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Esqueça o asfalto comum: estrada feita com 6 mil garrafas de leite transforma plástico difícil de reciclar em pavimento e mostra como resíduos rejeitados por recicladores podem ganhar nova vida na China.
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 16/09/2026 às 19:56
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Projeto implantado em um campus universitário de Xangai incorporou embalagens pós-consumo e outros resíduos plásticos a cerca de 300 metros de asfalto modificado, em uma aplicação voltada a materiais recicláveis que enfrentavam dificuldades para entrar na cadeia convencional de reaproveitamento.
Mais de 6 mil garrafas de leite usadas foram transformadas em matéria-prima para um pavimento de asfalto modificado com polímeros em Xangai, na China. O projeto deu outra destinação a embalagens recicláveis que podiam ser rejeitadas por causa de resíduos do produto deixados em seu interior.
A iniciativa reuniu a Dow, a marca chinesa de laticínios Shiny Meadow e a Universidade de Ciência e Tecnologia da China Oriental (ECUST). O trecho foi implantado no campus de Xuhui da instituição e recebeu também outros resíduos plásticos pós-consumo.
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Apresentado no Dia da Terra, em abril de 2021, o projeto foi chamado de “Milk Bottle Road”. Em comunicado sobre a iniciativa, a Dow informou que mais de 6 mil garrafas usadas foram incorporadas ao asfalto modificado por polímeros, conhecido pela sigla PMA.
A universidade registrou que o trecho tinha cerca de 300 metros e apresentou a obra, na ocasião, como a primeira estrada chinesa pavimentada com plástico reciclado. A demonstração ficou instalada dentro do próprio campus.
Por que as garrafas encontravam dificuldade na reciclagem
O problema abordado pelo projeto não era a impossibilidade técnica de reciclar as embalagens. A Dow afirmou que as garrafas de leite são recicláveis, mas explicou que restos do produto podem elevar o risco de contaminação e fazer com que recicladores evitem receber esse material.
Isso cria uma diferença prática entre um plástico ser reciclável e efetivamente chegar a uma operação de reaproveitamento. A Shiny Meadow relatou que, apesar de já utilizar embalagens recicláveis, enfrentava dificuldades para encontrar uma destinação adequada para parte das garrafas depois do consumo.
No projeto de Xangai, o plástico recolhido passou por processamento até se tornar material reciclado pós-consumo. Depois, foi incorporado à mistura empregada no pavimento, transformando um resíduo com baixa aceitação naquele fluxo de reciclagem em matéria-prima para outra aplicação.
A chamada “estrada de plástico”, portanto, não era formada apenas por garrafas derretidas. Os resíduos entraram na composição de um asfalto modificado com polímeros, junto aos demais componentes necessários à pavimentação, sem substituir integralmente os materiais convencionais.
Essa distinção ajuda a entender o alcance da experiência. O projeto demonstrou uma aplicação específica para resíduos pós-consumo que enfrentavam dificuldade de destinação, e não a substituição completa do asfalto convencional por plástico reciclado.
Como o plástico entrou na mistura asfáltica
A tecnologia empregada foi a ELVALOY RET, desenvolvida pela Dow para modificação de asfalto. A empresa associou o sistema à incorporação de plástico reciclado ao PMA e afirmou que pavimentos desse tipo podem apresentar desempenho e durabilidade superiores aos de misturas sem modificação.
A companhia também relacionou a tecnologia à possibilidade de reduzir a quantidade de betume necessária e ampliar a vida útil do pavimento. Essas vantagens, contudo, foram apresentadas pela própria Dow, e o comunicado do projeto não trouxe medições independentes específicas sobre o desempenho do trecho construído em Xangai.
O registro divulgado pela ECUST confirma o uso das mais de 6 mil garrafas e de outros resíduos plásticos nos aproximadamente 300 metros de pavimento. A instituição relacionou a experiência à aplicação da ciência de materiais na busca por novas destinações para resíduos.
Por estar dentro de uma universidade, a estrada também teve caráter demonstrativo. Li Tao, então vice-presidente da ECUST, apresentou a iniciativa como um exemplo de aplicação de ciência e inovação ao problema dos resíduos plásticos e como referência prática para estudantes da instituição.
Projeto fazia parte de experiências anteriores na Ásia
A estrada de Xangai não foi a primeira iniciativa da Dow envolvendo plástico reciclado em pavimentação na região. A empresa informou que começou a trabalhar com esse tipo de aplicação em 2017, em Depok, na Indonésia, antes de participar de projetos semelhantes em outros países asiáticos.
Na Índia, a companhia citou trabalhos realizados com parceiros em Pune e Bangalore, envolvendo empresas de gestão de resíduos e governos locais. A proposta seguia a mesma linha de direcionar parte do plástico pós-consumo para aplicações em pavimentos modificados.
O caso chinês se diferenciou pelo uso de milhares de embalagens de leite cuja destinação havia se tornado problemática apesar de serem recicláveis. Ao incorporá-las à mistura asfáltica, o projeto criou uma saída específica para um resíduo que podia perder valor quando chegava contaminado à cadeia de reciclagem.
À época da implantação em Xangai, a Dow também informou que havia iniciado uma colaboração com o Siam Cement Group, na Tailândia, para desenvolver aplicações de plástico reciclado em estradas asfaltadas, ampliando para outro país asiático as experiências da empresa com esse tipo de uso.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

