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Escavação para reformar casa encontra três grandes jarros enterrados sob o piso e arqueólogos descobrem cerca de 40 mil moedas romanas escondidas há mais de 1.700 anos; quantidade impressiona e pode revelar como famílias guardavam dinheiro no fim do Império Romano

Escavação para reformar casa encontra três grandes jarros enterrados sob o piso e arqueólogos descobrem cerca de 40 mil moedas romanas escondidas há mais de 1.700 anos; quantidade impressiona e pode revelar como famílias guardavam dinheiro no fim do Império Romano

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Escavação para reformar casa encontra três grandes jarros enterrados sob o piso e arqueólogos descobrem cerca de 40 mil moedas romanas escondidas há mais de 1.700 anos; quantidade impressiona e pode revelar como famílias guardavam dinheiro no fim do Império Romano

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 16/09/2026 às 11:55

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Credit: Simon Ritz/Inrap

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Uma obra em Senon, na França, levou arqueólogos a mais de 40 mil moedas romanas enterradas sob casas antigas e guardadas em jarros acessíveis pelo piso.

Os arqueólogos retiravam terra de uma área onde uma casa seria ampliada quando começaram a aparecer paredes, pisos e restos de um bairro que havia desaparecido havia séculos. Era 2025, no pequeno vilarejo de Senon, no nordeste da França. Sob o piso de antigas casas romanas, a equipe encontrou grandes recipientes de cerâmica colocados dentro de buracos feitos de propósito. Dois ainda guardavam dezenas de milhares de moedas.

Um terceiro havia sido retirado na própria Antiguidade, deixando sua marca no solo e apenas três moedas para trás. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas da França, o Inrap, a escavação cobriu cerca de 1.500 metros quadrados e revelou três depósitos de dinheiro feitos entre os anos 280 e 310. Comunicado oficial do Inrap sobre Senon

A quantidade chamou atenção imediatamente. O primeiro recipiente tinha cerca de 38 quilos de moedas, o equivalente a aproximadamente 23 mil a 24 mil peças. O segundo chegou perto de 50 quilos e pode ter guardado outras 18 mil a 19 mil moedas. Somados, os dois passam de 40 mil peças. Mas o lugar onde estavam chamou ainda mais atenção dos pesquisadores.

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Os jarros não pareciam ter sido escondidos às pressas. Eles estavam colocados de forma que suas aberturas ficassem perto do nível do chão, como se os moradores pudessem colocar ou retirar dinheiro sempre que precisassem.

A descoberta começou por causa de uma ampliação comum

O terreno fica em Senon, no departamento de Meuse, perto de Verdun. Uma ampliação de residência levou à escavação antes que a obra avançasse sobre uma área já conhecida por ter restos antigos.

Foi assim que uma obra particular abriu caminho para uma escavação muito maior. Durante cerca de três meses, a equipe do arqueólogo Simon Ritz examinou uma área de 1.500 metros quadrados e começou a reconstruir a história do bairro.

Credit: Simon Ritz/Inrap

O dinheiro apareceu dentro desse cenário. Não estava sozinho em um campo nem dentro de uma caverna. Estava exatamente onde pessoas viviam, trabalhavam, cozinhavam e guardavam seus bens.

O primeiro recipiente tinha cerca de 24 mil moedas

Quando os pesquisadores começaram a estudar o primeiro conjunto, não contaram todas as peças imediatamente. A quantidade era grande demais, e parte do cálculo precisou ser feita pelo peso.

O especialista em moedas antigas Vincent Geneviève informou ao Live Science que o primeiro conjunto pesava cerca de 38 quilos. Isso corresponde a aproximadamente 23 mil a 24 mil moedas.

Essas peças ficaram juntas dentro do recipiente por cerca de 1.700 anos. A data indicada pelos pesquisadores coloca o depósito entre o fim do século III e o começo do século IV.

O segundo jarro carregava outros 50 quilos de metal

O segundo conjunto era ainda mais pesado. As moedas e o material retirado de dentro do recipiente chegaram a cerca de 50 quilos.

O gargalo estava quebrado quando os arqueólogos chegaram. Cerca de 400 moedas foram recuperadas nessa parte, e o tamanho do conjunto levou a uma estimativa de 18 mil a 19 mil peças.

Somando os dois recipientes, a quantidade passa facilmente das 40 mil moedas. O estudo completo, porém, exige limpeza, separação e identificação de milhares de pequenas peças uma por uma.

O terceiro recipiente já havia desaparecido na época romana

Havia ainda um terceiro depósito. Nesse caso, os arqueólogos não encontraram o grande recipiente cheio.

A marca deixada por ele continuava visível no solo, mas o vaso tinha sido retirado ainda na Antiguidade. Restaram apenas três moedas dentro do espaço onde ele havia ficado.

Isso mostra que pelo menos alguém conseguiu voltar para buscar parte do dinheiro. Os outros dois conjuntos tiveram destino diferente e acabaram esquecidos sob as construções.

Os jarros estavam onde os moradores podiam alcançar

A posição dos recipientes mudou a interpretação da descoberta. Eles estavam enterrados em buracos feitos dentro das áreas de moradia, mas suas bocas ficavam muito perto do nível do piso.

Assim, uma pessoa não precisaria cavar tudo novamente para pegar algumas moedas. Bastava abrir o acesso, colocar ou retirar o dinheiro e fechar de novo.

Os pesquisadores encontraram até moedas presas perto das bordas de dois recipientes. Para o Inrap, isso indica que novas peças foram colocadas ali depois que os jarros já estavam enterrados.

O suposto tesouro pode ter sido uma espécie de cofre doméstico

A primeira imagem que milhares de moedas enterradas provoca é simples: alguém entrou em pânico, escondeu uma fortuna e nunca mais voltou.

Os arqueólogos, porém, não estão certos de que tenha acontecido dessa forma. O cuidado usado para instalar os recipientes e a facilidade de acesso apontam para outra possibilidade.

Credit: Simon Ritz/Inrap

As famílias poderiam estar usando os jarros como um tipo de cofre. O dinheiro entrava aos poucos e também podia ser retirado quando necessário, quase como uma reserva mantida dentro da própria casa.

As moedas foram guardadas entre os anos 280 e 310

Os três depósitos parecem ter sido feitos entre aproximadamente 280 e 310 depois de Cristo. Essa data coloca o dinheiro em um período de grandes mudanças no mundo romano.

Entre as moedas já reconhecidas aparecem nomes como Victorino, Tétrico I e Tétrico II. Eles governaram durante o período do chamado Império Gálico, quando parte dos territórios do oeste se separou temporariamente do restante do Império Romano.

A região voltou ao controle romano antes de muitos desses depósitos serem feitos. As moedas antigas, porém, continuaram circulando e sendo usadas no dia a dia.

As casas tinham até aquecimento debaixo do piso

Os jarros não estavam dentro de moradias pobres e improvisadas. A escavação revelou casas de pedra, porões, áreas de trabalho e grandes pátios.

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Alguns cômodos tinham hipocausto, um sistema romano de aquecimento. O ar quente circulava em espaços abaixo do piso e ajudava a aquecer o ambiente durante os períodos frios.

Os arqueólogos também encontraram fornos, lareiras e sinais de atividades feitas dentro das propriedades. O conjunto aponta para moradores que tinham uma vida confortável para os padrões daquele período.

Comerciantes e artesãos podem ter vivido naquele bairro

O Inrap acredita que parte dos moradores poderia trabalhar com comércio ou produção de objetos. A localização das casas reforça essa ideia.

O bairro ficava no centro da antiga cidade. Nas proximidades havia uma praça pública e construções importantes, como templos, termas e um possível teatro.

Também existia uma fortificação a cerca de 150 metros da área onde os jarros apareceram. Os pesquisadores ainda estudam se existe alguma ligação entre essa estrutura e o dinheiro guardado nas casas.

Um grande incêndio pode explicar por que o dinheiro ficou para trás

No começo do século IV, o bairro sofreu um grande incêndio. As marcas deixadas pelas chamas aparecem nas camadas estudadas pelos arqueólogos.

Foi justamente nessa época que os depósitos deixaram de ser usados. O Inrap considera possível que o incêndio tenha provocado uma quebra tão grande na rotina dos moradores que parte do dinheiro acabou esquecida.

As casas não desapareceram imediatamente. Depois do fogo, os moradores voltaram e reconstruíram parte do bairro usando paredes antigas e materiais retirados de construções que já estavam abandonadas.

A cidade tentou recomeçar, mas outro incêndio chegou

A reconstrução durou pouco em comparação com os séculos anteriores de ocupação. O Inrap calcula que essa nova fase tenha continuado por no máximo cerca de 50 anos.

Por volta da metade do século IV, outro grande incêndio atingiu o bairro. Dessa vez, a área acabou abandonada.

Os jarros cheios permaneceram onde estavam. Paredes caíram, novas camadas de terra cobriram os pisos e a antiga cidade sumiu da paisagem que continuou sendo usada nos séculos seguintes.

Senon já escondia uma cidade antes de revelar as moedas

A descoberta também mostrou que a história do lugar começou bem antes das casas romanas. Sob essas construções apareceram buracos, valas e marcas de postes ligados a uma ocupação gaulesa mais antiga.

Os pesquisadores acreditam que o assentamento existia desde pelo menos o século II antes de Cristo. Senon teria sido uma das cidades importantes dos Mediomátricos, povo que ocupava essa parte da antiga Gália.

Depois da chegada do domínio romano, as construções mudaram. Ruas foram cobertas com pedras, casas ganharam paredes mais resistentes e o bairro passou por uma longa fase de crescimento.

A região já tinha outros depósitos de moedas

Encontrar dinheiro romano enterrado na região não é algo totalmente novo. O próprio Inrap informa que cerca de 30 depósitos monetários já eram conhecidos no departamento de Meuse.

Por isso, os arqueólogos dizem que o mais importante nesse caso não é apenas o número de moedas. O grande valor está em saber exatamente onde elas estavam e como haviam sido colocadas.

Muitas descobertas antigas perderam esse tipo de informação porque foram retiradas do solo sem cuidado. Em Senon, paredes, pisos, jarros e moedas puderam ser estudados juntos.

Mais de 40 mil moedas agora precisam contar sua própria história

O trabalho não terminou quando os recipientes saíram do chão. Pelo contrário. Com dezenas de milhares de peças, a parte mais demorada começou depois da escavação.

Cada moeda pode revelar quando foi produzida, quem governava naquele momento e onde ela foi feita. Marcas de uso também ajudam a entender por quanto tempo circulou antes de terminar dentro do jarro.

Vincent Geneviève e Jean-Denis Laffite aparecem no comunicado oficial como os especialistas responsáveis pelo estudo das moedas. O trabalho ainda pode mudar detalhes sobre as datas e sobre a forma como esses depósitos foram usados.

Uma ampliação de casa abriu o piso de um bairro perdido

O proprietário queria ampliar uma residência. Antes que a construção avançasse, arqueólogos entraram no terreno para verificar o que havia embaixo.

Encontraram ruas, casas, oficinas, aquecimento sob o piso e marcas de dois grandes incêndios. No meio daquele bairro apareceram os recipientes que moradores haviam colocado no chão cerca de 1.700 anos antes.

Um deles tinha cerca de 24 mil moedas. Outro guardava perto de 19 mil. O terceiro já havia sido retirado por alguém que viveu naquela mesma cidade antiga.

As moedas ficaram para trás. A cidade desapareceu. Séculos depois, uma obra comum voltou a abrir o piso e encontrou o dinheiro exatamente onde seus donos o haviam deixado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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