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Escavação em terreno destinado a novo edifício na Suíça encontra paredes enterradas e revela complexo romano de 1.800 anos, com pelo menos 6 cômodos, vestígios de metalurgia e sinais de incêndio que encerrou sua ocupação

Escavação em terreno destinado a novo edifício na Suíça encontra paredes enterradas e revela complexo romano de 1.800 anos, com pelo menos 6 cômodos, vestígios de metalurgia e sinais de incêndio que encerrou sua ocupação

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Escavação em terreno destinado a novo edifício na Suíça encontra paredes enterradas e revela complexo romano de 1.800 anos, com pelo menos 6 cômodos, vestígios de metalurgia e sinais de incêndio que encerrou sua ocupação

Escrito por Ana Alice

Publicado em 19/09/2026 às 20:27

Atualizado em 19/09/2026 às 22:36

Ciência e Tecnologia

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Sítio romano de 1.800 anos na Suíça revela edifício, metalurgia e artefatos que ajudam a reconstruir a ocupação antiga de Ligornetto. – Imagem: Ilustrativa

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Escavações em Ligornetto identificaram um edifício romano, áreas de trabalho e resíduos de ferro e bronze. O sítio ainda guarda dúvidas sobre sua função e pode revelar novas pistas sobre a ocupação antiga da região.

Uma escavação arqueológica em Ligornetto, no Cantão do Ticino, sul da Suíça, revelou os restos de um edifício romano construído entre os séculos 2 e 3 d.C., além de uma grande quantidade de resíduos ligados ao trabalho com ferro e bronze.

A descoberta ocorreu em Stramonte, em uma área destinada à construção de um novo edifício residencial, e pode ajudar a esclarecer como atividades artesanais e agrícolas se organizavam nessa região há cerca de 1.800 anos.

Os trabalhos começaram em junho de 2026 e continuam em uma área de aproximadamente 500 metros quadrados, entre a atual Via Mastri e um curso d’água próximo à Via Passeggiata.

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O Departamento do Território do Cantão do Ticino anunciou oficialmente os resultados preliminares em 10 de setembro de 2026.

Até agora, os arqueólogos encontraram seis ambientes de uma construção em alvenaria, um pórtico, áreas abertas utilizadas para diferentes atividades e vestígios de estruturas anteriores.

Parte do edifício segue para oeste, além dos limites atuais da área investigada.

Edifício romano tinha pelo menos seis ambientes

A construção principal possui cerca de 8 metros de largura e pelo menos 11 metros de comprimento.

Os pesquisadores identificaram seis ambientes, mas o tamanho total ainda não é conhecido porque a estrutura continua sob uma área que não integra o trecho atualmente aberto.

No lado sul havia um pórtico de aproximadamente 3 metros de largura, voltado para uma pequena estrada.

Na parte posterior, foram investigados outros dois ambientes com cerca de 16 e 20 metros quadrados.

O edifício também passou por modificações durante sua utilização.

Entre os séculos 2 e 3 d.C., novas paredes divisórias foram acrescentadas e uma plataforma foi construída no pórtico.

Parte dessas intervenções utilizou tijolos romanos reaproveitados, mostrando que materiais de construções anteriores voltaram a ser empregados no local.

A função exata da estrutura, entretanto, continua sem resposta.

Estruturas romanas encontradas durante as escavações em Stramonte, em Ligornetto, no sul da Suíça. Crédito: Dipartimento del territorio / Daniela Rogantini-Temperli.

Ausência de lareiras levanta dúvidas sobre uso residencial

Um dos detalhes que chamou a atenção dos arqueólogos foi justamente aquilo que não apareceu durante a escavação.

Até agora, não foram identificadas lareiras ou outras estruturas normalmente associadas às atividades domésticas.

Por esse motivo, o Serviço de Arqueologia considera improvável que o edifício tenha funcionado como residência, embora a finalidade definitiva ainda não tenha sido estabelecida.

A interpretação foi reforçada após o sítio ser apresentado ao público em 16 de setembro de 2026.

Na ocasião, a arqueóloga Luisa Mosetti, do órgão responsável pelo patrimônio cultural, explicou à emissora pública RSI que a ausência de estruturas para cozinhar ou aquecer os ambientes aponta para outro tipo de utilização.

A equipe, porém, ainda não determinou qual atividade acontecia especificamente dentro de cada cômodo.

Por enquanto, o contexto ao redor do edifício oferece as pistas mais importantes.

Escória de ferro e resíduos de bronze revelam metalurgia

Nas camadas arqueológicas correspondentes aos séculos 2 e 3 d.C., os pesquisadores encontraram uma quantidade considerada excepcional de escória de ferro e resíduos relacionados ao trabalho com bronze.

A escória é o material descartado durante determinadas etapas do processamento do metal.

Sua presença em grandes quantidades indica que atividades metalúrgicas eram realizadas nas proximidades.

A arqueóloga Rosanna Janke também confirmou que resíduos do trabalho com ferro aparecem em abundância no sítio.

A conclusão mais segura até agora é que o metal era processado perto do edifício, não necessariamente dentro dos ambientes já descobertos.

Essa diferença é importante porque os arqueólogos ainda não localizaram elementos suficientes para definir a construção como uma oficina metalúrgica.

O que as evidências permitem afirmar é que Stramonte fazia parte de uma área com atividades artesanais e agrícolas, e que a metalurgia teve presença significativa naquele espaço.

Área aberta tinha estruturas leves e pequeno caminho

Atrás do edifício existia uma ampla faixa de terreno utilizada para diferentes atividades.

Ali, os arqueólogos identificaram buracos deixados por postes.

Essas marcas indicam a antiga presença de estruturas mais leves, como coberturas ou construções feitas principalmente de madeira.

Também apareceu um pequeno caminho formado por tijolos reutilizados.

Segundo o Departamento do Território, ele provavelmente servia como passagem e também poderia marcar uma divisão dentro da área utilizada.

A combinação de estrada, construção em alvenaria, áreas abertas, estruturas leves e resíduos de produção oferece aos pesquisadores uma imagem mais detalhada do uso daquele trecho do território durante o período romano.

Visão geral de parte da área arqueológica de Stramonte, onde foram identificadas estruturas romanas e vestígios de diferentes períodos. Crédito: Dipartimento del territorio / Archivio UBC, Servizio archeologia.

Ocupação do local começou antes do edifício de pedra

A história encontrada sob o solo de Stramonte não começa com a construção de aproximadamente 1.800 anos.

As evidências mais antigas descobertas na escavação atual são restos de estruturas de madeira dos últimos decênios antes do início da Era Comum.

No século 2 d.C., o terreno foi nivelado para permitir a construção do edifício de alvenaria que hoje ocupa a maior parte da investigação arqueológica.

Isso mostra que o lugar já era utilizado antes da estrutura romana mais visível encontrada em 2026.

Em uma escala regional, os vestígios arqueológicos conhecidos no Mendrisiotto abrangem um período ainda maior.

O Cantão do Ticino registra evidências desde a Idade do Ferro, passando pelo período romano e chegando ao início da Idade Média.

Grande incêndio encerrou uso do edifício

A trajetória da construção terminou de maneira abrupta.

Durante o século 3 d.C., um incêndio de grandes proporções atingiu o complexo e provocou o desabamento de sua cobertura feita com materiais cerâmicos.

Os arqueólogos encontraram quantidades expressivas de carvão no solo, preservadas como evidência desse episódio.

Até o momento, não foi divulgada uma causa para o incêndio.

Também não há evidência apresentada pelas autoridades que permita determinar se as pessoas abandonaram definitivamente toda a área imediatamente após o fogo ou se outras partes próximas continuaram sendo utilizadas.

Pequena peça de bronze apareceu entre os achados

Entre os objetos recuperados está uma fíbula zoomorfa de bronze, espécie de broche utilizado para prender roupas.

A peça, datada dos séculos 2 e 3 d.C., provavelmente representa um pavão.

O objeto foi incluído entre as imagens divulgadas oficialmente após o anúncio da descoberta.

O broche é um dos exemplos dos artefatos móveis encontrados durante a investigação.

Enquanto paredes e estruturas são cuidadosamente documentadas durante o avanço da escavação, pequenos objetos recuperados no terreno podem ser levados para conservação e estudo em laboratório.

Alguns desses materiais serão encaminhados a Bellinzona para trabalhos de restauração e análise.

Fíbula de bronze encontrada em Ligornetto, provavelmente representando um pavão e datada dos séculos 2 e 3 d.C. Crédito: Dipartimento del territorio / Rogantini-Temperli.

Região estava ligada a Como e Milão na época romana

A descoberta não está isolada dentro da paisagem arqueológica do sul da Suíça.

Durante o período romano, Ligornetto e o restante do Mendrisiotto estavam na esfera de influência dos centros urbanos de Como e Milão, atualmente em território italiano.

Inscrições descobertas anteriormente em Stabio e Ligornetto documentam famílias relacionadas a pessoas que ocuparam cargos políticos nessas cidades.

A menos de um quilômetro do sítio de Stramonte também estão os vestígios da grande vila romana de San Pietro di Stabio.

A região já revelou sepulturas, áreas associadas a práticas religiosas e, de períodos posteriores, numerosos enterramentos lombardos.

Esses achados ajudam a colocar o novo edifício dentro de uma área ocupada e transformada ao longo de muitos séculos.

Visitantes observam o sítio romano de Stramonte durante a apresentação pública realizada em setembro de 2026. Crédito: RSI.

Escavações continuam durante o outono de 2026

O sítio foi aberto ao público em 16 de setembro de 2026, seis dias depois do anúncio oficial da descoberta.

A visita permitiu observar as estruturas enquanto elas ainda estavam expostas e acompanhar parte do trabalho dos arqueólogos.

A interpretação do conjunto permanece em desenvolvimento, especialmente em relação à função exata do edifício.

Os trabalhos em Stramonte devem prosseguir ao longo do outono de 2026.

A expectativa do Serviço de Arqueologia é que as próximas etapas permitam documentar camadas mais antigas e reunir novos dados sobre a ocupação romana do Mendrisiotto.

Como parte do edifício ultrapassa o limite atual da escavação e os arqueólogos ainda não concluíram a análise dos materiais, a interpretação poderá mudar à medida que novas estruturas e objetos forem identificados.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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