem se especializar nestas áreas”, diz.
Euzébio também afirma que o Brasil possui seis engenheiros por mil habitantes, diante de cerca de 25 por mil em países desenvolvidos. Ele cita, ao mesmo tempo, mais de 1 milhão de profissionais registrados no País, número atribuído ao Confea.
A disponibilidade de profissionais com experiência específica é o ponto destacado pelo dirigente para explicar as lacunas regionais. Na Baixada Santista, as especialidades mencionadas por Euzébio exigem conhecimentos técnicos que não são encontrados, segundo ele, no volume e na prontidão demandados pelos projetos locais.
Experiência prática e novas tecnologias pesam na contratação
Lucas Teixeira, diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), afirma que a dificuldade para encontrar mão de obra é sistêmica e alcança praticamente todas as funções da construção, inclusive os engenheiros.
“No caso dos engenheiros, também existe essa dificuldade, especialmente diante da necessidade de profissionais cada vez mais preparados para acompanhar a evolução dos métodos construtivos e das novas tecnologias”, diz Teixeira.
O dirigente aponta demanda maior no Sudeste, especialmente no Estado de São Paulo, e relaciona a procura na Baixada Santista à atividade da construção civil regional. Para essas vagas, afirma, as empresas buscam formação acadêmica combinada com experiência prática e qualificação técnica.
“Há uma demanda crescente por profissionais que, além da formação acadêmica, tenham experiência prática, qualificação técnica e domínio das novas ferramentas utilizadas pela construção civil”, completa Teixeira.
Outro ponto citado pelo Sinicon é a redução das matrículas em cursos de engenharia entre 2015 e 2024. De acordo com os dados reunidos pela entidade, o total passou de mais de 1,2 milhão para cerca de 887 mil estudantes, embora o número de cursos tenha aumentado no período.
Entre as medidas defendidas pelo sindicato estão a ampliação da formação em engenharia, o fortalecimento da qualificação técnica, uma maior aproximação entre universidades e empresas e a atualização dos currículos às necessidades profissionais apontadas pelo setor.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

